Mostrar mensagens com a etiqueta PDICE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PDICE. Mostrar todas as mensagens

26.10.09

A instrumentalização de planos de desenvolvimento locais

Os planos de desenvolvimento local, são um dos instrumentos mais importantes para a aplicação e desenvolvimento de políticas que visam fundamentalmente o desenvolvimento local e regional. A definição de linhas estratégicas é algo de estruturante para cada um dos municípios da região de Sicó (e não só...), mas apesar disso, este tipo de planos tem de ser feito com cabeça, tronco e membros.
Os planos estratégicos, são talvez os mais conhecidos neste âmbito, mas actualmente têm-lhes dado nomes mais pomposos, talvez para fugir à rotina.

Na região de Sicó, mesmo apesar de haver uma Associação de Desenvolvimento (Terras de Sicó), não se vislumbra algo de concreto no que concerne à implementação de uma estratégia comum a toda a região, facto mais importante do que cada um dos planos de desenvolvimento locais pensado para cada um dos municípios. Sendo uma região com uma alma comum, não é aceitável que cada um dos municípios tenha o seu próprio plano desenvolvimento, separado ermeticamente dos outros municípios, devia sim existir algo que complementasse, a nível concelhio, um plano regional de desenvolvimento baseado nas mais do que conhecidas e reconhecidas características naturais e culturais da região.

Por vezes oiço dizer que há isto e aquilo, mas quando se analisam os factos pouco ou nada há para ver, falando, obviamente, na existência de algo que se compadeça com um plano de desenvolvimento para a região de Sicó. O que se observa é a defesa de cada uma das capelinhas (municípios) da parte de cada um dos autarcas, os quais curiosamente... mandam na dita Associação de Desenvolvimento.

Por isto mesmo é fácil perceber o insucesso não só da região, bem como de cada um dos municípios no que toca à defesa, promoção e valorização do rico património que é de todos.

Falando agora num caso concreto, onde se assiste a uma mais do que evidente politização negativa de um plano de desenvolvimento, passo a destacar, pela negativa o Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendorismo para o Município de Alvaiázere - PDICE.

Este plano tem uma história que alguns querem esconder, mas como eu estou cá para denunciar casos que prejudicam a região de Sicó, obviamente que faço questão em "destapar a manta".
Os factos, sei-os por um motivo muito simples, à data de início do processo eu trabalhava em Alvaiázere e, por isso, sei a história que é do interesse público.
Inicialmente, quando Paulo Tito Morgado teve a ideia de elaborar um plano estratégico, facilmente chegou à conclusão que valia a pena contratar os melhores. Na altura fiquei positivamente surpreendido porque uma das pessoas da equipe contratada era nem mais nem menos do que um dos principais especialistas de Portugal, no que se refere à elaboração de planos estratégicos. O Professor Carlos Silva é uma pessoa que efectivamente sabe o que faz, sendo-lhe reconhecidas qualidades referência neste domínio, Leccionou em várias faculdades, foi, inclusivé, meu professor na discuplina de Ordenamento e Gestão do Território, onde um dos pontos chave da disciplina é a elaboração de um pequeno Plano Estratégico (na altura efectuei um para Ansião).

A pessoa com a qual foram feitas reuniões em Alvaiázere, na ADECA, foi um docente do Instituto Politécnico de Tomar, que fazia parte da equipa. Foram-me delegadas algumas competências neste âmbito, tendo eu desenvolvido ao longo de algumas semanas, conteúdos próprios para a inclusão desta informação na elaboração de um plano estratégico para Alvaiázere, algo que me entusiasmou bastante, confesso.
Passados dois ou três meses, o contacto deixou de se efectuar, não sabendo eu o porquê da situação, algo que estranhei bastante. A determinado momento parecia que era tabu falar nesta questão.
Passado muito pouco tempo, soube, por uma pessoa, que tinha sido contratada outra empresa para efectuar este mesmo estudo, algo que me baralhou. Nunca mais ninguém me questionou sobre esta questão.

Houve factos, sem dúvida muito estranhos, o primeiro é que aos alvaiazerenses, só lhes foi pedida opinião quando o estudo já estava feito (mas não apresentado publicamente), revelando-se algo de estranho porque um dos pré-requisitos para a elaboração de um estudo deste género é precisamente a participação pública. Mais concretamente os alvaiazerenses deviam ter sido consultados no início do processo, algo de pouco ético. Apenas algumas pessoas e entidades, próximas do autarca local participaram no processo, sendo algo a lamentar profundamente.

Outro facto muito estranho é que na apresentação do plano (PD-ICE), uma das pessoas presentes era nada mais nada menos do que uma ex figura do PSD nacional, será isto normal?
Ficava uma dúvida no ar, já que era, no mínimo estranho, ter sido escolhida uma empresa ligada de alguma forma a pessoas de relevo da mesma cor política de Paulo Tito Morgado.
Tive, na altura a possibilidade de analisar o documento e, honestamente posso dizer que a qualidade deixa muito a desejar, já que facilmente se detectam falhas graves e pouco aceitáveis, apenas possíveis porque o que é referido como "mergulho no território" foi apenas um molhar de pés no Olho do Tordo.

Como é que se fundamenta, a nível ambiental, que a estratégia passe por a utilização turística de um abrigo nacional de morcegos, área não visitável? Ou então que se diga que um local que está em risco de desmoronamento, caso das minas da porta, seja uma boa aposta?
Confesso que uma das coisas que mais me fez rir, foi quando li no documento que os geoparques são um bom exemplo, no que concerne ao desenvolvimento local. Não porque não o sejam, mas sim porque eu já o dizia muito tempo antes da elaboração daquele estudo, ou também por ter organizado um colóquio regional a demonstrar isto mesmo, através da... Câmara Municipal de Alvaiázere, tendo pedido favores pessoais para trazer a Alvaiázere alguns dos maiores especialistas nacionais no ramo. Andar a gastar dinheiro para tentar inventar a roda quando ela ja existe é algo que dá pouca credibilidade a quem o faz.

Chega-se ao cúmulo, neste estudo, de apresentar um geoparque na.... Bulgária, quando afinal a Câmara de Alvaiázere teve oportunidade de assinar um protocolo com um geopark.... português. Basicamente é o que se chama de um tiro no pé e algo que mostra que os ressabiamentos são algo de lamentável da parte de quem os tem, caso de Paulo Tito Morgado.Esta politização de planos é, não só lamentável como inaceitável, pois assim está-se a moldar ás opiniões pessoais planos que não o devem ser. Este tipo de planos deve ter em conta todos e não ser feito à medida de autarcas e das suas ideias megalómanas.

Muitos de vós se lembram de casos em que ex ministros, quando saem dos caros políticos, vão para grandes empresas, ficando sempre a ideia de favorecimentos pouco disfarçados. No que concerne a Paulo Tito Morgado, resta esperar para ver o que se vai passar nos próximos tempos...

18.9.08

Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendorismo para o município de Alvaiázere: pequenas considerações

Queria com este post apenas fazer um breve comentário acerca de algo que representa plenamente algo que é incorrecto do ponto de vista técnico, referindo-me eu ao "Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendorismo para o município de Alvaiázere".

Em primeiro lugar coloco a mensagem que nos é disponibilizada quando consultamos o site da Câmara Municipal de Alvaiázere:
«A Câmara Municipal de Alvaiázere solicita o contributo de todos com ideias, opiniões, sugestões e conselhos para a fase final do Programa Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo para o município de Alvaiázere.
Os interessados poderão fazê-lo para o seguinte endereço:
pd-ice@cm-alvaiazere.pt»

in: http://www.cm-alvaiazere.pt/

Numa primeira abordagem parece uma informação útil, algo que se confirma, mas analisando a questão no seu todo, não posso deixar de criticar veemente e de uma forma construtiva a forma de como foi tratada esta questão. Isto porque num estudo deste género, os actores locais de desenvolvimento, bem como os cidadãos devem ser ouvidos no início e não perto do fim do processo.

Apesar de já não trabalhar na Câmara Municipal de Alvaiázere, prezo-a enormemente e continuo pessoa interessada e sempre disse que estava disponível para continuar com algum tipo de colaboração, mesmo que de forma gratuita, infelizmente até hoje nada me foi questionado, apenas algumas pessoas me pediram ajuda "of the record" num ou noutro ponto no que toca às muitas ideias que eu estava a desenvolver e que após 7 de Março de 2008 pura e simplesmente "morreram"...

Curiosamente continuo à minha custa e de forma gratuita a trabalhar em prol das gentes de Alvaiázere, tendo nos últimos 2 anos ido a 6 eventos europeus mostrar algumas das riquezas de Alvaiázere (tendo também alargado a uma pequena área de Ansião esta minha investigação).
Relativamente a este facto, queria salientar que três das vezes que lá fui fora paguei inteiramente do meu bolso e as outras três foram com bolsas da União Europeu (incentivo a jovens investigadores), só para que não haja confusões. Algumas destas vezes a minha bondade foi enorme, já que apenas e só por boa vontade coloquei o nome da Câmara Municipal de Alvaiázere (não é comum colocar-se o nome de uma entidade que não tem a ver com a nossa investigação), sendo um bocado ingénuo, confesso.... Mas como já sabia que depender de políticos é mau para quem é competente e imparcial, preferi pagar do meu bolso para criar independência entre a minha investigação e a falsa política, revelando-se este facto uma excelente opção pós 7 de Março de 2008! Mesmo assim não me arrependo, Alvaiázere e os seus cidadãos ganharam com isso.
Pessoalmente é algo que gosto muito de fazer e tenho o prazer de anunciar que em Outubro vou deslocar-me de novo lá fora para apresentar num congresso europeu ideias e factos sobre valorização e divulgação de Alvaiázere (e Ansião). Apesar deste facto sei que as minhas ideias vão continuar a ser ignoradas pela classe política alvaiazerense, mesmo que a população as apoie fortemente!

Continuando com o cerne da questão, o importante é que é um erro estratégico os cidadãos não terem tido a oportunidade de se expressar como lhes é pedido agora, por isso esta minha chamada de atenção!

Mesmo assim, considero que quem tenha ideias, opiniões ou sugestões para este plano, se expresse e as envie para o endereço referenciado pela Câmara Municipal de Alvaiázere.

Brevemente irei fazer aqui uma análise aprofundada da questão, mostrando vários pontos que demonstram o porquê da falta de afirmação de Alvaiázere a nível regional, mesmo que a nível das Terras de Sicó seja um dos concelhos com maior potencial em termos de desenvolvimento...

Irei também analisar um ponto fundamental, o porquê de em toda a Terras de Sicó haver jovens com muito potencial, alguns com créditos firmados em várias disciplinas e depois contratarem-se pessoas externas sem knowhow sobre a região e valores associados, para elaborar estudos pagos a preço de ouro. Andamos a perder muita massa cinzenta e a perder cérebros para outras regiões do país, só porque o sr político acha que tem de ser assim e acha que devemos analisar os números com frieza, esquecendo-se de algo fundamental:

- Nem as pessoas nem o património devem ser tratados como números, é necessária sensibilidade em muitas questões fundamentais!
Fico à espera do que vai dali sair....