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9.11.16

Ia para ver uma coisa parva, mas acabei por vez duas coisas parvas...


Infelizmente é um tipo de situação comum pela região de Sicó, mas mesmo assim continuo a ficar parvo com este tipo de situações. Portugal e a região de Sicó têm vários problemas que contribuem para a fragmentação de habitats e da paisagem, empobrecendo desta forma o património desta bela região.
É o caso desta primeira situação, onde se vê um recente muro de blocos de cimento a assinalar os limites de um terreno. Quero, posso e mando, é a típica mentalidade que leva a este tipo de situações. Para ajudar, os regulamentos camarários permitem este tipo de obras de mau gosto. Será que havia necessidade de tal mamarracho para marcar o limite de uma propriedade qualquer? Será que uns postes de madeira com uns arames não ficavam melhor enquadrados? E mesmo esta última hipótese, faz sequer falta? Mas afinal porque é que temos a mania de mandar construir muros desta forma? Absurdo... 


Já nesta segunda situação o caso é algo diferente. Em primeiro lugar há que saber se tem licença (nos próximos dias a fiscalização irá ao terreno), e, em caso afirmativo, há que saber qual é a lógica de construir ao lado de sobreiros centenários? Será que é para mais tarde ter legitimidade para mandar cortar os sobreiros alheios, dizendo que estorvam? Nas Cavadas, Ansião, alguém terá essa resposta.
E aqueles pinheiros pegados ao muro, porque é que secaram de forma repentina?
No final disto há uma conclusão a retirar deste tipo de situações, ou seja a necessidade de apostar seriamente na educação ambiental e cívica, solução de fundo para mitigar este tipo de situações. Há que mudar urgentemente as mentalidades. Gostamos muito de dizer bem daqueles países avançados, mas esquecemo-nos do que os faz países avançados...


18.8.13

Fragmentação e degradação da paisagem cultural de Sicó


Ao passar por este local, tive mesmo de parar o carro, de forma a fotografar a coisa. De vez em quando gosto de ir sem rumo pela região de Sicó e, ao me deparar com factos pertinentes, registar os mesmos com a máquina fotográfica. Isto permite que tenha imagens sobre assuntos concretos, de forma a que os possa debater aqui no azinheiragate com todos vós.
Uma das questões que mais me choca na região de Sicó, no que concerne à sua paisagem, tem a ver com a sua evidente e preocupante descaracterização e fragmentação, algo que aos poucos vai retirando valor a esta paisagem. Tornar o belo em algo vulgar é preocupante numa região onde a paisagem cultural tem expressão evidente e valiosa.
A construção de muros é um dos muitos problemas que tem ameaçado e degradado a paisagem desta região, tão pomposamente publicitada pelos nossos autarcas. Fala-se que a paisagem é uma mais-valia, no entanto, e na prática, pouco se faz para mitigar boa parte dos problemas que degradam esta mesma paisagem.
Vê-se de tudo, desde meros muros foleiros, muros sem nexo, muros onde não os devia haver e muros que apenas alegram o ego de quem tem dois palmos de terra. Nos PDM´s nada se faz para evitar aquilo que retira mais-valias à paisagem.
Esta fotografia mostra isso mesmo, pois havendo possibilidade de fazer ali um muro que não choque com a paisagem, ou seja integrado na mesma, faz-se um muro que não passa de um mamarracho paisagístico. Quase ninguém se importa com isto, menos sendo os que, como eu, manifestam o seu desagrado com o facto, justificando o porquê do mesmo.
Importa ponderar bem esta questão, pois daqui a uns anos, e por este ritmo, as diferenças serão colossais, para pior. Nessa altura muitos irão pensar como foi possível tal descaracterizar a paisagem sem que se tivesse feito algo para proteger a sua integridade de paisagem cultural, mas aí será tarde demais...

15.4.11

A forma mesquinha de ver a região de Sicó



Numa altura difícil para o país, algo que só foi possível devido à nossa mentalidade passiva (há que o dizer com frontalidade!), do deixa andar, trago à discussão uma questão que me incomoda bastante, devido sobretudo à sua mesquinhez. 
Uma das coisas que nunca compreendi é a razão de algumas pessoas terem uma mentalidade que, na minha opinião, deixa muito a desejar, relativamente ao sentido de posse de um terreno. É comum aqui na região de Sicó, acontecerem inclusive conflitos, com resultados por vezes trágicos, em que o que está em causa o limite de um terreno, ou então a "violação" de um terreno alheio.
Antes de iniciar a discussão propriamente dita, refiro que o que está em causa não é a posse do terreno, mas sim a forma mesquinha como muitas pessoas a vêm, tipo quero, posso e mando. Há pessoas que pensam que por serem donas de um terreno podem fazer o que bem lhes dá na real gana, precisamente devido ao sentido exacerbado da posse do mesmo. Pessoas que não têm a capacidade de considerar que é normal as pessoas usufruírem, obviamente no bom sentido, de toda uma região, de considerar que não há mal nenhum uma pessoa ir querer dar um passeio e gostar de passar em terrenos onde não irá incomodar ninguém ou estragar alguma coisa que seja, apenas e só usufruir da beleza natural. 
Eu não tenho terrenos, mas se os tivesse colocaria uma placa a dizer genericamente que todo e qualquer cidadão poderia passar a pé pelo terreno (quiçá para fazer um pic-nic, ver a passarada e tudo o mais), estando excluídos os caçadores, os quais estariam proibidos de o fazer. Além disso nunca faria o que vocês podem ver na foto, num terreno longe de tudo, construir um muro, aberrante, de blocos, o qual além de interferir com processos naturais e vida animal, é uma obra que mostra uma tal iliteracia cultural que nunca irei compreender, por mais esforço que faça.
Pessoalmente considero que não deveria ser permitido fazer um muro destes, das duas uma, ou em pedra e da forma antiga (pedra solta), ou então com estacas de madeira espaçadas. Esta última opção seria a mais sábia, já que não causaria dano aos vários processos naturais que, a várias escalas temporais e espaciais, ocorrem na área em análise, e também resolveria a mesquinhez de não querer que alguém entrasse na propriedade, sendo assim um mal menor. 
Países como a Noruega estão bem avançados neste matéria, pois pode entrar-se livremente em qualquer terreno, bastando respeitar os valores nele presente, ou seja andar mas não estragar. Tive o privilégio de lá ir em 2006 e sentir isso mesmo, cheguei mesmo a entrar em terrenos onde andava gado e apenas tive de voltar a fechar a cerca depois de entrar, simples, não?! Não tive receio de que aparecesse alguém com uma espingarda na mão a dizer que não poderia estar a passar por ali, como já aconteceu aqui na região de Sicó, é algo que só daqui a algumas gerações poderá ser invertido, a nosso bem e a bem da região.
Pode parecer uma questão simples, mas afinal é bem mais profunda do que se possa pensar, estando enraizada nas mentalidades de muitos de nós ou de nossos conhecidos. Brevemente irei falar sobre a questão do cadastro predial, esse belo pesadelo territorial que só existe derivado precisamente da forma mesquinha como ainda se vê o território.
Urge reflectir sobre isto, pois a paisagem da região de Sicó anda a ser adulterada por situações como esta, resta saber se vamos aceitar passivamente a degradação de uma paisagem cultural como é a paisagem da região de Sicó...