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5.6.18

É isto que queremos para Sicó, terrorismo ambiental puro e duro?!



É algo irónico estar a escrever este comentário precisamente num dia de festa, em que deveria falar de aspectos positivos, na temática ambiental. Hoje, 5 de Junho, é o Dia Mundial do Ambiente.
Deparei-me com esta situação no domingo, em Ansião, já depois de há umas semanas, aquando do debate do Farpas Pombalinas, ter sido abordado por um senhor de Ansião, que me disse que havia algo de grave a passar-se para os lados de Santiago da Guarda, Ansião. Apenas agora pude ir ao local e acabei por ir directamente ao local, algo que não é assim tão fácil...
Chegado lá fiquei perplexo e profundamente desiludido por Portugal ser uma república das bananas, onde o eucalipto e a fome de ganhar dinheiro rápido e sem esforço, justifica que se arrase tudo o que temos de bom. Trata-se de uma extensa área, com alguns hectares, situada em Reserva Ecológica Nacional, que foi literalmente arrasada para mais uma plantação de eucaliptos. Carvalhal, medronheiros e outros mais, foi tudo arrasado. Apenas um sobreiro ali ficou, pois se calhar dava muito nas vistas cortar... As máquinas fizeram o resto e até as lajes calcárias e os lapiás lavraram. Mesmo que quem fez esta parvoíce pague uma multa, nada irá ser como dantes. O que existia não será reposto e assim a asneira compensa. É esta a triste realidade. 
A maioria das pessoas não se apercebe da gravidade da situação, ainda mais porque se tem multiplicado pela região de Sicó. Nas décadas de 80 e 90 foi a eucaliptização de uma extensa área, que ainda apanhou Ansião, mais na freguesia do Avelar. Desde então, e "pela calada", está a acontecer o mesmo a outras áreas da região. É assustador constatar o que se está a passar e a escala a que se está a passar. É assustador ver que a política florestal em Portugal resume-se a isto e pouco mais, baixar as calças em prol do lóbi do eucalipto. Vale tudo!
É por estas e por outras que não me chateio muito quando o eucaliptal arde. É por estas e por outras que não me canso muito e não arrisco nada quando arde eucaliptal. Quem os mandou plantar que se canse e que arrisque a sua vida a proteger o seu investimento. Pelos sobreiros, azinheiras, carvalhos, medronheiros e outros mais, por esses arrisco e sou capaz de mover mundos para os preservar.
O país e a região de Sicó estão a esvair-se das suas maiores riquezas, e o eucalipto agradece. Daqui a uns anos quem promove este tipo de intervenções vai dizer:
"meu deus, o que é que eu fiz?"






11.12.17

Associações Florestais ou Associações do Eucalipto?! Preocupante, muito preocupante...


Surgiu de uma conversa em plena rua, quando uma pessoa que admiro imenso se cruzou comigo e começámos a falar sobre a tragédia deste Verão. A determinado momento chegou-se à parte das menosprezadas espécies autóctones, nomeadamente do carvalho cerquinho, azinheira, medronheiro, etc. Disse-me que há uns tempos tinha ido à Associação Florestal de Ansião, da qual é associada, pedir informações, já que queria deixar um legado às próximas gerações e, por isso, queria plantar por exemplo carvalho cerquinho. Como não sabia da aptidão do solo, queria saber mais informações, de forma a dar seguimento a essa sua vontade. Contudo, e alegadamente, sugeriram-lhe plantar... eucaliptos, concretamente uma variedade que não consumia tanta água como outra espécie de eucalipto já existente por estes lados...
Fiquei perplexo, pois ver uma Associação Florestal incentivar a monocultura do eucalipto em vez de incentivar a plantação de espécies autóctones, não é propriamente algo de compreensível. Nem quero imaginar as vezes que isto acontece, contudo seria interessante fazer uma análise perante os associados, de forma a ver como tem sido o aconselhamento... 
Mas não é tudo. Duas semanas depois, quando abordei aqui a questão do medronheiro, partilhando o comentário das redes sociais, uma outra pessoa comentou que tinha feito o mesmo, em Penela, de forma a ver a possibilidade de plantar medronheiros, e foi-lhe alegadamente dito que não era viável. Quase que em jeito de brincadeira, eu disse-lhe "presumo que lhe tenham sugerido o eucalipto", tendo-me sido dito "pois foi isso mesmo".
Tendo em conta a localização que me foi comunicada, tenho sérias dúvidas sobre a suposta inviabilidade da plantação de medronheiros. Cheira-me ao lóbi do eucalipto...
Após isto, fico seriamente preocupado com o que, de facto, estas nossas Associações Florestais andam a fazer, já que fica a ideia que são meras pregadoras da monocultura do eucalipto, funcionando na (i)lógica de mercado actual, sendo assim contra a floresta e a favor da monocultura do eucalipto. 
Não mudar o paradigma é grave, ainda mais por parte de quem devia ser pró floresta e não pró eucalipto. Manter esta nossa região refém do eucalipto é grave, não sendo sequer necessário dizer porquê. Este ano falou por si mesmo, de uma das piores formas possíveis...
Importa agora compreender qual o real papel das nossas Associações Florestais, já que estes dois casos indiciam algo que me preocupa seriamente. O papel das Associações Florestais é pugnar pela floresta, não por monoculturas como a do eucalipto!

23.7.17

20 000 euros de multa não chegam para aprender? Então vamos a mais uma ronda...


Há coisa de 1 ano denunciei uma plantação ilegal de eucaliptos, na Ribeira de Alcalamouque, Ansião, tendo sido apenas mais uma das várias que tenho vindo a denunciar ao longo dos últimos anos. Uns meses mais tarde ouvi dizer que o prevaricador alegadamente terá tido de pagar uma coima de 20 000 euros. Fiquei satisfeito, contudo apenas parcialmente, já que a situação original não foi reposta, tal como a lei obriga.
Eis que quase 1 ano depois o prevaricador volta à carta e faz mais um acrescento à plantação ilegal de eucaliptos. Ou seja, fez nova intervenção numa área adjacente à já intervencionada. Se compararem com a foto de há 1 ano, consegue-se ver que o sector central (no pequeno vale, ao centro) foi agora intervencionado. O prevaricador não pode alegar desconhecimento, tratando-se, na minha opinião, de uma atitude que demonstra má fé e um total desprezo pela lei.
De modo a premiar esta atitude, informo o prevaricador que brevemente receberá no conforto da sua casa uma carta com um prémio especial. Estou curioso saber de quanto será o prémio, especialmente sabendo que este prevaricador é reincidente. Espero sinceramente que o prémio seja maior desta vez, já que quando não se aprende a bem, aprende-se a muito bem!
E para os poucos que vão discordar com esta minha acção de denúncia, lembram-se de Pedrógão? Ilegalidades como esta contribuem decisivamente para a catástrofe...

14.7.17

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...