23.7.12

Paisagens electrizadas de Sicó



O motivo pelo qual me debruço agora sobre esta questão, deve-se ao facto de, já por várias vezes, me ter sentido bastante incomodado por, ao tentar tirar uma fotografia panorâmica de Sicó, ter sempre um estorvo no horizonte, não conseguindo assim uma imagem limpa. Alguns até poderiam dizer que isto é normal, no entanto eu não considero isto normal, já que afinal estamos numa região com atributos paisagísticos fabulosos, o que supostamente deveria significar o estar livre de estorvos paisagísticos.
Será que é normal numa região tão extraordinária como Sicó é normal uma pessoa querer tirar uma fotografia e ter sempre uma pedreira, um parque eólico, uma linha de alta tensão ou outro qualquer estorvo paisagístico? 
Estas duas fotografias representam bem o que pretendo dizer, especialmente a primeira. Este exemplo situa-se em Penela, mas não é único. Esta área, em especial, considero-a uma das mais bonitas da região de Sicó.
Poderia alongar-me aqui mais umas linhas, no entanto deixo "apenas" o apelo para que nos próximos tempos vejam bem à vossa volta e reflictam sobre esta importante questão. Não basta dizer que se gosta de Sicó, há que defender a região de tudo aquilo que a prejudica gravemente e que fere de forma muito objectiva os seus muitos atributos patrimoniais.
Sicó anda a perder partes significativas dos seus belos atributos, o que significa más notícias para todos os que cá vivem e para todos aqueles que cá podem vir. Pensem nisso sff...


18.7.12

Os poços de Sicó



Há os feios, os perigosos, os bonitos, os seguros, os pequenos, os grandes, os práticos, os elaborados, os mórbidos, etc, etc, etc. Falo, claro, dos poços de Sicó. 
Acima de tudo há aqueles que contam uma história de várias décadas, mesmo que a maioria não a saiba percepcionar no seu todo. Não os conheço todos nem nunca conhecerei, no entanto uma coisa sei, a que conheço muitos. Há um, em especial, que embora não conheça, sei que será dos mais belos da região de Sicó, garantia de um amigo meu. Espero que brevemente possa ter a oportunidade de o visitar.




Nestes poços vêm-se pequenos grandes pormenores (lembram-se disto?!), os quais contam histórias de tempos onde não era normal considerar-se o poço como algo perigoso e feio, onde o poço tinha efectivamente uma função prática fundamental. Hoje em dia isso já não acontece em grande parte, pois parte significativa dos poços está votada ao abandono, resultado do dito desenvolvimento.
É pena que assim sejam, pois temos muito a aprender com os poços de Sicó e com tudo aquilo que está associado a este universo patrimonial, nomeadamente práticas agrícolas, a água e modo de vida.
Há vários meses atrás falei até do roubo de alguns dos elementos patrimoniais relacionados com os poços de Sicó:
Felizmente que algumas ainda se mantêm no seu posto, livres de roubos perpetrados por gente que mais tarde acaba por os colocar á venda na internet, de forma impune...


Esta última fotografia é de um dos maiores e mais bonitos poços de pedra que conheço, o qual tem esta bela escadaria, que hoje em dia só é utilizada quando curiosos como eu a tenta descer.
A questão dos poços de Sicó é apenas mais uma das milhares de variáveis que deveria entrar naquela que pode bem ser uma bonita equação, o desenvolvimento territorial.
Só para terminar, quando, no início, me referi aos poços mórbidos, quis, de uma forma sublime, referir-me à triste realidade que ainda é algumas pessoas utilizarem poços para se suicidarem, algo que nos deveria fazer pensar bem no valor das coisas e da vida. Há que valorizar mais a vida, a nossa gente e os nossos poços...

13.7.12

Quintas de Sicó: episódio nº 2



E finalmente lá arranjei tempo para mais uma ronda pelas Quintas de Sicó, algo que aprecio de sobremaneira. Relembro que o intuito principal das "Quintas de Sicó" é o de alertar para o facto de, apesar de termos um valoroso património construído por toda a região de Sicó, o estarmos a menosprezar enquanto mais valia territorial e cultural. Isto reflecte-se, também, no estado de muitos destes edifícios com história. 

  

Outro intuito é o de tentar contribuir para que os naturais de Sicó valorizem uma arquitectura que fala por si em termos de beleza e história. Mas não só, também pretendo chegar aqueles que não são naturais de Sicó e que por algum motivo sentem que esta é uma região para apostar em termos pessoais ou profissionais. Isto porque nunca se sabe se daqui não surge uma paixão por Sicó e, assim, se recupera alguma Quinta ou Casarão de Sicó, valorizando o que é regional.
E não, não é algo impossível, é algo que vos posso garantir que é possível...
Em tempos de crise há boas oportunidades, portanto aqui está uma delas, basta mergulharem no território e descobrirem algumas destas Quintas de Sicó. Destas 4, conheço pessoalmente apenas uma, no entanto admiro exteriormente qualquer uma delas pela sua beleza.


Naturalmente que também pretendo alertar para a necessidade de reabilitação do edificado existente. Há muito por onde reabilitar e há muitas oportunidades que algumas empresas de construção poderiam aproveitar. Se assim tivesse sido, várias empresas não teriam tido de fechar, pois preferiram fechar os olhos e seguir o caminho mais fácil...
Muitos seguem o caminho mais fácil e depois arrependem-se. No que concerne aos que cá vivem, é um facto que poucos são os que apostam na reabilitação do edificado, preferindo as "caixas de fósforo" sem alma, feitas de betão, tijolo e tijoleira. Há que desmistificar que recuperar casas antigas não é careiro como dizem, há apenas que fazer escolhas acertadas. Se podendo ter uma casa antiga recuperada ao mesmo preço do que uma "caixa de fósforo", tendo maior qualidade de vida, porque se continua a apostar no caminho errado? Não há nada como uma casa com alma e com história!
Poucos são os que fazem questão em manter de pé algumas destas Quintas de Sicó, a esses os meus parabéns por manterem parte da alma de Sicó.


9.7.12

Geovândalos TT de Sicó


E lá me deparei, mais uma vez, com o triste cenário... 
Mais uma vez volto a chamar à atenção para um problema real e que prejudica cada vez mais a região de Sicó, ou seja o geovandalismo promovido por meia dúzia de marmelos que acha graça andar a fazer coisas erradas no local errado. Geovândalos, é este o termo que também sugiro que se utilize quando alguns marmelos do todo-o-terreno façam o que se vê nesta fotografia.
Porque não vão estes marmelos para outras paragens? Porque não vão eles ali para o meio dos eucaliptais do Maciço Antigo, onde pouco há que estragar? Porque se tolera isto numa área tão rica e, contudo, tão frágil em termos ambientais como é Sicó?
Porque dizem estes marmelos que gostam da terra quando afinal a degradam de forma gratuita e inaceitável? Se gostam de TT tudo bem, não sou fundamentalista, mas ao menos que o façam em locais próprios ou em locais onde as consequências sejam diminutas.
É triste ver que, cada vez mais, surgem estas feridas na paisagem, feridas estas provocadas por gente sem consciência e sem paixão por Sicó. Há que apelar a todos para que não tolerem nem apoiem algo que degrada a olhos vistos locais extremamente belos como é este o caso. Há que punir severamente quem faz isto, a bem de Sicó!

5.7.12

Os pequenos grandes pormenores do património


Não, não é engano, o título deste comentário é assim mesmo. Á primeira vista as pessoas observam esta fotografia e, aquelas que até sabem algo, dizem logo que esta é uma estrutura associada ao abastecimento de água de outros tempos. É obvio que é isso mesmo, mas não é o óbvio que pretendo abordar, é sim aquele pequeno pormenor que passa ao lado da maior parte de vós...
É certo que o pormenor que pretendo salientar até pode estar à vista de todos, no entanto só os olhares mais atentos é que param para pensar e, daí, elaborar um raciocínio lógico dedutivo no domínio da vasta temática que é o património.
Olhando bem para aqueles pilares, o que vêm nos mesmos? Simples, umas pedras saídas para fora, as quais não são mais do que degraus, à antiga, que de uma forma simples e eficaz faziam o seu trabalho. Estes degraus são algo que, para mim, tem um significado muito próprio, o conhecimento dos antigos, em épocas em que estes não ligavam o complicómetro quando precisavam de fazer as coisas.
Hoje em dia, para fazer as coisas mais simples, ligamos o complicómetro e debatemo-nos a fazer algo que, sendo simples, se torna no final complicado. Na lógica de um qualquer vendedor, para fazer uma infraestrutura destas, além de toneladas de betão, ferro e afins, seria necessário uma escada em cada um dos pilares de betão construídos nessa obra faraónica. Além disto ainda iria surgir uma qualquer entidade a dizer que aquilo tinha de ter condições de segurança e isso significaria mais qualquer coisa a fazer, mais um gasto evitado de matéria prima. 
Este último ponto pretende acima de tudo demonstrar que, muitas vezes, não vale a pena complicar o que é fácil, que se podem utilizar recursos de forma sustentada e racional. Já se questionaram acerca dos muitos porquês da crise? Também por isto...
Obviamente que a questão patrimonial está também bem presente, esperando eu que com este breve contributo muitos possam começar a olhar com olhos de ver aqueles pequenos grandes pormenores que fazem toda a diferença. Numa região tão rica em termos patrimoniais, como é o caso de Sicó, os pequenos grande pormenores estão em cada esquina, em cada recanto, bastando focar a nossa atenção naquilo que realmente é importante e não naquilo que é supérfluo e inconsequente.
No próximo passeio por Sicó, ou mesmo no vosso dia-a-dia, reparem nos pormenores e deliciem-se com esses pequenos grandes pormenores, é esse o meu conselho.

26.6.12

Confrarias de Sicó & Lda

Nunca escondi que, genericamente, não aprecio muito a filosofia por detrás das ditas Confrarias, sejam elas do que forem. Isto acontece por um motivo muito simples, o de que considero que estas servem mais para o culto dos confrades (do seu ego e das suas personalidades) do que para a promoção de produtos, tradições e afins. Dito de uma outra forma, as Confrarias são muitas vezes como as revistas VIP, as quais servem apenas para mostrar as vidas supérfluas dos ditos VIP´s. 
Resumindo, algumas Confrarias são quase que lobos com pele de cordeiros, servindo concreta e objectivamente para outros fins que não a promoção daquilo a que supostamente se propõem. Se observarmos as listas de muitas destas Confrarias, vemos que os Confrades são basicamente políticos, Eng.´s e afins, quase todos na busca de protagonismo, comes e bebes e pouco mais. Uns estão no início de carreira e, assim têm um impulso em termos de imagem e outros estão no fim da linha, precisando assim de uma espécie de bóia para se manterem à tona em busca de protagonismo.
Curioso nisto tudo é que quem, muitas vezes, faz parte destas Confrarias é precisamente aquela gente que mais contribuiu para o fim de muitas tradições e para a degradação e perda de muito do património local e regional. Para isso contribuíram com políticas supérfluas e estereotipadas que, no final, extinguem o património que fez de Sicó o que ainda é actualmente, uma região fantástica.
Se virmos bem, aqueles que são o garante da, até agora, continuidade de muitos produtos regionais, bem como tradições várias, nunca chegam a ser Confrades, porque será? Eu sei a resposta, mas ela é incómoda para muitos Lic.´s e Eng.´s ...
Muitas pessoas não se apercebem de muito daquilo que se passa em Sicó, por isso mesmo é que gosto sempre de salientar questões como esta. 
Como pode alguém afirmar-se honestamente Confrade da Confraria X ou Y quando afinal é o responsável por políticas que asfixiam e matam o património regional? Na vida real promovem-se políticas concretas de homogeinização de usos e costumes, enquanto que naqueles ambientes fabricados de muitas Confrarias vem-se com o bonito e, muitas vezes, supérfluo e inconsequente discurso do apelo à terra e à identidade. Há aqui dicotomias que importa compreender, a bem de Sicó.
Que legitimidade tem esta gente para promover e divulgar o património? Será que tem alguma lógica alguém fazer-se de "defensor da pátria", por um lado, e por outro promover políticas que condenam esta mesma "pátria" a um desvirtuar sem limites? Será que faz sentido manter os usos e tradições quase que apenas numa lógica circense? Para quê potenciar o interesse de outros povos pelos atributos culturais e patrimoniais de um território se estes mesmos atributos estão condenados, a curto prazo, pelas políticas estereotipadas destes Confrades? São pontos sobre os quais urge reflectir...
O respeito, o honrar e o divulgar da memória colectiva faz-se através de políticas que visem a manutenção da mesma, não numa óptica de imobilidade, mas sim de evolução natural, pois a cultura não é estática, é sim dinâmica. 
O respeito pela cultura não é dizer que se respeita a mesma, muitas vezes apenas à frente da imprensa, o respeito pela cultura não é chamar o senhor "António" ou a senhora "Maria" a um gabinete onde apenas se fala das coisas e escreve num papel. O respeito pela cultura é o conhecimento concreto do território e tudo o que a ele está associado, pois só desta forma se pode promover o desenvolvimento territorial. 
Como pode alguém que não sabe no concreto o que é uma enchada, tentar armar-se em alguém que pensa que pode ensinar aqueles que sabem efectivamente o que é uma enchada? Como pode alguém que anda sempre de "sapatos de verniz" dizer a quem anda sempre de "botas da terra" como se trabalha a terra? 
O conhecimento e a sabedoria não se cozinham num gabinete, estes surgem do contacto diário com a terra, com as pessoas, com a cultura e com o património!
As Confrarias podem e devem ser um poderoso instrumento (um de muitos) que, quando bem utilizado pode ter resultados notáveis em prol da região de Sicó e de tudo aquilo de extraordinário esta tem em termos culturais e patrimoniais, o problema é que, genericamente falando, estas confundem-se demasiadas vezes com uma qualquer feira das vaidades...