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18.10.18

Relvado não! Ervado sim!!


Quando falo com os meus amigos sobre espaços verdes, jardins e afins, surge na maior parte das vezes uma palavra que, confesso, detesto, a "relva". Até ter estudado biogeografia era igual a muitos dos meus amigos, ou seja evitava a todo o custo pisar a relva. Depois tudo mudou com a biogeografia. Descobri que, genericamente falando, a relva não tem valor ecológico, daí porque carga de água haveria de deixar de pisar algo sem grande valor?! (não confundir o pisar com o estragar...).
Não gosto de relva no sentido que é algo que é só para inglês ver, apenas para encher a vista de pessoas pouco exigentes no que concerne à conservação da Natureza e da Biodiversidade. A relva necessita de manutenção e tem custos muitas vezes elevados. Não é, portanto, sequer algo de ecológico, tal como muitas vezes nos fazem pensar ou apregoam.
Assim sendo porque é que insistimos numa fórmula absurda? Porque não fazemos a coisa como deve ser? Há poucos meses estive numa bela cidade polaca, onde fui surpreendido por uma série de aspectos simples, mas excepcionais. Um dos pormenores foi precisamente haver uma cultura de racionalidade, onde em vez de se despejar relva num qualquer canteiro, e programar manutenção regular e contínua, se fez o mais simples, o mais eficaz e o mais desejável, ou seja o belo do ervado, com uma bela biodiversidade. Tem maior valor ecológico, é mais bonito, não necessita de grande manutenção e recursos escassos como a água. 
Para quê complicar então? Vamos criar o belo do ervado, eliminando a patetice dos relvados em toda a região de Sicó, rica em biodiversidade? Quem vai ser o primeiro município a mudar o paradigma? O desafio está lançado, a ver vamos quem vai estar no pelotão da frente daqui a uns meses...


23.8.18

Cortar ou não, eis a questão...


É mais um assunto que acompanhei de longe, por ter estado ausente de Ansião durante umas semanas. Tal como no último caso que destaquei aqui no azinheiragate, apenas agora, já depois de ter ido ao local, venho então comentar o caso e dar a minha opinião.
Para quem não sabe, ali naquele passeio, onde está aquela calçada mais branca, estavam árvores, se bem me lembro tílias. Trata-se apenas de um troço de passeio problemático em frente ao centro de saúde de Ansião. Durante anos a fio foi um problema a localização destas árvores, já que estavam posicionadas no meio do passeio e tornaram-no intransitável a cadeiras de rodas, dificultando também a locomoção de pessoas com algum tipo de dificuldade. Quem, como eu, teve de ir com doentes aquele centro de saúde sabe o calvário que era. É apenas um exemplo de mau planeamento do arvoredo que se vê pela Vila de Ansião, típico de tanta vila ou cidade portuguesa...
Possivelmente tendo em conta esta situação, a autarquia local terá decido proceder ao corte destas 3 ou 4 árvores, ficando tal como a foto mais actual o mostra. Isto levou a algumas críticas, umas honestas e outras nem por isso.  Digo que outras "nem por isso" porque estas últimas foram feitas por algumas pessoas que no início de 2017 nada disseram nas redes sociais sobre uma outra situação, em Chão de Couce. Uma delas, que há poucos dias me mandou uma indirecta, que nem ex boy da jota, num jornal propriedade de vários elementos de um partido político, nem chilrreou aquando do abate daquela árvore monumental em Chão de Couce, armando-se agora em rouxinol da denúncia. Será que a perda do ninho muda assim tanto alguém? Será que bebeu demasiada água poluída ali pelos lados do Alvorge?! A bela da politiquice hipócrita... Já li também curiosos comentários de duas destas pessoas em especial, as quais ainda há poucos meses desesperavam com as minhas críticas e que nos últimos meses têm mandado umas indirectas a ver se colam, pensando agora que me podem dizer quando é que comento o que eu entendo no azinheiragate, de forma a fazer-lhes um frete político. A eles, em especial, digo apenas uma coisa que um amigo meu, curiosamente da mesmo cor política deles, embora sem historial de cargos de nomeação política, dizia sobre mim, de forma séria, imparcial e honesta, ou seja que eu não faço favores a ninguém... Não tenho filiação partidária ou sequer preferência partidária, lamento desiludir-vos rapazes! Sim, eu sei que, para vocês, sou persona non grata. Grato pelo elogio e se a azia ainda não passou... temos pena! 
Quanto às críticas honestas, uma das que ouvi foi de que a retirada das árvores notou-se bem, algo que posso confirmar, já que à parte de ter estudado estas matérias (em espaços verdes e em climatologia local), já vivi numa cidade onde notei bastante, em termos de barulho, a retirada de duas árvores de pequena dimensão da rua à frente do edifício onde estava (uma barreira verde consegue reduzir o barulho cerca de 30% e diminuir a temperatura no Verão cerca de 2 ou 3 graus, dependendo do espaço verde). Outra das críticas que li nas redes sociais é que se devia ter transplantado estas árvores. Quanto a esta última questão, discordo, já que se trata de uma operação complexa que, no meu entender só se justifica se a árvore tiver valor botânico/patrimonial de realce, o que não é o caso.
Quanto à retirada/abate destas 3 ou 4 árvores, concordo com a decisão, já que além do mau estado do passeio, era muito complicado para alguém de cadeira de rodas ir ao centro de saúde. Ou seja, a acção foi justificada e focada onde o problema tinha maior relevância. Há outras ruas onde o problema é semelhante, contudo é diferente daquele troço de passeio adjacente ao centro de saúde. Claro que ninguém gosta de ter de cortar árvores, mas nalguns casos é a opção mais acertada, como foi o caso. Acontece também ter de cortar árvores que destroem as canalizações.
Por uma questão de curiosidade, pedi uma segunda opinião a um colega geógrafo, que fez comigo a disciplina de "Espaços Verdes", ainda no tempo da nossa licenciatura, mas que depois se especializou, através de um doutoramento, em botânica. A opinião dele coincide plenamente com a minha, algo que eu esperava.
Como mitigar a questão. Há duas hipóteses, a primeira duvido que agrade a alguns dependentes do popó, já que inclui a perda de 2 ou 3 lugares de estacionamento (onde novas árvores poderiam ser plantadas). A segunda poderia passar por plantar novas árvores nos espaços verdes ali existentes, como por exemplo um dentro do perímetro do centro de saúde, a escassos 2 metros da antiga localização das árvores retiradas. Eu optaria pelo redimensionar do estacionamento, de forma a poder plantar várias árvores, entre estacionamentos, possibilitando daqui a uns anos a retirada das restantes árvores dos passeios, já que representam, de facto, um problema para a mobilidade e daqui a uns anos, quando aquela rua tiver  maior densidade de construção (inevitável...), o problema ganhará nova dimensão e voltaremos à mesma conversa.
Importaria também pensar agora na solução a médio prazo para outras ruas, estas menos problemáticas. Planeamento exige pensamento crítico, de forma a evitar o que agora se passou, por mera falta de planeamento na década de 90 (na rua em causa) e antes disso (noutras ruas).



23.1.18

Santa ignorância...


Foi apenas em Dezembro último que reparei neste pequeno pormenor num passeio na Vila de Ansião, muito embora, e pelo aspecto, já esteja assim há muito tempo. Onde seria normal encontrar terra e umas ervas, encontrei uma mistura de alcatrão com areão. E não, não estou a falar da estrada, mas sim do pequeno canteiro que deveria dar algum conforto aquela árvore. Alguma ave rara teve a ideia de encher aquele canteiro com alcatrão, sabe-se lá porquê. A árvore, essa já está doente e não será por acaso...
Não sei se foi aquando de uma obra de pavimentação de um caminho público, alegadamente açambarcado por um imigrante chinês, ali mesmo ao lado, ou se terá sido o anterior executivo da Junta de Freguesia ou então o anterior executivo da Câmara Municipal. Nenhum destes dois últimos ficou conhecido pela sua  competência em matéria de espaços verdes e este é apenas um exemplo do porquê. 
Já solicitei ao novo executivo que corrija este acto de iliteracia ambiental.


14.3.16

Espaços verdes para totós


Os espaços verdes costumam ser uma das grandes bandeiras eleitorais na região de Sicó. Basta consultar os orçamentos municipais, na rubrica do ambiente, para constatar que há sempre um sub-capítulo reservado aos espaços verdes. Contudo, a palavra "verde" tem muito que se lhe diga, pois além de ser um termo traiçoeiro, alimenta os sonhos dos eleitores, especialmente nas autárquicas.
Por este mesmo motivo, e tendo em conta a realidade da região de Sicó, venho abordar a temática dos espaços verdes neste blogue. É um tema importante, ao qual tenho de dar mais atenção, especialmente tendo em conta o seu potencial pedagógico. Mas vamos ao que mais interessa.
Antes de começar, peço a cada um de vós que pare nesta linha e pense para si o que é afinal um espaço verde.
Partindo do pressuposto que acederam ao meu pedido, se calhar alguns ficaram confusos, pois normalmente um espaço verde é pensado de forma abstracta. Há vários tipos de espaços verdes, os parques, os jardins, os arruamentos, os cemitérios (isso mesmo, cemitérios), pracetas, matas e tapadas. Por norma, a função principal de um jardim ou parque urbano é a educação ambiental, especialmente em cidades, bem como em vilas.
Em termos históricos muito mudou nos últimos séculos na região de Sicó, pois desde os peristilos romanos de Conímbriga até aos relvados de hoje, muito se alterou, para pior... Enquanto no jardim romano existia um lago, a decoração à volta do lago e ainda uma oliveira, uma vinha, uma palmeira ou umas laranjeiras, os espaços verdes actuais estão em boa medida reduzidos a um relvado, ou seja algo sem importância ecológica, cultural e social. Trata-se portanto de um mero ornamento, o qual exige grande manutenção e despesa, bem como a utilização de herbicidas...
O típico "jardim" é um jardim formal, com formas geométricas e sem valor ecológico e educativo, ou seja uma pseudo-arquitectura e função enche chouriços. E quanto à fitodiversidade, essa descresceu exponencialmente. A importância da flora natural foi decrescendo, enquanto que sua congénere, a flora exótica, cresceu exponencialmente. E a imagem do jardineiro é a de um pobre diabo, alguém que não tem jeito para trabalhos ditos inteligentes. Isto mesmo que em países desenvolvidos, a figura do jardineiro tenha bastantes créditos e seja muito bem remunerada...
Já no que concerne ao vocabulário associado aos espaços verdes, muito já foi esquecido. Taxon é um "bicho" que poucos conhecem, pois sabem apenas (e nem sempre...) o nome vulgar. Família é outro "corpo" estranho. Tipo biológico (e.x. Mesofanerófitas (10-20 metros); Nanofanerófitas (0,3-2 metros)) idem. Regime fenológico, só aqueles que ainda estão próximos da Natureza é que ainda se lembram o que isto é. E já nem vale a pena falar da origem geográfica (Boreal; Africano; Indo-Malaio; Cadense; Neotropical; Australiano; Antrárctico), pois o pessoal é um bocado desnorteado.
Mas vamos a desafios. Desafio cada escola, cada cidadão da região de Sicó, a efectuar um pequeno estudo fitogeográfico dos espaços verdes da nossa região. Ou então escolham uma árvore próxima da vossa porta acompanhem, com o caderno de apontamentos, as fenofases da espécie em causa (folheação, floração e frutificação). Em tempos tive o privilégio de acompanhar uma árvore e, através das fenofases, aprendi bastante, isso vos garanto. E não, não foi chato, foi muito divertido!
Mas há mais, pois desafio as Câmaras Municipais da região de Sicó a repensarem e revitalizarem os nossos espaços verdes, pois há muito a fazer. Arranquem os relvados e plantem vegetação natural, a qual além de ter uma função ecológica, social e cultural, dispensa tanta manutenção e, melhor, herbicidas!

22.3.15

O mau planeamento fica caro, muito caro...


Tenho esta imagem guardada desde o Verão de 2014. Como muitas, estava à espera de um comentário onde esta se pudesse enquadrar de forma concreta e objectiva. Apesar de ser uma fotografia com poucos meses, pretende ilustrar algo já com alguns anos. Trata-se de um exemplo de mau planeamento territorial, não per si, mas sim pelo que está a montante do mesmo.
Começando pelo início, e pela parte positiva, o que se vê na fotografia é uma obra onde um intuito principal foi o de ir buscar água de um poço situando a umas dezenas de metros dali. Isto com um propósito quase  nobre, o de poupar água da rede para a rega do relvado. Disse quase nobre porque a relva não tem valor ecológico e consome demasiados recursos, tendo consequências negativas. Ou seja, os relvados não são propriamente verdes... Mas já lá vamos.
O problema começou na década de 90, quando foi elaborado o projecto que contempla aquela rotunda e o acesso ao IC8 adjacente. Nessa altura existia por ali um enorme poço, e houve uma mente brilhante que achou por bem tapar o enorme poço. Confesso que não sei quem foi tal mente brilhante. Fez-se asneira e gastaram-se umas centenas de euros para tapar o "bicho". A mente brilhante era tão brilhante que se esqueceu que eventualmente o poço até podia ser enquadrado na obra, tapado por cima, ou não, tendo ali um recurso e uma mais-valia para utilizar no futuro. A obra foi feita, a rotunda finalizada e surgiu então o relvado. Para que pudesse haver relvado havia que proceder à sua rega, com água da rede pública. Em 2014 fez-se então uma obra (na fotografia) que pretendia evitar a utilização de água da rede, indo buscar água aos poços que ainda existem por ali. 
Resumindo, o mau planeamento resultou num gasto, perfeitamente evitável, de milhares de euros, pagos, claro, com o dinheiro dos contribuintes. Fica evidenciada a péssima decisão tomada na década de 90, a qual teve claros reflexos económicos em 2014.
Poucos de nós são aqueles que, quando confrontados com uma obra, pensam a mesma a curto, médio e longo prazo. Planeamento é isto mesmo, mas infelizmente temos ali um não planeamento, o que é pena.
À parte disto, queria apenas introduzir a questão dos espaços verdes. Como já referi, a relva não tem valor ecológico. Esta foi uma lição que aprendi há 13 anos, através de um notável geobotânico. Até essa data eu não ousava pisar relva, mas depois disso deixei-me de tretas. Se tiverem de pisar relva, pisem!
Outra lição que aprendi foi acerca dos espaços verdes, disciplina que fiz questão de ter, enquanto opção, ainda na licenciatura, já lá vão uns bons anos. Depois disso a minha visão sobre espaços verdes mudou radicalmente. Um espaço verde não é uma rotunda com relva, um espaço verde é uma rotunda sem relva, mas com vegetação a sério. Vegetação que não precisa de tanta manutenção, que não causa tanta despesa e que é realmente bonita. Brevemente irei dedicar-me especificamente a esta questão, de modo a partilhar convosco uma temática bem engraçada!
Já agora, porque é que, mesmo estando a chover, a relva é regada?!