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23.10.25

Desafiar o paradigma da mobilidade!


Aos poucos as mentalidades no que toca à mobilidade vão mudando, mesmo embora ainda falte muito para sairmos do paradigma do automóvel como pseudo estatuto. Nos últimos meses tenho estado bastante tempo pela região de Sicó, nomeadamente em Ansião, e é sempre com alegria quando vejo alguém a desafiar o paradigma da mobilidade e abraçar a felicidade que é deslocar-se de bicicleta. E diga-se de passagem que as bicicletas eléctricas vieram facilitar as deslocações, pois permitem um menor esforço na deslocação. Já sei que agora vão dizer que agora começa a chuva e não vale a pena andar de bicicleta. A isto eu respondo que nada como comprar roupa adequada, que o problema fica resolvido. Nem é propriamente um problema, pois eu quando quero ir à praia não vou vestido com roupas de Inverno...

15.7.25

Gosto destes!


Não devem ter muito tempo, pois não me lembro de os ver. Falo, claro destes belos estacionamentos para bicicletas, localizados ao lado do edifício do Município de Pombal. É este o sistema correcto e tem ali um excelente pormenor que retrata um elemento identitário, o Castelo. Simples, correcto e um bom postal para quem ali passa e usa a bicicleta. A última vez que aqui falei de estacionamentos para bicicleta foi há umas semanas, também em Pombal, num caso onde o sistema usado não é de todo o ideal nem o correcto, daí ser importante agora mostrar um bom exemplo do que se pode e deve fazer, ou seja o sistema correcto e dar-lhe um toque estético para ajudar no marketing territorial. 



 

9.4.24

Mobilidade em territórios de baixa densidade: o regresso da Rede Expresso a Ansião


Foi naturalmente uma excelente notícia o facto da Rede Expresso ter novamente começado a operar/parar em Ansião, após anos de inexistência de serviço. Eu posso dizer que sou do tempo onde a Rede Expresso parava quer em Ansião (Vila), quer no Pontão. Se bem que me lembro, depois de ter deixar de haver serviço em Ansião, passou apenas a haver no Pontão e depois disso também deixou de haver serviço no Pontão. Cheguei a ir para Lisboa muitas vezes de autocarro, primeiro apanhando o mesmo em Ansião e depois, por falta de serviço em Ansião, no Pontão.  
Há dois anos falei da problemática que é não haver uma boa rede de transportes públicos na região de Sicó, mal sabendo eu que dois anos depois o cenário iria mudar, mesmo que de forma incipiente, já que apesar de ser uma boa notícia o regresso da Rede Expresso a Ansião, o cenário continua a ser muito complicado. Espero que isto seja o início de algo maior e que o cenário mude para muito melhor nos próximos anos. É fundamental também para estes territórios de baixa densidade populacional terem uma boa rede de transportes públicos, a qual comporte uma mobilidade local, regional e nacional. 
Para os curiosos, a fotografia que inicia este comentário é em Ansião, sendo quase que um monumento "vivo" de outros tempos, onde os autocarros da rodoviária, aqueles cor de laranja, faziam as delícias de quem os utilizava e de quem os via a passar.




 

14.1.24

Porque não as baptizaram por exemplo como "Pombinas"?


Inicio este comentário com algo que me irrita profundamente, ou seja estrangeirismos completamente desnecessários. Porquê Pombike e não Pombinas? Ou outra solução para um nome português?
Feito o reparo, falo então do sistema de bicicletas partilhadas de Pombal, em uso há poucos meses e, de acordo com o que tenho visto das várias vezes que tenho ido a Pombal, com os normais problemas, ou as chamadas dores de crescimento. Os sistemas de bicicletas partilhadas têm surgido por muitos municípios deste país e a região de Sicó não é excepção. E é bom que isso aconteça, claro que de forma sustentada e bem estruturada, pois se é para ter algo só porque é moda não faz sentido, daí que os projectos tenham de ser estruturados de acordo com as especificidades locais, de forma a maximizar o sucesso. E não basta ter os sistemas de bicicletas partilhadas, mas sim ter uma plataforma que seja adequada, um bom posicionamento dos estacionamentos das mesmas (docas) e regras à prova de vândalos. E, claro, ter vias seguras para a utilização das mesmas. Não se iludam, sem segurança é muito difícil andar de bicicleta. E não precisamos de construir ciclovias de raíz em muitos casos. Há zonas onde basta a acalmia de tráfego para facilitar, outras onde pegando na infraestrutura existente se consegue criar vias seguras para ciclistas. Noutras sim, pode e deve-se criar uma estrutura segregada, tudo vai depender da rua em causa. E é fundamental haver ligação entre ruas, de forma a que os trajectos ciciáveis não tenham barreiras, obstáculos e tenham uma continuidade natural, a qual potencie o uso da bicicleta, sejam elas partilhadas ou não.
Aproveito para questionar os utilizadores destas bicicletas partilhadas de Pombal sobre o uso das mesmas. Estejam à vontade para aqui trazer as vossas experiências de utilização, de forma a perceber como corre a coisa. Desconheço o número de utilizadores e número de viagens, pois não sei se o Município de Pombal disponibiliza esses dados.





 

23.11.23

Faz algum sentido?


Outro dia, quando passei ali ao lado do Castelo de Pombal, reparei num belo mural, recentemente inaugurado. É de uma temática importante e algo que merece uma visita, portanto façam o favor de dar uma voltinha a pé e passem por ali para apreciar a bela obra de arte urbana.
Mas não é do mural que quero falar, quero falar sim de algo que não faz sentido, ou seja o posicionamento de duas estruturas, bancos e estacionamento de bicicletas. Os bancos são os adequados e o sistema de estacionamento de bicicletas, de tipo Sheffield, também é o adequado, contudo o posicionamento de ambos colide, ou seja não beneficia quem quer estar ali sentado, dado o facto do estacionamento de bicicletas estar demasiado próximo. Deveria ter sido pensado um posicionamento diferente de ambas as infra-estruturas, de forma a não se atrapalharem uma à outra, tal como acontece neste caso. É pena não estarem ali estacionadas bicicletas, pois caso estivessem, perceberiam melhor o problema. Caso estivessem, perceberiam que quem quisesse ir sentar-se ali ficaria com pouco espaço, já que as rodas das bicicletas ficariam muito próximas dos bancos. É um conflito desnecessário, diga-se. Resolver esta questão é fácil, portanto fica a a dica ao executivo municipal...

14.7.23

Bem-vindas!

Há poucas semanas, aquando da última visita à terra, deparei-me com algo há muito esperado, ou seja o regresso das bicicletas partilhadas a Ansião. Já aqui falei das bicicletas partilhadas em Ansião, bem como dos problemas que levaram ao insucesso das mesmas numa primeira fase. Espero que nesta segunda tentativa as coisas corram bem melhor. Para já algumas melhorias, as bicicletas são mais adequadas (as outras enferrujaram rapidamente...) e há mais locais para estacionamento (ex. tribunal). É importante que assim seja, pois é isso que faz a diferença quando queremos fazer trajectos práticos e sem preocupações.

Claro que isto é um caminho que se faz caminhando, ou melhor, ciclando, havendo muita aprendizagem a ser feita para ir melhorando o projecto. Parte da aprendizagem foi feita numa primeira fase e assim continuará nesta segunda fase, ainda em testes, a qual incorpora naturalmente o que se aprendeu aquando da primeira fase. Eu, enquanto membro de uma associação ciclável, vejo isto com interesse redobrado. Ansião precisa de mais bicicletas a rolar na estrada e menos carros no centro da vila, além de zero carros nos passeios, tal como vergonhosamente se vê pelas ruas da vila.

As bicicletas são o meio de transporte mais eficaz nas curtas e médias distâncias em meio urbano e Ansião não é excepção. Há uns anos fiz este exercício, precisamente na Vila de Ansião, o qual mostrou que a desculpa do morar "longe" é apenas uma desculpa esfarrapada para muitos que pegam no carro para fazer 1 ou 2 km... E lembrem-se que ainda há uns 20 anos surgiu uma ideia peregrina de criar um parque de estacionamento subterrâneo no meio da vila, felizmente que não se concretizou. O problema é só um, a mentalidade, a qual para muitos é que as bicicletas são para os pobres e para quem não tem alternativa. Uma das memórias mais curiosa que tenho de andar de bicicleta em Ansião é essa mesma, pessoas a olhar para mim, enquanto miúdo, como um coitadinho, um ser menor. Estas pessoas eram as que eu denominava como polidoras do passeio. Os anos passaram, tornei-me o que sou e tenho 5 bicicletas. O carro só é utilizado quando realmente necessário. Eu não vivo para as aparências, mas sim para ser feliz. E andar de bicicleta faz-nos tão felizes! Experimentem!!



 

11.3.23

Caminhar sem passeios faz sentido?


Andava a matutar esta questão há umas semanas, sendo que esperava encontrar um local que ilustrasse de forma perfeita a questão que irei agora dissertar. Eis que há poucos dias, e na viagem de regresso da terra, me deparei com o que veem na foto. Não quis um exemplo que não fosse da região de Sicó, já que apesar deste problema ser nacional, evito ao máximo utilizar imagens que não da nossa região.
Já pensaram nos escravos que somos face aos automóveis? Que sentido fará não existirem passeios dentro das zonas urbanas, tal como se observa na foto? Porque será que o privilegiado tem de ser o popó? Porque não é obrigatório, por lei, ter de haver passeio ali para que os peões possam de forma segura e sossegada ir do lugar A ao lugar B?
Imagens como esta podem ser observadas em todo o país e em todos os municípios, sendo, tal como já referi, um problema nacional. Temos de alterar o paradigma e privilegiar a nós mesmos, não os popós!
Da próxima vez que estiverem a andar a pé dentro de núcleos urbanos e se depararem com este tipo de situações, parem e pensem no assunto sff. 
Aproveito para aqui lançar o repto aos municípios de Sicó para que sejam eles a inovar a nível nacional e a mudar o paradigma, sendo estes a força motriz para mudar o cenário a nível nacional. Não seria excepcional sermos conhecidos também por sermos os líderes na mudança neste domínio?
Fica o desafio!!!



 

17.4.22

O drama da mobilidade em territórios de baixa densidade...


Já abordei este assunto duas ou três vezes, contudo, e recentemente, tive uma nova perspectiva que me permite voltar ao assunto e a acrescentar factos ao debate. A questão da mobilidade em territórios como o de Sicó é uma questão onde o debate é antigo e nunca se chegou a uma conclusão óbvia, talvez pela falta de um estudo dedicado sobre a mesma.
Mas vamos a factos. Já há alguns anos que, infelizmente, estou longe de Sicó. Custa-me estar longe de Sicó e também não conseguir fazer o que mais gosto em Sicó em termos profisionais. Há demasiados obstáculos promovidos por uma série de pessoas, mentalidades, entidades e interesses. Por esse motivo só me resta, por ora, ir à terra regularmente matar saudades, estar com amigos e pouco mais que dar alguns aconselhamentos. Quando vou não tenho outro remédio senão pegar num carro e atestar o depósito, já que ida e volta são mais de 400 km. A despesa é à volta de 50 euros e isto se não for pela auto-estrada. Gasto então 50 euros (ida e volta) e demoro entre 3 a 4 horas pelas estradas nacionais (ida ou volta). Como não há comboio para Ansião, não tenho essa opção. Poderia ir até Pombal, contudo de Pombal para Ansião o transporte público é escasso. A não ser no caso de férias, onde podemos perder tempo q.b. em transportes, é impensável fazer uma viagem de transportes públicos. Dantes a Rede Expressos ainda passava por Ansião ou pelo Avelar/Pontão, mas já há alguns anos que isso é coisa do passado (neste último ainda pára). Outro dia ainda fiz um exercício que era na base de ir até Pombal de comboio e pegar numa das bicicletas eléctricas partilhadas em Pombal, mas isso não é possível, já que as bicicletas não podem sair de lá de Pombal. Levar a própria bicicleta? Seria uma opção, contudo se temos uma reunião pouco tempo depois do comboio chegar a Pombal é um bocado complicado fazer 20 km e chegar a uma reunião transpirado... Tentei pensar em todo o tipo de opções, contudo é... complicado.
Dantes também era vulgar apanhar boleias, sendo comum ver pessoa à saída de Ansião e Pombal na berma da estrada a pedir boleia. Hoje é muito raro e quem o faz é olhado quase de lado...
Vejam bem esta problemática que é a questão da mobilidade neste território!
Agora vamos a um exemplo oposto. Durante uns tempos tenho de ir a Lisboa todas as semanas e para isso tive de ver as opções possíveis. Tendo em conta os pontos de chegada e de partida, optei pela Rede Expressos. Para o trajecto pretendido (Braga-Lisboa) tem várias opções e horários diferenciados que se ajustam ao que eu preciso. Uma viagem de ida e volta (400+400km) fica por apenas 13 euros! (comprado com pelo menos semana e meia de antecedência. e demora 4 horas e 30 minutos para cada lado. É confortável e alguns dos autocarros até vídeo têm. Todos eles têm internet gratuita. Dá que pensar, não dá?
Quando se pensa no porquê de tanta gente sair destes territórios de baixa densidade, não será difícil enumerar motivos para muitos terem saído e poucos, como eu, quererem voltar. Há todo um trabalho de base por fazer para reverter este cenário. E não é com zonas industriais que nos convencem a voltar...

6.10.21

As máquinas do tempo existem, sabiam?


Pode parecer uma fotografia pouco ou nada estética, que não vos diz nada, contudo, e pelo menos para os da minha geração (além dos mais velhos do que nós, obviamente), esta imagem consegue ser uma verdadeira máquina do tempo, transportando-nos para outros tempos. É boa a sensação que esta fotografia causa, não é?
Uns vão pensar nas belas pasteleiras Ye-Ye, outros vão pensar nestes emblemáticos cabos elásticos para prender objectos (o verde era dos mais comuns). Actualmente é raro ver disto, mas há quem, como eu, goste de ambos, daí ter comprado há uns tempos estes cabos elásticos para colocar na minha pasteleira Ye-Ye. Porquê? Não, não é para ficar mais bonito, mas sim para prender o saco das compras no suporte. Não sou de recuperar as coisas antigas só porque sim, só para inglês ver, mas sim porque gosto destas "coisas" e de as utilizar nos meu dia-a-dia.
Tenho 5 bicicletas, cada uma delas de estilos diferentes, mas esta é a que me alegra mais e que mais gozo me dá pedalar. Não a adquiri para a meter num museu, mas sim para a utilizar. É a que tem a melhor posição para pedalar, algo que não seria expectável para muitos. Todas as semanas sai para uma voltinha de lazer ou simplesmente para ir às compras.
Passam agora 2 semanas da Semana Europeia da Mobilidade. Não quis elaborar este comentário na altura, pois havia uma saturação do assunto, preferi escrever estas linhas agora, para ser um assunto do dia-a-dia e não algo só falado no dia X ou Y. É bom falar desta temática regularmente e despreocupada.
É maravilhoso sentir o efeito de uma bicicleta a vários níveis, desde a alegria de pedalar sem pressas, até ver miúdos e graúdos olhar para mim, espantados, em cima de uma bicicleta histórica. Detecto facilmente as emoções daqueles mais velhos que, ao passar por eles, sentem esta máquina do tempo causar emoções antigas. Isso vê-se bem no olhar deles. 
E, claro, é ainda melhor passar por umas bombas de gasolina e não estar preocupado com as constantes subidas do preço dos combustíveis. Toca a pedalar, seja para exercitar, seja simplesmente passear ou ir às compras (e com isso exercitar...). Mesmo que não seja todos os dias, experimentem um dia ou outro que irão ver quer gostam e que isso tem apenas reflexos positivos!

12.11.20

Estacionamento de bicicletas para totós

 


É uma imagem que ilustra na perfeição a falta de preparação das entidades públicas em termos de planeamento das infra-estruturas cicláveis. Mas vamos então ao debate que deve decorrer após a visualização desta fotografia. Antes de mais, trata-se de um estacionamento para bicicletas, localizado à saída de Pombal, no sentido Pombal-Ansião. Salta logo à vista um pormenor, ou seja a má escolha do tipo de estacionamento ou infraestrutura, já que este é do tipo “entorta raios”. Trata-se de uma má opção, que vai no sentido contrário às boas práticas existentes e ao recomendado pelos especialistas.
Depois entra a questão da localização do ponto de estacionamento, o qual não faz qualquer sentido. Ninguém utiliza este estacionamento, sabem porquê? Está localizado num ponto onde não é preciso estacionar as bicicletas. Onde é então necessário colocar estacionamento para bicicletas? Simples, nos lugares, em pontos estratégicos, devidamente identificados após estudo prévio. Caso assim não seja é um mero desperdício de dinheiro.
Vamos seguir as boas práticas também neste domínio? Vamos a isso!

19.10.20

Onde pára a passadeira?

 

Era um assunto que estava à espera de falar há uns meses, contudo, e dadas as condicionantes covidianas, que me mantiveram afastado de Ansião por uns meses, teve de ficar em espera, dada a falta do necessário registo fotográfico. Antes das obras de alargamento do quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião, havia ali um passeio, o qual desapareceu após as obras. Compreende-se o facto, já que além de já ser, de facto, uma entrada daquele espaço, as desejadas obras obrigaram a melhorias no desenho urbano. Falhou um pormenor importante, ou seja uma passadeira onde dantes existiu um passeio. O segmento táctil está lá, faltando apenas pintar a obrigatória passadeira. Espero que esta questão não fique esquecida mais tempo...

16.7.20

Não é natural morrer por querer andar de bicicleta!


Hoje, 16 de Julho de 2020, será um dia simbólico e que irá ficar na memória de muitos de nós. Hoje realiza-se uma manifestação a nível nacional, em memória de uma jovem que foi atropelada enquanto circulava de bicicleta, em Lisboa. Morreu depois de ter sido atropelada por um automobilista que, além do excesso de velocidade, passou um vermelho. É, infelizmente, apenas mais uma vítima de uma arma mortal, o carro, o qual já há muitas décadas se tornou uma perigosa arma com a nossa cumplicidade, dada a nossa tolerância para com tantos e tão graves abusos. Esta tolerância está bem expressa nas penas a que os criminosos são condenados, penas suspensas, coimas de uns 2 ou 3 mil euros e está feito. É esta a importância que damos à perda da vida de peões, ciclistas e outros utilizadores da via pública.
Falando nas bicicletas e nos seus utilizadores, estes ainda são vistos como uns coitadinhos, uns quaisquer que estorvam ao trânsito. É um estereótipo que ainda subsiste numa sociedade carrófila. A região de Sicó não é neste domínio excepção.
Eu sou um dos que já teve o azar de ser atropelado de bicicleta, sem culpa, por um automobilista apressado, e teve a sorte de sobreviver. Sou bastante sensível a esta questão, a mobilidade sustentável, em segurança. Todos nós temos o direito de optar pela bicicleta no nosso dia-a-dia e o direito de circular em segurança nas estradas. E não me venham com a conversa da treta de que só estorvamos, que devíamos ter seguro e pagar IUC, pois isso é conversa de ignorantes!
Respeitem todos os utilizadores da via, sejam eles peões, ciclistas, motards, camionistas, automobilistas e outros mais. Os números da sinistralidade rodoviária deviam envergonhar-nos a todos! Chega de mortes na estrada e chega de atropelamentos!!


28.1.20

Eu movo, tu moves, ele move...


A temática da mobilidade está actualmente na berra, como se costuma dizer, contudo quase que restrita às cidades. Mas, e além das cidades, há as vilas, as aldeias e os lugares. Aí é, como se costume dizer, onde a porca torce o rabo. Enquanto que na mobilidade urbana falamos de andar a pé, de modos suaves (e.g. bicicleta) e transportes públicos, na mobilidade rural, que trato agora como mobirural (não sei se existe sequer este termo), não sabemos muito bem do que falamos, já que a realidade é bastante diferenciada. Transportes públicos não existem de 10 em 10 minutos. Por vezes nem existem sequer, já que não faz sentido, dada a escassez de passageiros. Nos lugares, aldeias e vilas a vida é diferente e basicamente o carro é um bem precioso. Isto seja para quem conduz, quem ainda não conduz e quem nunca conduziu, ou seja abarca todos, mas de formas muito diferenciadas.
Como garantir que, por exemplo, idosos possam ir uma ou duas vezes por semana à Vila, seja para as compras seja para pagar coisas ou ir ao centro de saúde? Não é uma fórmula simples, muito pelo contrário.
Lembro-me há uns 25 anos de estar a debater o assunto com o pessoal num salão situado na Torre de Vale de Todos, em Ansião. A conversa era ligeiramente diferente da de hoje, contudo, e no essencial, resumia-se ao mesmo, ou seja como garantir a mobilidade para todos e as dificuldades para garantir essa mesma mobilidade.
Poucas tentativas têm sido promovidas  no sentido de resolver esta questão, talvez porque não é algo que interesse muito as pessoas, pelo menos quem tem carro e tem voz, já que para quem não tem carro e "não tem voz", a conversa é diferente.
Há poucos anos, e em Alvaiázere, a autarquia local decidiu arriscar e trilhar um caminho. Não tenho números para poder dissertar sobre o sucesso, ou não, desta iniciativa, contudo este é um assunto que não se pode tratar como os outros, já que o que interessa ali não é ter lucro, mas sim garantir um direito a quem tem dificuldades para ir de A a B. O mérito existe, mesmo que no início tenha ouvido críticas à iniciativa. As críticas vinham de quem tem carro, facto que acaba por ser revelador. 
Esta é uma temática que merece um debate profundo, esperando eu que este comentário sirva para dar o início a algo de útil para quem não tem a facilidade de ir de A para B, para tratar dos seus assuntos.

13.10.19

Devolver o espaço pedonal aos peões


Gosto de andar a pé também nos espaços urbanos, seja em Ansião ou numa outra qualquer vila ou cidade em Portugal ou no estrangeiro. Já residi em vários espaços urbanos, seja por motivos de estudo, profissional ou outros mais. Já palmilhei as ruas de centenas de vilas e cidades portuguesas, europeias, sul americanas, cabo verdianas ou outras mais e há algo que me incomoda profundamente, ou seja a invasão dos espaços pedonais pelos carros. Diria que o número de carros no passeio é inversamente proporcional ao nível de civismo dos povos.
A situação que podem observar na fotografia que acompanha este comentário foi tirada em Agosto último e ilustra na plenitude o problema que me levou a escrever este comentário. Do lado esquerdo estão 4 carros em cima do passeio e mais acima estão mais uns quantos, ou seja mais de 200 euros em coimas caso fossem autuados. Infelizmente é pouco comum os condutores serem autuados ao estacionarem em cima do passeio, já que o fenómeno tornou-se o novo normal, algo de aceitável e que não deve ser apontado. Mas não é normal nem é aceitável!
Soluções? Neste caso é simples, pilaretes, pois onde estes estão ou estiveram, o problema fica mitigado e o pessoal tem mesmo de estacionar onde é legal. Andar cansa e é, para muitos, uma chatice. Levar o carro até à porta de casa, loja ou afins é uma necessidade para muitos. Depois são capazes de chegar ao final do dia e ir ao... ginásio.
Se eu não faço o mesmo? Não, não faço! Só utilizo o carro quando é mesmo necessário, pois de resto ando a pé ou de bicicleta, bem como de transportes públicos. Em Ansião só mesmo a pé, de bicicleta ou excepcionalmente de carro. Há 10 anos fiz um exercício bastante interessante que me permitiu perceber, de facto, algo de muito preocupante... E já este ano abordei esta mesma questão.
Resumindo, venham novamente os pilaretes em força na Vila de Ansião, de forma a reeducar tanto condutor e condutora sem respeito pelos peões. Mas sabem o que é mesmo estranho? Ser apontado por alguns por chamar à atenção de quem afinal não sabe viver em comunidade e de quem não sabe o que significa civismo. Já não falo sequer da questão do cumprimento das mais elementares regras do Código de Estrada...

14.9.19

Muito bem!


A semana europeia da mobilidade está a prestes a começar, daí ser a altura perfeita para falar de algo que me agradou de sobremaneira em Ansião. Quem me conhece sabe a ligação que tenho com as bicicletas, ou seja o facto de andar de bicicleta desde miúdo e o facto de andar de bicicleta ser, para mim, uma forma de estar na vida. Quem é inteligente utiliza a bicicleta, é um facto!
Já há mais de uma década que andava a pedir aos executivos que presidiram aos destinos da Câmara Municipal de Ansião, que disponibilizassem vários locais de estacionamento para bicicletas, nomeadamente nas sedes de freguesia. Da primeira vez que abordei formalmente um autarca, recebi a resposta: "ah, só se for nas escolas, já que fora disso não vale a pena". Fiquei perplexo com tal resposta, que demonstrava apenas uma coisa, desconhecimento de causa e muita preguiça (o que foi uma ironia sabendo que esse mesmo autarca esteve ligado profissionalmente à actividade física...). Há 2 anos voltei a falar formalmente do tema, desta vez com outros autarcas e eis que há uns tempos começaram a surgir os tão necessários locais para estacionar (e prender) bicicletas. Sim, já existia (apenas) um, mas num péssimo local (num cantinho ao pé dos caixotes do lixo num parque de estacionamento na Vila de Ansião) e numa tipologia de estrutura que não é recomendável, os chamados "entorta raios". Existia também um outro, mas privado, que apesar de ser mauzinho, pelo menos mostrava que existia nessa época alguma atenção à questão, pelo menos enquanto eu tive influência na coisa.
Agora há vários, não sabendo eu quantos ao todo. Já vi 3 (Piscina; Ribeiro David; Parque Verde). São bons locais para os mesmos e a estrutura implantada é a correcta. No caso dos da piscina, foram mal posicionados, pois estão demasiado perto da parede (poderiam ter ficado 30 ou 40 cm mais longe da parede) e foram mal chumbados no chão, mas isso corrige-se facilmente. 
Espero que existam mais, seja em Ansião, seja nas outras sedes de freguesia, e que mais sejam disponibilizados em locais estratégicos, de forma a fomentar a utilização da bicicleta. Isto quando há quem pegue no carro a gasóleo para percorrer apenas... 500 metros!!!
Importa também resolver a questão das bicicletas de uso partilhado, que infelizmente têm tido uma história complicada, e que com a possível insolvência da Órbita (acho que está para entrar num PER) mais complicada fica. 



18.1.19

Se o Marquês de Pombal visse o estado de degradação da sua praça...


A Praça Marquês de Pombal é um local muito bom para visitar e desfrutar, já que se trata de uma praça histórica, com vários pontos de interesse, caso do Celeiro, da Igreja e do Museu ali situados. Contudo há um grande senão, ou seja o evidente abandono daquela praça, tal como qualquer visitante ou turista pode constatar ao chegar ali. É impressionante ver a área de lajes todas estilhaçadas. Não se trata apenas de uma pequena área, mas sim da maior parte! É uma decepção ver um local como este tratado desta forma. Como é possível que se permita o trânsito naquela praça? Para quando a coragem e a visão que possibilite a interdição ao trânsito de várias ruas do centro histórico? 
Só tive pena de não ter conseguido antecipar a saída de um jipe dali, que estava estacionado uns metros abaixo do Celeiro do Marquês de Pombal, pois o som de "tlim, tlim, tlim" das lajes partidas era arrepiante para quem, como eu aprecia centros históricos.


Não sei exactamente há quanto tempo esta praça está nestas condições, contudo é óbvio que acontece já há algum tempo. Tenho a ideia que quando tirei o curso de Monitor do Projecto Rios (2009), ali mesmo ao lado, já havia muita laje estilhaçada. Porque não se interdita o trânsito nesta praça e ruas adjacentes? Porque não se priveligia o trânsito de peões e bicicletas (inclusivamente bicicletas de carga, não vão os comerciantes dizer que não há alternativas ao transporte de mercadorias no centro histórico). E não, interditar o trânsito automóvel não é prejudicar o comércio local, mas sim potenciar o mesmo, obviamente com uma estratégia bem pensada.
O que pensará um turista ao se deparar com este cenário? O que pensará um turista ao percorrer as ruas adjacentes e ter de se desviar dos carros numa zona privilegiada para os peões?
Estive sentado naquela praça largos minutos e só vi pessoas dentro de carros. Apenas duas pessoas andavam naquela praça a pé, algo que dá que pensar... Fiquei com vergonha de ter mostrado esta praça a um turista, que obviamente ficou com uma imagem negativa de Pombal. Fica a dica...


26.9.18

Querem saber o que é mobilidade? É isto!


Terminou há poucos dias a Semana Europeia da Mobilidade, daí que eu tenha esperado até agora para vos trazer esta temática na primeira pessoa.
Muitas vezes ouvimos a palavra mobilidade e ficamos com dúvidas sobre o que afinal é. Por vezes vamos procurar a melhor definição, esquecendo que a mesma depende muito de indivíduo para indivíduo, de país para país e de região para região. Contudo procurar a melhor definição não é a melhor solução...
A melhor solução para entender o que é afinal a mobilidade é mesmo falar com quem faz dela o seu modo de vida há uns anitos. Sou suspeito, contudo lembrei-me de mim e nada melhor do que vos dizer o que é, para mim, a mobilidade. 
Apresento-vos em primeiro lugar as minhas 4 meninas de duas rodas. Exagero? Nada disso, eu explico!


A primeira "menina" é a mais antiga de todas, que já vem do início da década de 90. Foi uma das minhas bicicletas da juventude, aquela que ainda resiste, considerando-a eu uma clássica (a primeira mesmo minha era laranja e foi roubada quando a deixei encostada no gimnodesportivo por 10 minutos, mesmo com pedal e travão partidos...) É uma Sirla, marca portuguesa que já não existe, mas que ainda se vê pelas estradas. Esteve uns anos encostada na garagem até que a voltei a utilizar. Tive de investir 68 euros para a pôr nova, aproveitando para lhe meter pneus de estrada. Ao final de 6 meses já tinha pago o investimento, já que, ao evitar utilizar o carro, pegando na bicicleta para as viagens diárias até aos bombeiros, na época de Verão, tive o retorno em poucos meses (relativo ao que gastei no arranjo, ou seja pneus, câmaras, travões e afins). Continua a rolar, claro que de forma comedida, já que é uma clássica. Para pequenos trajectos é perfeita para tratar dos assuntos. Tem valor sentimental, já que além de ter sido uma das biclas da juventude, fui atropelado nesta mesma bicicleta, na segunda metade da década de 90, por um condutor apressado (que reconheceu a culpa e pagou a despesa médica e o arranjo da bicicleta (a malvada da cicatriz é que ainda resiste...).
Em segundo lugar eis a minha bicla de montanha, a minha primeira bicicleta de "topo". Comprei-a em 2005, quando comecei a ter os primeiros ordenados enquanto geógrafo. Custou, na altura, 599 euros. É, como podem imaginar, uma bicicleta para o monte e para umas pequenas voltas utilitárias. Já tem largos milhares de km...


A terceira bicla é uma órbita, um modelo que já não é fabricado, o que significa que já é uma clássica. Comprei-a em 2009, na fábrica da Órbita. Como precisava de uma bicicleta utilitária, que desse para pequenos trajectos e para meter na bagageira do carro ou levar no comboio, decidi que seria uma boa compra. E assim foi! Tem sido muito útil, vos garanto. Podem achar este modelo antiquado, contudo não me importo. Decidi-me por este modelo porque me faz lembrar a bicicleta na qual aprendi a andar em duas rodas, uma órbita muito semelhante a esta, mas verde. Dobra no guiador e no quadro, sendo bastante prática.


Por último a minha última aquisição, uma bicicleta de estrada, a qual eu ansiava há muitos anos mas que demorou. Decidi adquirir esta bicicleta porque as outras não eram as indicadas para fazer trajectos rápidos e utilitários de 10 a 15 km e dar a bela da volta, sem ser no monte (obviamente), de vez em quando. Custou 349 euros em 2017, mas há umas semanas vi-a a 300 euros, numa campanha. Para o preço que custou é muito boa para uns anitos. Já abati uns 50 euros ao preço inicial, já que evitei a utilização do carro. Só não abati mais porque uma lesão tem-me impedido de andar de bicicleta (tem custado tanto...).
Ou seja, gastei apenas 1100 euros na aquisição da 2ª, 3ª e 4ª bicicleta ( a 1ª foi "oferecida" e penso que custou 18 contos). Já poupei alguns milhares de euros em gasolina, em viagens que fiz nas várias bicicletas, portanto pensem um bocadinho nisto... Apanhei uns sustos (muita besta de automobilista...), mas ganhei na saúde e na carteira. Andar de bicicleta é, para mim, uma forma de vida desde pequeno, da qual não prescindo e sobre a qual tenho grande orgulho. Não me incomoda ver certa gente olhar de lado, gente que anda a polir o passeio desde que eu era pequeno. As aparências não me iludem. Andar de bicicleta não é por necessidade (pouco dinheiro) mas sim por gosto, racionalidade e saúde (entre muitos outros...).
Como podem ver isto é mobilidade, a minha mobilidade. O carro só sai quando é estritamente necessário, nomeadamente para viagens grandes.
Para terminar, a lembrança de um pequeno exercício que fiz há 9 anos, o qual podem consultar aqui.