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10.10.13

O carrasco de Sicó: crónica de um invasor


Lembro-me bem da década de 80, altura em que o eucalipto começou a invadir um território que não era o seu. Lembro-me que foi nessa altura que extensas áreas de pinheiro arderam, dando lugar a este invasor. Passaram mais de 3 décadas e, também na região de Sicó, este invasor ganhou uma posição perigosa, destruindo com isso extensas áreas de floresta. Lembro os menos informados que uma área de eucaliptal não é floresta, é sim monocultura, facto que faz toda a diferença. Pinheiros, carvalhos, azinheiras, sobreiros, medronheiros, todos estes foram gravemente afectados com isso, obviamente em diferentes graus.
Foi também durante estas últimas décadas que muitos abandonaram ou esqueceram muitos terrenos, os quais antigamente davam sempre rendimento e logo nas mais variadas formas. O gado que pastava por muitos dos terrenos foi também esvanecendo. Toda uma forma de estar neste território foi violentamente afectada em poucos anos. O ordenamento do território foi igualmente esquecido, o que tendo em conta que este é crucial para o desenvolvimento do território, torna-se altamente problemático. 
Tudo isto e muito mais contribuiu para que o comité de boas vindas recebesse com imenso calor este invasor que dá pelo nome de eucalipto. Muitos que deixaram de ligar aos seus terrenos, lembraram-se que seria bom mandar lá uma máquina para preparar o terreno para meter eucaliptos, esquecendo que que isso teria consequências a vários níveis. 
A paisagem começou a transformar-se, o que por si mesmo não é mau, o problema é que dantes a paisagem transformou-se de modo a termos aqui um modo de vida sustentável e agora esta transformou-se para o pessoal plantar eucaliptos e mais nada. Obviamente quando assim é, as coisas só podem correr mal.
O eucalipto é, para mim, desde alguns anos atrás, uma árvore non grata, a qual serve apenas um propósito, a pura ganância de alguns e o interesse económico das celuloses. Alguns ganham uns trocos, mas todos perdem muito mais. Pessoalmente considero que o eucalipto devia pagar um imposto elevado, pois sendo este meramente para o ganho financeiro, é justo que assim seja. Outras árvores, caso do carvalho, oliveira, nogueira ou outros mais, servem vários propósitos e não apenas um, é essa a minha justificação.
Curioso que várias pessoas, na ânsia de ganhar dinheiro, não têm ganho nenhum, pois os seus eucaliptais ardem regularmente...
Curioso ver outras pessoas, (mal) mascaradas de "ambientalistas", são acérrimas defensoras do eucalipto, quiçá por trabalharem com as celuloses. Meros mercenários pintados de verde cor de alface.
O eucalipto tem sido um dos carrascos da região de Sicó e mesmo assim continuamos a insistir em plantar. Vejo pessoas que sabem das consequências negativas de plantar eucaliptos, em áreas sem apetência para isso, e que estão-se a marimbar, pois só vêm dinheiro à frente, só vêm o seu interesse primeiro, esquecendo-se que vivem em comunidade e que o egoísmo não dá bom resultado. Há também aqueles que plantam eucaliptos dentro do perímetro de protecção de nascentes e depois, como se diz na gíria, mamam a bucha, com a bela multa. A água é um bem precioso, portanto tem de ser bem protegida!
Eu vejo uma tragédia onde plantam eucaliptos, pois basta olhar com atenção para perceber isto mesmo. Não é fácil, pois exige algum conhecimento e, acima de tudo, atenção, mas é possível. A introdução deste invasor num mosaico florestal altamente fragmentado é algo de trágico e que potencia, em termos de velocidade e perigosidade, os incêndios e as suas consequências. Lembram-se daquele incêndio de 2012, Pombal-Ourém? Sim, esse mesmo, que consumiu uns 6000 hectares. Se não houvesse tanto eucalipto por ali, as consequências teriam sido outras. O eucalipto ali é rei, portanto essa conversa do mato limpo, aqui, não colhe. O eucalipto representa risco de incêndio muito superior, especialmente em áreas de minifúndio, como é o nosso caso. É perigoso para todos, especialmente para aqueles que têm de o apagar. Eu pessoalmente pouco arrisco quando estão eucaliptos a arder. Os donos que arrisquem, pois o lucro é deles e a vida é minha. 
Por esta altura o pessoa já esqueceu os incêndios, para o ano há mais, no entanto parte significativa das consequências ocorre agora, caso do arrastamento e consequente perda de solo. Isto onde o há, pois há pessoal que o planta seja onde for.
O comité de boas vindas, que continua a receber todos os anos o eucalipto, deve estar confuso, é que o calor vem todo do eucalipto...

20.2.13

A bela e o monstro


Não, não é nenhum engano. Este Calendário, editado pela Câmara Municipal de Ansião, em 2012, está aqui propositadamente. Dei com o que acaba por ser um erro grave, já há alguns meses, mas estava a aguardar pela altura mais indicada para fazer um breve apontamento.
Admito que quem fez esta capa não se tenha apercebido da asneira que fez, daí a chamada de atenção pedagógica e construtiva.
Já aqui falei algumas (poucas) vezes da problemática associada às plantas invasoras, as quais degradam a biodiverdidade da região de Sicó (e não só). Vale a pena ver o seguinte site, a propósito das invasoras:
Indo directamente à questão, é um erro grave utilizar-se uma planta invasora (mimosas) como "imagem de marca", seja em que campanha for, seja em que formato for, neste caso no Calendário que a Câmara Municipal de Ansião edita todos os meses. Há que ter cuidado e não colocar algo que sendo bonito, acaba por ser efectivamente um monstro predatório da nossa biodiversidade.
Por esta altura as mimosas estão amarelinhas, tal como a capa do Calendário mostra. Facilmente todos se podem aperceber da expansão que estes monstros têm por Sicó e não só. O melhor que têm a fazer, no caso de terem destes monstros nos vossos terrenos, é mesmo eliminar tais monstros. Será útil informarem-se sobre a melhor forma de os eliminar, pois não é fácil. Aprendi isso mesmo num campo de trabalho associado às invasoras, há alguns anos atrás.
Um dia irei tentar organizar um campo de trabalho semelhante na região de Sicó, mas não será antes de 2014. A razão é simples, é de grande importância que se faça algo do género, pois as invasoras são um problema bem real e que tem passado ao lado das entidades públicas. Há que dinamizar!
Fica então a chamada de atenção para algo que não deve ficar esquecido. Há que lembrar que nem sempre o mais bonito acaba por ser realmente bonito e positivo...

10.10.10

Leitura obrigatória no domínio da biodiversidade


Da última vez que falei sobre a questão da biodiversidade prometi que o faria, portanto destaco agora um manual obrigatório para todas as pessoas que se interessam pela temática da vegetação.
Reparo muitas vezes que há pessoas que, mesmo com boa intenção, cometem erros que se podem pagar caros no que concerne à preservação da rica biodiversidade da região de Sicó (e não só...). Estes erros devem-se, fundamentalmente, devido à falta de informação sobre algo tão importante como são as espécies autóctones, além de outras espécies a que genericamente são denominadas por invasoras.
Vê-se muitas pessoas a comprar nos mercados espécies que nunca deveriam estar à venda de forma livre, algo que tem comprometido em certa medida um futuro risonho para as nossas espécies.
Por isso nada melhor do que alertar para a gravíssima problemática que são as espécies invasoras. O manual que agora destaco é uma obra fundamental neste domínio, que pode ajudar de sobremaneira a mitigar, de alguma forma, este problema. Pessoas informadas significam uma força de acção importante para que as coisas se possam começar a resolver.
As bibliotecas de Ansião e Alvaiázere têm este manual, sobre as outras bibliotecas da região de Sicó não estou informado, mas nada melhor do que fazerem uma visita a estes locais de cultura e questionarem as mesmas.
Há também outra opção, que serve como complemento a esta obra de excelência, são fichas para a identificação e controlo, as quais podem ser encontradas em:
Em vez de perderem tanto tempo há frente da televisão a ver conteúdos supérfluos, sugiro-vos vivamente a consulta destes importantes documentos.
Para finalizar deixo-vos mais uma vez com um link obrigatório:

8.3.10

Plantas invasoras na região de Sicó


É sem dúvida alguma uma das maiores ameaças ao nosso património biológico, as plantas invasoras, mas será que esta é uma ameaça reconhecida pelas entidades da região?
Sinceramente e falando em termos práticos não, pouco ou nada se fala sobre este grande problema e ainda menos se faz para mitigar uma invasão que começou já há algum tempo, tendo avançado sem que muitos se tenham apercebido.
Uma das plantas invasoras mais conhecidas e por isso mais fáceis de falar para ilustrar este problema são as mimosas, amarelinhas nesta altura, mas terríveis na sua acção nos ecossistemas.
Para quem não conhece, existe um site próprio que aconselho vivamente:


Através deste site podem ver o que são as plantas invasoras, o problema que elas representam em tudo aquilo que afinal é necessário fazer para mitigar o problema. Muitas vezes acontece que muitas pessoas vão aos mercados e compram plantas invasoras sem sequer saber, mesmo que os vendedores comercializem ilegalmente as espécies invasoras, algo que só acontece por falta de informação e fiscalização.
Numa região onde a biodiversidade é um dos ícones, mesmo que pouco trabalhado, este problema (espécies invasoras) assume-se cada vez mais como uma luta de todos nós. Por esta altura poucos sabem o que pode significar uma invasão de espécies invasoras e todos os impactos associados, algo que é precisamente o reflexo da falta de informação.

No Ano Internacional da Biodiversidade importa trazer este tema à agenda para que em pouco tempo a sociedade da região de Sicó se comece a mobilizar para este drama. Quanto mais tarde acordarmos para o problema pior irá ser...
Confesso que esta questão não é propriamente apelativa para muitos de vós, mas isso não deverá ser um entrave para que se faça algo que vise a reversão do problema.
Lembro-me bem, no tempo da licenciatura, da chatice que era saber os nomes das plantas, não o nome pelo qual conhecemos muitas espécies, mas sim o nome científico. Mas isso nunca me impediu de tentar aprender mais sobre questões associadas às plantas, nomeadamente plantas invasoras.

Foi em 2008 que tive a oportunidade de aprender muito sobre plantas invasoras, foi no 5º Campo de Trabalho Científico (CTC) sobre “Controlo de Espécies Vegetais Invasoras”, Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor (APPSA), 15 a 20 de Março de 2008. Foi uma semana bem interessante (e intensa) onde um grupo de jovens como eu aprendeu a lidar com esta questão.
Penso que é altura de na região de Sicó se pensar em acções deste género, já que basta uma volta atenta pela região para ver alguns focos de plantas invasoras bastante preocupantes.
Desculpem o texto hoje não estar tão inspirado, mas é um tema muito complexo e além disso ando um bocado cansado com o trabalho associado ao Limpar Portugal (em Ansião está a correr muito bem!) e também com o meu trabalho propriamente dito (isto de passar o dia a trabalhar num computador deixa-nos em baixo, venha o trabalho de campo!).