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18.9.13

Longe de nada, perto de tudo



Como já disse mais do que uma vez, um dos defeitos que temos é andar sempre do local X para o local Y, sem que, contudo, passemos pelo lugar Z. Apenas quem domina a linguagem geográfica poderá perceber bem o que quis dizer com isto do X, Y e do Z.
Indo então à questão, eu gosto muito do Z, pois ali há uma coisa importante, a dimensão dos lugares. Estive para colocar um título diferente a este comentário, seria "O lugar dos lugares", no entanto, e à última da hora, decidi não ir pelo mais óbvio, mas sim colocar dimensão no título.
Estas duas fotografias são do lugar do Zambujal, em Condeixa-a-Nova. Apesar deste ser muito próximo a Condeixa e, mesmo de Coimbra, é um lugar que, aparentemente está longe de tudo e perto de nada. Muito poucos são aqueles que, no seu trajecto normal, por aqueles lados, fazem o desvio para visitar este lugar, algo de muito comum na região de Sicó. O óbvio acaba por passar despercebido, já que estamos formatados para ir do lugar X ao lugar Y sem pensar muito.
Lugares como este há muitos por toda a região, e o cenário de vazio é comum na grande maioria deles. As políticas desenvolvidas nas últimas décadas favoreceram apenas uma coisa, o esvaziamento destes lugares a favor das cidades, mesmo que boa parte das pessoas esteja "enjaulada" em apartamentos sem alma, sem história e sem sentimentos. Alma, história e sentimentos é um recurso que lugares como o Zambujal têm para dar e vender, no entanto há cada vez menos compradores. Os velhotes vão morrendo e os novos desaparecendo destes lugares, fazendo com que muitos destes estejam literalmente  condenados a desaparecer em poucas décadas. Falo, claro, de lugares como este, não daqueles onde a última pessoa já foi para outras paragens.
Agora pergunto eu, porque não aproveitamos estes lugares, voltando a ocupá-los, voltando a dar-lhe sentido e voltando a cultivar todos aqueles terrenos em redor dos mesmos?
As políticas actuais atentam contra isto mesmo, por mais estranho que pareça. Tudo está feito para que seja mais fácil fazer o mais difícil, ou seja mais fácil construir de novo, muitas vezes em terrenos dantes agrícolas, do que reabilitar o velho.
Mais revoltado fico quando vejo os nossos políticos a vitimizarem-se, dizendo que a culpa não é deles. Então a as políticas de reclassificação de solos, que também ajudaram a este sangrar de pessoas destes lugares? Então as oportunidades alicerçadas nesta riqueza fenomenal? Será que é melhor "empurrar" o pessoal para as cidades, onde as coisas já não são como eram, onde se vive em total dependência de um ordenado?
A balança devia estar equilibrada, de um lado as cidades, do outro o campo, no entanto a balança está cada vez mais perigosamente a pender para o lado das cidades. Imaginem agora como será a esmagadora maioria de nós na mão de interesses económicos, numa qualquer cidade, vivendo numa total dependência de modas. Nós podemos viver independentemente de modas, e até as podemos criar a partir destes lugares catitas. Há que regressar ao campo, não ao campo de antigamente, mas ao campo actual, o qual está longe de nada e perto de tudo!


13.7.12

Quintas de Sicó: episódio nº 2



E finalmente lá arranjei tempo para mais uma ronda pelas Quintas de Sicó, algo que aprecio de sobremaneira. Relembro que o intuito principal das "Quintas de Sicó" é o de alertar para o facto de, apesar de termos um valoroso património construído por toda a região de Sicó, o estarmos a menosprezar enquanto mais valia territorial e cultural. Isto reflecte-se, também, no estado de muitos destes edifícios com história. 

  

Outro intuito é o de tentar contribuir para que os naturais de Sicó valorizem uma arquitectura que fala por si em termos de beleza e história. Mas não só, também pretendo chegar aqueles que não são naturais de Sicó e que por algum motivo sentem que esta é uma região para apostar em termos pessoais ou profissionais. Isto porque nunca se sabe se daqui não surge uma paixão por Sicó e, assim, se recupera alguma Quinta ou Casarão de Sicó, valorizando o que é regional.
E não, não é algo impossível, é algo que vos posso garantir que é possível...
Em tempos de crise há boas oportunidades, portanto aqui está uma delas, basta mergulharem no território e descobrirem algumas destas Quintas de Sicó. Destas 4, conheço pessoalmente apenas uma, no entanto admiro exteriormente qualquer uma delas pela sua beleza.


Naturalmente que também pretendo alertar para a necessidade de reabilitação do edificado existente. Há muito por onde reabilitar e há muitas oportunidades que algumas empresas de construção poderiam aproveitar. Se assim tivesse sido, várias empresas não teriam tido de fechar, pois preferiram fechar os olhos e seguir o caminho mais fácil...
Muitos seguem o caminho mais fácil e depois arrependem-se. No que concerne aos que cá vivem, é um facto que poucos são os que apostam na reabilitação do edificado, preferindo as "caixas de fósforo" sem alma, feitas de betão, tijolo e tijoleira. Há que desmistificar que recuperar casas antigas não é careiro como dizem, há apenas que fazer escolhas acertadas. Se podendo ter uma casa antiga recuperada ao mesmo preço do que uma "caixa de fósforo", tendo maior qualidade de vida, porque se continua a apostar no caminho errado? Não há nada como uma casa com alma e com história!
Poucos são os que fazem questão em manter de pé algumas destas Quintas de Sicó, a esses os meus parabéns por manterem parte da alma de Sicó.