A CAVICAN, Cooperativa Avícola do Concelho de Ansião, foi algo que teve um impacto muito positivo, não só no concelho de Ansião, mas também na própria região de Sicó. Tratava os dejectos decorrentes da actividade da indústria avícola local, mitigando um problema muito grave, comparável ao problema das suiniculturas da região de Leiria, nomeadamente na Ribeira dos Milagres.
Durante vários anos estes dejectos eram, por vezes, abandonados em grandes quantidades em locais pouco próprios, causando poluição grave dos aquíferos do Maciço de Sicó. Isto em vez de serem utilizados na agricultura ou aproveitados para fertilizantes. Entretanto surgiu a CAVICAN para resolver o problema.
Mas foi sol de pouca dura, devido a problemas que não pretendo aqui abordar de forma aprofundada, as instalações que vêm nas fotos foram encerradas, dando muita polémica, problemas nos tribunais e assunto para alguns jornais locais.
São poucos os que conhecem a localização deste edifício, mas quando passarem na recta da Lapa, já depois de entrar no concelho de Ansião, vindos de Pombal pelo IC8, olhem para a vossa esquerda e verão um edifício meio "escondido" no meio de eucaliptos.
Tenho pena que tenha acabado como acabou, pois era algo de importantíssimo para a região de Sicó. Foi mal gerido, foi mal apoiado pelas autarquias (é um problema para todas elas...) e teve um desfecho comum a muitos projectos com dinheiros comunitários. Podia ter-se aproveitado a sério o biogás, podia ter-se aproveitado a sério o segmento de mercado que é o dos fertilizantes e podia ter-se aproveitado para matar de vez um problema gravíssimo que é a deposição criminosa de toneladas e toneladas de resíduos que quando mal enquadrados poluem de forma bastante gravosa, como é o caso muito especial desta região cársica.
Fico bastante irritado quando vejo as autarquias queixarem-se desta situação, quando afinal podiam ter tido um papel fundamental na questão da CAVICAN, assegurando não só a sua continuidade, mas também a sua expansão, já que era uma infraestrutura manifestamente diminuta tendo em conta a quantidade de empresas avícolas que operam na região. Sei bem o que digo pois trabalhei vários anos em duas destas empresas, as quais infelizmente também preferem alhear-se desta questão, sendo poucas as que efectivamente se interessam pela resolução deste problema. Infelizmente é bem mais fácil pegar num tractor e ir despejar num qualquer terreno esquecido...
Gostava, sinceramente, que alguém pegasse nesta questão e a resolvesse, mas temo que isso não aconteça. O costume nestas coisas é que só se resolve se a poluição começar a afectar as redondezas da casa de alguém influente.
Entretando quem paga são os aquíferos e consequentemente quem no futuro necessitar deles para se abastecer, ou seja nós!

