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11.2.18

Com o turismo me enganas...


Há uns dias apeteceu-me fazer algo que aprecio bastante, ou seja dar uma volta nocturna. Depois de jantar é bastante agradável dar corda aos sapatos e dar uma voltinha. A digestão faz-se melhor, respira-se ar mais puro (de dia é mais complicado...) e conseguimos andar mais descontraídos e abstraídos com os nossos pensamentos. É aí, por vezes, que detectamos pormenores interessantes, como o que encontrei em Pombal.
Na pacatez da noite pude dar-me conta de algo que me surpreendeu de sobremaneira. Na primeira imagem consta aquilo que falo. Trata-se apenas e só de uma dos piores exemplos que já vi de um mapa turístico. Visualmente não é sequer apelativo, quanto à informação presente no mesmo, gostava de saber se a intenção aquando da feitura do mapa era informar os turistas, já que este mapa turístico é uma grande confusão. Exige-se muito mais quando se trata de elaborar um mapa turístico! Infelizmente este tipo de situação é normal na região de Sicó, onde os conteúdos turísticos deixam muito a desejar. Em vez de se elaborarem conteúdos em condições, vai-se sempre aos rascunhos do passado. 
Será que este mapa turístico ajuda, de facto, o turista?!
E vi um pormenor que me fez rir um bocado, ou seja a referência à Serra de Sicó. Este grafismo da Serra é um bocado irrealista, não? Lá está o escalador (referência aos Poios) e a torre eólica, contudo onde estão as crateras (pedreiras)? Ironia à parte, este mapa turístico deixa tudo a desejar. Sugiro que falem com quem sabe e façam um mapa turístico digno de Pombal e do seu património, já que este tem nota negativa! Pombal e a região de Sicó merecem o melhor do marketing territorial!


28.8.16

De pequenino é que se torce o pepino!


Por ser um evento que considero de grande valia no domínio da educação ambiental e cívica, com enorme potencial, passo a divulgar esta actividade de grande mérito. Aos pais, com filhotes, de Sicó fica o desafio:

"No próximo dia 4 de Setembro, o GPS - Grupo Protecção Sicó realiza o 7º curso de descoberta da espeleologia - Nível I "XXS", especialmente direccionado para crianças (dos 3 aos 14 anos).
O curso de Nível I é um curso de descoberta da espeleologia com a duração de um dia, com início às 10:30, que consiste na sensibilização e informação sobre a prática da espeleologia, orientadas para o conhecimento do meio subterrâneo numa perspectiva educativa, e inclui a visita a uma cavidade normas da FPE - federação Portuguesa de Espeleologia). Este curso será enquadrado por monitores devidamente credenciados pela FPE. Durante a actividade será visitada uma cavidade na Serra de Sicó (Pombal). Após a visita haverá um "espelo pic-nic" nas imediações da cavidade, sendo necessário cada um levar o seu farnel. Os mais pequenos terão ainda algumas surpresas durante a tarde. Para além do farnel será necessário levar uma muda de roupa e calçado, de preferência anti-derrapante (ex. galochas). Inscrições obrigatórias para o e-mail gps.sico@gmail.com, até às 00h do dia 30 de Agosto, com indicação dos seguintes dados (quer da criança, quer do acompanhante): - nome completo; data de nascimento; nº BI/Cartão de cidadão; Idade, seguro e logística: 7,5 espeleos (inclui seguro de acidentes pessoais, capacete e iluminação individual - as pilhas serão fornecidas pela organização."

Menosprezar a educação das crianças é menosprezar o seu futuro...


28.9.15

E o CIMU Sicó lá vai surgindo...


Por esta altura as obras do Centro de interpretação e Museu da Serra de Sicó (CIMU Sicó), situado nos Poios, já estão mais avançadas face ao que a fotografia acima mostra. Já lá vão quase 2 meses desde que esta fotografia foi tirada. É uma das obras sobre a qual tenho especial interesse, escusado será dizer porquê. Depois de um início muito atribulado, onde o processo voltou à estaca 0, eis que, anos volvidos, finalmente a obra começa a impor-se na paisagem.
Se é certo que a obra começa a estar à vista, certo é que, até agora, ainda não vi outro aspecto que, na minha opinião, já deveria ser de alguma forma conhecido, ou seja o plano de interpretação respectivo. Parece-me que há um pormenor que começa a estar à vista, ou seja o risco do pouco investimento na componente interpretativa. Esta é aliás uma questão comum em muitos países, onde se investe quase tudo na infra-estrutura e facilita-se no mais importante, ou seja a componente humana e técnica. Se há erro estratégico a evitar é, tendo um bom centro de interpretação (infra-estrutura), ter um plano de interpretação muito mal sustentado. Neste plano entra a componente humana, que representa afinal o cerne da questão. De que vale ter um belo edifício se, chegados lá, não há quem esteja bem preparado para ser o nosso intérprete? Estou particularmente curioso para ver como vai funcionar o CIMU Sicó, concretamente a nível dos meios humanos e formação/preparação destes. Ou seja, estou curioso para ver se os futuros funcionários do CIMU vão ser técnicos devidamente credenciados para esta função. 
Há uns meses visitei 2 espaços deste género em Espanha, ambos com uma boa infra-estrutura. Uma das visitas foi claramente positiva, outra nem por isso. Porquê? Enquanto que no primeiro a nossa intérprete sabia responder às questões, a outra pensava que sabia responder... Escusado será dizer que neste último caso, a imagem do espaço ficou em causa e ninguém recomendará aquele espaço. E quando não há visitantes não há receitas e não havendo receitas...
Espero obviamente que o CIMU Sicó venha a seguir as pisadas certas no domínio da interpretação, a qual passa não pela disponibilização pura e dura de informação, mas sim do saber contar "histórias", ou telling stories. Quem percebe da coisa saberá do que estou a falar...
Espero que no próximo comentário sobre o CIMU Sicó já possa dissertar sobre tudo isto e muito mais, mas para já fica a reflexão.


5.3.14

Viagem ao centro da Serra: petróleo de Pombal uma ova!




Regresso então a um dos temas mais fracturantes da região de Sicó, com mais um episódio das viagens ao centro da serra. Voltei igualmente à Serra de Sicó, pois esta era a última pedreira que aqui faltava fotografar em todo o seu horror. O pleno está quase, faltando apenas três das grandes pedreiras em laboração no Maciço de Sicó, além de outras, mais pequenas, já encerradas.
Apesar de não ter previsto falar agora desta pedreira, pois afinal tinha outra programada (que fica para daqui a breves semanas), acabei por tomar a decisão de abordar a mesma tendo em conta um comentário que li há alguns dias, num blog da região que acompanho regularmente, concretamente em questões de âmbito territorial. O comentário em causa, sobre as pedreiras, dizia assim:

"Este é o petróleo de Pombal, por muito que custe a todos temos de saber conviver com isso".

Confesso que fiquei perplexo, dado não só o facto do respectivo comentário ter sido efectuado de uma forma completamente leviana, bem como, e acima de tudo, por este não estar devidamente alicerçado em factos concretos ou justificações, tendo sido uma daquelas afirmações tipo enche chouriços.
Indo então aos factos, gostaria de sublinhar que não temos todos de saber conviver com isso, pois se há quem feche os olhos e assobie para o lado, eu não sou um desses. Depois de tanto tantos anos, onde o enredo foi densificando, como pode alguém afirmar levianamente que temos de conviver com isso? Se fosse um qualquer dono de pedreira ou um assalariado da mesma, até poderia compreender tal afirmação, embora não concordasse com a mesma, mas assim não.
Indo então à questão do petróleo, gostaria então de saber onde estão as imensas divisas que este "petróleo" já possibilitou a toda uma região, já que havendo "petróleo" eu não vejo riqueza alguma. Curioso é o facto de ainda há poucos meses atrás uma destas empresas, com os cofres, supostamente cheios de tanto "petróleo", renegociou a renda associada à exploração da pedra, com a Câmara Municipal de Pombal, por evidentes dificuldades económicas. Então há "petróleo" mas não há dinheiro, em que ficamos? E a sustentabilidade onde anda?
Utilizar o termo "petróleo" para ilustrar uma mera opinião no âmbito das pedreiras é, no mínimo, anedótico, carecendo de uma chamada de atenção para o erro/abuso linguístico. Sugiro que quem fez tal comentário olhe bem para estas 4 fotografias (panorâmicas) e pense bem no que diz, que pense que ali não há petróleo, há sim um crime ambiental que destrói uma das maiores riquezas do concelho de Pombal, a serra de Sicó. A exploração da pedra é uma actividade predatória, neste caso com a agravante de o ser numa área dita protegida e de imenso valor patrimonial.
Se há tantas formas de explorar um território, sem que para isso seja necessário destruir todos os valores ali existentes, será que é inteligente centrar a questão económica na exploração da pedra?
Se as pedreiras não são precisas? Sim, são, mas não tantas e não em locais de reconhecido valor patrimonial como o é Sicó. Exige-se ordenamento do território, puro e duro! O que se vê nas fotos é de uma gravidade que está para além da compreensão da maior parte das pessoas. É natural que assim o seja, mas eu aqui estou para, entre outros, ajudar à compreensão do problema, daí ter criado a série "Viagem ao centro da Serra", a qual traz literalmente a serra às pessoas através de um clique. As horas que invisto a ir para o campo, onde faço registos fotográficos extensos, e que depois resumo em panorâmicas como estas 4, valem cada minuto, pois só assim muitas pessoas vêm realmente o que está em jogo e o que representa uma pedreira. Mesmo eu, continuo a ficar tremendamente impressionado com estes cenários. Em todas as pedreiras faço questão de me sentar uns minutos e sentir aquilo com o qual estou confrontado e posso dizer sem a mínima dúvida que fico sempre abismado com estes monstros que consomem a maior riqueza da região, a qual é uma das mais valiosas paisagens culturais de Portugal. Esta região não tem de estar refém do sector da construção, o necessário crescimento e desenvolvimento não pode ser a qualquer custo.
A pedreira que destaco nas 4 panorâmicas irá infelizmente crescer ainda mais, esperando eu que o novo executivo tenha a coragem de dizer simplesmente:
- Chega!





22.5.12

O tabú de Sicó: viagem ao centro da Serra



Tabú é sem dúvida alguma a melhor palavra para descrever como é afinal o abordar da questão das pedreiras de Sicó, especialmente pelos lados de Pombal, mas não só...
Viagem ao centro de Sicó é a melhor frase que descreve a recente visita que fiz a algumas das pedreiras de Sicó. Estas duas imagens referem-se a apenas uma delas, aquela que muitos de nós vêm quando andamos pelas proximidades de Pombal. São duas as perspectivas que mostram o monstro que ali está instalado, qualquer uma delas é uma perspectiva assustadora, dada a sua dimensão. Escusado será dizer que poucos são os que falam desta e de outras pedreiras, uns por receio, outros por lhes ser um tema tão incómodo, tal como o é por exemplo para Narciso Mota. Na região de Sicó não há nenhum concelho que não tenha este gravíssimo problema.
São muitos os que já observaram esta pedreira ao longe, mas poucos os que o fizeram tal como eu. A maioria prefere olhar para o lado e fingir que isto não é um problema. Eu prefiro abordar a questão de frente e de uma forma pedagógica. Curiosamente ainda há poucos dias utilizei estas mesmas imagens numa palestra que dei numa escola longe de Sicó.
Obviamente que as pedreiras são necessárias, mas a questão fundamental é que não são necessárias tantas, nem mesmo será desejável tal dispersão das mesmas, ordenamento exige-se, no entanto não existe para as pedreiras, finge-se que existe... 
Reciclagem de resíduos de obras é uma das muitas formas de evitar que estes monstros cresçam, mas infelizmente Portugal está muito longe das metas que seriam desejáveis neste domínio. Penso que nem sequer devemos chegar aos 10%, enquanto que a Holanda chega aos 90% (actualmente não deve fugir muito destes valores). 
A extracção da pedra é um negócio que não tem em conta aquilo que deveria ter, a conjugação do interesse de todos, mas ao invés tem em conta apenas o interesse de lóbis poderosos que não querem saber se as pedreiras estão em áreas tão valorosas como é o caso de Sicó. As autarquias perdem mais do que ganham, acho curioso este negócio, onde um privado explora de forma predatória uma área tão rica do ponto de vista patrimonial (paisagem, geodiversidade, biodiversidade...) e de vez em quando lá oferece umas míseras carradas de brita às autarquias. Não pagam a exigível taxa e fazem o belo do negócio, enquanto isso o monstro cresce e leva consigo o que de melhor a região tem. É a verdade pura e dura, goste-se ou não!
Noutros países, como o Reino Unido, paga-se uma taxa por cada tonelada extraída (penso que 1,5 euros +-), que reverte depois para a recuperação da área e para mitigar, na medida do possível, impactos perante as populações que sofrem diariamente com a extracção da pedra. Quanto a mim, deveria fazer-se o mesmo em Portugal, facto que já sugeri e que agora reforço. Em jeito de proposta, dois terços da taxa deveriam ir para um fundo que visasse a recuperação posterior do local da extracção, e um terço para um outro fundo, independente, que visasse o apoio às populações. O Estado geria o primeiro fundo e as comissões de moradores o segundo fundo. É uma possibilidade que deverá concerteza assustar os donos das pedreiras, mas que as populações deverão começar a exigir. Espero que este meu comentário sirva também para motivar os cidadãos a se mexerem neste domínio.
Este meu comentário foi mais na linha de "se maomé não vai à montanha, a montanha vai a maomé", portanto espero sinceramente que seja mais um contributo para a discussão em torno de algo que nos diz respeito a todos. Por mais que alguns digam que este não é um assunto que lhes diga respeito, estes apenas estão a negar o inegável, já que todos somos culpados da existência destes monstros, directa ou indirectamente, já que o nosso estilo de vida faz com que seja necessário extrair pedra.
Espero também que certas juventudes partidárias em vez de andarem a fazer marketing barato com notícias de tipo "muito rastilho e pouca pólvora", quase que apenas para se autopromoverem, (e depois de vangloriam disso...) se debrucem sobre esta questão, já que a este ritmo daqui a uns anos não teremos Sicó alguma para podermos ter um parque natural ou mesmo geoparque Sicó...