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20.2.19

Ícone turístico em risco?


Esta primeira imagem é das mais conhecidas quando se trata de divulgar Ansião, numa espécie de ícone turístico. É um local bonito, disso não há a mínima dúvida.
Olhando com atenção, há pormenores que importam destacar. O primeiro, e o mais negativo, é que parte da ponte é em betão, algo que devia envergonhar quem se lembrou de tal coisa há muitos anos. Daí a sugestão para retirarem aquele corpo estranho e colocarem uma laje calcária, de preferência antiga, em vez de uma limpinha.
Depois há outro pormenor que me preocupa, ou seja o mau estado da ponte, que necessita de manutenção. A base dos pilares está cada vez mais frágil e se nada for feito, daqui a uns anos pode mesmo ruir.
Locais como este são de preservar, não numa (i)lógica circense, mas sim utilitária. Todo aquele eixo que vai de Ansião ao Marquinho tem potencial e quando digo potencial não é fazer o mesmo que se fez em Ansião. Em Ansião foi importante fazer aquela obra, mas para jusante não é recomendável fazer o mesmo, mas sim preservar o que existe e pensar a coisa de outra forma.




12.2.19

Um par de estalos era pouco...

Tinha ido dar uma voltinha a pé por um dos locais que mais me diz, o qual fez parte da minha juventude enquanto espaço de descoberta. Foi, portanto, um dos locais que mais me influenciou, daí ter um carinho muito especial pelo mesmo. Quando passei a ponte em madeira, reparei que ali no antigo moinho, na parte por onde dantes escoava a água, havia algo a mais. Aproximei-me e comecei a perceber do que se tratava. Lixo!
Dei a volta ao edifício, entrei e aí disse umas coisas feias, tal o cenário com o qual me deparei. Paredes grafitadas, colchões e lixo q.b.. Há putos que não têm educação alguma em casa. Um par de estalos era pouco...
Tendo em conta este cenário, fica o apelo à Câmara Municipal de Ansião, para que proceda à limpeza deste edifício com simbolismo, mas sem utilização, colocando uma porta à prova de vândalos. 






18.6.18

Nabão, uma questão de marketing territorial...


Há uns dias, e enquanto "deambulava" nas redes sociais, deparei-me com dois amigos que estavam a  dissertar sobre a nascente do Rio Nabão, em Ansião (sim, é mesmo em Ansião), após uma referência ao Rio Nabão numa rádio nacional. Como é algo que me é próximo, "intrometi-me" na conversa...
A nascente do Rio Nabão é, para mim, um lugar muito especial. Foi um dos meus locais de brincadeira em miúdo, tal como o antigo lagar ali próximo (arrasado para dar lugar a um pseudo centro de interpretação ambiental, ou como eu sempre disse, um alibi para ir buscar fundos comunitários para depois transformar noutra coisa que não centro de interpretação ambiental...). Familiares tinham também um terreno, o qual foi vendido aquando do início deste projecto (daí eu saber bem toda a história subjacente ao mesmo, ou seja, já sabia que depois iria ser um restaurante...).
Mas voltando ao cerne da questão, os meus dois amigos falavam da nascente do Nabão, ou simplesmente "Olhos de Água". Apontei então uma questão basilar, ou seja o facto de Ansião nunca ter "vendido" a imagem de que é em Ansião que nasce o Rio Nabão. Não são assim tantos os que sabem que é ali que nasce o Rio Nabão. Muitas pessoas não sabem sequer onde é Ansião nem imaginam que é ali que brota a água que vali alimentar o caudal inicial do Nabão. Por outro lado já sabem onde é Tomar e associam o Rio Nabão a Tomar. É aqui que entra o que eu considero uma falha imperdoável em termos de marketing territorial, ou seja, e de uma forma simples, afirmar Ansião também nesta perspectiva.
No mesmo diálogo com os meus amigos, um deles disse que o facto de o caudal ser ocasional era um problema, já que poderia prejudicar uma campanha de marketing da forma que eu idealizo. É algo de compreensível, contudo em termos de marketing territorial não é problema algum, muito pelo contrário. O que é problemático é não existir um marketing territorial que foque esta questão. O que está em défice é mesmo a divulgação e a interpretação de toda esta questão associada aos Olhos de Água, desde o que vemos à superfície até ao que lá está por baixo, sejam as grutas, sejam os aquíferos. Há toda uma interpretação que não existe, prejudicando assim a valorização daquela área e a própria imagem de Ansião. Quantos são os que passando no IC8 sabem que é ali mesmo que nasce o Rio Nabão?
"Nem quero imaginar" o quanto perplexos muitos ansianenses vão ficar quando souberem, de facto, o que ali existe por baixo... Enquanto espeleólogo já tive o privilégio de lá ir abaixo e ver aquela beldade. Lembro-me do que vizinhos meus, já de idade, me diziam há 30 anos sobre o que lá havia em baixo... Um deles dizia que cabia lá uma igreja, muito embora isso não corresponda à verdade, o certo é que iluminou a minha mente e espicaçou a curiosidade que, em parte, me fez quem sou.



25.2.18

Como é isto possível?




Fiquei perplexo quando me apercebi desta obra (Dezembro de 2017), já que esta obra foi feita a escassos metros da captação de água dos Olhos de Água, actualmente desactivada (muito embora num futuro próximo possa vir a dar novamente jeito...). Já não é a primeira obra que choca contra o perímetro de protecção de captações de água subterrânea, contudo trata-se de uma obra muito recente. Não sei se esta obra será legal, mas irei indagar sobre o facto.
Infelizmente os recursos aquíferos são muito maltratados na região de Sicó e Ansião não é excepção, daí andar a tentar promover uma iniciativa que poderá ajudar a mudar o paradigma. A ver vamos...
Para quem possa vir a dizer que não há problema com esta obra, eu tenho apenas a dizer que ali por baixo existe um aquífero de dimensões consideráveis e a obra em causa é apenas mais um foco inevitável de poluição...
Deixo-vos com uma imagem que regularmente utilizo quando pretendo abordar esta questão:



5.9.15

SOS Rio Nabão


Desde criança que tenho uma relação muito especial com o Rio Nabão. A nascente deste, o antigo lagar e, especialmente, o troço inicial, foram um local de brincadeira e uma verdadeira escola sobre os sistemas ribeirinhos. Os anos passaram e a paixão por este rio continuou. Diria até que aumentou à medida que me fiz geógrafo físico, algo de perfeitamente natural.
Por tudo isto e por tudo o mais, sou um defensor acérrimo deste rio, em especial. 


No início de Agosto aconteceu o que já se tinha assistido nos dias precedentes, contudo a uma escala muito maior, o que ditou a morte de centenas de peixes e não só. A SEPNA esteve no local a proceder a limpezas, concretamente retirada de peixes mortos. Não conseguiram limpar tudo, pois no dia seguinte ainda se observavam muitos peixes mortos, alguns que escaparam à limpeza outros que morreram entretanto. O cheiro intenso ficou durante uns dias.


Curiosamente a notícia foi abafada, "sabe-se lá porquê", no entanto o responsável político tem nome próprio e, até agora, não vi nenhuma afirmação sobre o caso. Será porque é incómodo? Será porque a zona industrial é uma "vaca sagrada" e um tabú em caso de acidente?
Indo agora ao que aconteceu, terá ocorrido uma enorme descarga de esgotos, vindos da zona industrial do Camporês, a qual contaminou tudo à sua passagem e, com isso, teve um grave impacto ambiental. Rio, poços, aquíferos, nada escapou. Não faço a mínima ideia do tipo de resíduos que foram derramados, contudo, imagino, tal o impacto ambiental constatado.
Nos dias anteriores a esta situação, já tinham ocorrido pequenas descargas, por entupimento dos esgotos. Uma delas bem perto do restaurante localizado perto da nascente. Isto aconteceu porque não houve o devido planeamento, porque não foram tomadas as medidas que em municípios desenvolvidos são tomadas por quem de direito.


Um aspecto curioso desta situação é o de que há pessoas que não imaginavam que o Rio Nabão tinha peixes. Lembro-me bem de uma conversa, há meses atrás, em que uma pessoa, quando confrontada com o que eu lhe disse, sobre a existência de peixes, disse genericamente que eu "era tolo", tal o seu desconhecimento sobre este facto elementar. Esta pessoa curiosamente também tem actualmente um cargo político. Esta pessoa disse que era parvo colocarem entreves à colocação de represas no Rio Nabão, já que não existiam ali peixes...


Mais surpreendente foi a reacção de muitos ansianenses, quando descobriram que há lontras no seu rio. E se eu disesse que até Guarda Rios (ave) ali há, muitos não acreditariam. Algo que mostra o quanto está distante a relação dos ansianenses com o seu rio. No Rio Nabão há muita surpresa, pena é que os ansianenses não façam muito por ele e não peçam que façam por ele, a começar pelas entidades públicas com responsabilidade na matéria. Pena é que, como facilmente todos podem ver, há tanta gente porca, que suja este belo rio.
Falta a informação, falta a educação ambiental e falta o que sempre faltou, ou seja o marketing territorial, precisamente aquele que faz com que quando vou a um qualquer sítio de Portugal, e quando falo do Rio Nabão, em vez de ouvir a palavra Ansião, oiço a palavra Tomar. Dá que pensar, especialmente sabendo que é em Ansião que este surge das entranhas da terra...


A minha resposta a tudo isto irá resumir-se a um projecto ao qual ainda não me pude dedicar, mas que brevemente irei fazer surgir, ou seja trazer o Projecto Rios a Ansião. As coisas mudam-se com educação e formação. O resto é conversa...
Brevemente darei notícias, mas quem estiver interessado em adoptar um troço do Rio Nabão, pode entrar em contacto comigo.

10.8.14

Rio Nabão a régua, esquadro e cimento...



Não pensava voltar a esta questão tão rapidamente, no entanto, e tendo em conta recentes desenvolvimentos, torna-se pertinente mais um comentário sobre uma situação que eu considero gravosa do ponto de vista do ordenamento do território.
Quando se trata de ordenamento do território, há dois aspectos que me preocupam em particular. O primeiro é a falta de competência e o segundo é a incompetência de quem lida com a temática territorial. Nesta situação, em particular, juntaram-se as duas, pois se numa primeira fase da obra a questão era mais a nível da falta de competência para a elaboração do projecto, numa segunda fase a questão é agora a nível de incompetência, pura e dura. Quando falo em incompetência quero dizer que quem procedeu a este biscate, não é competente para o mesmo. Resumindo, quem procedeu a este remendo, não percebe patavina de dinâmica fluvial, daí o gravíssimo erro que as 3 fotos que apresento pretendem mostrar.
O que me incomoda mais nesta situação, é que esta é apenas o culminar de uma série de erros, não sendo nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que se insiste em seguir um caminho errado e que resultará apenas em degradação do que resta daquele  troço do rio Nabão e em prejuízos financeiros, pagos pelos do costume, os contribuintes.


Indo então à questão, trata-se de mais uma intervenção desastrosa no troço intermédio do sector já mal intervencionado do rio Nabão. Desta vez, e já depois de duas reconstruções  de um muro, alguém teve a genial ideia de brincar aos rios naquele troço muito peculiar. A uma obra mal planeada, seguiram-se problemas decorrentes da não consideração de aspectos básicos de dinâmica fluvial. Agora a sequela até a mim me surpreendeu...
Imagine-se que a solução para mitigar os erros a montante do projecto original, foi a de reforçar a base do muro que tinha caído já por duas vezes. Este reforço ocupou mais ainda o canal já por si estreitado aquando da obra inicial. Isso tem vindo a causar uma preocupante erosão que começa a ameaçar a galeria ripícula. Insiste-se, portanto, num erro básico. Depois surgiu a ideia peregrina de criar uma rampa para a água correr, tal como podem ver na terceira foto, do lado direito. Retirou-se terra, degradou-se ainda mais a galeria ripícula, fez-se uma razia às raízes e criou-se assim mais um problema. A erosão tratará de fazer desaparecer mais um bocado da base que sustenta aquela galeria ripícula. A segunda fotografia mostra onde a água irá abrir caminho. Não estranharei que daqui a 1 ou 2 anos, num gesto desesperado surja uma parede de betão naquele lugar...
Mas não é tudo, pois ainda havia mais um trunfo para jogar. Ou seja, colocou-se cimento e algumas pedras, os quais alguém pensou que poderia salvaguardar as coitadas das árvores, daquela galeria ripícula. E logo em dois lados, não sem que se cortasse mais um bocado de uma das árvores situadas na margem direita do rio. Se esta intervenção foi mediada por algum especialista? Obviamente que não. Não compreendo isto, pois até havia quem tivesse competências para tratar esta situação. Será isto aceitável? Obviamente que não.
Daqui a alguns anos, quando aquelas árvores deixarem de fazer parte da paisagem, não se admirem pelo facto. Não será o vento nem a água a derrubar aquelas árvores, mas sim a falta de competência e a incompetência de quem deveria ter competência para gerir esta questão.
Nessa altura, e tal como agora, eu estarei por aqui, pronto a denunciar o que de mal se faz por estes lados...



5.8.14

As águas da discórdia...


Agosto é um mês onde muitos de nós se apercebem do real valor da água, nem que seja pelo simples facto de que Agosto é um mês onde, por vezes, a água escasseia e em alguns locais é inclusivamente racionada.
Ontem tirei estas duas fotografias, as quais, na sua versão completa, mostram algo que devia preocupar todos nós. Irei fazer uma exposição do caso às autoridades, de modo a solicitar informação acerca da possível ilegalidade do acto perpetrado pela empresa em causa. De modo não oficial já o fiz, sabendo à partida que deverá ser mesmo uma acção ilegal.
Indo então aos factos, uma empresa anda em Ansião a proceder à lavagem dos contentores do lixo, algo que é muito importante. No entanto, quando vai reabastecer de água, despeja a água resultante das lavagens num esgoto que tem como destino o rio Nabão. Se fosse num esgoto que tivesse ligação à ETAR de Ansião, aceitava, pois é assim mesmo que deve ser, no entanto, e sublinho, a água vai toda para o rio Nabão, que agora está seco. Como todos deviam saber, há muitos caixotes do lixo que contêm substâncias que não deviam conter e essa é a minha preocupação, a de que assim se esteja a promover a poluição gratuita dos aquíferos.
Situações como esta têm de ser resolvidas. Estas águas têm de ser tratadas, pois não há controle nenhum sobre as águas que, até agora, têm sido despejadas no rio Nabão.
Irei fazer uma exposição do caso à empresa respectiva, esperando assim contribuir para a resolução de um problema real e preocupante.
Para quem torce o nariz a estas coisas, lembro apenas que a água é um dos recursos dos quais a nossa vida depende. Quanto mais poluirmos a pouca água potável que temos, pior...



28.6.14

O belo do girino


Foi no início do mês que me deparei com o extraordinário cenário, quando me preparava para passar o Rio Nabão, de uma margem para a outra, onde, apesar da água já não correr, ainda se mantinha presente em pequenas poças de água. Ao ver tal cenário, encostei a bicicleta e peguei logo na máquina fotográfica. Eram milhares de girinos, coisa que não via já há alguns anos, pelo menos em termos de quantidade. Eram tímidos, pois ao aproximar da objectiva, eles fugiam logo.
Por momentos voltei às memórias da infância, onde, no tempo das traquinices, ia para a ribeira apanhar girinos. Depois de apanhar vários, o seu destino era simples, de volta ao seu habitat. Brincadeiras como esta foram determinantes para uma aprendizagem que, infelizmente, escasseia hoje em dia. Nos dia de hoje são muitas as crianças que são afastadas de locais privilegiados em termos educacionais. Há um grave afastamento do mundo natural por parte de muita da juventude de hoje em dia. E o mais grave é que são precisamente aqueles que deveriam ensinar os mais novos que potenciam este afastamento. A estes um pedido, levem os mais novos de volta ao contacto com o mundo natural. Deixem-se de estereótipos. Sujar as mãoes na terra é bom. Calçar as galochas e ir para os ribeiros não é perigoso nem uma perda de tempo, muito pelo contrário. O pior que podemos fazer é criar uma geração de fofinhos e fofinhas, pois isso mais tarde terá consequências trágicas e a vários níveis. Não ofereçam brinquedos, instiguem a que os mais novos os façam eles mesmo. Não pensem que oferecer brinquedos substitui o afecto, o tempo em família. Peguem na família e vão para o campo, sentir, ouvir, mexer, cheirar!
Brevemente espero dar seguimento a um projecto educacional relacionado, o qual não pude ainda iniciar por falta de tempo. 

19.3.14

Cai uma, cai duas, cai...


A obra ainda não estava inaugurada e o muro já tinha caído, sinal de obra tudo menos bem feita. Eis que em Janeiro deste ano o muro, teimoso, lá foi outra vez abaixo. Aqueles que vivem ali ao lado sabem o porquê do muro ter caído, no entanto estes nunca foram ouvidos por quem, no conforto de um escritório, elaborou este projecto chave na mão. Ignorar os locais costuma resultar em chatices e esta não foi excepção.
Aqueles que, além de viverem ali ao lado, são geógrafos, sabem duplamente o porquê do muro ter caído. Curiosamente quando me deslocava ao local para efectuar este registo fotográfico, cruzei-me com uma outra pessoa que vivia ali ao lado, duplamente curioso ser alguém da minha geração que até andou na escola comigo. Ambos nos rimos da situação, pois apesar de ser ou não especialista, ambos sabíamos o porquê daquele muro insistir em cair regularmente.
Mas isto não tem graça alguma, pois quem paga o erro alheio é o contribuinte, neste caso pela segunda vez. Caso a obra tivesse sido bem feita, o contribuinte não teria de pagar nada. Mas, suspeito, este muro, depois de reconstruído, irá cair mais vezes, a não ser que quem ali vive seja ouvido sabiamente.


Desde o início das obras de regeneração que eu alertei várias vezes sobre os vários erros de projecto e de obra, os quais iriam resultar em chatices como esta. Houve já alguém que, demagogicamente, fez passar a mensagem que havia pessoas contra esta obra, quando não foi o caso. Afinal estas mesmas pessoas manifestaram-se, em primeiro lugar, pelo facto das mesmas não terem sido ouvidas antes da elaboração do projecto, o que seria de esperar numa obra deste género e em segundo lugar, porque houve erros básicos de projecto e de obra, os quais já levaram à ocorrência de algumas chatices e, inevitavelmente, irão levar à ocorrência de outros mais, dada a inobservância de factos básicos ligados à dinâmica ribeirinha.
Um dos erros observados é o esquecimento de certas linhas de água, as quais apesar de não se verem à superfície, estão lá. Por algum motivo os locais dizem que ali havia uma "fonte". Quando se coloca um muro, com demasiado cimento, a tapar uma linha de água, é uma questão de tempo até ela voltar a retomar o seu caminho natural. Quando se estreita um curso de água e, nalguns troços, se impermeabiliza os mesmos, isso causa chatices a jusante. Isto explicado numa linguagem muito simples, embora entendida por quem vive próximo de uma ribeira.
Preocupa-me também que, num troço não contemplado pelas obras de requalificação, os muros da ribeira tenham caído no esquecimento. Será que por não passarem ali tantas pessoas este troço vale menos daqueles a montante e a jusante? É que há partes do muro que apesar de já terem caído há 1 ou mais anos, na margem direita e na margem esquerda, estas têm sido ostracizadas...
"Preocupa-me" também que a minha acção, enquanto defensor do património, já seja considerada demasiado incómoda em Ansião, de tal forma que por uma vez já fui evitado por um dos visados das minhas críticas, o que até Dezembro não tinha acontecido uma única vez. Mas eu até sei o porquê desta reacção, é que o estado de graça já acabou há algum tempo...
No que me toca, a crítica tem um intuito só, o de chamar à atenção sobre algo que importa resolver. É muito fácil aplaudir, mas o exercício da cidadania não é apenas aplaudir, é sim também criticar, desde que de forma honesta e construtiva, por mais que incomode seja quem for. Aplaudir qualquer o faz, agora criticar e confrontar as pessoas com os factos, isso já não está ao alcance de todos...


23.7.13

Rio Nabão a régua e esquadro


Foi por mero acaso que há semanas atrás tive a oportunidade de registar o(s) momento(s) fotográfico(s) que estas duas fotografias representam. Felizmente que assim foi, pois foram mais umas quantas preciosas fotografias que entraram no meu arquivo fotográfico, parte do qual utilizo para ilustrar estes meus comentários.
É conhecida a minha posição acerca das obras de requalificação das margens do Rio Nabão, em Ansião. Concordei que se fizessem obras, no entanto não tal como foram efectuadas, a regra e esquadro, não levando em conta aspectos básicos da dinâmica ribeirinha. Tal como referi nos vários comentários que já fiz sobre estas obras, os problemas iriam surgir, uns mais tarde, outros mais cedo.
Há poucos meses atrás, ainda não estando inaugurado o troço intermédio das obras, já um muro reconstruído tinha ruído, mais uma prova de obra mal feita. Muitas pessoas tiveram a oportunidade de constatar isto mesmo.
Estas duas fotos representam um desses erros graves do projecto, ou seja a omissão da variável sedimento, a qual é fundamental na dinâmica de um riacho, ribeiro ou rio. Faz-se asneira e depois as máquinas que tratem do problema. Quem não levou em conta esta pequena grande variável, não estará concerteza preocupado, pois o passivo, esse alguém terá de levar com ele em cima. Basicamente quem elaborou o projecto cometeu erros crassos e o contribuinte, esse pobre coitado, terá de pagar com os seus impostos, anos e anos a fio.
Quando se ignora elementos básicos de um qualquer projecto, acontece tal como está a acontecer. Esta pseudo limpeza, essa terá de ser repetida vezes sem conta. Impermeabiliza-se troços fundamentais de um rio na esperança que exista água que escasseia. Estudo hidrogeológico, que bicho é esse?
Este projecto foi mal fundamentado, o que levou a que fosse feito com base em falsos pressupostos e, mais uma vez, o resultado está à vista.
Em ano de eleições, há que salientar vários pontos, uns positivos, outros francamente negativos. Os pontos positivos, esses o pasquim partidário fará concerteza as honras da casa em termos de divulgação.  Os pontos negativos, esses já são mais custosos de surgir, mas aí entra quem, como eu, tem a frontalidade de os apontar de forma honesta e construtiva. Obviamente que também divulgo o que de bom por aqui se faz, mas isso também é por demais conhecido.
Aqui fica então mais um erro, entre muitos outros, de um projecto pensado de forma muito supérflua. No próximo ano irei aprofundar esta questão através de uma iniciativa voluntária, consubstanciada num projecto ímpar a nível nacional, do qual posso dizer que faço parte, muito embora ainda não tenha tido tempo para iniciar a partilha de conhecimento que, à parte do conhecimento geográfico prévio, obtive quando tive formação de monitor deste muito interessante projecto. Até lá...



10.1.13

Uma farsa de centro de interpretação ambiental!


Antes mesmo de começarem as obras, já eu tinha ouvido dizer que mais tarde iria surgir ali um espaço de restauração, na forma de complemento ao centro de interpretação ambiental, algo que compreendi perfeitamente, no entanto a história não foi bem assim...
Confesso que fui apanhado completamente de surpresa com o final da história, sentindo-me agora, enquanto cidadão, ultrajado com o que acabou por acontecer.
Indo aos factos, e muito genericamente, há anos atrás, surgiu o projecto de um centro de interpretação ambiental, para a nascente dos olhos de água, em Ansião, a situar no lugar de um antigo lagar, o qual foi completamente arrasado. Findadas as obras, comparticipadas com fundos comunitários, estas foram então faustosamente apresentadas à comunidade ansianense. Tinha-se agora um espaço onde se poderia fazer muito pela educação ambiental, honrando também a nascente dos Olhos de Água.
Os meses foram passando e apenas passaram por ali meia dúzia de actividades, faltando uma verdadeira agenda de centro de interpretação ambiental, facto que, por várias vezes, cheguei aqui a criticar.
Mais uns meses e (re)começaram obras numa obra inaugurada com pompa e circunstância há poucos anos. Não estranhei tais obras, no entanto comecei a estranhar o rumo das mesmas. Já com estas mesmas obras terminadas, eis que tem-se um restaurante, algo de positivo, no entanto, eis algo que me intrigou,  o facto de não ver mais o centro de interpretação ambiental da nascente dos Olhos de Água.
E não é que o restaurante ocupou o espaço do centro de interpretação ambiental?! Fiquei chocado, pois fica-me a ideia que o centro de interpretação ambiental foi apenas o alibi para conseguir fundos comunitários para o que já não é efectivamente um centro de interpretação ambiental, algo que considero um escândalo. 
O que me choca no que, para mim, acabou por ser uma farsa, não é o facto de ali se ter agora um restaurante, o problema é ter-se utilizado a figura de centro de interpretação ambiental, quando afinal parece que a intenção nunca seria essa mesma no médio ou longo prazo. Quanto a mim, fica claramente a ideia de que o que sempre esteve pensado para aquele local foi mesmo um restaurante e não um centro de interpretação ambiental. Não me parece que se o projecto inicial tivesse previsto um restaurante, a coisa fosse aprovada, digo eu...
Será que a União Europeia, a mesma que aprovou os fundos para o projecto, saberá do rumo que este  "Centro de Interpretação Ambiental" tomou? Será isto legal, tendo em conta que o dinheiro veio com um intuito e agora o intuito é outro?
Além disto tudo, resta saber se é verdade o que me foi dito sobre o contrato de arrendamento, que só agrava o mal estar que sinto sobre uma situação que considero inaceitável do ponto de vista ético.
Em ano de autárquicas, eis um assunto que muito irá dar que falar. Naturalmente que isto passará também pela imprensa local e regional.
Eu não me conformo, resta-me agora saber a vossa opinião. Impõe-se agora o debate!


23.10.12

Notas sobre as inauguradas obras de regeneração das margens do Rio Nabão, em Ansião

É certo que a obra ainda não está terminada no seu todo, daí este meu comentário incidir apenas sobre a parte que já está oficialmente inaugurada. Já tinha dado a minha opinião sobre o primeiro troço inaugurado, portanto, e depois deste comentário sobre o último troço, ficará a faltar a opinião sobre o troço intermédio.
Decidi que era boa altura para fazer o comentário tendo em conta dois factores, o primeiro é que este troço já está inaugurado. Já o segundo, deve-se ao facto de nas próximas semanas ser natural começar a notar-se um dos problemas que irei apontar à obra, tal como foi efectuada.
Antes de mais, importa referir que fui a favor desta obra, no entanto não exactamente nestes moldes. Já andei a avaliar a obra, seja a pé ou de bicicleta, e já constatei um belo cenário que é as pessoas efectivamente usufruírem de um espaço que agora é de todos. Miúdos e graúdos têm aproveitado esta obra. Genericamente fiquei satisfeito, no entanto há falhas graves e alguns pormenores que deveriam ser revistos.


O primeiro ponto a salientar é um pormenor que passa despercebido e que já apontei para as e-gingas que estão situadas no fundo da rua. O facto de não terem uma protecção perante o sol e a chuva, é algo que irá diminuir o tempo de vida destas e-gingas. Assim sendo considero que deve ser pensada uma mini-cobertura para as mesmas.


O segundo pormenor tem já a ver com uma questão mais abrangente. Tendo em conta que esta infra-estrutura foi ocupar terrenos com excelente aptidão agrícola, não compreendo porque não se aproveitou este facto para criar alguns talhões que servissem um fim pedagógico. Caso que tivesse criado alguns talhões neste espaço que a fotografia mostra, ter-se-ia um espaço privilegiado para os miúdos das escolas aprenderem a importância da hortazinha, algo que não é de menosprezar.


Passando dos pormenores aos erros grosseiros, vou directo à questão, será que aquela ponte de ferro não estraga a contemplação do monumento que acaba por esconder? Já tinha alertado para esta questão, no entanto, e tendo em conta que isso foi antes destas obras começarem, impõe-se novamente a questão.


É dos erros mais graves que por aqui vi, uma ciclovia termina num sector com... degraus! Como é possível isto não ter sido pensado por quem projectou a obra? E não é só pela ciclovia, é sim fundamentalmente pela acessibilidade de pessoas em cadeiras de rodas ou com outras formas de mobilidade reduzida. Obviamente não me estou a referir aos degraus que dão para o rio, mas sim os degraus que dão para a estrada.


Tendo esta ponte e os tanques a importância histórica que têm, faz algum sentido a intervenção que vemos na fotografia? Será que aquelas pedras com cimento, coladas na base do arco têm algum sentido histórico? Não me parece...


Passo então ao "último" erro. Qual será a dificuldade em perceber que todo aquele areão, desnivelado com a ciclovia, vai escorrer para cima da ciclovia, logo que venham as primeiras chuvas fortes? Não é apenas neste local que a foto ilustra, é sim em parte significativa do troço da ciclovia. Isto é elementar, mas parece que foi esquecido por alguém. É precisamente este um dos erros que será mais visível nas próximas semanas.
Finalizando sim com o erro dos erros, estarei atento quando vier a primeira cheia a sério, algo que ainda não acontece há uns valentes anos. Quando isso acontecer, muitos verão o erro que é impermeabilizar troços de rios e sentirão nos bolsos o que é ter de pagar erros elementares no decorrer de obras como esta...