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23.10.15

É estranho, muito estranho...


Fui surpreendido há umas semanas atrás, aquando de mais uma passagem pela Serra da Ameixieira, em Ansião. A razão é simples, um geossítio que eu já tinha inventariado e referenciado em 2007,  foi destruído sem apelo nem agrado. Confesso que não sei quem foi, mas espero vir a saber.
Sim, antes de mais convém referir o que é um geossítio:
"ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade (aflorantes quer em resultado da acção de processos naturais quer devido à intervenção humana), bem delimitado geograficamente e que apresente valor singular do ponto de vista científico, pedagógico, cultural, turístico ou outro;" Brilha, 2005
Este era um geossítio resultante da intervenção humana, colocado à vista derivado da acção uma antiga exploração de lajes calcárias, para pedra de calçada (estou para ver se foi reactivada...). Tinha interesse científico, pedagógico (facilmente visitável pelas escolas mais próximas) e também algum interesse turístico. Interesse? Paleontológico!
Este era um local/geossítio conhecido pelas entidades públicas, daí eu não compreender esta destruição. Pergunto eu agora, para que serve oferecermos o resultado da nossa investigação a entidades públicas se estas muitas vezes não ligam a mesma investigação? Para que serve apresentarmos propostas que visam o desenvolvimento territorial se não levam a sério as nossas propostas? Será que vale mais ser filiado num qualquer partido político do que ser um especialista na matéria? A ver vamos se mais algum geossítio vai à vida, a começar pelo sumidouro situado ali na área da zona industrial do Camporês...


25.11.12

Classificação de geossítios de âmbito municipal


É um tema tão óbvio, mas mesmo tão óbvio, para mim que até o fui deixando passar, até agora... Utilizo duas imagens, uma de um local "muito" conhecido, e a outra de um "desconhecido". Pretendo acima de tudo mostrar que esta questão pode ser vista a escalas muito diferenciadas, daí as pertinentes fotografias.
O primeiro lugar, posso dizer, é o "conhecido" vale das buracas, ou buracas do Casmilo, em Condeixa. Penso que posso afirmar que é mais conhecido por pessoas de fora de Sicó do que pelas pessoas que vivem na região de Sicó, genericamente falando.
Já o segundo lugar, esse não posso dizer mais nada além de que se situa em Alvaiázere, já que além de ser num terreno privado, não tenho a respectiva autorização para divulgar a sua localização. Mesmo que tivesse autorização, dificilmente iria divulgar, já que podia colocar em perigo a integridade do local. Em certos casos é mesmo preferível manter as coisas no segredo dos deuses...
Esta breve introdução serviu para contextualizar o tema que agora pretendo abordar, ou seja a classificação de geossítios de âmbito municipal. Não vou agora abordar a classificação a nível regional, embora pudesse, já que irei tratar separadamente as questões, esta última daqui a mais umas semanas.
Começo pela classificação de geossítios de âmbito municipal, por um motivo muito simples, o de que é a forma de mais rapidamente se iniciar este processo, o qual ainda não teve o seu início em nenhum dos municípios da região de Sicó. Isto mesmo apesar de ser um processo simples em termos de burocracias. Aqui não há pareceres de outras entidades públicas que não as respectivas autarquias, o que facilita de sobremaneira o processo. A Lei, para que se saiba, é a nº107/2001, de 8 de Setembro.
Mas para que precisa Sicó de classificar os seus geossítios, perguntam alguns? Simples, para muita coisa, começando pela sua protecção com vista à valorização.
Geoturismo, já ouviram falar? Tendo os imensos geossítios classificados, pode dar-se então início a uma estratégia que visa, no final, o desenvolvimento territorial.
Há anos atrás, quando lidava com a questão dos locais de interesse geomorfológico, ainda tentei classificar um geossítio, o qual está, parcialmente, à vista de todos, na última foto. Esta e outras pegadas foram avaliadas por uma especialista (paleontóloga), a qual chegou a elaborar um relatório que seria a base para a classificação destas pegadas de dinossaurio a nível municipal. Infelizmente o processo foi metido na gaveta. Porquê? Perguntem a Paulo Tito Morgado, ele lá saberá...
Ainda pensei propor um outro, a fórnia da Ucha, em Ansião, no entanto, mais tarde, foi ali aberta uma aberração de estrada, pseudoflorestal, a qual estragou quaisquer hipótese de classificação desta fórnia.
Quanto à primeira fotografia, a das buracas do Casmilo, essa já representa um geossítio de âmbito regional, para o qual a classificação já será mais burocrática, embora obviamente necessária. Burocrático ou não, é algo que eu considero imperativo, pois temos estas e muitas outras riquezas, e nada é feito para criar uma base a partir da qual se forme uma matriz que sirva, por exemplo, para o geoturismo.
Há que referenciar que alguns destes geossítios estão já estudados, através de algumas universidades, portanto há já todo o trabalho científico feito, faltando agora o trabalho político, restando-nos agora exigir aos políticos que façam o seu trabalho e classifiquem todas estas belezas de Sicó, pois além de tudo o mais elas representam uma mais valia territorial, e, naturalmente, financeira, tudo isto sem que seja necessário destruir ou degradar o que temos. 
Sicó não precisa de elefantes brancos, precisa sim que o seu património geológico, geomorfológico, paleontológico, etc, seja devidamente reconhecido e valorizado. 
Um dos projectos que poderia dar força a esta questão, seria o Centro de Interpretação e Museu da Serra de Sicó, a situar bem pertinho do extraordinário vale dos Poios. No entanto, e para variar, é mais um projecto parado e à espera de melhores dias...