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17.2.17

Quando o marketing territorial não tem juízo, Sicó é que paga...


Não sei de quem é a culpa, contudo quem tem moral e tecnicamente essa responsabilidade nos ombros é mesmo a Terras de Sicó, que devia pugnar por um bom marketing territorial e pelas boas práticas. Nunca escondi o meu desagrado pela forma como esta Associação de Desenvolvimento funciona, pois a lógica não é a que deveria ser. Ao invés de ser uma Associação de Desenvolvimento Territorial independente, questão fundamental para o sucesso da mesma, trata-se meramente de uma extensão das autarquias de Sicó, daí o seu notório insucesso em termos práticos. Uma Associação de Desenvolvimento nunca deveria ser uma entidade eminentemente politizada, esse é um erro crasso que se teima em perpectuar.
Mas vamos aos factos. Esta fotografia foi tirada no dia 28 de Janeiro deste ano. Já o cartaz, esse refere-se a um evento realizado há 9 meses. Porque é que o cartaz não foi retirado poucos dias depois do evento, como seria de esperar? Será que quem vê este cartaz fica com uma boa imagem da região de Sicó? E, ironia das ironias, este cartaz está situado mesmo à frente do Museu PO.RO.S, o qual apesar de ser uma infra-estrutura recente, teve também uma série de problemas e atrasos (pormenor desconhecido por muitos...), facto bem ilustrativo do caos que se assiste neste fabuloso território. Tem-se por um lado o "state of the art" e, por outro, algo que lembra as "cavernas", numa dicotomia... curiosa. Trata-se portanto de um problema estrutural que afecta toda a imagem da região de Sicó. Até quando, resta saber. E pactuar com isto não é a solução, mas sim parte do problema!
Resumindo, cartazes como este devem ser retirados poucos dias depois do evento, pois além de ser assim que se trabalha, é assim que se ajuda a que a região tenha uma boa imagem. Há que actualizar as boas práticas e as formas de estar e trabalhar em prol da região de Sicó. Se assim for, ficamos todos a ganhar com isso!

Adenda ao comentário (a 20 de Fevereiro): Ontem, ao passar pelo local, constatei que o painel em causa foi retirado, ficando a questão resolvida. Uma acção tardia, mas a aplaudir!

5.1.17

Começar o ano às claras e com bons actores...


Educação ambiental. Este é aquele que actualmente considero o maior desafio civilizacional, já que só educando se conseguem resultados, também ao nível da temática ambiental e da cidadania. Só poderemos ajudar a proteger aquilo que conhecemos e só poderemos gostar daquilo que conhecemos, é mais ou menos assim que diz um dos dizeres que frequentemente vemos nas redes sociais, aplicado à temática ambiental. É esta linha que tenho seguido activamente nas últimas duas décadas, em crescendo, também com reflexos neste blogue.
Educação ambiental na região de Sicó é uma área onde muito há por fazer. A Escola da Água, situada na Arrifana (Condeixa) é um pólo de educação ambiental que, desde o seu recente início, tem vindo a trilhar um caminho fundamental, o de bem educar miúdos e graúdos. Eis então mais uma actividade promovida neste importante pólo de conhecimento, a qual importa divulgar, dado o seu mérito.
E não, os morcegos não são bichos feios, isso é um mero estereótipo cultivado precocemente nas nossas mentalidades. Quem conhece bem os morcegos sabe não só que são belos, como são muito importantes para os ecossistemas. E quem não conhece? Simples, comecem por visitar esta exposição. Fica a sugestão...

Mas não é tudo!
Destaco também a celebração dos 20 anos do Teatro Olimpo, na qual cada um de vocês poderá participar sem gastar um tostão. Portanto não há a desculpa do "não tenho dinheiro". E caso não possam num dos dias, têm outros 3 à escolha. A cultura é para celebrar e ir ao teatro é uma das muitas formas de a celebrar. O Teatro Olimpo tem enriquecido a agenda cultural de Ansião e da própria região de Sicó nos últimos 20 anos, portanto há que apoiar quem dignifica a região e a arte que é o teatro e os artistas que são os seus actores.


22.10.16

Tuk tuk, está aí alguém?


Fonte: Jornal Terras de Sicó

Fiquei surpreso ao saber desta notícia, através do Jornal Terras de Sicó, pois não estava nada à espera de algo do género na região de Sicó. Durante uns dias ponderei sobre o significado desta notícia e confesso que não gostei. O motivo é muito simples, sou contra projectos do tipo "chapa 5", os quais não têm em conta a especificidade dos locais, desvirtuando-os. Isto além de não serem nada inovadores, pois os tuk tuk de português nada têm e além disso qualquer vila ou cidade consegue ter um par deles. Acho graça aos tuk tuks nos seus "habitats" e o seu "habitat" é a... Ásia, não Condeixa ou região de Sicó. Em Lisboa os tuk tuk já são um problema e, diga-se, não acrescentam nada de bom ao turismo, pois acima de tudo descaracterizam os locais para onde são importados.
Será que não conseguimos inovar e criar algo inspirado no local e às suas especificidades? Será que não conseguimos pegar no que já temos e adaptar aos novos tempos, conjugando o antigo com as necessidades actuais? Existem vária possibilidades, sendo que se deveriam priveligiar as mais sustentáveis e adequadas aquela realidade. Fosse algo ligado às carroças ou charretes, ao universo das bicicletas ou algo ligado a um transporte eléctrico ou a energia solar, muito há por onde pegar, bastando inovar. Porque não ponderar um concurso de ideias? Mesmo assim nem me parece que seja necessário um concurso de ideias, pois basta aplicar o que já existe e o que é local/regional. Parece-me que em Condeixa se perdeu uma boa oportunidade para inovar, em vez de ter algo que qualquer vila ou cidade tem, vulgarizando a coisa e, mesmo tendo em conta que no início a novidade puxa, mais tarde a tendência é a coisa banalizar e perder interesse.

18.10.16

Qual Halloween qual carapuça? Venha a Noite das Criaturas das Trevas! E já agora, uma importante lição de património e identidade...

É sempre com enorme orgulho que faço questão em divulgar eventos de excepcional importância na região de Sicó. Em primeiro lugar, algo que apaga do mapa o nada português Halloween, ou seja a Noite das Criaturas das Trevas, um evento inovador e genial, com enorme potencial pedagógico. Aproveitem para desfrutar de algo diferente e muito, mas mesmo muito engraçado. A organização é do Grupo Protecção Sicó, uma ONGA que centra a sua acção na região de Sicó. Onde é? Na Arrifana, Condeixa, mais precisamente na Escola da Água, mesmo à beira do IC2, portanto fácil de dar conta.


Segue-se uma conferência sobre um tema particularmente interessante, o património e a identidade. A organização é da Al-Baiaz, Associação de Defesa do Património. Esta associação, da qual tenho honra fazer parte, tem um histórico notável no que concerne à protecção e divulgação do património de parte importante da região de Sicó, algo que me orgulha de sobremaneira enquanto pedagogo do património. Este evento irá realizar-se dia 12 de Novembro, sábado, na Biblioteca Municipal de Alvaiázere, portanto um dia que podem e devem aproveitar para ouvir alguém que muito sabe daquela temática. Quem é de fora pode aproveitar para tirar o dia e desfrutar ao máximo, assistindo à conferência, almoçando por Alvaiázere e visitando o seu património. Já agora, degustem o chícharo, pois é a melhor altura. Se tiverem dúvidas digam, que posso dar sugestões.

14.10.16

Ronda pelos Orçamentos Participativos: Penela e Condeixa


Tal como prometido, continuo a ronda pelos orçamentos participativos da região de Sicó. Segue-se Penela, com uma verba de 70000 euros destinados ao Orçamento Participativo (OP). Tal como eu esperava, foram poucas as propostas e, mais uma vez, não se liga muito aos reais objectivos de um orçamento participativo. Não me parece razoável que sejam as autarquias ou juntas de freguesia a imiscuir-se nos orçamentos participativos. Devem ser os cidadãos a apresentar propostas em vez das autarquias ou juntas o fazerem. Preocupa-me que desde já se assuma que um orçamento participativo seja encarado por estas entidades como mais uma forma de ir buscar verbas para fazer o que deve ser feito fora do contexto de um orçamento participativo.
São 4 as propostas actualmente em votação. A primeira até compreendo, embora tenha algumas reservas. Mesmo assim parece-me que num primeiro OP não é de todo descabido candidatar a compra de fardamento para o Grupo do Choral Polyphonico.
Prosseguindo para o segundo projecto, será que a cobertura do centro escolar é algo que se deva enquadrar num OP? Evidentemente que não, diria até que à luz do OP é absolutamente ridículo.
Relativamente ao terceiro projecto, será que a requalificação do largo da capela da Chaínça é igualmente algo que se enquadre no OP? Claramente que a Câmara Municipal de Penela confunde o âmbito e objectivos do OP. Aliás, nem sequer me parece razoável que sejam as autarquias a propor ideias para os OP´s.
E há ainda um quarto projecto, promovido pela... Câmara Municipal de Penela. É quase que um projecto com telhados de vidro. Não me parece que o OP tenha o intuito de pagar um telhado a uma associação que promove provas motorizadas.
No que concerne a Penela, julgo que, até agora, foi onde as coisas correram pior em termos de OP na região de Sicó. Quando um OP se desvirtua de tal forma, pouco mais há a dizer... Esperava muito mais dos lados de Penela, que até tem feito algumas coisas interessantes nos últimos anos.


Segue-se Condeixa, com o seu Orçamento Participativo. À semelhança de Alvaiázere, teve a modalidade do OP para jovens, algo que é de salutar. Tendo em conta o efectivo populacional de Condeixa, não compreendo como é que foram apresentadas apenas 6 propostas, estando 5 em votação.
Apesar de se saber que o nível de participação pública é muito baixo em Portugal e na região de Sicó, fica à vista que faltou uma estratégia que levasse os cidadãos a participar neste OP e a apresentar propostas.
Começando pelo projecto "Banco do Livro", é interessante, contudo considero que se sobrepõe de alguma forma aos bancos de livros existentes nas escolas. Já o segundo projecto, o "Parque infantil da Praça do Município", vejo-o com interesse e tendo em conta que é um cidadão (não conheço) e não uma entidade pública a propor, considero isso positivo. Relativamente ao terceiro projecto, o "Condeixa activa", parece-me interessante, restando apenas saber porque é que os antigos equipamento não estão actualizados. Contudo, e na génese, é, genericamente um bom projecto. O mesmo se pode dizer do projecto "Quinta do Barroso Activa". Esta é a génese dos OP e importa salientar isso mesmo. É, talvez, o melhor projecto. Quanto ao OP jovem, trata-se de um projecto que, à parte do OP carece de atenção por parte da respectiva Junta de Freguesia e Câmara Municipal.
Este OP foi o que teve a maior verba atribuída de todos os até agora referenciados (Ansião; Alvaiázere; Pombal), com uns muito interessantes 174000 euros (OPG+OPJ).
Finalizando o comentário, e juntando as duas realidades abordadas agora, confesso que fiquei desiludido, na medida em que era precisamente de Penela e Condeixa que esperaria mais no domínio dos Orçamentos Participativos. Há que reflectir do porquê das coisas, a bem de Sicó e a bem dos próximos orçamentos participativos nesta bela região.

21.12.13

Reabilita-me sff!


Há alguns dias atrás, quando falava com um amigo acerca do abandono a que muitas casas são votadas, surgiu o inevitável argumento do preço deste tipo de casas.
Esta questão é muito subjectiva e leva-nos a longas conversas, que passam pelas questões históricas, culturais, geográficas e outras mais.
Passo então a espicaçar as mentalidades, de forma a promover o debate. Em primeiro lugar, o preço destas casas é muito relativo, já que se ela estiver esquecida no tempo e nos olhares, quem a descobrir e perguntar quanto ela custa, muitas vezes custa dois tostões, isto se o dono for uma pessoa de idade e pouco esclarecida. Ou então se a casa em causa não estiver condenada à ruína total pelo facto de estar em partilhas intermináveis. Se a pessoa a conseguir comprar por dois tostões, facilmente a vai vender por um valor despropositado. Lembro-me de um caso, em que um amigo meu comprou uma casa em ruínas por 14000 euros e passado pouco tempo já tinha uma inglesa a oferecer 40000 pela mesma casa. Surpreendidos?! 
Assim sendo, e desmistificado um estereótipo, vamos lá então ao segundo ponto, ou seja o preço da reabilitação das mesmas. Obviamente que havendo poucas empresas dedicadas à reabilitação destas casas, os preços não são os melhores, mas mesmo assim é algo de natural, pois se não há muitas empresas no ramo, os preços inflacionam. Depois há uma outra questão, o de querer tudo feito, de poucos serem aqueles que sabem fazer algumas coisas no domínio da reabilitação, ou seja, poucos são os que sabem ou querem meter a mão na massa, preferindo comprar tudo feito. Há quem não saiba pegar num martelo.
Surge então o estereótipo das divisões, onde ficamos muitas vezes reféns do que os outros pensam e não do que gostamos, preferindo nós sermos levados pela opinião dos outros e não pela nossa. Divisões a mais, nada de open spaces e por aí adiante. Curiosamente, ou não, as pessoas mais satisfeitas são aquelas que recuperam estas casas ao seu gosto e não a gostos impingidos.
Poucos são os que imaginam que, ao mesmo preço de uma casa ou apartamento feito de raiz, conseguem ter uma casa destas recuperada. Essa é a realidade de hoje em dia. Há uns anos era diferente, eu sei, mas estou a falar da realidade actual. Os tempos são outros, os materiais e tecnologias são outras.
Não há nada que se compare a uma casa destas recuperada, nem mesmo uma casa feita de raiz. Estas casas antigas têm alma e história. Além disso muitas vêm com terrenos agricultáveis, com uma paisagem viciante, com rebanhos por perto, com árvores de fruto e com muito mais. Convencidos?!
É tudo uma questão de opção perante a vida, de não nos deixarmos subjugar a interesses económicos que querem que nós fiquemos entre 4 paredes, bem pertinho de outras 4 paredes, de forma a estarmos mais expostos a um sistema que vive apenas do consumismo bacoco.
Lembrem-se que muitas vezes os preços absurdos que algumas destas casas se devem a nós mesmo, pois numa primeira fase desprezámos estas casas (a cidade ou vila é que é...), não lhe reconhecendo valor e depreciando-as e depois, numa fase de revivalismo, começamos a dizer que estas casas é que valem a pena (vamos voltar para o campo que é que é...).
Naturalmente que nem sempre estão reunidas as condições para algumas pessoas reabilitarem estas casas, mas há muitas outras que poderiam. Dá que pensar, ou não?!

10.11.13

Viagem ao centro da serra: condeixamegalossauro



Muitos de nós até costumam passar mesmo ao lado deste monstro, ao chegar ou passar por Condeixa, no entanto raros são os que param para reflectir sobre este predador de paisagens.
Confesso que esta ideia de criar as viagens ao centro da serra me tem surpreendido, não pela ideia em si, mas pelo impacto brutal que cada vez mais me venho a aperceber que estas pedreiras têm na região de Sicó. Enquanto cidadão e enquanto geógrafo já tinha uma ideia base, mas nada nos pode preparar para uma experiência como esta tem sido. Ir ao encontro de cada um destes monstros e palmilhar a envolvência destes é algo de avassalador, isso vos posso garantir.
Este é o 4º episódio da "Viagem ao centro da serra", o qual dá continuidade à minha expressa vontade de vos sensibilizar perante um problema tão grave como este o é. Se são precisas pedreiras? São, mas não tantas. Ordenamento exige-se, chega de especulação de um bem comum!
Importa que todos pensem porque é que não se investe na reutilização de materiais da construção, tal como se faz noutros países, que tanto gabamos quando nos convém. Importa que todos pensem porque é que naqueles países que tanto gabamos, se paga um imposto directo, por tonelada de pedra extraída (entre 1,5 a 2 euros), enquanto no nosso pobre país não se paga nada e nem se recebe uma renda condigna, já que muitas destas pedreiras estão em baldios. Contrapartidas, o que é isso?
Não me vou alongar muito nas palavras, já que como alguém disse, uma imagem vale mais do que mil palavras. Digo apenas, e para finalizar, que duas imagens valem mais do que duas mil palavras...

30.4.13

Geoparque/Parque Natural Serra de Sicó: utupias em debate


Foi neste último fim-de-semana que se realizou a tertúlia a que a brochura acima de refere. Tendo em conta acontecimentos recentes, decidi que o melhor era mesmo dissociar-me deste evento.
Confesso que fiquei algo perplexo há 2 semanas atrás, já que apenas nessa altura soube da realização desta tertúlia, através de terceiros. Isto é estranho, já que em Junho de 2012 uma pessoa da organização falou comigo, dizendo que me iria convidar posteriormente, algo que nunca aconteceu. Note-se que, na altura, dei aconselhamento sobre algumas questões pertinentes, dado o meu conhecimento sobre a temática dos geoparques e dado o facto de desde há coisa de 7 anos eu andar a falar de um "Geoparque Sicó". Desde então muita coisa mudou...
Indo então ao meu comentário sobre esta questão, noto logo à partida 3 factos, um é que está-se a partidarizar algo que nunca o deveria ser. É certo que estas ideias precisam de apoio político, mas uma coisa é ter apoio político outra é partidarizar a coisa, facto que desvirtua logo à partida o debate. O segundo facto é que dos autarcas convidados, segundo a brochura, faltam alguns que são imprescindíveis para a discussão, caso de Penela, Ferreira do Zêzere, Ourém e Tomar. Já o terceiro facto, quiçá o mais importante, é que falhou algo de crucial, já que nos "preliminares" da coisa, e no que concerne estritamente à questão do Geoparque, faltam os especialistas. É certo que esteve um representante do Geoparque Arouca, tal como eu sugeri em 2012, no entanto faltam os geólogos e geógrafos que se dedicam à temática geoparques. Efectivamente falta ali pelo menos um especialista em geoparques.
Como curiosidade, veja-se que na brochura respectiva, parcialmente reproduzida na primeira imagem, não consta nenhuma imagem relativa à geodiversidade de Sicó. Noto também a ausência de termos fundamentais na questão "geoparque", caso de geossítio ou mesmo geodiversidade, algo de incompreensível num debate deste género.
Face aos enquadramentos da tertúlia:


Noto alguma incoerência nos objectivos da tertúlia, já que parece que se esquece que já existem "políticas comuns supramunicipais" no território Sicó. O problema aqui centra-se fundamentalmente nas políticas de capelinha, pois se não há capacidade para os autarcas pensarem o território enquanto um todo, como podem ter eles capacidade para fazer nascer algo de novo? Se tendo já políticas comuns supramunicipais, com as quais não se entendem, como querem algo de novo?
O reconhecimento nacional já existe, no meu entender não está é devidamente potenciado, culpa não só das respectivas autarquias, bem como a Associação de Desenvolvimento Local, a Terras de Sicó.
O aumento do número de turistas e visitantes só é desejável quando existir uma estrutura comum e interligada, a qual permita que haja um usufruto sustentável do património natural e cultural aqui existente. Antes disso não, há que construir a casa pela base e não pelo telhado...
Quanto ao ordenamento do território, este é um termo que os autarcas locais muito gostam de falar, contudo sem saberem factualmente o que ele é. Apesar dos autarcas locais dizerem que o ordenamento do território é importante, as suas políticas não são consequentes com as suas próprias palavras, muitas vezes muito faladas em campanha eleitoral (e este é ano de eleições...).
O mesmo se passa face à protecção ambiental e biodiversidade, pois, para estes, a protecção ambiental é quase sempre um entrave às suas políticas do betão. A Rede Natura 2000 é o exemplo perfeito do que atrás referi. O que têm feito os autarcas locais pela Rede Natura 2000? Isto além de dizerem que é um entrave e dizerem algumas palavras vãs, de ocasião, nas brochuras municipais...
E porque não se classifica a nível municipal muito do património existente por estes lados? Será que não sabem dessa possibilidade?
Lembro um dos casos mais emblemáticos desta incoerência, ou seja o polémico (ex)projecto de um hotel para a Serra de Alvaiázere, em plena Rede Natura 2000 e em Reserva Ecológica Nacional. Será que para potenciar tem de se degradar?


Outro ponto que considero algo caricato é aquele relacionado com o potencial e as mais-valias do território Sicó, já que potencial e mais-valias são coisas que se debatem há anos e anos, sem que, no concreto, surjam medidas para os concretizar. Tenta-se inventar a roda quando ela já existe há muito tempo. As responsáveis pela inexistência destas medidas são precisamente as capelinhas implantadas em cada freguesia, em cada concelho e em cada cabeça de cada um dos autarcas locais.
A concordância só surge quando é para receber fundos comunitários para a região. Após isso tudo se esbate e lá voltamos às capelinhas. Muitos sabem disto mesmo, mas poucos têm a coragem de o dizer publicamente.
Noto também que há uma confusão face ao que é um parque natural e face a um geoparque, já que o primeiro implica uma classificação legal, prevista na legislação, e o segundo não. São figuras muito diferenciadas, algo que parece que não é percebido.
Outro ponto fundamental e que me parece que não tenha sido debatido, é o facto de que fala-se muito em turismo e visitantes, mas não se fale tanto nas actividades dos locais, as quais têm mantido e transformado esta bela paisagem de Sicó. Não se pretende que esta região seja o cenário de um "circo", onde vêm visitantes ver os "palhaços parolos". O foco deve estar em primeiro lugar nos que aqui estão e não dos que aqui vêm. Só depois de pensarmos nos que aqui estão é que poderemos pensar nos que aqui vêm. A lógica invertida não é aqui desejável.
Esta tertúlia mostra, no meu entender, uma nocivo parasitismo sobre questões que deviam manter desparasitadas. Apesar da JSD ter mérito em debater esta questão, algo que aplaudo, noto que este debate está à partida enviesado. A JSD deveria sim ter reunido primeiro lugar os especialistas em geoparques e os vários investigadores que se têm dedicado à "geo-investigação" na região de Sicó. Só depois destes se reunirem e chegarem à conclusão que há potencial para a criação de um geoparque, é que poderiam ser chamados os políticos e tecnocratas, de forma a dar o seu apoio. É assim que se processa e não como se processou nesta tertúlia. Estiveram apenas alguns investigadores presentes e uma outra pessoa ligada a um geoparque, portanto faltaram os especialistas em geoparques. Sugeri isso mesmo em Junho de 2012, no entanto os meus conselhos foram, em boa medida, ignorados...
Para finalizar, deixo a minha opinião sobre o futuro ou utupia das questões debatidas. Não sou apologista de um parque natural para a região de Sicó, os motivos, esses poderei explicar num futuro próximo. Quanto ao geoparque, apesar de nos primeiros anos ter defendido e promovido a criação de um, desde 2008/09 que considero que este não será possível. Um dos pressupostos fundamentais para a criação de um geoparque é a existência de geossítios de valor internacional, não um ou dois, mas vários. Isso não acontece em Sicó, os "geossítios de Sicó" são fundamentalmente de valor regional e, alguns de valor nacional, tal como foi confirmado numa publicação recente. Não existe a âncora necessária para um geoparque. Obviamente que tenho pena, mas a verdade é essa.
Então o que defendo para Sicó? É simples, inove-se e crie-se uma figura inspirada nos geoparques. Criem uma figura nova e façam surgir algo de realmente novo e factualmente exequível. Com muitos dos geossítios ali existentes, estes base de uma nova figura, e com todo o valioso património natural e cultural existente em Sicó, poderemos sim criar algo que não passe de uma utupia, mesmo que bem intencionada. Lembrem-se que já temos uma Rede Natura 2000, a qual poderia além de ser devidamente promovida, ser integrada na tal nova figura a criar...

24.4.12

O património subjugado


A escassos minutos de Condeixa, eis o lugar da Fonte Coberta, local que poucos conhecem realmente. Isto acontece por um motivo muito simples, além da óbvia preguiça de muitos daqueles que vivem na região de Sicó, mas que não a usufruem, o motivo é a mania da pressa que leva a que muitas vezes se pense em ir de X a Y sem passar por lugares com grande valor patrimonial.
De vez em quando gosto de atalhar pela Fonte Coberta, já que vale mesmo a pena. Já passei por ali dezenas de vezes, mas curiosamente nunca tinha parado para ver aquela ponte Filipina. Pode parecer estranho nunca o ter feito, mas afinal com tanto património é, por vezes, difícil, parar em cada lugar para ver as coisas com olhos de ver. Mais ainda, mal conheço, com olhos de ver, aquele cantinho onde está situado o lugar da Fonte Coberta, tenho de ver se consigo um dia para isso, seja de btt ou a pé, pois é assim que se conhece Sicó. 
Outro dia, lá surgiu o clique que me fez parar e ver a ponte com olhos de ver. As placas de identificação estão bem posicionadas e é preciso ir muito distraído para não ver esta bela e valiosa ponte.
Lembrei-me de fazer este comentário lembrando este último dia internacional dos monumentos (18 de Abril), pois afinal esta ponte Filipina é mesmo isso, um belo monumento, o qual está "arredado" da vista de muitos do que visitam a região de Sicó. Os peregrinos do Caminho de Santiago conhecem bem esta ponte, não há que enganar, mas esses são poucos quando comparados com os turistas que passam bem ali ao lado.
A região de Sicó é um hotspot de património, mas infelizmente as estratégias locais e regionais não têm sabido valorizar e potenciar devidamente a vastidão de recursos patrimoniais que temos, salvo raras excepções. Infelizmente, e na maior parte dos casos, as versões estereotipadas de desenvolvimento do território predominam e, assim, subjugam todo este valioso património, perdendo a região, quem aqui vive e quem nos visita...
Fica a sugestão de visita ao património da região de Sicó, sendo esta ponte Filipina apenas um de muitos exemplos que vale a pena conhecer!