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25.2.14

Memorial do Hotel


Este é um comentário daqueles que incomoda bastante, no entanto é um comentário que será efectuado, como regra, de forma intelectualmente honesta e à luz de factos concretos, juntando eu algumas questões que julgo pertinentes. No ano onde o mais do que polémico projecto de hotel para a Serra de Alvaiázere será chumbado, impõe-se uma questão sobre outro projecto de hotel, esse nada polémico, embora omitido pelas entidades públicas.
Certo dia, um investidor privado entrou em contacto comigo através da plataforma "azinheiragate", de modo a solicitar ajuda no desenvolvimento de um projecto relacionado com a construção de um hotel, neste caso enquadrado no turismo rural. Este facto ocorreu em 2010.
Cedo alertei para o facto de tendo em conta que o projecto seria para desenvolver em Alvaiázere, este poderia ter dificuldades "inesperadas", tendo em conta o ecossistema político-empresarial ali existente e que se estende por toda a região. Para um investidor privado isto pode revelar-se como algo altamente castrador no desenvolvimento de um projecto. Lembrei a este investidor que em 2009 eu tinha tentado abrir uma empresa ligada ao turismo e que tinha tido sérios entraves, os quais me tinham levado à desistência/suspensão do projecto.
Pedi também para este investidor não revelar a ninguém que eu o estava a aconselhar (gratuitamente), pois se certas pessoas o soubessem, poderiam mostrar uma face menos favorável perante este investidor, quando confrontadas com a "amarga" novidade, já que eu era personna non grata para certos interesses. A minha vontade foi sabiamente respeitada.
O projecto foi então apresentado à Câmara Municipal de Alvaiázere, sendo este situado na freguesia de Almoster. A respectiva entidade recebeu o projecto e disse ao investidor para avançar, tendo o projecto sido endereçado ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, pois este estava em área de Rede Natura 2000.
Confesso que fiquei contente com os avanços e com o projecto, tendo a honra de ter tido a oportunidade de ver o projecto, o qual tinha tudo para avançar.
Mas como não há bela sem senão, os entraves começaram. Em Março de 2011, e já depois da Câmara Municipal de Alvaiázere ter, alegadamente, dito ao investidor que as candidaturas abririam (desde Setembro de 2010), eis que a Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó comunica ao investidor que não estava prevista a abertura de candidaturas a projectos de privados para projectos de turismo de natureza, já que, alegadamente, não haveria dotação financeira para este tipo de projectos. Tudo isto já com o projecto de arquitectura aprovado. Partindo do pressuposto que o investidor não mente, isto é curioso, no mínimo. Diga-se que nunca tive a mínima dúvida sobre a seriedade do investidor.
Ora, isto levantou-me dúvidas, em primeiro lugar porque é algo que em situação normal não deveria acontecer. Depois fiquei surpreendido, na medida em que o autarca Paulo Morgado, que mediou o processo tem competências a nível de autarquia e também competências a nível da Associação Terras de Sicó, o que me leva  a várias questões. Será que não era do conhecimento de Paulo Morgado, autarca, que não haveria fundos comunitários para aquele projecto? Se não era, como foi possível o facto, já que precisamente nessa altura o mesmo estava a lidar com o processo do polémico hotel na Serra de Alvaiázere, conhecendo profundamente esta pasta? Como foi possível este acarinhar tanto o segundo projecto referido, com tanta publicidade, e nenhuma referência do mesmo, perante a imprensa local e regional, ao projecto sobre o qual este comentário incide? Que jogo político foi este, que deu tanta atenção a um projecto e pouco atenção a um outro?
Como é que foi possível perder um investimento destes, num projecto já aprovado? Porque é que este investimento nunca foi publicitado e "levado ao colo", como tem sido o mais do que polémico projecto de hotel para a Serra de Alvaiázere? Então, há 4 ou 5 milhões de fundos comunitários para um projecto ainda sem aprovação, sem cabimento em sede de PDM e não há um tostão para um projecto aprovado?
Como é que se elabora um projecto para uma área protegida, assumidamente sem know-how, passando por cima de questões essenciais, procurando depois um investidor que tenha apenas um milhão de euros? Isto ao mesmo tempo que se "manda embora" um outro investidor, já com um projecto, não polémico, já aprovado? Falta explicar esta dicotomia, sabendo que o processo deverá ser explanado por Paulo Morgado, pois, mais uma vez, este além de autarca, e por isso conhecedor da situação, é também um dos responsáveis políticos pela Terras de Sicó, tendo evidentes responsabilidades em termos de gestão em ambas as entidades. Naturalmente que este tem algum know-how, pois este em 2009 tornou-se oficial e publicamente, empresário no domínio do turismo rural (facto), daí melhor do que alguns dever saber acerca desta questão. Na minha opinião houve aqui uma péssima gestão desta questão, sendo o meu intuito saber o porquê das coisas terem seguido um rumo desastroso, já que, na minha opinião, é do interesse público o esclarecimento cabal deste caso.
Até hoje mantive esta questão, do hotel em Almoster, em off, no entanto não aguardo mais pela sua obrigatória divulgação, já que este meu comentário é simplesmente serviço público. Para os mais curiosos, o investidor em causa, depois de desistir do projecto, decidiu investir num outro concelho, mais a Sul e já fora da região. Importa esclarecer esta questão, pois há aqui uma história que tem muito que se lhe diga. Será que este investimento não seria importante para Almoster, Alvaiázere e para a própria região de Sicó?
Os factos são estes e estão em cima da mesa, agora há que debater os mesmos sem receios, sem demagogia e de forma honesta e construtiva. Se a imprensa local ou regional quiser tratar a questão de forma jornalística, estarei à sua disposição, enquanto fonte de informação credível e idónea. Não tenham receio em confrontar as pessoas, pois o confrontar com os factos, mesmo que incómodos, é sinal de democracia.

21.6.12

As ligações escaldantes entre política e o turismo na região de Sicó

É uma daquelas questões que vai dar que falar, dada a sua especificidade, por isso mesmo vou tentar ser o mais conciso possível.
Já por mais que uma vez dei destaque à problemática que pode representar o facto das Câmaras Municipais de Sicó não disponibilizarem publicamente, a curto prazo, as actas das reuniões de Câmara ou de Assembleia Municipal, isto por um motivo muito simples, o de que esta é uma das formas que o cidadão tem de estar actualizado sobre aquilo que lhe diz respeito. Acontece muitas vezes uma acta só ficar online meses depois, o que, eventualmente, pode levar a um entorpedecimento da dita democracia.
Desta vez não falo sobre a disponibilização, ou não, das mesmas, destaco sim o conteúdo peculiar de uma delas. Isto por um motivo muito simples, o de que considero que há ali uma incompatibilidade que deveria estar à vista de todos, a qual está relacionada com uma questão do âmbito do azinheiragate, o turismo na região de Sicó.
Obviamente que isto é a minha opinião, mas cada um poderá tirar as suas próprias conclusões depois do que vou destacar agora:

"Acta nº3 de 2012 - Acta da reunião ordinária da Câmara Municipal realizada em 7 de Fevereiro de 2012 - Alvaiázere

EXTRA  ORDEM  DO  DIA:     O   Senhor   Presidente   pôs   à   consideração   da   Câmara   Municipal   a   apreciação   extra   ordem   de   trabalhos   de   um   requerimento   apresentado   por   Dominique   Fernanda  Martins  Marques  Morgado,  a  que  os  restantes  membros  do  Executivo   deram   o   seu   acordo.   Por   incompatibilidade,   o   Senhor   Presidente   retirou-­se   da   reunião,  enquanto  se  discutiu  este  assunto. 

PEDIDO  DE  LICENÇA  DE  PUBLICIDADE;;  
Foi   presente   um   requerimento   apresentado   por   Dominique   Fernanda   Martins   Marques   Morgado (...) na   qualidade   de   representante   da   Firma   Doticonta,   Investimentos,   Serviços  e  Turismo,  Limitada,  solicitando  licença  para  colocação  de  um  anúncio   luminoso,   com   a   dimensão   de   7500   x   600   mm,   e   com   os   dizeres   www.doticonta.pt  -­  Doticonta,  Investimentos,  Serviços  e  Turismo,  Lda  -­  tel.  236   650  110,  na  frente  do  edifício  sede  da  mesma  Empresa.-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­   A   Câmara   Municipal,   deferiu,   por   unanimidade   dos   presentes,   a   emissão   da   referida  licença."


Agora, veja-se o seguinte:

"A DOTICONTA – Investimentos, Serviços e Turismo, Lda., com sede social em Alvaiázere, foi criada em 28 de Novembro de 1995, com o objecto social de “Realização de contabilidade, projectos de investimento, auditoria financeira, auditoria fiscal e formação”, por Paulo Tito Delgado Morgado e Dominique Fernanda Martins Marques Morgado, que constituem até à data de hoje os órgãos sociais da empresa. Com uma visão virada para a inovação e aproveitando a reputação e consolidação que adquiriu, em 23 de Dezembro de 2009, apostou na área de comércio a retalho de equipamentos informáticos, e do turismo rural."


Tendo eu reparado nos nomes respectivos dos empresários, parece-me que há ali uma real incompatibilidade, no que se refere estritamente à questão do turismo a nível concelhio e mesmo regional, já que além de autarca, Paulo Tito Morgado, por inerência do cargo tem também responsabilidades a nível da Associação de Desenvolvimento "Terras de Sicó". Esta é a minha opinião, agora cada um que tire as suas próprias conclusões tendo por base os factos que aqui referi. 
O português tem o mau hábito de ver apenas no curto prazo e é precisamente isso que pretendo salientar com este comentário. Estou curioso para ver em que medida é que a empresa referida poderá ficar (inevitavelmente) favorecida de alguma forma, nos próximos anos, com a "estratégia turística" de alguém que ao mesmo tempo é dois em um no mesmo concelho, autarca e empresário. 
Não deveria ser possível, tal como neste caso particular, ser-se um dois em um, já que poderá sempre ficar a ideia de um alavancado favorecimento, tal como já falado noutro caso:


http://noticiasdocentro.wordpress.com/2010/11/29/tito-morgado-garante-“total-isencao”-na-adjudicacao-de-trabalhos-a-empresa-da-vice-presidente/


Exercer a cidadania é um direito que me assiste, por isso não tenho receio algum de falar numa questão tão sensível, com vista ao debate da mesma, a bem de Sicó. O que me interessa aqui são apenas e só os factos em análise, nada mais. Contra factos não há argumentos.