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10.6.14

O crime da liberalização do eucalipto: será que se deve continuar a apostar na defesa da monocultura contra os incêndios?


Não é a primeira vez que abordo aqui a questão da liberalização do eucalipto, contudo será a primeira vez que abordo esta questão de um ponto de vista diferenciado dos anteriores e, para alguns, de uma forma polémica. De modo a evitar confusões, afirmo desde já que todos os incêndios devem ser combatidos, embora de forma diferenciada, pois os riscos são maiores nuns casos e menores noutros.
Estamos a chegar ao início de uma época onde, ano após ano, se repete o mesmo cenário. As televisões gostam muito da festa pirómana e muitos portugueses parece que também. Chegados ao final do Verão, as mesmas palavras de circunstância e, tristemente, vidas ceifadas pelas chamas e bens perdidos.
Para acabar com este drama, ou pelo menos minorar grandemente o mesmo, é necessário tomar medidas bastante incisivas e abrangentes, mas ninguém parece ter coragem para pegar o touro pelos cornos e acabar de vez com a anormalidade pirómana de Portugal, a qual é encarada como que se de uma fatalidade se tratasse. Os tecnocratas que nos (des)governam, em vez de ordenarem o território, mitigando a fundo a questão, ignoram a mesma, pois isso é na prática o que acontece. O mesmo já não acontece com leis que potenciam grandemente a tragédia, como a da liberalização do eucalipto.
Reparem a primeira foto. Á primeira vista é um terreno agrícola, o qual o dono sabiamente limpou e cuidou das oliveiras. Contudo, se prestarem mais atenção, verão que onde deviam estar favas ou afins, estão eucaliptos. Fiquei revoltado quando me deparei com esta situação, há poucos dias, num recanto esquecido em Ansião. Apeteceu-me saltar a rede e arrancar um a um daqueles invasores. Não compreendo como isto é possível, no entanto, acaba por ser normal, pois além de estarmos a ser governados por um bando de garotos e pais destes, estes ainda metem nos organismos que "gerem" o ambiente, garotos tecnocratas que antes de ali trabalharem, eram altos quadros das celuloses (facto) e não sabem o que é ter calos nas mãos. Mas não só.
Mas não é tanto disto que pretendo falar, é sim de uma outra situação. A segunda foto é de uma área onde quem manda é a monocultura do eucalipto e onde outrora existia floresta. Quem planta eucaliptos pretende apenas uma coisa, lucro, custe o que custar. Nada de benefícios para a sociedade. As externalidades positivas ($), essas, quando existem, vão apenas para quem planta os eucaliptos. Já as externalidades negativas, essas são totalmente assumidas por toda a sociedade, a qual não tem culpa no cartório. Fará sentido este cenário?!
Ou seja, acaba-se com a floresta, a qual possibilita toda uma série de serviços ambientais à sociedade e planta-se uma monocultura que além de não possibilitar serviços ambientais, degrada fortemente o ecossistema. Água já fostes, solos nem vê-los e por aí adiante. Quem planta eucaliptos está a roubar toda uma sociedade e a onerar a mesma por várias gerações. E não vou falar do roubo dos serviços ambientais, isso fica para mais tarde. Vou falar sim de outra questão. 
Havendo milhares de Bombeiros Voluntários em Portugal (cada vez menos...), os quais ajudam heroicamente a proteger a nossa floresta (bem da sociedade), faz algum sentido obrigar os mesmos a proteger a monocultura do eucalipto? (que não é floresta!) Não será que esta é uma função que deveria ser proporcionada exclusivamente por quem planta os eucaliptos? Porque não obrigar quem tem eucaliptal a pagar seguros de risco? Porque não obrigar a quem tem eucaliptal a pagar a equipas de combate a incêndio (que não bombeiros voluntários) para proteger o seu investimento? Porque têm os portugueses de pagar do seu bolso o investimento de pessoas que apenas querem ganhar dinheiro com o eucalipto? Porque tem o país de se subjugar às celuloses? PIB? O PIB seria bem mais favorável se tivéssemos um país devidamente ordenado...
Muitos dos acidentes que têm ocorrido nos últimos anos nos grandes incêndios florestais, concretamente com mortes de Bombeiros, ocorreram em área de eucaliptal. Isto não é coincidência. E não me venham falar no problema que é o minifúndio, pois esse é afinal o último guardião das virtudes do mundo rural face aos interesses económicos predatórios, que desvirtuam tudo o que podem em prol de um pseudo desenvolvimento.
Por isso o meu apelo aos Bombeiros Voluntários é simples, nada de arriscar por conta dos eucaliptos, controlem apenas. Quem os plantou que arrisque a sua vida, o seu tempo livre e a sua saúde. 
A factura do combate dos incêndios em áreas de monocultura deveria ir apenas para o donos destas culturas, mas infelizmente quem paga é o zé povinho (diga-se, algum com culpa no cartório...).
Devemos sim defender a floresta, pois essa é que é realmente importante para a sociedade. Com espécies autóctones o risco é diminuto e nem sequer é preciso arriscar, pois nesses casos é fácil prever o comportamento do fogo. A floresta fornece-nos um conjunto de serviços ambientais, dos quais dependemos a vários níveis. 
A monocultura não tem nada para nos oferecer, apenas para roubar!


Apenas uma coisa é certa este ano, se o calor realmente vier em força nos próximos 3/4 meses, o ano será dos mais trágicos...

21.4.10

A eucaliptização da região de Sicó

Pode pensar-se que é uma questão ultrapassada tendo em conta que é um grave problema que teve início já há alguns anitos nesta região, mas agora o problema ganha novas dimensões.
Há algo que me preocupa bastante, pois basta dar umas voltas pelos recentes estradões florestais, abertos a regra e esquadro, para ver que este gesto mal pensado está apenas a abrir novas frentes na eucaliptização de alguns sectores da região de Sicó que até à pouco tempo estavam fechados demais para que alguns proprietários se sentissem tentados a plantar eucaliptos.
Preocupa-me seriamente que nada se tenha feito para mitigar este problema, mas parece que enquanto houver fundos a intenção é rasgar o máximo possível de estradões florestais que mais não servem para muitas pessoas irem depositar lixo nas bermas.... Sei de um caso até onde a abertura de um estradão florestal destruiu parte de uma estrada romana, algo que mostra a realidade de uma região onde existe ainda um rico património arqueológico, mesmo que alguns interesses façam questão que este património continue enterrado.
A fiscalização também não se vê, pois noutras áreas, já de plantio antigo, ultrapassa-se largamente as vezes que se pode plantar eucaliptos, ignorando-se esta questão que apenas afecta a biodiversidade da região de Sicó, onde parece que a monocultura do eucalipto é que é boa.
O tempo dirá como a situação irá evoluir, mas a minha perspectiva não é nada animadora, por mais que alguns a pintem como muito positiva...