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22.8.22

Sobre o civismo e a forma de mitigar a falta de civismo...


Alguns irão numa primeira reacção dizer porque carga de água eu coloquei aqui uma fotografia de uma casa de banho. É fácil, mas vamos antes falar do início.

Em meados da década de 90 foi construída uma casa de banho pública na Mata Municipal de Ansião, obra esta que desde início levantou dúvidas, seja pelo mamarracho que era seja pela rápida degradação da mesma, fruto de uma crónica falta de civismo por parte de muitos utilizadores. Muitos ansianenses lembrar-se-ão desta casa de banho, a qual foi finalmente demolida passados uns anitos.

Anos depois aproveitou-se um edifício existente para construir uma outra casa de banho, esta no Parque Verde, em Ansião. Boa localização, bom aproveitamento e, parecia, tudo em ordem para o bom usufruto desta importante infraestrutura. Contudo faltou o civismo de muitos utilizadores. 

Esta fotografia foi tirada no início do ano, aquando precisei de ali ir. Fiquei decepcionado em constatar a crónica falta de civismo dos utilizadores, os quais não têm respeito pelo por eles próprios, enquanto utilizadores, quer pelos outros utilizadores, inclusivamente visitantes. Destroem os equipamentos, levam o papel higiénico e não só...

Ah e tal, a falta de civismo é normal, dirão alguns. Não é normal, digo eu. Digo também que é uma questão de educação ou falta dela. Também no início do ano, e na Torre Vale de Todos, precisei também de utilizar uma casa de banho pública ali situada. Para meu espanto, estava impecável, só não havia luz, facto ultrapassado pela luz do telemóvel. Uma casa de banho pública limpa, com papel higiénico, sabão e desinfectante. Será o pessoal da Torre de Vale de Todos mais educado e civilizado que o pessoal da Vila de Ansião? Fica a "provocação"...

Ah, sobre a forma de mitigar a falta de civismo, duas soluções, a primeira é a mais importante, ou seja a educação. A segunda é termos equipamentos à prova de animais irracionais!

6.3.20

Sobre o vandalismo...


O vandalismo é algo que me irrita. O vandalismo é algo que me incomoda, seja em locais que não conheço, seja em locais tão especiais como este. Desde que esta obra foi feita que o vandalismo tem estado presente, desde montante a jusante, desde lâmpadas partidas, bancos e mesas até aos irritantes grafitis. Provavelmente terão sido miúdos e provavelmente terão adquirido as latas numa qualquer loja da Vila de Ansião, sendo, portanto, fácil de saber quem foi. Isto teoricamente.
Traquinices à parte, isto revela uma coisa muito simples, a falta de educação e de respeito pelo espaço público. Temos de educar as gerações mais novas para esta questão, fazendo-os respeitar o espaço público. E sim, todos nós fizémos das nossas traquinices em miúdos, daí sabermos agora a importância de, nós, trabalharmos esta questão para que as novas gerações não façam o que se vê nesta imagem.

17.3.19

Enduro num povoamento arqueológico? Sim, aconteceu...



Nota: como já previa que o vídeo fosse retirado, tinha este print pré-preparado...


Foi por mero acaso que me deparei com este vídeo há poucas semanas. Fiquei indignado, já que o vídeo retrata basicamente 3 jovens a praticar enduro no topo da Serra de Alvaiázere, mais precisamente dentro do perímetro do povoamento arqueológico ali situado.
Para quem não sabe nada sobre este enorme povoamento arqueológico, fica a bibliografia:

Félix, P. (1999) - "Serra de Alvaiázere: um povoado do Bronze final no centro de Portugal", Al-madan. Almada


A história em redor deste povoamento arqueológico é das mais tristes que conheço. Se fosse num país desenvolvido, este recurso já estaria devidamente salvaguardado, valorizado e rentabilizado. Mas afinal estamos em Portugal, mais especificamente em Alvaiázere, um território recheado com recursos dos mais variados tipos, os quais em vez de serem potenciados pelas autoridades locais são degradados e/ou destruídos por locais, entidades públicas e entidades privadas. Isto ao mesmo tempo que o poder político se queixa de uma suposta interioridade...
É a ironia suprema, serem os actores locais a fazer o serviço de coveiro do seu próprio território. Não precisou vir ninguém de fora para lixar o património, já que eles têm tratado do assunto com as próprias mãos, seja de forma activa ou passiva, e, diga-se, com sucesso. E quando as coisas correm mal, a técnica é apontar o dedo a quem é de fora e tem vindo a denunciar dezenas e dezenas de casos polémicos naquele belo território.
Nunca houve um real interesse na preservação deste sítio arqueológico, essa é a triste verdade. A única vez que se falou a sério dele foi quando... estorvava ao parque eólico e ao flop político que nessa altura estava no poder. Depois disso voltou a cair no esquecimento, daí ser normal ocorrer o vandalismo TT que se vê no vídeo, onde se pratica enduro dentro de um sítio arqueológico, por cima de artefactos da idade do Bronze e posterior.
É triste ver que os anos passam mas que pouco ou nada se aprende... Enquanto isso a população definha, tal como a cultura e a actividade económica. E muitos jovens vão... para outras paragens, já que a sorte em viver ali é só para alguns. Alvaiázere merecia melhor sorte...
Mais triste é que apesar de haver ali os recursos humanos necessários para que o problema seja resolvido e que este povoamento arqueológico tenha o seu merecido reconhecimento, não há a literacia arqueológica das entidades públicas para dar bom seguimento a esta questão...
Resumindo, fora com as motos e jipes do perímetro arqueológico do Castro da Serra de Alvaiázere!