9.9.13

A aldeia dos segredos



Alvaiázere é um território onde factos muito curiosos se passam. A questão que agora venho abordar, é do interesse público, muito embora o processo seja quase um segredo "bem" guardado.
A aldeia das Paradelas é uma não aldeia, ou seja é apenas um lugar com meia dúzia de ruínas, situado num local longe de tudo, mas bem perto da Natureza.
Para chegar lá, só mesmo conhecendo bem, mas mesmo assim, e como não ia lá há alguns anos, tive de recorrer à útil carta militar. Deixando a estrada de alcatrão, vindo do Bofinho, entra-se por um estradão em terra batida, até que se chega à placa acima destacada.
Fiquei curioso como é que se gasta tanto dinheiro num local daqueles, mais parecendo que se está a promover a especulação imobiliária em meio rural. É uma opinião que vale o que vale, mas é realmente estranho ver ali este investimento, havendo outros locais bem mais interessantes para o desenvolvimento de um projecto deste género. Eu nunca apostaria naquele local para um investimento como este, já que afinal há muita matéria-prima em Alvaiázere, vulgo aldeias para reconstruir.
Umas centenas de metros à frente, entra-se num caminho calcetado, onde os muros foram devidamente recuperados. É realmente estranho ver um "oásis" rural como aquele o é. Dito por outras palavras, é um elefante branco em meio rural.
Mais estranho é que há uns anos atrás me tenham avisado que alguém andava a comprar tudo aquilo, e não era a entidade que promove o projecto. Não sei se é verdade ou não, mas meses mais tarde surge de forma "inesperada" o projecto da aldeia das Paradelas. Ou seja, todos aqueles terrenos poderão eventualmente mudado de mãos poucos meses antes deste projecto surgir. Haverá interesses privados associados a este projecto? Eu tenho dúvidas sobre o processo, dúvidas estas devidamente fundamentadas por uma análise honesta e construtiva.
Seria interessante que todo este processo, pouco claro, fosse explicado aos alvaiazerenses, e já agora a todos os portugueses, já que há ali dinheiros públicos, nacionais e europeus. Assim não restariam quaisquer dúvidas.
Já o disse mais que uma vez e volto a repetir, o facto de eu considerar que há ali (temática turismo em Alvaiázere) conflito de interesses, já que o titular da entidade que promove este projecto, tem uma empresa de turismo, precisamente na mesma área de acção, algo que importa aqui relembrar, pelo menos para os mais esquecidos. Em termos  "deontológicos", ou seja éticos, não me parece, de todo, aceitável. Relembro também que a empresa de turismo surgiu precisamente durante o segundo mandato de Paulo Morgado, mais precisamente em Dezembro de 2009.
Não se trata aqui tanto de opiniões, mas sim de factos concretos e, alguns, públicos, muito embora tudo neste processo devesse ser do domínio público. Quanto às opiniões, estas são baseadas em factos concretos.


Saindo pelo outro lado do lugar da Paradela, e deixando a calçada, entra-se novamente no estradão, rumo ao Olho do Tordo, em terra batida, ficando a ideia que aquele lugar tem alguns fantasmas que não querem sair do armário.
Por mais esforço que faça, não compreendo que projecto é este, mas pensando bem, Paulo Morgado costuma estar ligado a projectos que trazem mais polémica do que outra coisa.
Uma coisa me parece, muito sinceramente, a de que haverá aqui um grande beneficiado e esse beneficiado não é concerteza o povo alvaiazerense. Irei acompanhar de bem perto esta situação, pois daqui a alguns anos, será interessante fazer uma leitura de conjunto, a qual será quase impossível de fazer neste momento. 
Penso que daqui a 5 ou 6 anos, já será possível ver quem vai ser o grande beneficiado com tudo isto, e nessa altura eu voltarei a abordar a pertinente questão.

Fonte: www.cm-alvaiazere.pt

5.9.13

Mais do mesmo, ano após ano...


Ano após ano e mais, andamos nesta novela há 3 décadas! Todos os anos se dizem as mesmíssimas palavras, contudo, na prática pouco ou nada se faz para resolver o problema, mesmo que se saiba, desde sempre, o que afinal causa esta autêntica guerra pirómana. É esta a triste e recorrente realidade, na região e no país. O povo português parece que, no fundo, gosta, pois das muitas coisas que exige, uma delas não é concerteza, no concreto, o términos desta guerra que consome o país e vidas, ano após ano. Parece que o problema, para alguns, só o é quando chega perto da casa deles, pois caso não chegue perto, isso já é problema dos outros. Egocentrismo tuga no seu melhor.
Pior ainda, o governo diz, literalmente, que a política não tem culpa nesta questão, quando afinal o problema começou precisamente com as más políticas... Todos os governos têm feito asneira e caído nos mesmos erros. Eu diria apenas que agradam a certos interesses económicos, aos quais é favorável esta piromania crónica. A inactividade de quem nos desgoverna é algo de positivo para certos lóbis.
A floresta vai desaparecendo, onde ainda existe, pois onde isso já não acontece, existe apenas a monocultura do eucalipto, que não é floresta. Não se investiga o lóbi do eucalipto, quiçá por ele ser demasiado poderoso. Até existem "eco"-mercenários, defensores das celuloses, que se fazem de ambientalistas, mesmo que já tenham sido topados e votados ao desprezo.
As culpas são quase que apenas dos maluquinhos que metem o fogo, só isso se fala, pois tudo o resto parece que não importa tanto. Obviamente que há maluquinhos na festa e eu até gostava de ter uma conversa muito séria com alguns deles, para lhes mostrar o meu ponto de vista. Sou uma pessoa pacífica, no entanto abro excepções...
As televisões parece que também adoram esta guerra, e a cada entrevista com os populares, lá aparece a queixa da pessoa que gosta de criticar os bombeiros, mas que se acha no direito de não limpar em redor da sua casa. Casos não faltam, de pessoas que não limpam em redor da sua casa e os seus terrenos, e depois lá tem de vir o zé bombeiro mitigar de alguma forma a porcaria que muitos fazem e deixam fazer neste nosso país e nesta nossa região, Sicó.
Choveu há escassas horas e já há pessoal a fazer borralheiras. Bravo para esta gente que não aprende com o que se tem passado nas últimas 3 décadas!
Ontem foi mais um dia muito triste, onde mais um bombeiro voluntário nos deixou e deixou o país mais pobre, talvez também daí este meu comentário mais revoltado.
Enquanto não decidirmos acabar com esta guerra pirómana, ela irá continuar, ano após ano. Quase todos têm culpa num problema que só o é porque, no fundo, o permitimos, e essa é a cruel realidade, gostem ou não...
Ordenamento do território, é simples e não custa entender!

28.8.13

Na noite, de olhos postos no céu de Sicó


Não, não estou a publicitar nenhuma iniciativa de astronomia, estou sim a publicitar o céu de Sicó. Dito de uma outra perspectiva, estou apenas a publicitar uma forma de estar na vida.
Alguns de nós lembram-se daquelas noites de verão, onde um simples olhar para o céu revela a nossa pequenez perante o universo. É das coisas mais bonitas, estar deitado no chão, num local isolado e desprovido de iluminação pública, a contemplar o céu.
A região de Sicó ainda tem algumas áreas livres de poluição luminosa, facto que passa despercebido a toda uma faixa de população que prefere o "rebuliço" das vilas desta região. Há já locais em Portugal onde, imagine-se, estas zonas livres de poluição nocturna são aproveitadas para um nicho de turismo que passa ao lado da nossa região. E não, não é estranho, ainda há meses atrás este foi um tema em destaque na National Geographic Portugal.
Mas não é só no Verão que vale a pena, no inverno também há algum interesse no céu de Sicó. Belas nuvens e as temidas trovoadas.
Sim, eu sei que a quase totalidade das pessoas foge delas, no entanto há quem, como eu, que as persiga. Pena é que aconteça tão poucas vezes...
O vídeo que agora vos mostro, tem alguns anos, e mostra alguns momentos onde duas trovoadas estavam quase a encontrar-se. Quando elas se encontraram já eu não estava por aquele local, já que eu sigo as evidentes e obrigatórias regras básicas de segurança. Estando no local certo, pouco ou nada há a temer para com as trovoadas. Este gosto pelas trovoadas pode ser considerado, por alguns, como bizarro, no entanto todos reconhecem que é um espectáculo muito belo. E não, não se paga bilhete.
Aproveitem o céu de Sicó, pois seja Inverno, Primavera, Verão ou Outono, vale sempre a pena!

23.8.13

A conversa das árvores


Mais importante do que ler livros para entender certos assuntos, será o falar com as pessoas sobre estes mesmos assuntos. Gosto de fazer ambos e considero que estão ambos intrinsecamente ligados entre si.
Por isso mesmo é que faço questão de abordar muitas questões quando estou com os amigos. Por vezes fico muito preocupado com o que oiço, pois o nos diálogos oiço muita coisa que revela um franco desconhecimento sobre o território e sobre tudo aquilo que ele encerra em si mesmo.
Há dias atrás, ao abordar a questão do malvado eucalipto, fiquei perplexo com o que ouvi. Esta perplexidade deveu-se não tanto ao que ouvi, mas de quem ouvi. Complicado? 
É público que eu considero o eucalipto árvore non grata de Portugal, pois é uma árvore que tem trazido muitas desgraças a este país. Muito brevemente irei ser bem frontal perante o eucalipto...
Numa conversa com colegas que sabem o que é combater incêndios em eucaliptal, veio à baila a questão financeira e foi aí que as coisas descambaram. Percebi que mesmo estes colegas eram apologistas do eucalipto, mesmo sabendo o carrasco que este é para todos nós.
A floresta portuguesa tem desaparecido (áreas de eucaliptal não são floresta, são monocultura!) e parece que poucos se importam com isso. Promove-se o desordenamento florestal, através do eucalipto, mas parece que isso não é problema. Quer-se ganhar dinheiro a todo o custo, mesmo que as comunidades fiquem a perder com isso. Pensa-se apenas e só no curto prazo e esquece-se o médio e longo prazo. Mentalidades formatadas para pensar assim mesmo é o que temos mais, e isso é deveras preocupante.
Depois, já com a conversa adiantada, falei em oliveiras, em nogueiras, em figueiras e outros mais, e aí todos disseram que comer azeitonas, figos e nozes era muito bom. Nessa altura eu disse algo de muito simples, e porque não plantam? Disseram eles que demorava muito tempo a crescer. Logo aí eu disse algo de muito simples, o de que se nunca plantarem elas nunca crescem...
Vi que poucos são os que querem efectivamente deixar algo de palpável para os filhos e netos, coisa que o eucalipto não deixa. Vi que poucos são os que querem ouvir das bocas dos netos, daqui a uns anos, um agradecimento por estes lhe deixarem algo tão importante como oliveiras, nogueiras ou figueiras. Vi que poucos pretendem voltar a trazer aquela memória em que se montava um balancé de corda num carvalho centenário. Algum de vós andou num balancé pendurado num eucalipto?! Bem me parecia...
Percebo efectivamente que poucos são os que pensam na sua comunidade, daí andar bem preocupado com este sinal dos tempos. Agrava o facto da crise estar a acentuar este tipo de mentalidades formatadas por interesses económicos que, passo a passo, vão tomando conta de tudo e de todos. 
Diria eu, aqueles que se queixam do estado do país, que têm o país que fizeram por merecer. No que me toca, eu estou de consciência tranquila, pois apesar de me queixar do estado actual das coisas, faço algo para tentar mitigar o estado actual da região e do país. 
E, para terminar, gostava de pedir aqueles que gostam tanto do eucalipto, que comecem a comer os frutos do mesmo, deixando as azeitonas, os figos, as nozes, as maçãs e outros mais para mim e para todos aqueles que se importam com as comunidades e com o seu território...



18.8.13

Fragmentação e degradação da paisagem cultural de Sicó


Ao passar por este local, tive mesmo de parar o carro, de forma a fotografar a coisa. De vez em quando gosto de ir sem rumo pela região de Sicó e, ao me deparar com factos pertinentes, registar os mesmos com a máquina fotográfica. Isto permite que tenha imagens sobre assuntos concretos, de forma a que os possa debater aqui no azinheiragate com todos vós.
Uma das questões que mais me choca na região de Sicó, no que concerne à sua paisagem, tem a ver com a sua evidente e preocupante descaracterização e fragmentação, algo que aos poucos vai retirando valor a esta paisagem. Tornar o belo em algo vulgar é preocupante numa região onde a paisagem cultural tem expressão evidente e valiosa.
A construção de muros é um dos muitos problemas que tem ameaçado e degradado a paisagem desta região, tão pomposamente publicitada pelos nossos autarcas. Fala-se que a paisagem é uma mais-valia, no entanto, e na prática, pouco se faz para mitigar boa parte dos problemas que degradam esta mesma paisagem.
Vê-se de tudo, desde meros muros foleiros, muros sem nexo, muros onde não os devia haver e muros que apenas alegram o ego de quem tem dois palmos de terra. Nos PDM´s nada se faz para evitar aquilo que retira mais-valias à paisagem.
Esta fotografia mostra isso mesmo, pois havendo possibilidade de fazer ali um muro que não choque com a paisagem, ou seja integrado na mesma, faz-se um muro que não passa de um mamarracho paisagístico. Quase ninguém se importa com isto, menos sendo os que, como eu, manifestam o seu desagrado com o facto, justificando o porquê do mesmo.
Importa ponderar bem esta questão, pois daqui a uns anos, e por este ritmo, as diferenças serão colossais, para pior. Nessa altura muitos irão pensar como foi possível tal descaracterizar a paisagem sem que se tivesse feito algo para proteger a sua integridade de paisagem cultural, mas aí será tarde demais...

13.8.13

Vandalismo e esquecimento: duas duras realidades perante o património


Vandalismo sobre o património não é algo que seja propriamente recente, no entanto só de vez em quando é que as vozes se levantam perante tal atentado sobre o património. Recentemente isso aconteceu em Ansião, num dos monumentos mais importantes em termos históricos. É de lamentar que isto aconteça, seja isso onde for. Quem for apanhado, que será concerteza o caso, não levará o castigo que merece, pois quanto a mim merecia umas semanas ou meses na prisão, para ver como elas custam. Isto sem contar com serviço comunitário.
Este caso é apenas um de muitos, no entanto, dado o monumento em causa, teve um impacto muito maior. Compreende-se e é bom que assim seja, no entanto há muito outro património que é algo de vandalismo, o qual também acontece derivado do esquecimento deste mesmo património por parte das populações. Muito já desapareceu e não volta, no entanto há outro que está em risco e que se pode preservar. É a nossa identidade, a nossa memória que está em causa, será que não vale a pena pugnar por todo este património?
Quem é de Ansião, ou pelo menos que anda por lá muitas vezes, saberá reconhecer o local que a fotografia pretende mostrar. Como se diz, uma imagem vale mais do que mil palavras e esta imagem mostra muita coisa. Vandalismo, sobre a forma de grafitti, e esquecimento crónico, sobre a forma de vegetação, alcatrão e outros mais.
Este último exemplo é apenas um entre muitos, pois basta mergulhar neste território de Sicó para ver isso mesmo. Boa parte das pessoas anda com a cabeça noutras paragens, não prestando atenção a estas "coisas". Muitas delas prestam mais atenção a lixo televisivo, que tem como intuito burrificar o cidadão, do que aquilo que as definiu e que faz parte da sua memória e identidade. É fixe, dizem alguns...
Eu não me conformo com este cenário, cada vez mais comum, daí apelar a todos que se mobilizem em prol do património.