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19.3.18

8 anos depois do Limpar Portugal: sucesso ou insucesso?


Faz amanhã, dia 20 de Março que passam 8 anos da iniciativa Limpar Portugal. Na região de Sicó foram centenas de pessoas que meteram mãos à obra por uma causa nobre. Ansião portou-se muito bem e só a chuva perturbou a festa. Para mim, enquanto coordenador concelhio desta iniciativa, foi uma honra trabalhar neste projecto. Muito trabalho (2 meses de trabalho diário e voluntário) e muito orgulho pelo que, em conjunto, conseguimos fazer em Ansião. Só mesmo a chuva e a tentativa de politização por parte do antigo presidente da Junta do Avelar, Alfredo Moreira, afectaram esta iniciativa. Felizmente que mesmo assim se fez muito nesse dia mágico, onde adultos e crianças foram à caça do lixo.
Nos anos seguintes surgiu uma outra iniciativa, decorrente do Limpar Portugal, mas a nível municipal, pela mão da Câmara Municipal de Ansião. Este ano parece que vai ter continuidade. Uma outra novidade é que o Limpar Portugal vai voltar este ano, mais concretamente a 15 de Setembro, para comemorar os 10 anos desta iniciativa, que teve a sua origem na Estónia. Por isso comecem a organizar-se e a detectar lixeiras para limpar. Eu não poderei assumir o papel que assumi há 8 anos, contudo poderei ajudar no que me for possível.
Após estes anos há que reflectir sobre o que mudou. Se é certo que o Limpar Portugal teve um impacto excepcional, também é certo que os nossos amigos porcalhões continuam a fazer das suas, já que o lixo continua. Não fiz nenhuma análise que mostre quantas lixeiras continuam a existir, sei apenas que continuo a ver locais onde os porcalhões vão deitar/abandonar lixo. 1 ano após o Limpar Portugal 2010, e a pedido da Lusa, fui a alguns dos locais onde 1 ano antes tínhamos estado. Nessa altura vi que já tinham surgido novas lixeiras ao pé de antigas lixeiras. Como na altura dizíamos, lixo atrai lixo...
O cenário continua a ser negro e nem precisamos de ir longe para ver lixo. Basta ver as bermas das estradas para perceber o estado actual das coisas.
Se vale a pena insistir no Limpar Portugal? Claramente que sim, já que além de se limpar, sensibiliza-se uma percentagem significativa da população. Julgo que actualmente as pessoas estão mais sensibilizadas do que há 8 anos, por isso há que voltar à carga! O desafio está lançado...

14.11.17

Uma janela sobre a literacia ambiental...


Uma das questões com a qual me deparo mais vezes, quando falo com as pessoas sobre ambiente, é quiçá a mais importante de todas. Falo, claro da literacia ambiental, da percepção que temos sobre o nosso território, sobre aquela que é afinal a nossa casa, o planeta terra. Não conhecer todas as divisões da nossa casa é um problema estrutural, daí eu já há vários anos fazer este investimento pessoal e profissional em prol da causa maior que é a sensibilização ambiental.
Há poucas semanas, e quando me cruzei na rua com uma pessoa amiga, acabámos por ficar ali a falar longos minutos sobre a temática do mundo natural. Ouvi algo que me preocupou e que, tal como acima referi, é algo que o qual sou confrontado demasiadas vezes. Em termos muito resumidos, aquela pessoa dizia-me que tinha uns terrenos que não valiam nada e que eram um estorvo. Na brincadeira até me disse se eu queria os terrenos. Ou seja, por não ser possível construir ali uma casa ou por não ser um terreno agrícola, não tinha qualquer valor.
Comecei logo a rebater os factos, dizendo que aqueles argumentos não justificam o desprezo pelos terrenos, até porque eles têm funções que normalmente desconhecemos ou que basicamente não achamos importantes, talvez porque essas funções estão, por enquanto garantidas. Falo, claro, dos serviços dos ecossistemas. Estes serviços dos ecossistemas são basicamente benefícios que nós, enquanto sociedade, retiramos dos ecossistemas. Estes serviços dividem-se por serviços de produção (ex. alimentos, água, medicamentos), de regulação (polinização, regulação climática, mitigação de cheias, controlo de pragas, etc), serviços culturais (ex. educação, recreação, património, espiritual) e serviços de suporte (manutenção da biodiversidade, reciclagem de nutrientes, produção primária).
Boa parte de nós desconhece, na prática, estes factos, daí não lhes dar o seu real valor e não incluir a defesa destes valores na sua cidadania, activa muitas vezes em outros temas e simplesmente ausente nesta questão de primordial importância na nossa existência.
Agora duas questões se colocam, a primeira é se vão resistir a fazer uma busca no computador ou no telemóvel inteligente sobre os serviços dos ecossistemas e se da próxima vez que se meterem num carro (ou bicicleta ou a pé...) e palmilharem dezenas de km continuarão a desconhecer que todas aquelas diferenças que vêm na paisagem natural têm uma função, a qual pode ser essencial para a vossa existência. Aproveito para vos sugerir a leitura do livro "pensar como uma montanha" de Aldo Leopold.
Cada vez mais me apercebo que o caminho de sensibilização que tenho em frente nos próximos anos é hercúleo. Haja saúde...

15.10.17

Quando a cabeça não tem juízo, a educação ambiental é que paga...



Demorei meses até que decidi falar desta questão. Reflecti sem pressas e deixei o tempo fazer o seu trabalho, mas a mágoa continua. O motivo porque apaguei segmentos destas duas fotos deve-se ao facto de não pretender afectar a imagem da entidade em causa, até porque a culpa não é dela, mas sim culpa da malvadez e estupidez humana de uma ovelha negra. Quero apenas mostrar do que se trata, daí mostrar os ecopontos e não o cenário dos mesmos.
Mas comecemos pelo início. Há uns anos adquiri às minhas custas alguns mini-ecopontos, de forma a oferecer a uma determinada entidade, fomentando assim a educação ambiental, senso lato, e a separação de resíduos em termos já mais objectivos. Foram anos de sensibilização e dezenas de pessoas levaram para casa algo de novo, a sensibilização para algo de importante como o é a reciclagem. É uma tarefa que leva o seu tempo, mas que resulta e é gratificante, isso vos posso garantir. Os mais de 200 euros que gastei em 2006 compensaram, pelo menos até determinada altura.
Como em tudo na vida há ovelhas ranhosas, que tentam impedir o avanço civilizacional. A reciclagem é um desses avanços civilizacionais. Durante os anos em que estive naquela entidade, ninguém se interpôs num caminho que consegui trilhar e do qual muito me orgulho. O estatuto que tenho funcionava como protecção aquela medida pedagógica. Apesar desse facto, houve sempre uma ou duas ovelhas ranhosas, que queriam acabar com a reciclagem, estando desejosas que eu me fosse embora dali. E esse dia chegou a determinado momento. Logo que aconteceu, a primeira coisa que essas ovelhas ranhosas fizeram foi transformar dois dos conjuntos de mini-ecopontos em caixotes do lixo, pervertendo algo de tão importante como era a reciclagem. Mas não se ficaram por aí, pois retiraram um papel que apelava à separação de resíduos e até os ímanes do frigorífico, alusivos à reciclagem,   desapareceram. Não é algo que me surpreendeu, já que já tinha ouvido, meses antes, que certa pessoa tinha prometido que ia acabar com a reciclagem, mesmo que não mandasse nada ali (as paredes têm ouvidos e eu oiço-as...). É algo que lamento profundamente. Se há um atestado de ignorância e malvadez passível de apresentar, este é um deles.
Apesar da maioria do pessoal já ter começado a integrar a questão da reciclagem, este acto ignóbil, é um reprocesso civilizacional, que infelizmente afecta negativamente a imagem da entidade em causa.
Há quem saiba do que estou a falar, mas, e a esses, peço que não falem do local onde isto se passa, já que, como já referi, não é ela que tem a culpa. Foi ela aliás que sempre apoiou a reciclagem entre portas. O importante é mesmo fazer-vos reflectir sobre esta questão e, envergonhar quem tomou a iniciativa de acabar com a reciclagem ali, numa de vingança para com a minha pessoa, numa (i)lógica de ressabianismo puro. Trata-se de alguém que só é gente entre aquelas portas, pois fora delas é um zé ninguém. E, diga-se, mesmo lá dentro, é gozado por muitos, tal a infantilidade crónica.
Para terminar, eu não condeno quem não sabe, condeno sim quem não quer saber...

14.4.17

Ouvi dizer que a espécie humana é a mais inteligente, contudo tenho muitas dúvidas...


Não me choca que cortem carvalhos ou azinheiras, já que, por vezes, isso mesmo é necessário para gerir a floresta. Claro que quando falo em cortar carvalhos, não falo em cortar carvalhos com dois séculos, pois isso é, para mim, criminoso. Falo sim em cortar alguns espécimes do estrato arbustivo, onde a densidade é demasiado elevada, tal como acontece em alguns terrenos abandonados por privados ou por entidades públicas.
Findado este esclarecimento prévio, vou então ao que me leva a escrever estas linhas. Há uns dias fui alertado para o abate de algumas árvores centenárias, uma delas era um belo carvalho português, centenário (deve rondar os dois séculos...). As outras árvores, entre as quais freixos (com Tamarix) e um choupo negro quais faziam parte da galeria ripícula de um tributário do Rio Nabão, no limite de Alvaiázere (Almoster) com Ourém.
Solicitei fiscalização por parte das autoridades e espero pelo menos uma multa para quem fez este disparate. Penso que a multa que estará garantida será a relativa à destruição do freixial. Sobre o carvalho, como está fora da RN2000 e não está protegido a nível municipal, penso que escapará, mas não tenho a certeza, pois tudo depende da questão do domínio hídrico. Espero também que a acção de fiscalização tenha impedido a continuação do arboricídio.
Se assistirem a situações como esta na região de Sicó avisem-me sff, de forma a indagar sobre a legalidade das mesmas. E caso sejam ilegais, eu trato de agilizar a questão da coima...


Mas pegando no título, sempre ouvi dizer que a espécie humana era a mais inteligente, contudo discordo frontalmente dessa afirmação, já que somos a espécie que faz mais disparates neste belo planeta. Além do mais, de nada vale ser inteligente se não houver a sabedoria para utilizar a inteligência de cada um de nós e da espécie enquanto um todo.
Apesar de já ter visto muitos casos como este, a sensação de tristeza é sempre igual. Um, dois ou três séculos são muitos anos de vida. E é pena que as nossas autarquias ou juntas de freguesia menosprezem a protecção e classificação destes espécimes centenários. Mas não pensem que a culpa é só das autarquias, juntas de freguesia e dos respectivos autarcas, já que estes costumam ser o reflexo de quem os elege. Resta saber se cada um de nós se conforma com este triste cenário ou se cada um de nós faz questão em pugnar por um planeta com saúde suficiente para albergar todos aqueles que por aqui andam. E isto mesmo sabendo que isso pode significar chatices de vez em quando.
Da minha experiência posso-vos garantir que as chatices têm valido a pena, pois o que está em jogo é demasiado importante para ficar no meu cantinho, a fingir que não é nada comigo...


5.1.17

Começar o ano às claras e com bons actores...


Educação ambiental. Este é aquele que actualmente considero o maior desafio civilizacional, já que só educando se conseguem resultados, também ao nível da temática ambiental e da cidadania. Só poderemos ajudar a proteger aquilo que conhecemos e só poderemos gostar daquilo que conhecemos, é mais ou menos assim que diz um dos dizeres que frequentemente vemos nas redes sociais, aplicado à temática ambiental. É esta linha que tenho seguido activamente nas últimas duas décadas, em crescendo, também com reflexos neste blogue.
Educação ambiental na região de Sicó é uma área onde muito há por fazer. A Escola da Água, situada na Arrifana (Condeixa) é um pólo de educação ambiental que, desde o seu recente início, tem vindo a trilhar um caminho fundamental, o de bem educar miúdos e graúdos. Eis então mais uma actividade promovida neste importante pólo de conhecimento, a qual importa divulgar, dado o seu mérito.
E não, os morcegos não são bichos feios, isso é um mero estereótipo cultivado precocemente nas nossas mentalidades. Quem conhece bem os morcegos sabe não só que são belos, como são muito importantes para os ecossistemas. E quem não conhece? Simples, comecem por visitar esta exposição. Fica a sugestão...

Mas não é tudo!
Destaco também a celebração dos 20 anos do Teatro Olimpo, na qual cada um de vocês poderá participar sem gastar um tostão. Portanto não há a desculpa do "não tenho dinheiro". E caso não possam num dos dias, têm outros 3 à escolha. A cultura é para celebrar e ir ao teatro é uma das muitas formas de a celebrar. O Teatro Olimpo tem enriquecido a agenda cultural de Ansião e da própria região de Sicó nos últimos 20 anos, portanto há que apoiar quem dignifica a região e a arte que é o teatro e os artistas que são os seus actores.


28.7.16

Iliteracial ambiental e falta de civismo: Quo Vadis?!


Felizmente que estamos perante uma excepção à regra, mas mesmo assim importa focar esta problemática, de forma a mitigar o que eu denomino como uma perda de competências no domínio do bom senso e da cidadania.
Há umas semanas atrás, quando abordei e partilhei num grupo do facebook o resultado de uma das minhas denúncias, surgiu um comentário que ilustra bem a gravidade da perda de competências no domínio da compreensão do território e dos seus valores e uma notória falta de sentido crítico perante os factos.
O comentário dizia "realmente nesse sítio tinha uma fauna exemplar, por favor procurem o que fazer, tanto mato para roçar e nada, enfim". Este comentário é bem a prova da iliteracia cultural que ainda vamos vendo pela região de Sicó e por esse país fora. Depois de uma denúncia sobre várias ilegalidades (3), surge um comentário que, imagine-se, apoia essas ilegalidades e que, quiçá, pretende dar lições de moral a quem defende a legalidade e pugna pelo bem público.
Não conheço a senhora que fez este comentário, mas fico com a ideia que conhece o visado da denúncia. Conheço agora apenas a escassa literacia ambiental da senhora em causa, ficando eu com sérias dúvidas se a mesma saberá o real significado de fauna, flora, Reserva Ecológica Nacional, ecossistemas, etc, etc. Pelo comentário da mesma, tenho sérias reservas, pois parece que confunde a fauna (animais) com flora (vegetação).
Curiosamente este tipo de comentários, tristemente infelizes, dá apenas mais razão e sustentação à minha posição, a qual privilegia a educação ambiental e cívica. Esta é uma das muitas razões que justificam o meu trabalho aqui no azinheiragate, o papel de educador. Mas para isso preciso de cada um de vós, pois só tendo pessoas para partilhar o conhecimento poderei ter sucesso no passar da mensagem e, assim, termos todos uma noção do que está em causa. A nossa maior riqueza é o nosso território, Sicó, que é a nossa casa. Se não cuidarmos dela, ficaremos em maus lençóis. Se cada um partilhar o seu conhecimento, seja ele qual for, todos ficaremos mais ricos e sairemos todos a ganhar.

9.7.16

Um momento daqueles especiais...


Apesar de ser um local que conheço como a palma das mãos, aconteceu algo de muito especial naquele local. Ia a caminhar no passeio ali ao lado quando, de repente, algo prendeu a minha atenção. Eram várias andorinhas que pousavam naquela poça, pensando eu, assim de repente, que seria para matarem a sede. Enganei-me, já que afinal bastaram poucos segundos para perceber que o que as andorinhas queriam era o belo do barro/lama para construirem os seus ninhos. Foi um momento de observação simplesmente fabuloso, mesmo para mim, que estou habituado a este tipo de momentos.
Imaginei-me logo a dar uma breve aula de educação ambiental a um grupo de miúdos, pois os graúdos não costumam ter paciência para estes "pormenores". Facto curioso foi que este momento especial foi em meio urbano. Nem sempre precisamos de sair da urbe para ver o mundo natural, muitas vezes basta apenas estar com atenção aquilo que nos rodeia
Curiosamente foi a escassos metros dali que em 2015 tive de avisar um amigo que destruir os ninhos de andorinhas em nidificação é proibido e dá multa, já que o tinha apanhado a destruir ninhos precisamente na época de nidificação das nossas amigas e mensageiras, as andorinhas.
Mensagens à parte, fica o desafio para miúdos e graúdos, quando sairem de casa, estejam atentos a tudo aquilo que vos rodeia. Depois de focarem a vossa atenção nos "pormenores", vão ver que o mundo é belo e surpreendente...

16.12.15

Porque não deve o namoro parar...


Dezembro é um mês especial, não pelo natal, mera data transformada e pervertida pelos interesses económicos (compro, logo existo...), mas sim pelo facto de ser o culminar de mais um ano. É, portanto, uma época de reflexão. Pelo menos para mim.
Já estava cheio de vontade em falar sobre o tema que hoje quero aqui partilhar convosco. Não é um tema fácil, muito pelo contrário, no entanto é algo com o qual me tenho afeiçoado nos últimos anos. 
Enquanto escrevo este comentário, tenho ao meu lado duas revistas muito diferenciadas em termos de objectivos e conteúdos. A National Geographic, que "dispensa" palavras e a Smart Cities. Na National Geographic consta que no próximo mês uma das reportagens terá o título "Porque precisamos da natureza?". Promete...
Já na Smart Cities, publicação recente em Portugal, e de grande qualidade, tem um artigo que tem o título "Porque é que os nossos filhos devem aprender a programar", onde consta algo que me chamou a atenção. Logo no início é referido que "não saber programar é não saber a linguagem dos computadores, o que daqui a uns anos será o equivalente a ser analfabeto". 
Mas vamos por partes e comecemos pelo início. Hoje em dia debate-se muito a questão do futuro do planeta. Infelizmente este é um mau ponto de partida, mesmo que alguns de vós não percebam porquê. O ponto de partida deveria ser o futuro da espécie humana, a qual se distancia cada vez mais de algo do qual faz parte, a Natureza. Sim, parece incrível mas nós somos parte da Natureza, não há a Natureza e nós, nós somos parte de algo muito especial. 
O Ser humano tem um defeito que se tornou uma virtude, muito por culpa da economia predadora que vem assolando as últimas décadas, onde basicamente tem de se consumir mais e mais para podermos "evoluir". A economia consegue manipular quase tudo e quase todos. Há umas semanas, num colóquio onde apresentei algumas destas questões, tentei desmontar alguns estereótipos associados à economia. Reparem o absurdo que é este esquema, no qual "rabisquei" de forma a mostrar o quanto obtuso é:


O tal defeito que falava atrás é o facto de andarmos a perder a capacidade de entender o mundo em que vivemos e em vez de combater este facto, andarmos a tentar entender mundos em que não vivemos, realidades virtuais que não dispensam realidades concretas e objectivas. Complicado de entender? 
Pegando no que referi atrás, será que não saber programar é ser-se analfabeto? Obviamente, e contextualizando a coisa, até percebo o que o autor do artigo quer dizer, ainda mais porque está a defender "a sua dama", mas de que vale um miúdo ser alfabetizado nos computadores e ser analfabeto no tema que é mais importante, a Natureza? Contextualizem isto, pensem e depois sim, digam o que têm a dizer.
O cerne da questão é este, a Natureza! Cada vez mais temos dificuldade em interpretar a Natureza, a perceber o seu papel e tudo aquilo que ela nos proporciona. A geografia, a biologia e a geologia têm sido postas de lado nos currículos escolares, facto que é gravíssimo e, diga-se, muito vantajoso para alguns interesses económicos, que precisam de pessoas pouco informadas para poder vender produtos supérfluos.
Mas falemos de soluções. Antes de mais não há fórmulas mágicas. Antes de mais este é um problema que só conseguiremos resolver enquanto sociedade. Mas há soluções, umas mais complicadas e outras menos complicadas. Já vi propostas mirabulantes, já vi propostas que custam milhões. Mas há uma solução muito simples, a qual se adapta a todos e tem em conta as especificidades de todos.
Aqui entra a minha experiência e o meu humilde contributo para uma solução, o qual quero partilhar com todos.
A solução passa por vários gestos. Peguem nos vossos filhos e levem-nos para o monte, para o rio ou para a planície. Deixem-nos cansar-se ao subir o monte, molhar-se ao entrar no ribeiro e sujar-se ao pisar os terrenos enlameados da planície. Deixe-nos ouvir os sons, ver as cores, sentir os cheiros e contemplar tudo isto e muito mais. Deixem-nos ser curiosos e indagar pelos seus próprios meios. Deixem-nos sujar as mãos, deixem-nos subir às árvores e ver o mundo de uma outra forma. E façam-no de forma regular!
Podem pensar que isto não é importante, mas, garanto-vos, é essencial. Há quem, na altura de ter filhos se lembre de algumas destas coisas, mas rapidamente volta à rotina, perdendo-se assim um processo que só terá sucesso se feito de forma contínua e regular.
E uma outra coisa, aqueles documentários da BBC vida selvagem, são mesmo importantes. Uma das coisas que mais me transformou no que sou hoje em dia foi isto mesmo. Aprendi coisas fantásticas com pessoas extraordinárias (ex. David Attenborough; Jacques-Yves Cousteau; Jane Goodall). O contacto com o mundo natural, mais próximo à casa onde vivi a minha infância e juventude e os documentários feitos por estes génios foram parte importante da construção do meu eu. Daí, mas não só, a importância de artigos como o que referi que será publicado na National Geographic de Janeiro. E leiam livros, mas dos bons, daí eu de forma regular dar destaque a algumas das minhas leituras.
Para sermos uma sociedade com futuro, num planeta habitável como este, teremos e deveremos voltar ao início e isso passa por entender coisas simples como a importância do solo, das árvores, das aves, das rochas e de muito mais. 
Isto dava para continuar a escrever por muitos dias, mas, e para já, fico-me por este comentário. Agora vamos lá namorar a Natureza!

26.6.15

A sério?!


Sendo eu uma pessoa ligada à questão da educação ambiental, sou, por isso, mais sensível a situações que, na minha opinião, demonstram bem um problema estruturante, ou seja as graves falhas na educação das novas gerações. Enquanto cidadão, fico perplexo com o que os próprios pais partilham no seu facebook, de forma completamente aberta (pública).
Descobri esta preciosidade há uns meses atrás, sendo que a guardei para mais tarde utilizar. Não será por acaso que a fotografia em causa está relacionada com o lóbi da caça, neste caso fundamentalista, onde uma criança é colocada num cenário que, na minha opinião, é perigoso do ponto de vista educacional. Mata-se um javali e depois mete-se uma faca na mão de uma criança que é posicionada para a "bela" fotografia. E, claro, coloca-se a efeméride no facebook, disponível a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo...
Que há cada vez menos pais a saber educar os filhos, isso eu já sei, mas a deseducar os filhos?!
Esta situação terá ocorrido em Alvaiázere e, para mim, vindo de quem vem não é surpresa alguma. Mesmo assim fiquei perplexo com esta imagem e com tantos likes. Obviamente que não vou divulgar quem são estas pessoas, mas estou curioso para ver qual a reacção dos mesmos quando derem com este comentário. Possivelmente ficarão incomodados, mas isso é problema seu, já que não fui eu que, publicamente, disponibilizei a fotografia e que expus uma criança de forma que considero irresponsável e eticamente inaceitável.
Com uma educação destas, como é que as gerações mais novas poderão ter respeito por si e pelo mundo natural? Que violência gratuita é esta? Por estas e por outras é que mais facilmente uma criança manda uma pedra a um pássaro, que uma criança esborracha com o pé uma lagarta. Por estas e por outras é que "adultos" têm prazer em atropelar animais, em atirar a tudo o que mexe, mesmo espécies protegidas. Por estas e por outras é que estamos como estamos e damos como exemplo quem não faz estas barbaridades...
E, ironia das ironias, são estas mesmas pessoas que me rotulam como fundamentalista. Quem diria...

17.2.14

A demonização da Natureza



Quem trabalha em prol do património natural depara-se naturalmente com várias dificuldades, uma delas, e talvez a principal é o que eu denomino por "demonização da natureza". Esta demonização é utilizada como ferramenta por parte de interesses predatórios que, moldando as mentalidades através de estereótipos, conseguem com que muitas pessoas pensem a Natureza como algo perigoso, por vezes feio e muitas vezes descartável, abrindo assim caminho para a degradação ou destruição da mesma.
Começando pelo mais fácil, todos nós nos lembramos daquele gesto de quando, em tempos, vimos a passar um bicho no chão, fomos ensinados quase que a esborrachar o dito animal, seja minhoca, lagarta ou cobra. Também nos lembramos daquele frase muitas vezes utilizada em pequenos, onde ao mexermos a terra com as mãos, alguém disse que era um horror, que porcalhice, quando afinal esse gesto, de mexer na terra com as mãos, tens uma importância crucial. Ou então, ao olhar para um terreno, com algum mato, e dizermos que é perigoso ir para ali, que nos sujamos ou podemos encarar um animal selvagem, o qual até se assusta mais do que nós quando nos deparamos com ele.
Eu digo que tudo isto é pura parvoíce, que continuar a ensinar estes estereótipos às crianças é um erro crasso, o qual tem reflexos tremendamente negativos perante a sociedade.
Pegando na primeira foto, este é um exemplo perfeito, onde este tipo de mentalidade impera. Naquela cavidade foram encontrados resíduos de todo o tipo, já que alguém o mandou para lá. Isso aconteceu talvez por alguém ter pensado que aquele "buraco" era uma coisa feia e que ao mandar para lá lixo ele ficava esquecido, longe da vista. Felizmente que não ficou e que o mesmo foi limpo por espeleólogos (Grupo Protecção Sicó) e elementos da SEPNA. Isto aconteceu porque aquele "buraco" não é uma coisa feia, muito pelo contrário, é sim algo de belo, algo onde as coisas se vêm de um outro prisma, de baixo para cima. Este último ponto é crucial, olhar de baixo para cima, já que estamos mal habituados, a olhar sempre de cima para baixo como se fôssemos superiores a tudo o mais.
O curioso é que quase tudo o que é mais importante vem de baixo de nós, precisamente aquele "por baixo" que teimamos em ignorar. Curioso também é que o que está por baixo de nós é belo, podendo eu demonstrar isso da mais variadas formas. Preferi apenas mostrar uma foto que, quanto a mim, mostra esta beleza, utilizando para isso uma das centenas de fotografias que tirei num museu de história natural, neste caso o de Viena de Áustria. Quem disse que as rochas/minerais eram feios?



Há que mudar mentalidades e isso não é fácil, eu sei, pois é preciso tempo para o conseguir fazer. No entanto, e pela minha experiência, sei que isso além de ser possível, tem resultados extraordinários, com imensos benefícios para as comunidades. Uma comunidade informada consegue mudar, para melhor, muita coisa, a começar pelo local onde vive. Obviamente que o facto de existirem pessoas informadas é uma maçada para os interesses predatórios, mas não tenham pena deles, tal como eu não tenho.
O azinheiragate dedica-se à mudança de mentalidades com vista à defesa, protecção e valorização do património da região de Sicó. Por vezes é preciso ser frontal e incisivo nessa defesa, pois há por aí alguns ressabiados que pensam que manter as pessoas na ignorância é o melhor caminho para que consigam os seus fins, o ganho financeiro e o benefício privado através do bem público, perdendo assim as comunidades e o seu património.
Lembro-me, em especial, de um destes ressabiados, que apesar de ser um rapazolas da cidade, tenta fazer passar a imagem de que é um homem do campo. Crise identitária meu caro?! Este rapazolas, mero tecnocrata, tem tido azar, pois há quem o consiga confrontar, quem o consiga meter no seu lugar e quem consiga perturbar gravemente a sua acção nociva perante um território muito valioso. 
Neste mês de aniversário do azinheiragate (6º), faço questão em sublinhar estes factos, pois infelizmente ainda há por aí gente maldosa que pensa que pode continuar impune e pensa que pode calar seja quem for, esquecendo-se que o azinheiragate é cada vez mais reconhecido pelo seu papel honesto, sério e construtivo em prol de toda uma região, Sicó!