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17.11.14

Erros básicos de marketing territorial

Marketing territorial, nem mais! Há poucas semanas atrás, aquando do comentário sobre a Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, referi que posteriormente iria debater precisamente esta questão, ou seja as falhas que, por vezes, podemos observar em eventos deste género. Quando se organiza um evento onde o objectivo principal é o marketing territorial, um dos principais cuidados a ter é o de garantir coerência no regulamento e na aplicação do mesmo. Se o evento tem como intuito representar outras épocas, nunca se pode permitir que surjam adereços que não correspondem a estas mesmas outras épocas.
O regulamento da Feira Quinhentista até estava bem elaborado, daí eu estranhar o que as duas primeiras fotografias pretendem mostrar. A organização falhou redondamente neste aspecto, pois permitiu algo que nunca deveria ser permitido. Sugiro também às empresas que colocaram estes painéis que em próximos eventos criem painéis inspirados na época, pois é fácil e baratíssimo. Com criatividade tudo se faz.
Este meu comentário pretende fundamentalmente alertar para esta e outras falhas, pois estas colocam em causa a imagem do evento que, diga-se, à parte destas duas falhas, foi um excelente evento cultural. 



Outro aspecto que não posso deixar passar em branco, e que sugiro que ponderem, é o facto de no meu entender não ser lógico estar uma roulote de kebabs mesmo em frente ao castelo, nos dias do evento em causa. Será que faz sentido isto num evento deste género? Será que faz sentido os kebabs estarem a competir directamente com os restaurantes devidamente enquadrados no espírito da Feira Quinhentista?
No meu entender o feirante fez o seu papel, no entanto e no meu entender o regulamento da feira deveria garantir uma "zona livre", onde a única "competição" entre feirantes seria entre aqueles que vendessem produtos "medievais" apresentados quase como à época.
A organização da Feira Quinhentista deverá ponderar muito bem esta questão, pois é algo que prejudica a imagem do evento. Espero que, com este comentário, a Feira Quinhentista do próximo ano chegue a um patamar de excelência, pois Ansião e a região de Sicó merecem.


9.10.14

A identidade cultural e o exercício da cidadania

Muitos falam dela, mas, talvez por ser tão chata e trabalhosa, muitos prescindem dela em momentos determinantes. Falo da bela Cidadania, uma Senhora que é pouco falada por uma sociedade cada vez mais alicerçada no supérfluo, no culto da aparência e numa vida alicerçada numa muito preocupante inversão de valores.
Há poucas semanas atrás realizou-se na região de Sicó um evento cultural de grande qualidade, no qual fiz questão de participar, usufruindo gratuitamente de actividades várias, inseridas na Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, Ansião. Fiquei bastante contente por ali estar e (re)ver que, quando querem, as autarquias conseguem realizar eventos culturais de grande valia. Houve algumas falhas, mas o comentário às mesmas fica para depois.  


Durante o evento, e por várias vezes, andei a palmilhar cada cm do recinto e no seu exterior, tentando absorver aquele ambiente fantástico que por ali se propiciava. Falei com o pessoal conhecido, tirei várias fotografias e ainda fiz uns vídeos. Bom ambiente, boa música, boa comida e muito mais.
No domingo a chuva estragou o ambiente, mas quanto a isso nada havia a fazer...
Em tudo isto falhou algo que me preocupa desde há vários anos, ou seja a pouca participação pública por parte de uma população que mais facilmente iria aquele lugar se lá houvesse uma festa (paga...) com um daqueles espécimes saídos da casa dos labregos. Não me conformo com o facto de se ter um evento cultural tão importante e serem poucas as pessoas que fizeram questão de participar naquele evento. Foram algumas centenas, mas num país que efectivamente gostasse da sua cultura seriam milhares de pessoas a usufruir deste evento, o qual em caso de necessidade poderia facilmente ser ajustado para um maior número de visitantes.


Nós, portugueses, andamos a ganhar maus hábitos, um deles prende-se com a demissão do exercício da cidadania, gesto cada vez mais comum por este território tão peculiar. A cidadania significa direitos e deveres, no entanto muitos ficam-se quase que apenas pela parte dos direitos. São estes os primeiros a queixar-se quando as coisas correm mal, mesmo que parte da culpa seja destes, por terem mandado à fava os deveres. 
Para este país e esta região ter sucesso há algo de fundamental a ter em conta, o facto que de nada vale exigir aos outros um melhor país se nós próprios pouco fizermos pelo mesmo. Dar e receber é a máxima a ter em conta!
Quando souberem de uma qualquer evento cultural façam o mais simples, participem sff, pois a cultura e o património agradecem a lembrança!