Mostrar mensagens com a etiqueta jardins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jardins. Mostrar todas as mensagens

18.10.18

Relvado não! Ervado sim!!


Quando falo com os meus amigos sobre espaços verdes, jardins e afins, surge na maior parte das vezes uma palavra que, confesso, detesto, a "relva". Até ter estudado biogeografia era igual a muitos dos meus amigos, ou seja evitava a todo o custo pisar a relva. Depois tudo mudou com a biogeografia. Descobri que, genericamente falando, a relva não tem valor ecológico, daí porque carga de água haveria de deixar de pisar algo sem grande valor?! (não confundir o pisar com o estragar...).
Não gosto de relva no sentido que é algo que é só para inglês ver, apenas para encher a vista de pessoas pouco exigentes no que concerne à conservação da Natureza e da Biodiversidade. A relva necessita de manutenção e tem custos muitas vezes elevados. Não é, portanto, sequer algo de ecológico, tal como muitas vezes nos fazem pensar ou apregoam.
Assim sendo porque é que insistimos numa fórmula absurda? Porque não fazemos a coisa como deve ser? Há poucos meses estive numa bela cidade polaca, onde fui surpreendido por uma série de aspectos simples, mas excepcionais. Um dos pormenores foi precisamente haver uma cultura de racionalidade, onde em vez de se despejar relva num qualquer canteiro, e programar manutenção regular e contínua, se fez o mais simples, o mais eficaz e o mais desejável, ou seja o belo do ervado, com uma bela biodiversidade. Tem maior valor ecológico, é mais bonito, não necessita de grande manutenção e recursos escassos como a água. 
Para quê complicar então? Vamos criar o belo do ervado, eliminando a patetice dos relvados em toda a região de Sicó, rica em biodiversidade? Quem vai ser o primeiro município a mudar o paradigma? O desafio está lançado, a ver vamos quem vai estar no pelotão da frente daqui a uns meses...


14.3.16

Espaços verdes para totós


Os espaços verdes costumam ser uma das grandes bandeiras eleitorais na região de Sicó. Basta consultar os orçamentos municipais, na rubrica do ambiente, para constatar que há sempre um sub-capítulo reservado aos espaços verdes. Contudo, a palavra "verde" tem muito que se lhe diga, pois além de ser um termo traiçoeiro, alimenta os sonhos dos eleitores, especialmente nas autárquicas.
Por este mesmo motivo, e tendo em conta a realidade da região de Sicó, venho abordar a temática dos espaços verdes neste blogue. É um tema importante, ao qual tenho de dar mais atenção, especialmente tendo em conta o seu potencial pedagógico. Mas vamos ao que mais interessa.
Antes de começar, peço a cada um de vós que pare nesta linha e pense para si o que é afinal um espaço verde.
Partindo do pressuposto que acederam ao meu pedido, se calhar alguns ficaram confusos, pois normalmente um espaço verde é pensado de forma abstracta. Há vários tipos de espaços verdes, os parques, os jardins, os arruamentos, os cemitérios (isso mesmo, cemitérios), pracetas, matas e tapadas. Por norma, a função principal de um jardim ou parque urbano é a educação ambiental, especialmente em cidades, bem como em vilas.
Em termos históricos muito mudou nos últimos séculos na região de Sicó, pois desde os peristilos romanos de Conímbriga até aos relvados de hoje, muito se alterou, para pior... Enquanto no jardim romano existia um lago, a decoração à volta do lago e ainda uma oliveira, uma vinha, uma palmeira ou umas laranjeiras, os espaços verdes actuais estão em boa medida reduzidos a um relvado, ou seja algo sem importância ecológica, cultural e social. Trata-se portanto de um mero ornamento, o qual exige grande manutenção e despesa, bem como a utilização de herbicidas...
O típico "jardim" é um jardim formal, com formas geométricas e sem valor ecológico e educativo, ou seja uma pseudo-arquitectura e função enche chouriços. E quanto à fitodiversidade, essa descresceu exponencialmente. A importância da flora natural foi decrescendo, enquanto que sua congénere, a flora exótica, cresceu exponencialmente. E a imagem do jardineiro é a de um pobre diabo, alguém que não tem jeito para trabalhos ditos inteligentes. Isto mesmo que em países desenvolvidos, a figura do jardineiro tenha bastantes créditos e seja muito bem remunerada...
Já no que concerne ao vocabulário associado aos espaços verdes, muito já foi esquecido. Taxon é um "bicho" que poucos conhecem, pois sabem apenas (e nem sempre...) o nome vulgar. Família é outro "corpo" estranho. Tipo biológico (e.x. Mesofanerófitas (10-20 metros); Nanofanerófitas (0,3-2 metros)) idem. Regime fenológico, só aqueles que ainda estão próximos da Natureza é que ainda se lembram o que isto é. E já nem vale a pena falar da origem geográfica (Boreal; Africano; Indo-Malaio; Cadense; Neotropical; Australiano; Antrárctico), pois o pessoal é um bocado desnorteado.
Mas vamos a desafios. Desafio cada escola, cada cidadão da região de Sicó, a efectuar um pequeno estudo fitogeográfico dos espaços verdes da nossa região. Ou então escolham uma árvore próxima da vossa porta acompanhem, com o caderno de apontamentos, as fenofases da espécie em causa (folheação, floração e frutificação). Em tempos tive o privilégio de acompanhar uma árvore e, através das fenofases, aprendi bastante, isso vos garanto. E não, não foi chato, foi muito divertido!
Mas há mais, pois desafio as Câmaras Municipais da região de Sicó a repensarem e revitalizarem os nossos espaços verdes, pois há muito a fazer. Arranquem os relvados e plantem vegetação natural, a qual além de ter uma função ecológica, social e cultural, dispensa tanta manutenção e, melhor, herbicidas!