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19.1.26

Uma realidade tremendamente preocupante!



Nos últimos meses fiz centenas de km por Ansião, conhecendo o mesmo a um pormenor até agora impensável. Vi muito e destaco agora um problema que será gravíssimo em poucos anos. Falo, claro, da moda dos tapetes de plástico verdes, a que alguns colocam o rótulo de espaços verdes, quando de verdes só têm a cor e são uma ofensa aos espaços verdes reais. 
É um cenário deveras preocupante, a começar pela poluição dos microplásticos, problema para o qual abri realmente os olhos há uns anos, numa praia do País Basco, onde o problema estava ali literalmente à distância de uma mão, na areia. 
Qual o problema destes tapetes verdes? Isso mesmo, os microplásticos, pois estes tapetes de plástico vão-se degradando a soltando micropartículas que, no final, vão chegar ao nosso sangue, à placenta das grávidas, etc. Uma verdadeira bomba relógio que temos de mitigar. Uma das soluções é ver a possibilidade de proibir em sede de PDM a utilização de materiais plásticos e afins nos denominados espaços verdes. Ns espaços verdes usam-se herbáceas, arbustos e árvores!
Na imagem podem ver uma das muitas situações que ocorrem por todo o concelho, seja em espaços públicos, seja em espaços particulares. Neste caso é no Avelar, ao lado dos campos de ténis. 
E deixem de ser preguiçosos, pois se não querem ter grande trabalho, deixem de usar relva, usando espécies autóctones, adaptadas ao clima e carentes de pouca manutenção. Se não sabem, têm um bom remédio, fazer como eu, que aprendi sobre espaços verdes. Quem precisar de ajuda já sabe onde me encontrar...

 

27.7.24

O antes e o depois da intervenção no jardim da Várzea: registo fotográfico e crítica fundamentada



Nem imaginam o quanto feliz estou por mais este "antes e depois" de um espaço em Sicó. Cuidar das nossas memórias é fundamental, tal como debater as transformações na paisagem, neste caso urbana...
Foi em Junho de 2021 que efectuei 6 registos fotográficos, em pontos específicos em redor do Jardim da Várzea, Pombal, antes do início da intervenção no respectivo espaço verde. A intenção era simples, voltar aos mesmos pontos depois da obra terminada, de forma a efectuar novos registos. Isto porque preservar a memória destes espaços é muito, mas muito importante. E ver a transformação possibilita debater sobre a mesma, já que não é apenas uma memória, mas sim registos fotográficos que possibilitam factualmente comparar e, assim fazer por exemplo, juízos críticos de valor. Eis que passados 3 anos voltei ao local para proceder a novos registos fotográficos.
No meu caso este interesse também por espaços verdes vem do tempo da licenciatura, onde uma das disciplinas opcionais que escolhi foi precisamente a de Espaços Verdes. Esta disciplina permitiu-me abrir horizontes como não esperava. Há um antes e um depois de ter tido esta disciplina.
Resumindo estes registos fotográficos, podem ver que são 6 registos fotográficos do Jardim da Várzea em 6 pontos diferentes. São 5 registos panorâmicos e 1 em fotografia simples, os quais permitem ver o antes e o depois.
Sobre a minha opinião crítica, considero que não foi a melhor opção intervir desta forma. A obra no seu todo foi de 1.711.971 euros (este valor dava para fazer um plano de paisagem para Sicó....). Perdeu-se identidade e humanismo neste espaço verde. Incluiu-se... betão. Aqueles ângulos rectos de betão nada têm a ver com o espaço, sendo um erro ridículo. Havia necessidade de abater várias árvores de porte médio? Isto mesmo tendo em conta que plantaram várias. Para quê a relva, para os cãezinhos virem fazer o seu cocó? Deveria ter-se pensado bem o estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo... E se não me engano tem menos bancos para nos sentarmos! A área de usufruto do espaço verde diminuiu (facto), e esse aspecto é mais um sinal preocupante de como se fazem as coisas mais para "inglês" ver e menos para desfrutar.
Com muito menos dinheiro teria sido possível fazer bem melhor do que foi feito. Pena que assim seja, intervir sem chamar a população ao debate, de forma a fazer a coisa como é suposto...














9.7.23

Um novo nome para o Jardim das Laranjeiras: Jardim dos Paus Secos

Foi em 2018 que tirei as primeiras fotografias, após saber do projecto que iria mudar o Jardim das Laranjeiras, em Pombal. Depois, em 2021, com a "requalificação" deste espaço verde efectuada, voltei a  fazer registo fotográfico nos mesmos sítios de 2018, de forma a ter uma boa perspectiva do antes e do depois.

Eis que em 2023 volto a focar a minha atenção neste espaço verde para constatar que o cenário é... outro. Agora podem mudar o nome do jardim para "Jardim das Laranjeiras Secas". #ironia

Isto acontece porque teimamos em não fazer as coisas como deve ser. Há responsabilidades neste desfecho, mas infelizmente os culpados dificilmente serão responsabilizados. Em Portugal não damos valor ao planeamento e ao conhecimento. Também não damos valor à profissão de jardineiro. E não valorizamos os nossos espaços verdes... 



 

5.5.23

Arrancar árvores para plantar umas florzitas "só para inglês ver"?!


Foto: Google Maps


Foto: Stephen Vincent



Foto: Facebook "Apanha Mentirosos"

Bem, estas 3 imagens mostram o que se passou há poucos dias em Soure, mesmo em frente à Biblioteca Municipal de Soure. É algo que revoltou muito/as sourenses e com toda a razão.

Deixei passar a fervura para poder comentar com maior conhecimento sobre o assunto, mas agora, e feito o TPC, eis que venho então abordar esta situação. Vi várias desculpas para isto. Uma suposta valorização paisagística daquele largo, de forma a dar mais visibilidade ao edifício da Biblioteca, uma suposta transplantação das árvores, etc. Em linguagem de quem está habituado a ver este tipo de casos, chama-se de balelas. Não faço ideia sobre o que, de facto, levou a esta situação, contudo é um perfeito disparate. Destruir o arvoredo é mau, e numa praça a precisar de verde, é um tiro no pé. A desculpa de arrancar as árvores para dar mais visibilidade ao edifício da Biblioteca é um perfeito disparate. Arrancar árvores para depois plantar ali umas flores é um verdadeiro atestado de incompetência de quem gere o espaço. Perdem-se árvores que além do oxigénio tornavam aquela praça mais fresca no Verão. Sim, pode parecer que não mas têm um efeito maior do que possam imaginar. Como sei? Estudei espaços verdes e estudei climatologia local, daí saber bem do que falo. Foi quando fiz um trabalho sobre o efeito dos espaços verdes no espaço urbano que fiquei a saber, de facto, da enorme importância de, por exemplo, destas árvores arrancadas. E há quem defenda esta acção pouco ou nada inteligente. Mais valia dizerem logo que era para depois poder montar ali palcos para eventos...

Esta iliteracia neste domínio não era suposto ocorrer em entidades públicas, às quais se exige mais, muito mais. E já nem falo que quando se pretende fazer algo num espaço como este, dizem as boas práticas que em primeiro lugar se devem ouvir os locais. Não foi isso que aconteceu...

Assim não vamos longe...

21.6.20

"Cantas bem, mas não me alegras"

 Fonte: Via Maria João

Tem sido uma questão bem interessante de acompanhar. O projecto de "reabilitação" do Jardim da Várzea, em Pombal. Por um lado a reacção da população ao projecto de transformação de um jardim com história e identidade numa praça, por outro lado a resposta da Câmara Municipal de Pombal a esta reacção da população. Feita a apresentação do projecto à população, descobrimos que há alterações ao projecto, de forma a supostamente acomodar as sugestões enviadas pelos cidadãos à Câmara Municipal de Pombal. Qual o resultado? Na minha opinião é a mesmíssima coisa, pois o cerne da questão é mesmo a identidade e história do jardim, as quais, mesmo com as alterações propostas ferem, degradam e poluem a identidade e a história de um jardim que, com poucos milhares de euros ficaria com a sua identidade mantida.
Seria simples de fazer. Bastaria contratar um botânico e um arquitecto paisagista e facilmente se chegaria a um resultado que respeitasse a identidade do jardim e com um orçamento muito inferior. É ridículo além de se estar a comprometer a identidade do Jardim da Várzea, gastar uma pipa de massa. É a (i)lógica do mostrar trabalho, a qual tanto património tem degradado e tanta identidade tem obliterado na ânsia de mostrar que existem e fazem coisas.
É caso para dizer, cantas bem, mas não me alegras. Resta aguardar pelos próximos episódios, já que a população, aquela que vota, não está, de todo, satisfeita com estas alterações entretanto propostas...

Fonte: CM-Pombal

Fonte: CM-Pombal

13.6.20

Verbo mobilizar, em prol de uma verdadeira requalificação do Jardim da Várzea!


Já ano nisto há anos suficientes para saber como as coisas "funcionam", daí, e mais, uma vez, fazer questão em pugnar pela preservação do património, neste caso um jardim histórico, que, tristemente, indiciam querer transformar numa praça, destruindo assim a identidade do local. O motivo desta obra? Dou dois, a necessidade imperiosa de apresentar "obra" para mostrar aos eleitores, e uma evidente falta de noção sobre a temática dos espaços verdes, nomeadamente jardins. 
Para contrabalançar esta notória falta de competência para lidar com esta questão, é agora importante mobilizar a população para a correcção deste erro que se avizinha, o qual além de ser um ridículo sorvedouro de dinheiro, degrada e destrói a identidade local e contribui decisivamente para uma má qualidade de vida na cidade de Pombal. É um reduto de qualidade de vida e bem-estar que urge proteger! Como podem participar? Aparecendo, manifestando o vosso desagrado de forma ordeira e respeitando as regras em vigor, devido à pandemia. O desafio está lançado e preparem-se para uma surpresa...

18.5.20

A iliteracia no domínio dos espaços verdes: crónica do Jardim da Várzea


Fonte: CM-Pombal

Eis então que venho dissertar sobre uma uma questão que tanto tem agitado a opinião pública em Pombal. Falo, claro, do projecto de requalificação/reabilitação do Jardim da Várzea. Conheço apenas o aspecto proposto para aquele jardim, tal como se observa na segunda imagem que ilustra este comentário. Já a primeira imagem é apenas uma montagem que pretende juntar um bocado de humor a esta temática. Quem não se lembra daqueles livros para iniciantes às mais variadas temáticas? Faltava um para espaços verdes. O humor faz bem à saúde.
Começando, preferi deixar passar uns dias desde que esta questão "incendiou" as redes sociais em termos de reacções (boas Vs menos boas) e de debate (produtivo Vs pouco produtivo). Isto porque, assim, tive a oportunidade de ler e perceber o que os pombalenses comentavam, algo que é sempre importante. Gosto de ter tempo para, de forma ponderada, analisar os factos e as reacções, especialmente de quem é coerente e consequente. Quando há tamanha reacção por parte da comunidade, a regra é que esta reacção ocorreu depois desta mesma comunidade ser posta de lado num qualquer tipo de processo. Este foi um destes casos. Dita a regra que, havendo a ideia de promover uma intervenção que vise a reabilitação ou recuperação do espaço urbano, de entre o qual se inserem os espaços verdes, a população tem de ser ouvida, já que acções/intervenções como esta mexem com aspectos tão importantes como a identidade dos locais e a identidade dos próprios residentes. Como está à vista de todos, isso não aconteceu com o projecto que visa reabilitar o Jardim da Várzea.
O que aconteceu sim foi, a Câmara Municipal de Pombal ter tido a ideia de intervencionar este espaço (positivo) e de ter pedido um projecto a um especialista (positivo). O que falhou? Falhou o fundamental, ou seja antes mesmo de pedir a um técnico que elaborasse um projecto, não envolveu a população, de forma a que o técnico tivesse em conta quem usufrui daquele espaço (além de outros aspectos básicos que manifestamente não teve em conta, contrariando assim as boas práticas instituídas no domínio da gestão dos espaços verdes). Depois aconteceu o que se conhece, ou seja a população indignou-se, e com razão, já que o que eu vejo na imagem associada ao projecto é uma praça e não um jardim. De uma forma resumida não se trata da reabilitação de um espaço verde, mas sim de uma transformação para uma praça, algo que seria lamentável de ocorrer caso fosse em frente
Este assunto fez-me voltar atrás no tempo, e de duas formas. Num passado algo recente, fez-me lembrar as obras de reabilitação do centro da Vila de Ansião, já que ali a população foi chamada a dar a sua opinião, mas apenas quando as obras estavam a começar, ou seja discussões públicas só na teoria e só para dizer que houve discussão pública, quando isso, factualmente, não aconteceu. Infelizmente é uma regra em Portugal, o faz de conta. Pombal está apenas a seguir a regra e não é o facto de, depois de a população ter manifestado o seu descontentamento sobre a forma como o processo decorrer, a Câmara Municipal de Pombal ter vindo à praça pública pedir a opinião dos pombalenses que muda muita coisa. Tenho as minhas dúvidas de fundo se o processo irá ser corrigido, ou seja voltar à estaca zero e começar como deve ser, sustentado, de forma a terminar da melhor forma. Isto mesmo tendo em conta as posteriores afirmações do Presidente da Câmara e do Presidente da Junta de Freguesia. É o meu desafio à Câmara Municipal de Pombal e à Junta de Freguesia de Pombal.
Continuando, e já num passado mais distante (17 anos), lembrei-me das aulas de Espaços Verdes, uma disciplina opcional que tive durante a licenciatura, onde aprendi bastante sobre espaços verdes, nomeadamente jardins (em Lisboa fiquei a conhecer todos, alguns autênticas maravilhas botânicas e estéticas). Nessa altura fiquei a conhecer uma temática bastante interessante, onde aprendemos muitos dos aspectos que devem balizar a acção de quem lida com os espaços verdes. É por isso que também me interesso por esta temática. Depois juntei mais uns conhecimentos em climatologia local, onde fiquei a perceber a importância dos jardins nos centros urbanos, nomeadamente a sua importância na mitigação da ilha de calor urbano. Isto além de outros aspectos, como biodiversidade, bem-estar, entre outros aspectos relevantes a ter em conta no planeamento dos espaços verdes.
Especialmente por estes motivos, sou bastante sensível a esta questão da reabilitação do jardim da Várzea. É um espaço verde que tem sido neglicenciado e subvalorizado, que não merece ser descaracterizado. É um jardim com uma traça e memória que deve ser respeitada. É um espaço verde que merece investimento e muito mais atenção por parte quer da Junta de Freguesia de Pombal, quer da Câmara Municipal de Pombal. É um jardim que merece atenção por parte da população e que merece ser desfrutado pelos cidadãos, que em tantos dias podem ir desfrutar este espaço com os seus, em vez de ficarem em casa. É um jardim onde, em pleno Verão, as temperaturas podem ser 2 ou 3 graus mais baixas do que na envolvência, com sombra e vida animal, nomeadamente aves. É um jardim, por isso impermeabilizar o mesmo, além de tudo o mais, é um disparate autêntico (num sector da cidade bastante susceptível em termos de inundações urbanas...). E é um espaço que aprecio bastante, já que no meio da confusão é um oásis verde urbano. No último dia perdi algumas horas à procura de uma foto que tirei nesse jardim da última vez que estive em Pombal. Infelizmente não a encontrei no meio de milhares de fotografias, talvez porque foi tirada com o telemóvel e julgo que se terá perdido num dos discos externos. Fico com a impressão que a terei aqui utilizado num comentário nos últimos 2 ou 3 anos (fotografia tirada à noite, no sector central do jardim).
Termino com uma questão que nos deve fazer reflectir, e que ainda não falei, ou seja o valor que damos por exemplo ao trabalho de um jardineiro. Noutros países são bem remunerados e fazem um trabalho extraordinário em prol dos espaços verdes. Em Portugal oferecemos aos jardineiros o ordenado mínimo ao mesmo tempo que lhes exigimos espaços verdes bem tratados. Dá que pensar...

Nota: nos muitos comentários que já li sobre ideias/propostas para o projecto de recuperação do Jardim da Várzea, vi muitas ideias que apesar de bem intencionadas não se enquadram minimamente no perfil do jardim. A intenção é recuperar e valorizar o jardim sem que o seu perfil seja desvirtuado.

18.10.18

Relvado não! Ervado sim!!


Quando falo com os meus amigos sobre espaços verdes, jardins e afins, surge na maior parte das vezes uma palavra que, confesso, detesto, a "relva". Até ter estudado biogeografia era igual a muitos dos meus amigos, ou seja evitava a todo o custo pisar a relva. Depois tudo mudou com a biogeografia. Descobri que, genericamente falando, a relva não tem valor ecológico, daí porque carga de água haveria de deixar de pisar algo sem grande valor?! (não confundir o pisar com o estragar...).
Não gosto de relva no sentido que é algo que é só para inglês ver, apenas para encher a vista de pessoas pouco exigentes no que concerne à conservação da Natureza e da Biodiversidade. A relva necessita de manutenção e tem custos muitas vezes elevados. Não é, portanto, sequer algo de ecológico, tal como muitas vezes nos fazem pensar ou apregoam.
Assim sendo porque é que insistimos numa fórmula absurda? Porque não fazemos a coisa como deve ser? Há poucos meses estive numa bela cidade polaca, onde fui surpreendido por uma série de aspectos simples, mas excepcionais. Um dos pormenores foi precisamente haver uma cultura de racionalidade, onde em vez de se despejar relva num qualquer canteiro, e programar manutenção regular e contínua, se fez o mais simples, o mais eficaz e o mais desejável, ou seja o belo do ervado, com uma bela biodiversidade. Tem maior valor ecológico, é mais bonito, não necessita de grande manutenção e recursos escassos como a água. 
Para quê complicar então? Vamos criar o belo do ervado, eliminando a patetice dos relvados em toda a região de Sicó, rica em biodiversidade? Quem vai ser o primeiro município a mudar o paradigma? O desafio está lançado, a ver vamos quem vai estar no pelotão da frente daqui a uns meses...