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13.7.16

Será que é preciso uma tragédia para abrirem os olhos?!


É uma imagem que eu considero bem ilustrativa da falta de ordenamento florestal na região de Sicó. É um local que conheço bem e que já cruzei centenas de vezes. Nos últimos 11 anos nada mudou, apenas se manteve a vontade do lóbi do eucalipto, já que cada metro de eucaliptal conta para a engorda do tipo foie gras.
As entidades públicas conhecem esta e outras situações. As Associações Florestais seguem-lhe o exemplo. Prefere-se olhar para o lado e assobiar, como se não fosse nada. Até ao dia...
O que vocês vêm na foto é precisamente o que não deveria acontecer. Será que é preciso morrer algum bombeiro ou popular naquele local para que a situação seja corrigida? Será que é mais importante não chatear os donos dos terrenos do que, mesmo compulsivamente, pegar na motosserra e criar a necessária faixa de protecção? E as ZIF´s, para que servem?! 
São ratoeiras como aquela que têm deixado um rasto de tragédias em Portugal, onde se inclui a região de Sicó. É o lóbi do eucalipto, associado à fome de dinheiro fácil, que tem contribuido para estas mesmas tragédias. É a política da treta que tem dado cobertura a situações como esta.
Muitos falam, mas raros são os consequentes. Muitos falam, mas poucos sujam as mãos. Muitos falam, mas muito poucos são os que tristemente arriscam a vida em vão, há que dizê-lo com frontalidade. Não há eucaliptos que compensem a perda de uma vida. Para bom entendedor...


14.10.15

A Máfia do eucalipto...


Estas são imagens de um local que ardeu no início de Setembro. Não importa dizer onde foi exactamente, importa apenas saber que foi na região de Sicó, em plena Rede Natura 2000 e que daqui a 1 ano irei voltar ao local para fazer novo registo fotográfico. Aposto que daqui a 12 meses este local estará povoado por... eucaliptos. Ali ao lado já estão massificados, aposto que de forma ilegal (brevemente irei indagar...).
Há incêndios e há incêndios, este foi daqueles especiais e muito curiosos. Se eu fosse bruxo diria que quem manipulou o fósforo teve uma intenção concreta e objectiva, a de fazer arder aquela área, de forma a não só limpar o mato, bem como queimar uma floresta valiosa, de modo a abrir caminho ao eucalipto. Foi um incêndio estratégico e, diga-se, resultou em pleno. Não foi só mato que ardeu, pois oliveiras, pinheiros e medronheiros foram todos à vida. 
E os belos medronheiros, que tanto medronho e dinheirinho poderiam dar? Claro, dá trabalho apanhar. É preferível deixar arder para depois surgir o eucalipto, pois esse não dá trabalho nenhum.
Nos últimos anos houve quem de forma brilhante promovesse um ambiente muito propício para a plantação de eucaliptos. Isto não sem que ardam milhares de hectares de floresta. A monocultura do eucalipto ganha terreno mesmo nos locais mais improváveis, ou seja em áreas protegidas. Não será estranho que certos antigos quadros de empresas privadas, ligadas à exploração florestal (essencialmente ligadas às monoculturas) estejam hoje em dia nos quadros de entidades públicas que, supostamente, defendem a floresta portuguesa. Não será também estranho que a educação ambiental tenha, no concreto, retrocedido muitos anos nessa mesma entidade pública, onde, curiosamente, se gastam resmas de papel premium, mesmo em época de vacas magras.
E a fiscalização é uma palavra vã, o que importa é plantar eucaliptos, mesmo que de forma ilegal, pois o progresso é assim mesmo, pelo menos aos olhos de gente sem escrúpulos. A estes, apetece-me mandar para um certo local, mas felizmente que aqui não é local para utilizar linguagem menos própria.
E é assim a realidade. O dinheiro cega quase tudo e quase todos. Já quase que se acha normal ver arder tanto hectar para depois surgir eucaliptal. Seguimos na onda da passividade e há quem ganhe milhões com isso, já que afinal os incêndios são um verdadeiro negócio. Até o que há uns anos não se aproveitava hoje em dia se aproveita. Compra-se queimado e ganha-se à mesma dinheiro...
Se souberem de plantações de eucalipto ilegais, denunciem! Se perceberem que há ali jogadas duvidosas denunciem!



14.9.14

A estratégia do bandido...



Muito recentemente soube, numa conversa casual, de algo que me chocou sobre todos os pontos de vista. É conhecido o gravíssimo problema que representa a eucaliptização deste país, onde a região de Sicó não escapa. É conhecida a minha posição contra este assassino da floresta portuguesa e contra o lóbi do eucalipto, monocultura que é como que um cancro, o qual tem consumido o país desde a década de 80 do século passado. Em vez de se curar este cancro, está-se a ajudar a espalhar o mesmo pelo que resta do país. A recente lei, que literalmente liberalizou a plantação de eucaliptos, foi a machadada final.
Desta vez soube algo que até a mim surpreendeu. Aqui, na região de Sicó, a estratégia passa por chegar ao pé das pessoas, e dizer-lhes que alguém pode limpar os seus terrenos, preparar os mesmos e plantar eucaliptos, tudo sem encargos. Mas não é tudo, é que depois a pessoa vende os eucaliptos a quem entender, o que significa que, no final, tudo se resume ao mesmo. Esta é uma abordagem que eu considero imoral sobre todos os pontos de vista. Ainda mais nesta altura de crise, onde muitas pessoas estão desesperadas, surgem os abutres do lóbi do eucalipto para infectar o que falta, para eliminar a floresta portuguesa e plantar de forma extensiva a porcaria da monocultura do eucalipto. Já só falta a introdução de eucaliptos geneticamente modificados, coisa que está por semanas nos EUA e no Brasil.
Como se não bastasse, ouvi da boca de um amigo meu, que trabalha a questão ambiental, que o eucalipto é a última salvação para muita gente, quando afinal é sim a sua perdição e a perdição de um país mergulhado numa crise de valores fundamentais. O eucalipto é parte do problema, não da solução!
As celuloses têm conseguido trabalhar bem a questão do marketing, que nem lavagem cerebral...
Portugal tem tudo a perder com o eucalipto, a começar pelo ordenamento do território. O eucalipto, este assassino de bombeiros, anda a explorar de forma vergonhosa um país vergado e rendido a interesses predatórios.
Uma coisa garanto às celuloses e aos proprietários dos eucaliptais, não irei arriscar minimamente a minha vida, a minha saúde e o meu tempo a proteger esta monocultura do fogo. Se estiver a arder irei apenas controlar. O que importa proteger é a floresta portuguesa, os bens dos portugueses e tudo o que este país tem de melhor, o eucalipto é conversa!

Fonte: http://wrm.org.uy/

10.6.14

O crime da liberalização do eucalipto: será que se deve continuar a apostar na defesa da monocultura contra os incêndios?


Não é a primeira vez que abordo aqui a questão da liberalização do eucalipto, contudo será a primeira vez que abordo esta questão de um ponto de vista diferenciado dos anteriores e, para alguns, de uma forma polémica. De modo a evitar confusões, afirmo desde já que todos os incêndios devem ser combatidos, embora de forma diferenciada, pois os riscos são maiores nuns casos e menores noutros.
Estamos a chegar ao início de uma época onde, ano após ano, se repete o mesmo cenário. As televisões gostam muito da festa pirómana e muitos portugueses parece que também. Chegados ao final do Verão, as mesmas palavras de circunstância e, tristemente, vidas ceifadas pelas chamas e bens perdidos.
Para acabar com este drama, ou pelo menos minorar grandemente o mesmo, é necessário tomar medidas bastante incisivas e abrangentes, mas ninguém parece ter coragem para pegar o touro pelos cornos e acabar de vez com a anormalidade pirómana de Portugal, a qual é encarada como que se de uma fatalidade se tratasse. Os tecnocratas que nos (des)governam, em vez de ordenarem o território, mitigando a fundo a questão, ignoram a mesma, pois isso é na prática o que acontece. O mesmo já não acontece com leis que potenciam grandemente a tragédia, como a da liberalização do eucalipto.
Reparem a primeira foto. Á primeira vista é um terreno agrícola, o qual o dono sabiamente limpou e cuidou das oliveiras. Contudo, se prestarem mais atenção, verão que onde deviam estar favas ou afins, estão eucaliptos. Fiquei revoltado quando me deparei com esta situação, há poucos dias, num recanto esquecido em Ansião. Apeteceu-me saltar a rede e arrancar um a um daqueles invasores. Não compreendo como isto é possível, no entanto, acaba por ser normal, pois além de estarmos a ser governados por um bando de garotos e pais destes, estes ainda metem nos organismos que "gerem" o ambiente, garotos tecnocratas que antes de ali trabalharem, eram altos quadros das celuloses (facto) e não sabem o que é ter calos nas mãos. Mas não só.
Mas não é tanto disto que pretendo falar, é sim de uma outra situação. A segunda foto é de uma área onde quem manda é a monocultura do eucalipto e onde outrora existia floresta. Quem planta eucaliptos pretende apenas uma coisa, lucro, custe o que custar. Nada de benefícios para a sociedade. As externalidades positivas ($), essas, quando existem, vão apenas para quem planta os eucaliptos. Já as externalidades negativas, essas são totalmente assumidas por toda a sociedade, a qual não tem culpa no cartório. Fará sentido este cenário?!
Ou seja, acaba-se com a floresta, a qual possibilita toda uma série de serviços ambientais à sociedade e planta-se uma monocultura que além de não possibilitar serviços ambientais, degrada fortemente o ecossistema. Água já fostes, solos nem vê-los e por aí adiante. Quem planta eucaliptos está a roubar toda uma sociedade e a onerar a mesma por várias gerações. E não vou falar do roubo dos serviços ambientais, isso fica para mais tarde. Vou falar sim de outra questão. 
Havendo milhares de Bombeiros Voluntários em Portugal (cada vez menos...), os quais ajudam heroicamente a proteger a nossa floresta (bem da sociedade), faz algum sentido obrigar os mesmos a proteger a monocultura do eucalipto? (que não é floresta!) Não será que esta é uma função que deveria ser proporcionada exclusivamente por quem planta os eucaliptos? Porque não obrigar quem tem eucaliptal a pagar seguros de risco? Porque não obrigar a quem tem eucaliptal a pagar a equipas de combate a incêndio (que não bombeiros voluntários) para proteger o seu investimento? Porque têm os portugueses de pagar do seu bolso o investimento de pessoas que apenas querem ganhar dinheiro com o eucalipto? Porque tem o país de se subjugar às celuloses? PIB? O PIB seria bem mais favorável se tivéssemos um país devidamente ordenado...
Muitos dos acidentes que têm ocorrido nos últimos anos nos grandes incêndios florestais, concretamente com mortes de Bombeiros, ocorreram em área de eucaliptal. Isto não é coincidência. E não me venham falar no problema que é o minifúndio, pois esse é afinal o último guardião das virtudes do mundo rural face aos interesses económicos predatórios, que desvirtuam tudo o que podem em prol de um pseudo desenvolvimento.
Por isso o meu apelo aos Bombeiros Voluntários é simples, nada de arriscar por conta dos eucaliptos, controlem apenas. Quem os plantou que arrisque a sua vida, o seu tempo livre e a sua saúde. 
A factura do combate dos incêndios em áreas de monocultura deveria ir apenas para o donos destas culturas, mas infelizmente quem paga é o zé povinho (diga-se, algum com culpa no cartório...).
Devemos sim defender a floresta, pois essa é que é realmente importante para a sociedade. Com espécies autóctones o risco é diminuto e nem sequer é preciso arriscar, pois nesses casos é fácil prever o comportamento do fogo. A floresta fornece-nos um conjunto de serviços ambientais, dos quais dependemos a vários níveis. 
A monocultura não tem nada para nos oferecer, apenas para roubar!


Apenas uma coisa é certa este ano, se o calor realmente vier em força nos próximos 3/4 meses, o ano será dos mais trágicos...

2.6.14

Do céu ao inferno...

Fonte: http://sigma2.cm-ansiao.pt/

Estava a ser um dia fantástico e o passeio de bicicleta já ia longo. Andava à caça de boas fotografias num roteiro pré-definido, no entanto com margem para desvios. Só quando me estava a aproximar do local em causa, perto do Alvorge, é que me lembrei que aquele era dos locais mais fantásticos que conhecia na região de Sicó, dada a sua "especificidade cársica", um extraordinário sumidouro literalmente escondido por vários carvalhos, alguns centenários, e uma bela galeria ripícula, com exemplares também centenários. Era um cantinho do céu que tinha tido a oportunidade de conhecer ao pormenor há alguns anos, quando em espeleo prospecções tive a oportunidade de passar algumas horas no fundo daquele sumidouro. A descida era algo difícil, pois era um local bem guardado por vegetação dos estratos arbóreo e arbustivo. Simplesmente mágico.
Contudo não foi o céu que ali reencontrei, foi sim o inferno, pois uma mente brilhante achou que o melhor seria arrasar tudo aquilo (representado no ortofoto acima), cortando tudo o que por ali havia, atulhando parte do sumidouro e plantando, imagine-se eucaliptos. Tem inclusivamente eucaliptos plantados dentro do curso de água, que termina, à superfície, naquele enorme sumidouro. 
Confesso que foi algo que não estava à espera e que me revoltou profundamente, dada a gravidade do sucedido. Já solicitei a intervenção da SEPNA, de forma a que esta possa confirmar a ilegalidade de algumas das acções ali ocorridas. Naturalmente que haverá um "prémio" para quem perpetrou tal acção.
É realmente preocupante constatar que mesmo locais tão isolados e tão valiosos do ponto de vista do ecossistema, são afectados de forma tão gravosa, nada está a salvo e um dos grandes culpados é o eucalipto e a sua liberalização. Este é um dos casos onde fica bem expressa a infelicidade de uma lei que promove a destruição de valores naturais fundamentais em prol do lucro puro e duro, seja a que custo for. A evidente iliteracia cultural faz o resto.
Nos próximos dias irei destacar a questão da monocultura de uma forma algo polémica, mas que faço questão de abordar de uma forma completamente diferente do que muitos estão habituados...