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23.7.16

A caça fotográfica que dá bailinho aos pokémons...


Dos milhares de fotografias que tenho sobre a região de Sicó, há algumas que ficam na memória. Sicó é um território extraordinário, onde, por vezes, os extremos se encontram. É neste encontro que muitas vezes consigo fazer registos fotográficos que merecem ficar para a posterioridade. Diria até que, destes, há alguns registos que são uma delícia para, entre outros, geógrafos, pois são elementos fundamentais para "vestir" as suas pesquisas, neste caso relacionadas com a geografia humana.
Nunca me considerei fotógrafo, considero-me como alguém que gosta bastante de fotografia e que não tem muita paciência para ajustes nas máquinas fotográficas. Para mim, e na maior parte das vezes, importa sim fazer um registo fotográfico que preserve momentos ou cenários que um dia serão parte da história.
Esta imagem é uma delas. O local posso apenas dizer que se situa num lugar de Soure, obviamente na abrangência do Maciço de Sicó, alvo fundamental deste blogue. Passando por ali, deparamo-nos com este cenário bem caricato. É um cenário de contrastes e que merece aqui destaque. Só faltava ali um ou dois velhotes para ser uma fotografia digna de um livro ou artigo científico.
É uma fotografia excelente para pensar, entre outros, o que queremos da região de Sicó. Importa parar e pensar de onde vimos, onde estamos e o que queremos fazer deste belo e extraordinário território.
Agora desafio-vos a, em vez de andarem à caça de gambuzinos/pokémons, partirem à caça fotográfica deste belo território, mesmo que apenas com o vosso telemóvel. O património é real e um legado, ao contrário de coisas supérfluas que simplesmente duplicam o valor em bolsa das empresas que estão por detrás delas...

5.7.13

O património entre a árvore e a parede


Há imagens que são perfeitas para ilustrar o estado da nossa região. Quando digo o estado, não aquele que os políticos fazem transparecer, que pintam às cores, é sim o estado real da região, o qual continua a ser escamoteado por muitos e, infelizmente, retratado por poucos.
A fotografia que agora vos trago é sintomática disto mesmo. Temos uma região fabulosa, temos recursos para "dar e para vender", no entanto falta algo e esse algo já foi esquecido por muitos. Para mudar este paradigma de abandono e desprezo pelo "rural", há que mudar mentalidades, no entanto quase todos vão pelo mais fácil, subjugando-se a politiquices e mesquinhices que nem vale a pena falar.  Muitos falam, poucos fazem. Muitos se queixam, poucos fazem por mudar o estado das coisas. 
Enquanto isso perde-se património, perdem-se as gerações para um futuro cada vez mais baseado no supérfluo, no inconsequente, no absurdo e afins.
Mesmo apesar da imagem acima representar algo de negativo, posso dizer que é uma bela imagem, pois a partir dela podem retirar-se muitas conclusões. Algumas destas conclusões são ensinadas nas universidades, no entanto poucos têm sido os universitários que aliam a teoria à prática e se embrenham neste território. Muitos preferem apenas ler livros e ouvir os mesmos do costume, esquecendo-se que afinal a melhor aula é ir a locais como este, ouvir as lamentações do património, o qual é o melhor dos professores.
Continuem a lamber botas e a ser subservientes para com aqueles que têm tramado o país e a sua cultura, pois concerteza isso deve levar a bons caminhos. Continuem a sentar-se no sofá, depois do jantar, durante 3 ou 4 horas seguidas, a ver Big Brothers e afins, que assim é que a cultura se preserva...