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4.3.19

Protecção do perímetro da nascente do Rio Nabão? Isso só estorva...


Foi há vários meses que reparei que um concessionário situado em Ansião estava a fazer algo que me chamou a atenção. Reparei que estavam a fazer um desaterro literalmente ao lado da captação dos Olhos de Água, actualmente desactivada (embora passível de ser reactivada). Tendo o conhecimento que tenho, fiquei bastante preocupado, facto que me levou a fazer uma exposição dos factos à CCDR-Centro, sugerindo o embargo da obra. Na década de 90 este concessionário implantou-se ali, algo que foi um erro em termos de planeamento territorial, tendo em conta que se situa ali a nascente do Rio Nabão e existem ali 3 poços, o da nascente, um outro, agora quase tapado (e que as paredes estão a desabar desde a sua base, tendo previsivelmente desabado ainda mais com esta obra - na imagem abaixo) e o da captação, que consta na primeira imagem. 


Foto da passagem do segundo poço (foto da autoria de Carlos Ferreira)

Agora, que os tempos supostamente são outros e que deveria ser impensável fazer o que se fez agora, fez-se um estacionamento para carros literalmente ao lado da captação. Eu nunca o autorizaria, já que existem perímetros de protecção às nascentes e captações por algum motivo, mas infelizmente a obra fez-se e nem a CCDR-Centro o impediu. Honestamente falando, não compreendo como foi isto possível!
Resta saber as previsívels consequências desta obra, que irão apenas agravar um cenário já bastante preocupante, até porque ali por detrás existe um estaleiro de obras de génese ilegal, feito em meados de 2003, que no último PDM foi... legalizado. E até alcatrão lá enterraram!
Daqui a uns anos vai ser curioso ver o que se vai passar, com a previsível falta de água. Quando se lembrarem que ali há um aquífero e que este é uma reserva de água substancial, estou para ver o grau de poluição que se vai constatar na altura no aquífero. Aí será tarde...



Foto de uma das galerias da nascente do Nabão (foto da autoria de Carlos Ferreira)


12.2.19

Um par de estalos era pouco...

Tinha ido dar uma voltinha a pé por um dos locais que mais me diz, o qual fez parte da minha juventude enquanto espaço de descoberta. Foi, portanto, um dos locais que mais me influenciou, daí ter um carinho muito especial pelo mesmo. Quando passei a ponte em madeira, reparei que ali no antigo moinho, na parte por onde dantes escoava a água, havia algo a mais. Aproximei-me e comecei a perceber do que se tratava. Lixo!
Dei a volta ao edifício, entrei e aí disse umas coisas feias, tal o cenário com o qual me deparei. Paredes grafitadas, colchões e lixo q.b.. Há putos que não têm educação alguma em casa. Um par de estalos era pouco...
Tendo em conta este cenário, fica o apelo à Câmara Municipal de Ansião, para que proceda à limpeza deste edifício com simbolismo, mas sem utilização, colocando uma porta à prova de vândalos. 






19.7.17

A falta de água deve-se a uma péssima gestão dos recursos aquíferos...


O que inicialmente era uma excepção, tornou-se infelizmente uma regra. Mais uma vez Ansião ficou sem água, desta vez resultado dos efeitos secundários (cinzas) do incêndio ocorrido em redor da actual captação de água para o concelho de Ansião. Outras vezes acontece porque o S. Pedro está de férias. 
Quando chega à hora de justificar a falta de água, nunca surge a questão de fundo, ou seja os porquês da falta de alternativas que ajudem a mitigar este problema. Finge-se que não há um problema de fundo e chuta-se a coisa para a frente, já que é um tema particularmente sensível.
Quando eu sou incisivo na defesa dos recursos aquíferos da região de Sicó, e à falta de argumentos para rebater os factos comprometedores, há quem fale em fundamentalismos, tal o desnorte por parte de quem além de revelar evidentes sinais de iliteracia ambiental, tenta confrontar um especialista na matéria sem , contudo, apresentar qualquer tipo de argumento. Resta-lhes apenas a demagogia e o populismo, os quais só têm sucesso em sociedades pouco informadas.
Falta a responsabilização dos autarcas que além de não estarem a contribuir para arranjar uma solução, estão, na prática, a agravar o problema.
Estas duas fotografias são da antiga captação dos Olhos de Água, em Ansião. Até há uns anos, foi daqui que saiu muita da água que se consumia em Ansião. Já tive a felicidade de andar pelas galerias da nascente dos Olhos de Água e ajudar mergulhadores que exploraram parte deste aquífero. Sim, há água por debaixo dos nossos pés, mas infelizmente não temos cuidado dela. Há pouca ou nenhuma informação e pouca sensibilização por parte das entidades públicas sobre esta temática, daí eu regularmente abordar esta questão, facultando informação a quem faz do azinheiragate uma companhia regular.
Não tem sido dada a necessária atenção aos recursos aquíferos desta região cársica. Não têm sido tomadas medidas que, na prática, salvaguardem a qualidade dos recursos aquíferos, daí que hoje em dia seja um risco beber água destes aquíferos. Caso os recursos aquíferos tivessem sido salvaguardados, facilmente se teria uma reserva estratégica de água disponível sempre que houvesse problemas na captação da Ribeira de Alge. É isto que as pessoas precisam de saber, mais ainda em ano de eleições, já que mais do que nunca é agora que podemos e devemos interpelar os actuais candidatos às câmaras e juntas de freguesia.


23.7.13

Rio Nabão a régua e esquadro


Foi por mero acaso que há semanas atrás tive a oportunidade de registar o(s) momento(s) fotográfico(s) que estas duas fotografias representam. Felizmente que assim foi, pois foram mais umas quantas preciosas fotografias que entraram no meu arquivo fotográfico, parte do qual utilizo para ilustrar estes meus comentários.
É conhecida a minha posição acerca das obras de requalificação das margens do Rio Nabão, em Ansião. Concordei que se fizessem obras, no entanto não tal como foram efectuadas, a regra e esquadro, não levando em conta aspectos básicos da dinâmica ribeirinha. Tal como referi nos vários comentários que já fiz sobre estas obras, os problemas iriam surgir, uns mais tarde, outros mais cedo.
Há poucos meses atrás, ainda não estando inaugurado o troço intermédio das obras, já um muro reconstruído tinha ruído, mais uma prova de obra mal feita. Muitas pessoas tiveram a oportunidade de constatar isto mesmo.
Estas duas fotos representam um desses erros graves do projecto, ou seja a omissão da variável sedimento, a qual é fundamental na dinâmica de um riacho, ribeiro ou rio. Faz-se asneira e depois as máquinas que tratem do problema. Quem não levou em conta esta pequena grande variável, não estará concerteza preocupado, pois o passivo, esse alguém terá de levar com ele em cima. Basicamente quem elaborou o projecto cometeu erros crassos e o contribuinte, esse pobre coitado, terá de pagar com os seus impostos, anos e anos a fio.
Quando se ignora elementos básicos de um qualquer projecto, acontece tal como está a acontecer. Esta pseudo limpeza, essa terá de ser repetida vezes sem conta. Impermeabiliza-se troços fundamentais de um rio na esperança que exista água que escasseia. Estudo hidrogeológico, que bicho é esse?
Este projecto foi mal fundamentado, o que levou a que fosse feito com base em falsos pressupostos e, mais uma vez, o resultado está à vista.
Em ano de eleições, há que salientar vários pontos, uns positivos, outros francamente negativos. Os pontos positivos, esses o pasquim partidário fará concerteza as honras da casa em termos de divulgação.  Os pontos negativos, esses já são mais custosos de surgir, mas aí entra quem, como eu, tem a frontalidade de os apontar de forma honesta e construtiva. Obviamente que também divulgo o que de bom por aqui se faz, mas isso também é por demais conhecido.
Aqui fica então mais um erro, entre muitos outros, de um projecto pensado de forma muito supérflua. No próximo ano irei aprofundar esta questão através de uma iniciativa voluntária, consubstanciada num projecto ímpar a nível nacional, do qual posso dizer que faço parte, muito embora ainda não tenha tido tempo para iniciar a partilha de conhecimento que, à parte do conhecimento geográfico prévio, obtive quando tive formação de monitor deste muito interessante projecto. Até lá...



10.1.13

Uma farsa de centro de interpretação ambiental!


Antes mesmo de começarem as obras, já eu tinha ouvido dizer que mais tarde iria surgir ali um espaço de restauração, na forma de complemento ao centro de interpretação ambiental, algo que compreendi perfeitamente, no entanto a história não foi bem assim...
Confesso que fui apanhado completamente de surpresa com o final da história, sentindo-me agora, enquanto cidadão, ultrajado com o que acabou por acontecer.
Indo aos factos, e muito genericamente, há anos atrás, surgiu o projecto de um centro de interpretação ambiental, para a nascente dos olhos de água, em Ansião, a situar no lugar de um antigo lagar, o qual foi completamente arrasado. Findadas as obras, comparticipadas com fundos comunitários, estas foram então faustosamente apresentadas à comunidade ansianense. Tinha-se agora um espaço onde se poderia fazer muito pela educação ambiental, honrando também a nascente dos Olhos de Água.
Os meses foram passando e apenas passaram por ali meia dúzia de actividades, faltando uma verdadeira agenda de centro de interpretação ambiental, facto que, por várias vezes, cheguei aqui a criticar.
Mais uns meses e (re)começaram obras numa obra inaugurada com pompa e circunstância há poucos anos. Não estranhei tais obras, no entanto comecei a estranhar o rumo das mesmas. Já com estas mesmas obras terminadas, eis que tem-se um restaurante, algo de positivo, no entanto, eis algo que me intrigou,  o facto de não ver mais o centro de interpretação ambiental da nascente dos Olhos de Água.
E não é que o restaurante ocupou o espaço do centro de interpretação ambiental?! Fiquei chocado, pois fica-me a ideia que o centro de interpretação ambiental foi apenas o alibi para conseguir fundos comunitários para o que já não é efectivamente um centro de interpretação ambiental, algo que considero um escândalo. 
O que me choca no que, para mim, acabou por ser uma farsa, não é o facto de ali se ter agora um restaurante, o problema é ter-se utilizado a figura de centro de interpretação ambiental, quando afinal parece que a intenção nunca seria essa mesma no médio ou longo prazo. Quanto a mim, fica claramente a ideia de que o que sempre esteve pensado para aquele local foi mesmo um restaurante e não um centro de interpretação ambiental. Não me parece que se o projecto inicial tivesse previsto um restaurante, a coisa fosse aprovada, digo eu...
Será que a União Europeia, a mesma que aprovou os fundos para o projecto, saberá do rumo que este  "Centro de Interpretação Ambiental" tomou? Será isto legal, tendo em conta que o dinheiro veio com um intuito e agora o intuito é outro?
Além disto tudo, resta saber se é verdade o que me foi dito sobre o contrato de arrendamento, que só agrava o mal estar que sinto sobre uma situação que considero inaceitável do ponto de vista ético.
Em ano de autárquicas, eis um assunto que muito irá dar que falar. Naturalmente que isto passará também pela imprensa local e regional.
Eu não me conformo, resta-me agora saber a vossa opinião. Impõe-se agora o debate!


23.2.12

Centro de Interpretação da Nascente dos Olhos de Água: a confirmação de um "elefante branco"


Quem o viu e quem o vê, é esta a melhor expressão que encontro para voltar a falar de uma questão me muito me diz. Apesar de não ter sido contra o projecto, fui contra a forma como ele foi feito. Manifestei isso mesmo desde o início e só tenho pena de quem lançou o projecto não responda agora pelo seu insucesso.
Foi um projecto que alguns denominaram como "espelho de Ansião", mas quem disse isso mesmo deve estar amargamente arrependido...
Lançou-se um projecto mal pensado e mal elaborado, tendo-se baptizado o mesmo como "Centro de Interpretação da Nascente dos Olhos de Água". A "criança" foi mal baptizada, pois na realidade de Centro de Interpretação da Nascente dos Olhos de Água, este nada teve.
A minha intenção com este comentário não é falar do que já falei, é sim juntar factos recentes à questão. As actuais obras que podem ver na envolvência do edifício, ou aquelas que não se conseguem ver dentro do edifício, confirmam aquilo que sempre disse. Este projecto foi, além de um sorvedouro de fundos comunitários, e públicos, um erro crasso que hipotecou Ansião. Foi uma obra "só para inglês ver" e quiçá, "meter inveja" a concelhos vizinhos.
Se as coisas tivessem sido feitas com cabeça, tronco e membros, o cenário não seria o que passados quase 4 anos se vê, ou seja novas obras. A cerimónia de inauguração foi com pompa e circunstância:
Mas passados poucos meses o espaço já era pouco mais que um espaço sem vida e propício a vandalismo (que tristemente já dei conta...). Infelizmente as memórias são curtas e a responsabilização de quem promoveu este projecto é nula. Sinceramente gostava de ouvir o anterior autarca, precisamente aquele que é responsável pelo insucesso de tal projecto que nos ficou bem caro. Quando é para ouvir palmas os políticos estão sempre presentes, mas quando é para ouvir críticas, mesmo que honestas e construtivas, eles ou não aparecem ou então dizem que as críticas são mal intencionadas, típico de quem não tem argumentos contra factos concretos.
Curiosamente, ou não, nunca foi devidamente valorizado e potenciado o principal valor daquele lugar, ou seja a nascente dos Olhos de Água e o importante aquífero ali existente. Ao invés preferiu-se retirar água, através da captação, só para encher a pequena represa, de modo a criar um pequeno lago de água parada na maior parte do tempo. Sensivelmente nos últimos 15 anos, a ribeira só corre 2 ou 3 meses por ano, lembro-me de há 20 anos ela correr de Outubro a Abril, facto que nunca foi tido em conta no projecto (se a base é a água e ela é escassa...).
Outro aspecto que lamento, é o da falta de capacidade de dar alma e vida aquele espaço, É certo de teve um pequeno café, um pequeno posto de turismo, que teve meia dúzia de actividades, mas foi muito, mesmo muito pouco para 4 anos. Das actividades que mais interessavam, nomeadamente no âmbito educativo, pouco ou nada se viu. Quando a obra foi inaugurada, eu disse claramente que mesmo discordando de como esta foi feita, poder-se-ia aproveitar devidamente o espaço, no entanto assim não aconteceu. Não se apostou num leque diversificado de actividades várias, que abrangessem desde as escolas, comunidade local, turistas e inclusivamente universidades ou institutos politécnicos existentes a escassas dezenas de km.
Não se apostou igualmente nos jovens do concelho, alguns dos quais de forma gratuita poderiam ter dado vida e alma aquele espaço, através de actividades várias, devidamente enquadradas e tuteladas pela autarquia local.
Enfim, são factos que gostava que fossem abertamente discutidos, especialmente pelos ansianenses. Sinceramente não espero que estes o façam, já que quando a maioria de nós fala sobre o assunto, fala baixo e apenas ao pé dos amigos. Mesmo assim fica o apelo ao debate, pois isto interessa a todos, ansianenses ou não. Quando nos queixamos do facto das coisas correrem mal, temos de ir mais adiante, já que as lamentações não levam a lado nenhum, ao contrário do debate honesto, construtivo e longe de politiquices encapotadas. Não há que ter receio de abordar estas questões, pois sendo as pessoas de bem todos nos conseguimos entender.

16.2.10

Empresa de obras públicas enterra alcatrão sob importante aquífero


Este é um daqueles comentários que vai incomodar muito a empresa visada, mas afinal eu estou aqui apenas para denunciar legalmente e construtivamente casos graves que atentam contra o nosso património.
Curiosamente conheço, de vista, o dono da empresa, não tenho nada contra o mesmo, mas isso não me impede de denunciar um caso tão grave. Além disso não devemos misturar alhos com bogalhos, pois pessoalmente eu separo as coisas. Por vezes acontecia que quem denunciava ficava quase como que o "mau da fita", mas afinal os tempos são outros, a informação é cada vez maior e cada vez mais a sociedade apoia quem denuncia casos como este, ficando apenas como "mau da fita" quem prevarica.
Há também casos em que a opinião pública não liga a este tipo de casos porque não a afecta de algum modo, mas este é precisamente um caso oposto, afecta todos e não apenas alguns.
O que está aqui em causa é apenas a atitude negativa desta empresa, pois por vezes somos mal compreendidos quando denunciamos certas situações na nossa terra, sendo desta forma uma questão que mexe mais conosco.
O caso que agora vou relatar teve o seu início à alguns anos, tendo agora novos desenvolvimentos e com a agravante de ser reincidente, mas vamos aos factos.
Foi já depois de 2000 que a empresa Elimur - Sociedade de Construções Lda, construiu um segundo estaleiro numa área "remota", mas numa área de Reserva Ecológica Nacional, sendo, por isso uma grave ilegalidade. Esta empresa fez um desaterro e aterro, duas coisas que a lei não permitia. Na altura ainda não tinha terminado a licenciatura, mas já percebia que ali havia qualquer coisa que não batia certo, tendo ido uma primeira vez aos serviços da Câmara Municipal de Ansião consultar o Plano Director Municipal. Dessa vez fiquei a perceber a ilegalidade, mas não me foi prestada a devida atenção. Pouco tempo após esta primeira consulta ao PDM, voltei de novo e desta vez lá fui endereçado a um Eng.º para esclarecimentos, mas infelizmente a resposta não foi a melhor, havia um evidente desinteresse pela questão, afinal eu era um mero cidadão e do outro lado estava uma empresa conhecida do concelho de Ansião.
Não demorou muito tempo, já com a licenciatura acabada (2004) que fiz uma denúncia devidamente justificada do ponto de vista técnico, tendo-a entregue num dos locais possíveis, de forma a ser entregue à SEPNA.
Meses mais tarde soube que a empresa tinha sido multada em alguns milhares de euros, não sabendo ao certo a quantia. Nessa altura, ainda um bocado ignorante, pensei que a situação estava resolvida, mas o estaleiro continuava lá e parecia que a multa não tinha sido persuasiva. Infelizmente, em Portugal, acontece muito disto, comete-se um crime ambiental grave, paga-se a multa e fica tudo na mesma, compensando a atitude prevaricadora das empresas que têm este tipo de atitudes nada amigas dos Instrumentos de Gestão Territorial que nos deviam dar garantias.

Já recentemente, aconteceram os factos que me levam então a escrever este comentário, esta mesma empresa, além de continuar a expandir o seu estaleiro, em clara inconformidade com o PDM legalmente instituído, decidiu que seria mais correcto enterrar dezenas de toneladas de alcatrão em vez de o enviar para reprocessamento e posterior utilização no asfaltamento de novas vias de comunicação (algo que muitas empresas fazem de boa vontade). Isto, como todos devem compreender já é algo de grave, mas o mais grave está ainda para vir.
Exactamente por debaixo deste estaleiro, onde foi enterrado o alcatrão (várias dezenas de toneladas) e onde há sempre algumas fugas de óleo da maquinaria ali estacionada, existe a pouca profundidade um aquífero, curiosamente o aquífero onde a Câmara Municipal de Ansião tem uma captação que durante décadas serviu os ansianenses, sendo neste momento uma reserva estratégica de água para utilizar em épocas de maior necessidade.
Sabendo que esta é uma reserva de água muito importante e que nos calcários a poluição chega muito facilmente aos aquíferos, como é afinal este caso, imaginem as consequências de se enterrar toneladas de poluentes precisamente em cima deste local... Infelizmente foi esta a atitude da empresa em causa, atitude que poderá ter consequências legais para a mesma, pois já são dois crimes ambientais, a reincidência da questão do estaleiro (propriamente dito) e o enterro do alcatrão.
Vejam a próxima figura e pensem agora se não deveremos exigir responsabilidade social, e não apenas ambiental, a empresas como esta, se deveremos ficar calados e receosos de fazer valer os direitos que a Constuição nos confere na defesa de valores como este, a integridade de um aquífero:

Figura 1 – Interligação entre a componente superficial e a componente subterrânea do carso.
(Fonte: http://www.dpiw.tas.gov.au/inter.nsf/Attachments/SJON-5MD73U/$FILE/MoleCreekCaves.pdf)
Eu prefiro denunciar legalmente e de forma construtiva, sem receio algum, pois afinal estou a fazer valer os meus direitos e a defender os direitos de todos nós, sem que ofenda ou tenha algum intuito parcial. Cidadania é o que se chama a isto, espero que muitos sigam este exemplo.
Neste momento uma das coisas que se pode exigir é que o aquífero seja monitorizado de forma a ver de que modo é que a qualidade da água já terá sido afectada, é algo de básico e que é necessário para vermos o que se poderá fazer para proteger este aquífero. Resta saber se a qualidade da água já se perdeu por muitas décadas, pois depois de um aquífero estar poluído....
Outra coisa que se pode fazer imediatamente é fazer com que a empresa retire todo aquele alcatrão e o envie para reprocessamento, afinal tem meios para o fazer.

Voltando agora à questão do estaleiro propriamente dito, infelizmente temo que este seja legalizado na revisão do PDM, algo que será o mais provável e que mostra que prevaricar compensa. Quem perde somos todos nós, quem ganha não sou eu concerteza, eu apenas denuncio tentando resolver de alguma forma esta gravíssima ilegalidade.



Tenho pena que um dos critérios de escolha nas adjudicações de empresas de obras públicas não seja um dos parâmetros a ter mais em conta, esperando eu que a empresa visada encete pelo caminho da legalidade, já que esta tem todos os meios necessários para a prossecução de medidas efectivas que visem contrariar este tipo de comportamento inaceitável.

Lembro também a empresas como esta que hoje em dia não há justificação para casos como este, já que já há muitas formas de resolver estas questões, seja pela reciclagem (no caso o reprocessamento do alcatrão) ou pelo encaminhamento temporário deste género de resíduos perigosos para outros locais.

Uma boa atitude pode passar pela mudança de paradigmas, pois é possível ter-se uma empresa neste ramo e ter-se um bom ranking a nível ambiental . A Elimur terá muito mais a ganhar se pautar o seu comportamento ambiental por atitudes pró-activas, defendendo acima de tudo a nossa qualidade de vida, pois por mais mal que façamos ao planeta ele continuará, ao contrário de nós...

No que me toca estou sempre disponível para ajudar de alguma forma as empresas da região, de forma a evitar este tipo de situações.

14.9.08

Olhos de Água em Ansião: problemas graves começam...

Volto de novo a falar sobre os Olhos de Água em Ansião, mas falando de novos factos. Como aliás já tinha referido, vários iam ser os problemas que iriam ocorrer neste local, infelizmente começaram mais cedo do que o previsto...

A semana passada voltei de novo ao local para observar algo que merecia ser registado para vos mostrar, mas antes mesmo de vos falar disso, falo de algo triste, o vandalismo reles já começou. Infelizmente alguém teve comportamentos dignos de autênticos vândalos, destruindo quase todas as lâmpadas embutidas no muro da ribeira, partiram o vidro exterior e em muitas delas partiram mesmo as lâmpadas economizadoras, algo que justifica vigilância das autoridades competentes!

Falando agora no que toca à minha formação na área, notei à quase duas semanas que a água estava barrenta, algo que qualquer visitante pode observar até à 3 dias, aquando do esvaziamento do pequeno açude, só uma semana após o ocorrido me desloquei ao local para fazer registo fotográfico.

Basicamente o que aconteceu para a água ter ficado assim, foi o facto de derivado do facto de não ter sido elaborado um estudo hidrogeológico, a água está a ser retirada sem que se saiba a real quantidade que existe nas duas galerias desta nascente. Desta forma, devido ao bombeamento irracional de água, ocorreu erosão de um depósito lá em baixo (falando em linguagem mais simplificada). O nível de água baixou devido àcção irracional do bombeamento de água e por isso houve um problema que se irá repetir muitas vezes, causando danos nas cavidades...

Já tinha avisado para este e outros factos, que agora qualquer um pode ver na prática os seus efeitos à superfície (para ver lá em baixo só mesmo com o auxílio dos espeleólogos).


No futuro irão ocorrer mais factos gravosos, basta um ano de cheia para todos podermos ver ao vivo estes mesmos problemas, com a agravante de depois de ocorridos quem vai pagar a factura são os nossos impostos e não quem equacionou mal este projecto.

Deixo-vos agora com alguns maus exemplos, a jusante, que vão contribuir para que um destes anos haja chatice da grande para os ansianenses:

Ao fundo vemos a ponte que passa por cima do IC8, apenas a 500m dos Olhos de Água. Esta ponte é outro dos problemas graves que aqui assistimos, já que funciona como uma "rede" para a água que escoa dos Olhos de Água (a água escoa para ali desde o Camporês, Casal e Várzea de Santiago da Guarda). Desde que esta ponte foi feita ainda não houve nenhum ano de cheia, mas quando vier.... Esta deveria ter sido feita integralmente em tabuleiro e não em aterro.

Finalmente, nesta última foto, podem ver outro dos maus exemplos, algo que não deveria ter sido aprovado pela Câmara Municipal de Ansião, pois é um péssimo exemplo em termos de ordenamento territorial, situando-se a apenas 100m da ponte.

Trata-se de um muro que marca o limite de um terreno (ver seta a branco). Este muro é transversal ao leito de cheia, algo que nunca deveria ser permitido, já que em ano de cheia este muro vai causar muitas chatices, dificultando o normal trajecto da água. A solução aqui poderia ter sido permitir apenas a construção de um muro que deixasse a água, no seu leito de cheia, passar livremente, por exemplo um muro com pequenos postes em madeira com uma pequena vedação. Desta forma ficaria salvaguardada uma situação problemática, bem como impedida a passagem de estranhos pelo terreno do proprietário.

Este último ponto é complicado, já que infelizmente em Portugal muitas vezes é perigoso andar em terreno alheio, mesmo que sem más intenções! Por exemplo, na Noruega podemos andar livremente por terrenos privados, mas isso é tema para outro dia....