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27.7.26

Para sensibilizar é, primeiro, preciso saber...

Não é que não esperasse, já que é infelizmente comum neste tipo de acções o que se constata nas imagens. Uma acção de sensibilização ambiental ocorrida em Março a poucas dezenas de metros da nascente do Nabão, onde o foco foram as árvores, que, como se vê nas imagens, valeu de pouco, já que a esmagadora maioria das árvores ali colocadas, de forma a substituir as árvores caídas no final de Janeiro, devido à tempestade, está... seca. Ainda mais estranho é o facto da Associação Florestal de Ansião ter também participado e não se ver aqui muito do seu conhecimento técnico, o qual evitaria este desfecho. O que vão pensar os adultos e crianças que plantaram estas árvores quando as virem... secas? Ficarão sensibilizados por ver que o que fizeram afinal não valeu para nada?

Falhou a acção de sensibilização e fica por saber quantas das 140 árvores plantadas estão vivas... É que a sensibilização ambiental não serve apenas para reunir umas pessoas, tirar umas fotografias bonitas e para o show off. Para sensibilizar há que saber o que se faz. E quando o que se faz não é bem feito, alguma coisa falhou... E pela experiência que tenho enquanto educador ambiental, vejo claramente que muito falhou ali!





 

20.5.26

Resmas de palestras!

Os últimos meses foram particularmente produtivos em termos de palestras e apresentações que dei em vários locais. Ansião, Lousada, Vila Verde e Alvaiázere foram os lugares visados desta vez, todos eles em dose dupla em diferentes momentos/dias/meses. Ao início desta longa viagem que já levo nestas lides, não me sentia confortável em falar publicamente, mas com os anos e com a bagagem que fui ganhando, comecei a tomar o gosto em comunicar e partilhar conhecimento. Tenho aprendido bastante com isso.

Houve dois momentos que me marcaram de forma muito especial, um em Agosto de 2025, o da apresentação do projecto de inventariação do património geológico de Ansião, onde já pude partilhar parte de uma enorme descoberta científica. Outro em Janeiro de 2026, no dia anterior à tempestade que mudou a região. Em Janeiro voltei aquela que foi a minha escola, para, finalmente, dar uma palestra. Há mais de uma década que quase que tive para lá ir, contudo fui boicotado por gente que séria nem de nome o é. Desta vez aconteceu e fui apresentar o resultado do projecto de inventariação do património geológico de Ansião à comunidade escolar. Foi um momento que, para mim, foi acima de tudo sentimental e que me deu um orgulho enorme.

Os outros momentos também foram relevantes, já que a educação ambiental é algo que considero fundamental para a mudança de mentalidades. Estive no Encontro Nacional de Associações do Ambiente e também numa escola profissional em Vila Verde, curiosamente, ou não, uma eco escola, na qual pude ajudar a içar a bandeira respectiva.

E assim se vai trilhando caminho e ajudando a mudar o paradigma, para melhor. É uma luta dura, diga-se, mas gratificante. Porquê? Quem me conhece, de facto, sabe porquê. 








 

4.12.25

A educação ambiental é fundamental!


Fonte imagem: Al-Baiaz

É algo que o tempo fez com que eu gostasse, ou seja o acto de comunicar. No início era, para mim, muito difícil estar nesta posição, de comunicador, já que, diga-se, é preciso algum à vontade e experiência, daí no início ser tão difícil. Mas os anos trataram de fazer com que o difícil fosse mais fácil, embora também começasse a perceber, de facto, o quanto importante é sabermos passar a mensagem e ser uma enorme responsabilidade, a posição de comunicador. Partilhar conhecimento é fundamental, daí eu dar tanta importância a esta tarefa. Já levo duas décadas como comunicador.

As últimas semanas têm sido interessantes e as próximas não serão diferentes. Primeiro tive a honra de estar na escola e sede da Al-Baiaz, para uma pequena e singela palestra sobre ciência, mais concretamente sobre património geomorfológico. Palestras como esta são para mim mais fáceis, já que o método científico nos facilita a tarefa de explicar os factos e ter um fio condutor para basear a palestra. E o público, culto no domínio patrimonial, ajudou.

Depois seguiram-se duas palestras sobre educação ambiental, mais concretamente sobre incêndios florestais e espécies autóctones. Um convite que me foi endereçado para duas palestras numa escola profissional no Norte do país, a EPATV, em Vila Verde. Porque prescindi de dois dias de trabalho e investi umas horas a preparar a apresentação? Simples, porque é determinante educar os mais novos para estas temáticas. E há poucos comunicadores em Portugal! Estas palestras são mais difíceis, já que são sempre públicos diferenciados (há diferenças substanciais entre turmas, entre escolas, entre regiões do país...) e isso traz dificuldades e puxa bastante por quem está na posição de comunicador. A minha estratégia tem sido, além de partilhar os factos, criar pontes com o público. É aqui que a experiência se nota, pois na hora conseguimos criar o enredo que nos permite conseguir passar eficazmente a mensagem e prender o público. Mas nunca é fácil conseguir criar na hora um elo com os elementos do público, de forma a criar mais interesse da sua parte.

Neste caso, e apesar de serem turmas diferentes de cursos diferentes, em dias diferentes e em locais diferentes (escola e pólo da escola), notei semelhanças, já que naquela região do país a ligação com a Natureza é maior, facto que se reflectiu no conhecimento dos alunos quando questionados sobre alguns pontos. Para mim é sempre uma aprendizagem que me valoriza mais, já que fico melhor preparado para passar a mensagem fundamental, a de quem temos de cuidar bem da nossa casa, o planeta Terra. Ter ajudado a hastear a bandeira da Eco-Escolas foi algo de novo para mim.

As próximas semanas não vão ser muito diferentes, pois terei mais duas palestras, uma em Lousada e outra num local muito especial que depois farei questão de aqui falar...




Fonte imagens: EPATV

 

16.3.23

Mexer fora da caixa, longe dos écrans do telemóvel!


Na maioria das vezes planeio os comentários, mas uma vez por outra surge por acaso algo que me faz escrever algo na hora, sem que estivesse à espera de o fazer. É o que acontece agora, já que enquanto estava a arrumar umas papeladas, eis que mexo em algo que me motiva a escrever umas linhas. Algo que já tenho na minha posse há uns anos e que, diga-se, não está por abrir.
E calha bem, já que especialmente nos últimos tempos tenho pensado bastante sobre uma realidade que se pode dizer que é preocupante, ou seja tantos pais darem telemóveis aos filhos, gesto que quando mal gerido é desastroso a vários níveis para as crianças. Passam o dia no telemóvel, seja na escola ou em casa. E até na rua, enquanto vão a caminhar. Autênticos zombies andantes com um telemóvel na mão.
Por isto e por muito mais, há que tratar de investir em algo que não passe por aparelhos electrónicos, que desenvolva as capacidades das crianças. Algo interessante e desafiante para as mesmas, que os faça estar umas valentes horas longe dos écrans e perto do que faz bem. Falo aqui frequentemente de livros, mas hoje falo de origami, mais concretamente origami do mundo natural. É um verdadeiro desafio, seja para miúdos seja para graúdos, vos garanto.
Quando os vossos filhos fizerem anos, ofereçam livros e outros bens como jogos de tabuleiro ou afins, origami incluído. Fica o conselho e o desafio para quem ainda não o fez!
E digo-vos, é complicado estar a escrever estas linhas com tanto livro por ler nas prateleiras da minha biblioteca. Não consigo dar vazão a tanto livro, facto que me entristece por um lado mas me alegra por outro, já que ter uma biblioteca pessoal é algo que só quem aprecia livros e conhecimento compreende. É tudo uma questão de opções, não propriamente de ter ou não ter dinheiro para os comprar.

 

14.5.21

Vamos lá!


É uma iniciativa pela qual tenho um carinho especial. Quem me conhece e sabe o que faço sabe o porquê, contudo, e para quem não sabe, posso dizer que fui o coordenador concelhio do Limpar Portugal 2010 em Ansião. Foi o primeiro ano desta iniciativa, a qual teve um seguimento que se prolonga até hoje, mas dinamizado pela Câmara Municipal de Ansião e os respectivos executivos, o actual e o anterior. É, portanto, com especial alegria que vejo esta iniciativa manter-se ao final de uma década.
Em 2010 o trabalho foi duro. Trabalhei durante 2 meses, de forma inteiramente voluntária, para meter esta iniciativa em pé em Ansião e, em conjunto com entidades e empresas, conseguimos um feito que ainda me orgulha. Só me entristeceu a quantidade de lixo que encontrei em 255 locais de deposição um pouco por todo o concelho... Foram 27 toneladas de resíduos que recolhemos, sendo quase metade pneus... E muito ficou por apanhar...
Os efeitos da iniciativa ainda são visíveis na sociedade, tal o impacto da iniciativa.
Por isto e por muito mais, fica o apelo à participação de todos os ansianenses, miúdos ou graúdos, em família ou com amigos, mas sempre em segurança. Vamos lá participar nesta iniciativa!

 

10.5.19

Os porcalhões, a poluição e o rio Nabão


Logo que a obra ficou terminada, cedo os ansianenses, e não só, começaram a desfrutar das margens do rio Nabão, em Ansião. Com a fruição vieram os problemas do costume, vandalismo e falta de civismo. Luzes partidas no sector da nascente, mais desprotegido, e lixo na ribeira, bem como mesas mandadas para a ribeira. Infelizmente isto continua a acontecer.
Certos porcalhões continuam a mandar resíduos para a ribeira, tal como se observa na primeira fotografia. Onde isto acontece mais vezes é ao pé do telheiro onde o pessoal pode picnicar nas mesas e grelhar a chicha ou o peixe. Se alguma vez virem alguém a mandar algo para a ribeira, não se calem. Eu, se o vir não tenho qualquer problema em chamar de porcalhão ou porcalhona, pois é algo que mexe com o/a visado/a.
Depois há outra questão, a da poluição química, facto que além de eu já ter observado, já por mais que uma vez fui contactado para comunicar o facto. Esta segunda imagem veio de uma dessas pessoas, à qual eu agradeço o envio. Há que identificar possíveis focos de poluição, de forma a punir quem faz dos cursos de água o seu caixote do lixo ou uma sarjeta!
Resumindo, estejam atentos a este tipo de situações, a bem da nossa saúde, da nossa qualidade de vida e a bem de Ansião. Há que mudar as mentalidades de alguns que teimam em se manter na idade da pedra. Eu estarei por aqui para isso mesmo, trabalhando activamente em prol da literacia ambiental e cívica.


23.1.19

Como não incentivar a reciclagem...


Deparei-me com este cenário em Pombal há uns dias e, obviamente, tive de registar o facto para agora falar um bocado sobre esta questão. Sendo eu alguém muito ligado à temática da separação de resíduos, tão presente nas minhas acções de educação ambiental, uma das coisas que mais me incomoda é ver coisas como se pode observar na imagem. Caixotes do lixo à frente dos ecopontos...
Não são assim tantas as pessoas que fazem questão de separar todos os resíduos recicláveis que produzem no seu dia-a-dia. Destas, faz-lhes pouca diferença o que se vê na imagem que acompanha este comentário. Para todas as outras, o que importa é mesmo chegar ali e meter tudo no caixote do lixo. Algumas até fazem questão de manter a tampa aberta, pois são chiques demais para se poderem sujar ao abrir a tampa. 
Mas vamos ao que interessa, será que caixotes do lixo situados à frente de ecopontos são sequer uma opção? Será que isto é pedagógico? Será que isto motiva o pessoal a colocar os resíduos nos ecopontos? Não, não e não!
Caixotes do lixo de um lado e ecopontos do outro, nada de confusões! A dica para que as boas práticas sejam postas no terreno está dada...

5.11.18

Limpar Ansião, toca a mexer!


Há 10 anos, e aproveitando a iniciativa Limpar Portugal, tomei por iniciativa própria as rédeas daquela iniciativa no Concelho de Ansião. Dediquei 2 meses da minha vida aquela iniciativa histórica e investi algum dinheiro do meu bolso, tudo em prol do Ambiente e da educação ambiental, de Ansião, na nossa saúde, da qualidade de vida, da paisagem, etc, etc. Naquela altura tive o apoio de várias entidades e de dezenas de voluntário/as. Já depois de 2010 surgiu pela mão da Câmara Municipal de Ansião, e do anterior executivo, o que acabou por ser o natural seguimento do Limpar Portugal, ou seja o Limpar Ansião. Ansião mobilizou-se mais uma vez em prol de uma causa muito importante. Daqui a poucos dias, e também pela mão da Câmara Municipal de Ansião e do novo executivo, volta o Limpar Ansião, daí eu fazer questão em publicitar esta actividade ambiental e cívica. 
Tudo isto para apelar à vossa participação nesta iniciativa. Informem-se, envolvam-se, passem a palavra entre o/as vosso/as amigo/as e tornem Ansião um lugar ainda melhor para se viver. Aproveitem e tirem fotos, muitas fotos, de forma a partilhar nas redes sociais e mostrar que infelizmente ainda há gente porca em Ansião e não só.
Após estes 8 anos posso dizer-vos que é um enorme orgulho ver que o que fiz enquanto coordenador concelhio do Limpar Portugal resultou e deu frutos, os quais continuam a presentear o/s ansianenses da melhor forma. Os meus parabéns à Câmara Municipal de Ansião e às Juntas de Freguesia pela iniciativa. O meu apelo à mobilização geral!

27.7.18

Educar para o património: o ponto de vista dos miúdos


"Educar" e "património" são duas palavras chave que teimo em dar visibilidade há uma série de anos. Não será preciso pensar muito no porquê, contudo, e mesmo sabendo que é fácil perceber o porquê, é algo difícil de implementar em termos de estratégia direccionada para um público mais jovem.
Esta foto ilustra uma visita de estudo de duas turmas vindas de Lisboa, há cerca de 7 meses, quando se deslocaram à região de Sicó para um contacto próximo com o património desta bela região. Porquê, perguntarão vocês. Uma das professoras já tinha dado aulas nesta região e decidiu trazer cá os seus alunos para um contacto com o património desta região. Uma feliz ideia e sinal que ficou uma boa memória de Sicó! Infelizmente o sistema de ensino privilegia cada vez menos actividades deste género com os alunos, facto que me preocupa bastante...
Depois de um pedido de informação, através de uma autarquia, disponibilizei-me para guia, de forma gratuita, já que já é algo que tenho gosto em fazer, dado o potencial que uma actividade deste tipo tem no que concerne ao educar para o património. Palestras em escolas ou em eventos ambientais são também um hábito, sempre que solicitado, sempre Pro bono. Foi assim que fui aprendendo com miúdos e graúdos, percebendo os seus pontos de vista. Eles partilham os seus pontos de vista e eu partilho os meus pontos de vista e o meu conhecimento sobre o património. No final ficam todos a ganhar e eu fico mais rico e com um maior conhecimento sobre a melhor forma de fazer passar a mensagem mais importante, a preservação do património, só possível através da palavra mágica "educar".
Foi um dia curioso, confesso. Lidar com jovens é complicado, mais ainda quando são jovens de outras paragens. No final fiquei feliz, porque percebi que o que eles viram, o que eles subiram e o que eles mexeram vai ficar na memória. Com um bocado de sorte, e com outras "migalhas" como esta, poderão ser cidadãos mais conscientes sobre o património, seja ele de que tipo for. A imagem que acompanha este comentário é do Castelo de Santiago, mas estes jovens foram também ao Vale das Buracas, facto que os marcou e que me permitiu perceber o que alguns deles tinham absorvido das aulas teóricas. As saídas de campo são a melhor forma de materializar a teoria dada nas aulas entre 4 paredes.