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18.8.26

Vai ali uma vida, sabiam?


Pode ser a vossa vida, a vida de um/a amigo/a, de um pai/mãe, de um filho/a, de um cidadão anónimo qualquer,  ou outro mais, tendo qualquer uma destas vidas valor, o qual é menosprezado por algumas pessoas que pensam que ao volante são donos e senhores da estrada e estando acima de todos os outros utilizadores da via. 
Decidi escrever estas linhas dois dias depois de mais um trágico atropelamento, mortal, desta vez na Volta a Portugal em bicicleta, numa etapa que estava a ver, em Braga. Quando as bicicletas passaram ainda não se sabia das trágicas consequências de um atropelamento ocorrido em Ponte de Lima. Houve falhas na segurança da prova, isso é óbvio, tal como é óbvio que um condutor entrou, sem confirmar, de facto, que a estrada estava aberta, na estrada onde ainda decorria a etapa. É um comportamento típico do tuga, menorizar um comportamento perigoso com um veículo. É só ali, são só uns metros, tenho pressa, não posso esperar 5 minutos, são apenas algumas das desculpas típicas. 
No dia anterior tinha ido ver a etapa à Póvoa de Lanhoso. Fiz o planeamento de acordo com a distância que tinha de fazer de bicicleta para lá chegar e de acordo com a hora prevista de passagem da prova, de forma a entrar antes do fecho da estrada para a passagem da prova. Sim, fui de bicicleta, na de estrada, tal como deve ser para um apaixonado pela bicicleta. O local escolhido era numa curva com boa visibilidade para ambas as direcções, à sombra e sem colocar em risco a segurança da prova, tal como é suposto. Ao chegar estava lá um senhor já à espera do mesmo. Tinha levado o seu carro e estacionado na berma, sem estorvar, tal como deve ser. Falámos bastante nos 20 minutos de espera e a conversa foi boa. Já depois de ter passado o pelotão e mais alguns ciclistas mais atrasados, e enquanto eu falava com mais pessoal que lá estava a ver, o tal senhor pegou no carro e partiu, sem que o carro vassoura tivesse passado e no sentido contrário à prova. Não fez o que era suposto, certificar-se que o carro vassoura já tinha passado. Tinha a obrigação de não sair dali, pois, de facto, não viu passar o carro vassoura. Seguiu o seu caminho sem que alguém o tivesse parado. Não houve consequências... Ninguém se insurgiu... Fiquei arrepiado com o comportamento, inaceitável! E no dia seguinte aconteceu uma tragédia causada precisamente por um comportamento deste tipo, nesta mesma prova.
Já na nossa região há muitos ciclistas, uns participam em provas, seja de estrada seja de bit, outros andam de bicicleta apenas pelo prazer de andar de bicicleta. Eu sou um deles. Tenho várias bicicletas, uma delas de estrada (a da imagem) e desde que a comprei, há uns anos, apanhei muitos sustos à conta de automobilistas que não têm respeito pela vida. Razias, muitas... Quem, como eu anda bastante em alcatrão sabe como é. 
Há coisa de 3 décadas tive a infeliz experiência de, em Ansião, ser atropelado por uma carrinha. O condutor ia com pressa e ultrapassou-me num entroncamento, apanhando-me quando eu ia a virar. Tive a sorte de cair bem e apenas ficar com feridas no braço que sustentou a queda e foi a arrojar uns metros pelo alcatrão. O senhor que me atropelou acabou por reconhecer que ia com pressa e levou-me ao centro de saúde para fazer o curativo. E depois pagou o arranjo da bicicleta, a qual ficou com o aro traseiro destruído. Nunca esqueci aquele dia e é, também, por isso, que sou tão sensível a estas tragédias mortais, de alguém que ia de bicicleta e leva com um carro em cima. Vi muita coisa triste e feia durante os 22 anos que fui bombeiro voluntário, daí ter tolerância zero para com comportamentos perigosos ao volante. 
Ir numa bicicleta é fundamentalmente uma alegria, a qual tantas vezes é anulada por comportamentos perigosos e assassinos por parte de alguns automobilistas.
Quando pegarem num carro deem sempre a distância obrigatória ao ciclista. Eu, quando vou de carro, dou mais do que metro e meio e abrando a velocidade. Quando houver uma prova nunca peguem no carro para se meterem à estrada sem confirmarem que a prova já acabou. Perguntar a quem está do outro lado da estrada não é confirmar nada! A vida é mais importante do que as pressas que possam ter. Certeza só há uma, a da importância da vida. Certeza só perguntando à autoridade ou organização das provas que já passou toda a gente e que podem então passar. A vida é algo de inegociável!
Nós, ciclistas, andamos de bicicleta de dia, de noite, com sol, à chuva e 365 dias por ano, portanto não ajam como que se fôssemos outra coisa que não utilizadores das estradas. Se não gostam de libra é simples, não usem. se não gostam de bicicletas, não andem de bicicleta, simples! Não são mais importantes do que nós. Nós somos ciclistas, automobilistas, motards, etc, somos todos utilizadores da via e temos todos a obrigação de não colocar a nossa vida e a vida dos outros em risco!


 

23.10.25

Desafiar o paradigma da mobilidade!


Aos poucos as mentalidades no que toca à mobilidade vão mudando, mesmo embora ainda falte muito para sairmos do paradigma do automóvel como pseudo estatuto. Nos últimos meses tenho estado bastante tempo pela região de Sicó, nomeadamente em Ansião, e é sempre com alegria quando vejo alguém a desafiar o paradigma da mobilidade e abraçar a felicidade que é deslocar-se de bicicleta. E diga-se de passagem que as bicicletas eléctricas vieram facilitar as deslocações, pois permitem um menor esforço na deslocação. Já sei que agora vão dizer que agora começa a chuva e não vale a pena andar de bicicleta. A isto eu respondo que nada como comprar roupa adequada, que o problema fica resolvido. Nem é propriamente um problema, pois eu quando quero ir à praia não vou vestido com roupas de Inverno...

28.3.25

Aí vão eles pela região de Sicó, felizes !


Esquecendo a parte deles irem em sentido contrário ao que é suposto pela sinalização, é uma imagem interessante esta, a qual captei há poucas semanas na Vila de Ansião. Um jovem casal, estrangeiro, com o seu cão, a fazer turismo de bicicleta na nossa Sicó. Antes tinham estado a comer qualquer coisa num estabelecimento comercial mais acima. 
É uma imagem a partir da qual muito se pode dizer. Eu sou suspeito para falar de bicicletas, pois ando de bicicleta desde criança, seja no dia-a-dia, seja em modo desportivo. Faço-o pelo gosto de andar de bicicleta, de ser e andar feliz da vida e não me preocupo com as aparências que muitos cultivam e fazem questão de, tristemente, perpectuar na (i)lógica do carro, posso e mando. Para muitos andar de bicicleta é para o coitadinho, para o pobre, mas para os outros, como eu, andar de bicicleta é para quem é racional, para quem gosta de usar outros meios de transporte além do carro e para quem não faz sentido andar às voltas e voltinhas para mostrar o carro. Nas várias profissões que já tive, em quase todas elas usava a bicicleta, dependendo, claro, da distância. Até já conjuguei a bicicleta com o expresso, quando dei aulas na Universidade de Lisboa. Eficaz, rápida no trânsito e nas distâncias curtas e até médias, e algo que nos cria um sorriso na cara e nos permite absorver tudo o que vemos em redor.
Mas voltando atrás, aos turistas. É comum ver turistas em Sicó de bicicleta, umas vezes turismo mais na onda desportiva, outras vezes turismo na onda de lazer. Eu ando a trabalhar num projecto ligado a bicicletas e turismo, só ainda não avançou porque não consegui patrocínios. Uns disseram que o projecto era interessante mas não estavam interessados outros que o projecto era interessante mas que neste momento queriam focar-se apenas em quem já patrocinavam (sugerindo uma espécie de crise económica) e outros disseram que era interessante, mas que não patrocinavam, podiam apenas ceder uma bicicleta, facto que não me  entusiasmou porque afinal tenho 6 bicicletas, portanto já estou bem servido. Talvez este ano, e mesmo sem patrocínios, inicie a aventura num outro formato, adaptado à falta de patrocínios. É algo que nunca foi tentado, portanto sei que terá sucesso. 
Isto tudo porquê? Bem, porque se trata de uma fileira económica muito interessante por explorar em Portugal, Sicó incluída. Está dito e mais não digo, pois daqui a uns tempos terão novidades... 

 

6.10.21

As máquinas do tempo existem, sabiam?


Pode parecer uma fotografia pouco ou nada estética, que não vos diz nada, contudo, e pelo menos para os da minha geração (além dos mais velhos do que nós, obviamente), esta imagem consegue ser uma verdadeira máquina do tempo, transportando-nos para outros tempos. É boa a sensação que esta fotografia causa, não é?
Uns vão pensar nas belas pasteleiras Ye-Ye, outros vão pensar nestes emblemáticos cabos elásticos para prender objectos (o verde era dos mais comuns). Actualmente é raro ver disto, mas há quem, como eu, goste de ambos, daí ter comprado há uns tempos estes cabos elásticos para colocar na minha pasteleira Ye-Ye. Porquê? Não, não é para ficar mais bonito, mas sim para prender o saco das compras no suporte. Não sou de recuperar as coisas antigas só porque sim, só para inglês ver, mas sim porque gosto destas "coisas" e de as utilizar nos meu dia-a-dia.
Tenho 5 bicicletas, cada uma delas de estilos diferentes, mas esta é a que me alegra mais e que mais gozo me dá pedalar. Não a adquiri para a meter num museu, mas sim para a utilizar. É a que tem a melhor posição para pedalar, algo que não seria expectável para muitos. Todas as semanas sai para uma voltinha de lazer ou simplesmente para ir às compras.
Passam agora 2 semanas da Semana Europeia da Mobilidade. Não quis elaborar este comentário na altura, pois havia uma saturação do assunto, preferi escrever estas linhas agora, para ser um assunto do dia-a-dia e não algo só falado no dia X ou Y. É bom falar desta temática regularmente e despreocupada.
É maravilhoso sentir o efeito de uma bicicleta a vários níveis, desde a alegria de pedalar sem pressas, até ver miúdos e graúdos olhar para mim, espantados, em cima de uma bicicleta histórica. Detecto facilmente as emoções daqueles mais velhos que, ao passar por eles, sentem esta máquina do tempo causar emoções antigas. Isso vê-se bem no olhar deles. 
E, claro, é ainda melhor passar por umas bombas de gasolina e não estar preocupado com as constantes subidas do preço dos combustíveis. Toca a pedalar, seja para exercitar, seja simplesmente passear ou ir às compras (e com isso exercitar...). Mesmo que não seja todos os dias, experimentem um dia ou outro que irão ver quer gostam e que isso tem apenas reflexos positivos!

12.11.20

Estacionamento de bicicletas para totós

 


É uma imagem que ilustra na perfeição a falta de preparação das entidades públicas em termos de planeamento das infra-estruturas cicláveis. Mas vamos então ao debate que deve decorrer após a visualização desta fotografia. Antes de mais, trata-se de um estacionamento para bicicletas, localizado à saída de Pombal, no sentido Pombal-Ansião. Salta logo à vista um pormenor, ou seja a má escolha do tipo de estacionamento ou infraestrutura, já que este é do tipo “entorta raios”. Trata-se de uma má opção, que vai no sentido contrário às boas práticas existentes e ao recomendado pelos especialistas.
Depois entra a questão da localização do ponto de estacionamento, o qual não faz qualquer sentido. Ninguém utiliza este estacionamento, sabem porquê? Está localizado num ponto onde não é preciso estacionar as bicicletas. Onde é então necessário colocar estacionamento para bicicletas? Simples, nos lugares, em pontos estratégicos, devidamente identificados após estudo prévio. Caso assim não seja é um mero desperdício de dinheiro.
Vamos seguir as boas práticas também neste domínio? Vamos a isso!

16.7.20

Não é natural morrer por querer andar de bicicleta!


Hoje, 16 de Julho de 2020, será um dia simbólico e que irá ficar na memória de muitos de nós. Hoje realiza-se uma manifestação a nível nacional, em memória de uma jovem que foi atropelada enquanto circulava de bicicleta, em Lisboa. Morreu depois de ter sido atropelada por um automobilista que, além do excesso de velocidade, passou um vermelho. É, infelizmente, apenas mais uma vítima de uma arma mortal, o carro, o qual já há muitas décadas se tornou uma perigosa arma com a nossa cumplicidade, dada a nossa tolerância para com tantos e tão graves abusos. Esta tolerância está bem expressa nas penas a que os criminosos são condenados, penas suspensas, coimas de uns 2 ou 3 mil euros e está feito. É esta a importância que damos à perda da vida de peões, ciclistas e outros utilizadores da via pública.
Falando nas bicicletas e nos seus utilizadores, estes ainda são vistos como uns coitadinhos, uns quaisquer que estorvam ao trânsito. É um estereótipo que ainda subsiste numa sociedade carrófila. A região de Sicó não é neste domínio excepção.
Eu sou um dos que já teve o azar de ser atropelado de bicicleta, sem culpa, por um automobilista apressado, e teve a sorte de sobreviver. Sou bastante sensível a esta questão, a mobilidade sustentável, em segurança. Todos nós temos o direito de optar pela bicicleta no nosso dia-a-dia e o direito de circular em segurança nas estradas. E não me venham com a conversa da treta de que só estorvamos, que devíamos ter seguro e pagar IUC, pois isso é conversa de ignorantes!
Respeitem todos os utilizadores da via, sejam eles peões, ciclistas, motards, camionistas, automobilistas e outros mais. Os números da sinistralidade rodoviária deviam envergonhar-nos a todos! Chega de mortes na estrada e chega de atropelamentos!!