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4.3.19

Protecção do perímetro da nascente do Rio Nabão? Isso só estorva...


Foi há vários meses que reparei que um concessionário situado em Ansião estava a fazer algo que me chamou a atenção. Reparei que estavam a fazer um desaterro literalmente ao lado da captação dos Olhos de Água, actualmente desactivada (embora passível de ser reactivada). Tendo o conhecimento que tenho, fiquei bastante preocupado, facto que me levou a fazer uma exposição dos factos à CCDR-Centro, sugerindo o embargo da obra. Na década de 90 este concessionário implantou-se ali, algo que foi um erro em termos de planeamento territorial, tendo em conta que se situa ali a nascente do Rio Nabão e existem ali 3 poços, o da nascente, um outro, agora quase tapado (e que as paredes estão a desabar desde a sua base, tendo previsivelmente desabado ainda mais com esta obra - na imagem abaixo) e o da captação, que consta na primeira imagem. 


Foto da passagem do segundo poço (foto da autoria de Carlos Ferreira)

Agora, que os tempos supostamente são outros e que deveria ser impensável fazer o que se fez agora, fez-se um estacionamento para carros literalmente ao lado da captação. Eu nunca o autorizaria, já que existem perímetros de protecção às nascentes e captações por algum motivo, mas infelizmente a obra fez-se e nem a CCDR-Centro o impediu. Honestamente falando, não compreendo como foi isto possível!
Resta saber as previsívels consequências desta obra, que irão apenas agravar um cenário já bastante preocupante, até porque ali por detrás existe um estaleiro de obras de génese ilegal, feito em meados de 2003, que no último PDM foi... legalizado. E até alcatrão lá enterraram!
Daqui a uns anos vai ser curioso ver o que se vai passar, com a previsível falta de água. Quando se lembrarem que ali há um aquífero e que este é uma reserva de água substancial, estou para ver o grau de poluição que se vai constatar na altura no aquífero. Aí será tarde...



Foto de uma das galerias da nascente do Nabão (foto da autoria de Carlos Ferreira)


18.11.16

Voltei ao Alvorge e vi a água "límpida" do esgoto a sair para a linha de água...


Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...



15.2.13

O crime da privatização da água...


É uma questão que mais tarde ou mais cedo vai chegar em força à região de Sicó, falando eu, claro, da mais que polémica privatização da água, esse bem de valor inestimável.
Nas últimas semanas tem-se falado muito desta questão nos meios de comunicação social, tendo sempre por base uma forte contestação por parte dos cidadãos. Há já exemplos que mostram, no concreto, como interesses privados se sobrepõem ao bem público e universal que é a nossa água. Paços de Ferreira é o perfeito exemplo do que afinal resulta de uma privatização da água. A esmagadora maioria das pessoas está descontente, para não dizer furiosa, com algo que beneficia apenas e só interesses privados, quando deveria beneficiar o interesse público. Odivelas é o exemplo mais recente, e segue exactamente na mesma linha escandalosa. Aumento dos preços, para variar...
Hipoteca-se o futuro de todos só para beneficiar lóbis predatórios, numa jogada que eu considero criminosa. Desde já deixo bem claro que considero todos aqueles que estão na equipa da privatização do recurso água, como criminosos, pois é mesmo isso que se pode chamar aqueles que se apoderam daquilo que é de todos nós e não apenas de alguns iluminados. São jogos políticos, da porca da política, que permitem isto, interesses de gente poderosa que brinca com o nosso futuro enquanto a maioria de nós deixa andar. É a máfia da água, puro e duro.
Falando em termos de autarquias, desconheço a posição da maioria dos autarcas, apenas conheço a posição de Narciso Mota, que é contra a privatização da água. Importava que cada um de nós começasse a indagar sobre o que pensam os nossos autarcas sobre a privatização da água na nossa região, pois isso vai adiantar a discussão quando, inevitavelmente, ela acabar por chegar.
São tempos difíceis, em que os lóbis aproveitam para se apoderar de tudo aquilo que sabem que é estratégico, englobando-se aí o sector da água. Estes lóbis aproveitam a nossa passividade para de um momento para o outro se apoderarem daquilo que é nosso e não deles.
Lembro mais uma vez que a água é um dos elementos essenciais à vida na Terra, daí a necessidade do mais rapidamente se lançar o debate na região de Sicó. Não há que enganar, a resposta à privatização da água só poderá ser um redondo não. E não se deixem cair na conversa do bandido, que não há dinheiro e que privatizando se vai encaixar uns milhões, os quais servem sempre para... pagar dívidas. E depois das dívidas pagas, o que resta? Para o BPN houve dinheiro e para o que é realmente importante não há?!
Não é preciso ser especialista para entender a importância desta questão, todos o sabem. Eu apenas junto o melhor de dois mundos, o conhecimento da escola da vida e o conhecimento dos livros, aproveitando o facto de, com o azinheiragate, ter muita visibilidade, a qual aproveito não em meu benefício mas sim em benefício do património da região de Sicó.
A água é do património mais valioso que temos, daí eu, com este comentário, estar a tentar construir pontes, as quais permitam que o conhecimento circule entre todos, o que naturalmente é uma chatice para os lóbis. O acesso à água é um direito elementar e não um privilégio! Ser-se passivo no exercício da cidadania é o pior que podemos fazer, já que leva-nos sempre por maus caminhos, tal como aquele que Portugal atravessa agora...
Mesmo para terminar, e pegando na questão da cidadania, eis um de muitos exemplos de como facilmente podem ajudar a impedir da privatização da água:
https://signature.right2water.eu/oct-web-public/?lang=en

6.9.10

Água: um recurso a proteger a qualquer custo!


Vale mais do que petróleo, já que sem ela ninguém consegue viver, mas há ainda quem, além de ignorar a sua importância, polua gravemente os aquíferos onde ela está armazenada.
A água é um recurso e um património de valor inestimável, infelizmente hoje em dia ainda vemos situações que não podem passar impunes, em que alguém polui sem se importar com as consequências para as populações. Há ainda quem pense que pode fazer o que bem entende em locais ermos da região de Sicó, mas felizmente estes mesmos locais ermos conseguem-se encontrar e aí a coisa começa a correr mal para quem comete atentados ambientais gravíssimos.

O que vocês vêm na foto não é água, são sim dejectos líquidos que alguém com uma pecuária se lembrou de colocar num local ermo, depois de abrir um buraco, mesmo sem licença alguma, mesmo sem algum tipo de tratamento. Em plena Reserva Ecológica Nacional e numa área cársica, algo que piora a situação, dado a fácil infiltração destes resíduos, que em poucas horas podem viajar dezenas de km e poluem os aquíferos por muitos anos, tornando um recurso imprescindível em algo que não pode ser aproveitado...
A denúncia surgiu e o resultado não deverá ter sido bem aceite por quem fez o estrago, pois afinal os efluentes pecuários não tinham sido encaminhados para o local próprio e não havia licença para o tratamento dos mesmos. Abriu-se simplesmente um buraco no meio do nada e esperou-se que ninguém denunciasse...
Mas alguém ali passou e ficou envergonhado com o que viu, como não teve coragem de denunciar, mesmo sabendo que o podia fazer de forma anónima, avisou-me e assim lá fui eu tratar da situação.
Este é um exemplo que pode ser falado porque facilmente as pessoas compreendem a gravidade do sucedido. Não costumo falar destes casos porque por vezes há situações que não são compreendidas pelos cidadãos, falta o conhecimento (que tento incutir através do azinheiragate), mas abri aqui uma excepção para vos mostrar o que se deve fazer quando se passa algo de tão grave e lesivo para todos nós. Lembrem-se que a água da torneira vem de algum lado e caso ela esteja poluída....
Não se acanhem quando virem situações graves, denunciem!
Em casos ligeiros deve-se entrar com a pedagogia e avisar, mas em casos gravíssimos como este não há pedagogia possível, resta denunciar. Felizmente que cada vez mais este gesto de cidadania é encarado com normalidade e aplaudido, estão cada vez mais longe os tempos em que quem denunciava é que era visto como o mau da fita...