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15.9.15

Arte na encosta do Castelo de Pombal


Foi por mero acaso que dei com esta bela exposição de uma artista que, diga-se, fez uma bela exposição, com algo que vale mesmo a pena ver. Não sei há quanto tempo esta exposição ao ar livre está pela encosta do castelo de Pombal, nem mesmo se ainda está, já que estas fotos têm umas 2 semanas, no entanto fica a sugestão de uma voltinha pela encosta do castelo.


A fusão de elementos está muito bem conseguida e o espaço é o ideal. Sei que este comentário terá poucas visualizações, no entanto a minha única preocupação é mesmo dar destaque à Natureza, ao Património e à Cultura da região de Sicó. Agora toca a visitar esta bela exposição e desfrutar do espaço.
E se tiverem filhotes, ainda melhor, pois têm uma bela oportunidade para dar mais uma ajuda à criatividade dos miúdos, algo que lhes será fundamental num futuro próximo!


28.3.14

Quando a cabeça não tem juízo, o património é que paga...

Fonte: Câmara Municipal de Pombal

Já por mais de uma vez que aqui abordei a questão associada às obras no castelo de Pombal, no entanto, e muito sinceramente, pensei que não seria possível baixar ainda mais o "nível" das intervenções. Enquanto cidadão que pugna activamente pela protecção e conservação do património, estou chocado com mais esta novidade amarga.
Não é uma questão de opinião, tal como já li em alguns comentários do facebook, é sim uma questão relacionada com o desvirtuar de um monumento de enorme importância histórica. Se é bonito ou feio, isso sinceramente não me interessa (claro que é feio!), o que me interessa é que o que se vê ali é algo que perverte grandemente um monumento já com alguns séculos e isso é um facto, gostem ou não os incomodados com as críticas ao sucedido. Vivemos num sistema que ainda vai sendo democrático, portanto neste sistema existe algo denominado por liberdade de expressão, onde, entre outros, entra o direito à opinião e à crítica honesta, construtiva e, sempre que necessário, incisiva.
Pessoalmente considero que se trata de um verdadeiro atentado cultural, o qual inacreditavelmente foi permitido precisamente por quem mais deveria proteger o mesmo. Por mais que tente, não consigo compreender como é que é possível um cenário destes, mais ainda porque deveriam ser os especialistas a proteger este monumento, e não a dar o seu consentimento para abortos culturais, atentatórios da dignidade do monumento e da história de Pombal e de Portugal.
Agora satirizando, mais parece que foi a Lili Cabeças que deu o seu aval a esta obra. Assim sendo, sugiro que a próxima edição da casa dos degredos se faça por ali. Como complemento poderiam convidar para provedor do castelo de Pombal a figura do José Castelo Branco, pois era a cereja em cima do bolo, ou um mimo, como se costuma dizer por aí.
"Voltando à Terra", posso dizer que sou um sortudo, na medida em que já viajei bastante, aprendendo muito com isso, no entanto sou ao mesmo tempo um azarado, já que é precisamente na minha região, riquíssima em termos patrimoniais, onde vejo alguns dos maiores atentados ao património cultural e natural. Nós não damos valor ao nosso património, temos uma ligação complicada com o património e essa é uma realidade cruel.
Espero, sinceramente, que os pombalenses se unam, de forma a retirar dali aquela ofensa ao património. Espero também que o edil pombalense pondere seriamente em corrigir este evidente erro histórico mais do que grosseiro, a bem da sua gestão autárquica, pois uma das responsabilidades do mesmo é pugnar pela preservação e conservação dos monumentos. Caso não o faça, poderá chumbar num teste decisivo, o da gestão do património. 
No que concerne ao azinheiragate, este faz questão em mostrar ao mundo acções que em nada dignificam o património. Quem se interessa por património e não se vende às ideologias políticas, sabe da gravidade do que se tem passado no Castelo de Pombal e na sua envolvência. A bem do património, divulgar, divulgar!

22.7.11

O Castelo de Pombal: a chegada ao topo da colina


Como tinha referido há poucas semanas atrás, volto então à questão das obras em redor do Castelo de Pombal. Não é por acaso que o faço, pois pretendo acima de tudo aproveitar a época do Bodo para  reavivar novamente a discussão desta questão tão cara a Pombal e à própria região de Sicó. Este ano infelizmente não poderei ir ao Bodo, sendo a primeira ausência em 12 anos, já que desde 1999 nunca falhei um, isto devido à bela da corrida que percorre Pombal (antes meia-maratona, agora corrida do Bodo).
O Bodo é uma época muito boa para dar mais visibilidade a esta questão, por mais que incomode certas e determinadas pessoas, daí este meu "oportunismo". Espero com isto que muitos pombalenses aproveitem o Bodo para subirem ao Castelo, de forma a se inteirarem daquilo que por lá se passa, já que é comum muitos de nós não conhecermos tão bem o que pensamos conhecer, mesmo que esteja logo ali ao lado. Isto, já para não falar das muitas pessoas que visitam a cidade durante as festas, pois espero que algumas destas também tenham a curiosidade de subir ao Castelo de Pombal.
Da primeira vez que falei sobre esta questão, comecei pela base da colina do Castelo, enquanto que já na segunda vez centrei na meia vertente. Desta vez venho então falar do que está lá bem em cima...
Lembro-me bem de, ainda na década de 80, ir visitar o Castelo de Pombal, altura em que o Castelo tinha um guarda que garantia alguma segurança por lá. Se a memória não me falha, ele utilizava uns óculos com graduação bem alta e, tinha apenas um dos braços, penso que devido a um acidente. Nessa altura ainda havia visitas, propriamente ditas, ao Castelo.
Anos mais tarde, o Castelo começou uma fase descendente, onde o abandono foi progressivamente tomando conta do mesmo. Com isto, a população foi-se afastando daquele importante monumento, mas não por culpa dela, a culpa foi em grande parte do autarca local, que nunca viu aquele lugar como algo verdadeiramente importante. Perdeu a cidade, o monumento, a população e perdeu a economia, pois aquele monumento, se bem potenciado, poderia render divisas. Para isso o Castelo de Pombal, bem como a sua envolvência, teriam de ser tratados com o respeito e geridos com sabedoria, no entanto nada disso aconteceu. 
O Castelo esteve esquecido, bem como a sua envolvência, a qual pouco de mais servia para fazer coisas menos próprias. Não poderia todo aquele espaço estar devidamente potenciado há muito tempo? Claro que poderia, mas onde não há sabedoria para aproveitar os recursos, não há milagres.
E numa altura em que chegaram finalmente as obras de requalificação, veio o esperado...
Analisando a primeira fotografia, claramente há ali qualquer coisa de errado, pois além de não se enquadrar em termos arquitectónicos, não respeita o espaço histórico. O betão, a pedra e o ferro ali colocados não respeitam o valor histórico e arquitectónico do lugar, não compreendo sequer como foi autorizada tal obra, especialmente se pensarmos que temos institutos públicos que deveriam preservar também o sector em redor do castelo.
Agora reparem na fotografia mais abaixo, será que aquele caixote se enquadra no lugar? A resposta é só uma, não. Fiquei negativamente surpreendido quando surgiu a notícia da abertura da cafetaria do castelo. Então, para valorizar a zona do castelo abre-se uma cafetaria? Então e as actividades culturais? Bastaria olhar para o Castelo de Leiria e ver a actividade cultural que por ali tem sido desenvolvida no último ano, mas no Castelo de Pombal pouco ou nada, abre-se sim uma cafetaria...
Enfim, podia dizer muito mais, mas, para já, deixo-vos a pensar sobre o assunto. Aproveitem o Bodo para ir até ao Castelo de Pombal, ver com os vossos próprios olhos e reflectir com a vossa cabeça. O património é para desfrutar, portanto há que aproveitar, já que temos muito património na região de Sicó!
Fica também a sugestão de participarem na corrida do Bodo, a saúde agradece e os pombalenses até gostam de ver o pessoal a correr. Enquanto desportista, sempre gostei da recepção dos pombalenses!
Por último, queria agradecer à pessoa que me facultou estas fotografias, as quais ajudaram a fundamentar melhor este comentário.

16.5.11

As obras na envolvência do Castelo de Pombal



Pois é, venho então falar de algo que prometi há semanas atrás, a questão do Castelo de Pombal, mais precisamente sobre as obras na sua envolvência, pois do Castelo em si mesmo haverá mais para referenciar daqui a algumas semanas.
Antes de começar, queria agradecer a uma leitora do azinheiragate, a qual me facultou algumas fotografias. Por motivos óbvios não vou identificar a leitora, pois pretendo evitar que haja quaisquer tipo de represálias sobre todo e qualquer um dos leitores do azinheiragate, infelizmente a cidadania activa não é bem vista por alguns autarcas da região de Sicó, por isso mesmo sou eu a dar a cara.
Um dos objectivos deste blog é interagir com os cidadãos que se interessam pela temática do património, seja ele natural, construído ou outro, este é um bom exemplo disso mesmo.
Inicio então com aquele belo caixote de betão que vêm na foto inicial, no comentário que fiz há algumas semanas sobre as obras de regeneração em Pombal, salientei que o betão tem sido uma prioridade deste executivo, este é um exemplo, pela negativa, disso mesmo. Penso que será uma questão de tempo até aquele caixote de betão servir como urinol, dada a protecção do mesmo face à chuva e não só.
Será que este caixote de betão se enquadra de alguma forma com o Castelo de Pombal? Claramente não, por isso não compreendo a razão de tamanho erro. A obra era necessária, mas a forma como foi pensada é que deixa muito a desejar.


Sigo então com algo que já referi aquando a nota sobre a Ponte D. Maria, a inclusão de materiais estranhos à região. Além de não compreender, lamento profundamente que se insista em utilizar o granito desta forma na região de Sicó, o carso merecia mais. Quando deveríamos estar a seguir uma linha  que sublinhasse e enfatizasse (passe o pleonasmo) as particularidades da região de Sicó, criando as aldeias do carso (marca turística) e apostando na utilização e racionalização de materiais como o calcário, contrata-se técnicos que têm a ideia absurda e irracional ir buscar granito. Sabendo que há profissionais e profissionais, este é um caso em que quem fez o projecto esqueceu-se de algo tão básico como apostar nos materiais da região, os quais se integram na perfeição em qualquer tipo de projecto. Quem elaborou o projecto, quanto a mim, não mostrou a competência necessária para um projecto deste tipo, pois a escolha dos materiais e respectivo enquadramento é um factor essencial. Ao invés, fez-se um projecto que desvirtua a envolvência do Castelo de Pombal e desprestigia a região, é a minha humilde opinião.
Pessoalmente considero de muito mau gosto os bancos de granito que vêm na segunda foto.
Passando agora aquela escadaria que vêm na terceira foto, mais uma vez há aqui qualquer coisa que foi desvirtuada, betão para cima, mais materiais estranhos e uns candeeiros dignos de qualquer local, que não a envolvência do Castelo de Pombal. É incrível como é que em tantos projectos na região de Sicó se consegue ver tamanho erro, será que estes candeeiros se enquadram naquela área em especial?!


A equipe que elaborou este projecto claramente está desenquadrada em termos de enquadramento do projecto, pois não teve em conta aspectos essenciais, tais como o ajuste do mesmo às particularidades, nomeadamente de este se situar na envolvência de um Castelo. Elaborar projectos entre quatro paredes tem destas coisas, claramente faltou o trabalho de campo e o "simples" falar com as pessoas,  nomeadamente com os pombalenses (não com aquelas pessoas que muitas vezes são convenientemente indicadas pelos autarcas...). Faltou também o estudar-se a história de Pombal e do Castelo, além disso nem sequer compreendo como é que o IGESPAR deixa uma coisa destas acontecer. Esta última entidade deveria, quanto a mim, ter impedido esta obra, tal como ficou, fazendo pressão para que não se concretizasse.
O projecto deveria ter sim sido pensado tendo como base a engenharia verde, a qual evitaria o betão, o granito e possibilitaria a inclusão de materiais que não iriam chocar com as especificidades da área.
Dos muitos castelos que já visitei, dentro e fora do país, nunca vi algo de tamanho mau gosto, algo que lamento profundamente. Podia ter-se utilizado calcário, madeira e similares, que assim ter-se-ia algo bonito, enquadrado e funcional, mas tem-se apenas o feio, desenquadrado e nada funcional.
Além disto tudo, basta subir a escadaria para notar que à parte das obras em si, tudo foi esquecido, ao lado das escadas é um ervado imenso, vê-se bancos esquecidos e partidos, etc, etc. Projectos chave na mão têm destas coisas.
Não teria sido correcto um diálogo com cidadãos e historiadores, de forma a se pensar um projecto racional? Claramente sim, mas infelizmente isso não aconteceu, perdendo o património e a região de Sicó.
Aquela escadaria aberrante teria sim ficado bonita e enquadrada se, por exemplo tivesse sido construída com base num material perfeito, a madeira. Teria sido possível fazer algo bastante prático e duradouro se se tivesse equacionado esta possibilidade, pois hoje em dia é possível fazer isto mesmo, daí eu ter dado o exemplo o exemplo da engenharia natural, no entanto optou-se pelo mais fácil, o que resultou num projecto que, quanto a mim foi um erro monumental, a juntar a muitos outros ocorridos em Pombal.
Para quem quiser saber mais sobre engenharia natural, fica um link importante:
http://www.apena.pt/