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24.5.16

É muito fácil cortar uma árvore...


É muito fácil cortar uma qualquer árvore. Mais difícil é plantar ou repôr outra. É muito fácil cortar um carvalho para lenha. Mais difícil é plantar carvalhos para, no futuro, ter bolotas, ecossistemas, madeira da boa e alguma lenha vinda da gestão dos carvalhais. É muito fácil cortar uma árvore. Mais difícil é entender que aquilo não é apenas uma árvore. É muito fácil respirar. Mais difícil é pugnar por ar bom para se respirar. É muito fácil cortar árvores valiosas. Mais difícil é deixar de cortar estas mesmas árvores. É muito fácil cortar árvores valiosas para o ecossistema. Mais difícil é garantir a saúde do ecossistema. É muito fácil rasgar uma serra para plantar eucaliptos. Mais difícil é entender que o lucro é algo de muito subjectivo. É muito fácil plantar eucaliptos. Mais difícil é termos uma paisagem que valha esse nome. É muito fácil apregoar a sustentabilidade para os jornais da terra. Mais difícil é ser-se coerente e consequente nessa mesma sustentabilidade.
Querem que continue?!

14.4.15

O pecado original: do silêncio do porquê ao receio do tal

No início do ano abordei esta questão, pensando eu que o bom-senso iria prevalecer e que a vontade da maioria iria prevalecer. Enganei-me...
Já sabendo da má notícia, e numa das minhas deslocações a Alvaiázere, decidi que era altura ir a Almoster, ver a coisa com os meus próprios olhos. Quis o destino que, precisamente na altura em que tirava uma fotografia ao corte que representa o destino do carvalho, chegasse a pessoa que simbolicamente denomino agora como o "carrasco". Milagre!
Não o conhecia pessoalmente, mas em poucos minutos isso iria mudar. É impressionante como é que alguém munido de uma máquina fotográfica mete mais medo do que alguém com uma arma. Sinal dos tempos?
Quando pensava ouvir algo como "boa tarde", ouvi "há algum problema?". Respondi da forma que me ensinaram, cumprimentando com um "boa tarde". Notei que o "carrasco" estava muito nervoso com a minha presença, algo que apesar de estar habituado, acabo por não compreender bem, já que não sou o "bicho papão". Achei curioso este dizer que me conhecia, já que afinal uma coisa é ver a minha foto no facebook, outra, diferente, é conhecer-me pessoalmente. Notei igualmente que este cometeu um erro crasso de análise, pois referiu que eu teria sido influenciado por terceiros. Digo erro crasso porque não compreendo como é que tantos anos depois ainda haja quem possa pensar que eu sou influenciável. Pediram-me ajuda, que é bem diferente do ser influenciado para. Mas enfim, continuemos...



Com um discurso claramente tenso, embora contido, o "carrasco" iniciou a conversa propriamente dita. Durante alguns minutos falámos sobre o abate do carvalho. Confesso que foi um diálogo positivo, no entanto a minha posição ficou ainda mais firme em defesa daquela árvore, agora assassinada só porque sim. Importa salientar que aprecio o facto de haver abertura para falar comigo, em vez de fugir à conversa, tal como o ressabiado o faz desde 2007.
Curioso como é que um monte de folhas faz tanta confusão, especialmente tendo em conta que esta casa não é habitada, servindo apenas como "refúgio" esporádico. Curioso como é que sendo esse o problema, e em vez de colocar por exemplo uma "barreira" no lugar daquele "corrimão" do lado direito, se corta o coitado do carvalho. O "problema" não são as folhas, mas sim os redemoínhos que as levam a acumular num plano inferior. Se a obra tivesse sido bem feita não haveria quaisquer acumulação de folhas. Curioso como é que uma comissão não sei bem de quê, não sei bem representativa de quem, se queixe que não foi ouvida no projecto de requalificação, a financiar com fundos públicos, quando afinal até o foi. Não tem de ser ouvida em tudo, pois afinal o carcanhol não virá do céu. Curioso como é que se faz um silêncio do porquê numa uma comissão não sei bem de quê. Essa comissão não quis ter em conta a maioria daqueles que é suposto representar e que, aparentemente, são (eram) maioritariamente contra o corte do carvalho. Será isto coerência?! Fará algum sentido?
Se as folhas incomodam tanto, como é que se pensa em colocar futuramente uma oliveira por ali? A oliveira não tem folhas? E as azeitonas, quando cairem na pedra e se esborratarem pelo pisoteio, será que o piso não vai ficar todo manchado? Quem vai limpar?
E já agora, porque é que quando esta questão foi amplamente debatida do fórum do facebook de Almoster o "carrasco" não comentou uma única vez?
Houve duas pessoas, em especial, que se mostraram a favor do abate do carvalho, uma de forma activa, outra de forma passiva, curiosamente ambas a morar em Lisboa, algo que é sempre de assinalar. Não há a cidade e a floresta, há sim a cidade com espaços verdes e a floresta. O mesmo se aplica aos aglomerados urbanos, os quais devem ser abençoados por árvores. Também já morei em Lisboa, daí saber que em Lisboa as árvores não são propriamente uma prioridade ou sequer uma preocupação, genericamente falando. Sei também que quando falham os argumentos se utiliza muito a figura da capital para tentar de alguma forma mostrar a superioridade moral e um sentido paternalista.
É nesta altura que me lembro do que Neil de Grasse Tyson, um brilhante astrofísico, disse numa das suas palestras: "Os adultos esqueceram como compreender a Natureza, como pensar a respeito do mundo natural." Sugiro ao "carrasco" que pense um bocadinho sobre esta breve, mas genial, afirmação.
Para finalizar, agradeço honestamente ao "carrasco" os minutos de conversa, bem como a sua coragem para falar comigo, pois permitiram de parte a parte expor argumentos, mesmo que com factos desprovidos de objectividade e, diga-se, de verdade. Podiam ter sido mais uns minutos, mas a nossa vida não dá para tudo. 


13.1.15

Carvalhices em Almoster: a esperança é a última a morrer...




É um caso sobre o qual me debrucei após um pedido de ajuda por parte de algumas pessoas de Almoster, em Alvaiázere. Até hoje nunca recusei prestar algum tipo de ajuda quando me solicitaram a mesma, daí este ser mais um caso a analisar. É uma situação que dei especial atenção porque este é um daqueles casos que podemos utilizar como exemplo em termos de educação ambiental, dado o seu potencial pedagógico.
Passando à descrição da situação, fui informado que havia a intenção de mandar cortar o carvalho que podem ver nas duas primeiras fotografias. Para uma das pessoas é apenas um carvalhito, para outras é mesmo um carvalho já com algumas décadas de vida.
Num fórum do facebook iniciei o debate, de modo a que mais se juntassem ao mesmo, o que acabou por acontecer e se desenvolver durante mais de 40 comentários. Várias foram as pessoas que apoiaram a minha posição, de manter o carvalho tal como está. Duas ou três outras pessoas não deram apoio, pois mostraram-se favoráveis ao seu abate. Todos expressaram a sua opinião, argumentando das mais variadas formas. Felizmente que o debate embora algo aceso, se manteve sempre numa linha de correcção, sem abusos, o que é algo de raro hoje em dia nas redes sociais. A este debate juntou-se o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Almoster, que acabou por contribuir com dados importantes para o debate.
No final desse frutuoso debate, fiquei a saber que a decisão do abate do carvalho terá passado ao lado do Padre respectivo, sendo que mais parece que outras pessoas, sob a capa da igreja, estão a tentar fazer algo que não é da concordância do padre e da maior parte dos paroquianos. A justificação que me foi apresentada será a de que "faz lixo", algo que eu considero sem cabimento algum. Como podem ver na fotografia, lixo é coisa que ali não existe, existem sim folhas no chão, algo de normal. Se vão algumas folhas para as caleiras é simples, as mesmas podem e devem ser limpas.
Aquele carvalho produz oxigénio, faz a preciosa da sombra e diminui a temperatura em redor do mesmo, algo que no Verão sabe muito bem. Umas cadeirinhas ali por baixo e ainda se pode fazer uma reunião de amigos ou uma bela festa. Há tantas coisas boas associadas aquele carvalho, porquê cortar?!
Pelo que fui informado, há um projecto de requalificação para aquela área, o qual tem prevista a manutenção do carvalho e de outros que por ali existem, tudo em plena harmonia, tal como eu considero que deve ser. Então porque é que há alguém a pretender abater aquele carvalho? Será que aquele carvalho não é património, não faz parte da identidade local? Que tem a Comissão Fabriqueira a dizer sobre isto? Esta questão não diz apenas respeito a esta Comissão, mas sim ao Padre, aos paroquianos e a todos os contribuintes. 
Espero que o debate que iniciei seja um contributo para a continuidade daquele carvalho, até porque ficou à vista que a maior parte não concordará com o seu abate. Não vislumbrei uma razão válida para o abate daquele carvalho. Espero também que cada vez mais pessoas se apercebam da importância dos espaços verdes nos perímetros urbanos, pois, e ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, as árvores também têm ali um espaço próprio, o qual favorece de sobremaneira o nosso dia-a-dia. Irei dar mais atenção a esta questão, fica a promessa.
Para finalizar, um desafio, a todos sugiro algo de muito simples, mas cheio de significado. Vão até ao pé do carvalho, dêem-lhe um abraço e, aí, respirem fundo. Utilizem todos os vossos sentidos. É um pequeno e simples gesto humano que muitos já esqueceram nas suas vidas. É um pequeno gesto que vos pode trazer muitas recordações, as quais irão desaparecer se o carvalho for cortado. 
Quem não está bem com a Natureza não está bem consigo mesmo. Não há nós e a Natureza, nós somos parte da Natureza!