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22.9.14

Quem anda a desviar os peregrinos de Santiago?!



Primeiro fui avisado por alvaiazerenses indignados, depois por pombalenses e desta forma tive mesmo de ir ver com os meus olhos. Não foi nada que me surpreendesse, pois naquele território tudo é possível acontecer e cada coisa consegue ser pior do que a outra.
Mais recentemente falei directamente com alguns peregrinos do Caminho de Santiago, de forma a perceber o que se passava. Descobri que é um problema que já se passa noutros locais, mas agora o problema surgiu também na região de Sicó, logo onde reina a chico-espertice de alguns iluminados, que pensam que de forma impune podem andar a pintar setas amarelas, que nem freak show, onde não existe Caminho de Santiago, enganando assim vários peregrinos de Santiago. Importa salientar que várias setas foram pintadas onde não existe Caminho de Santiago, o que representa uma inaceitável falta de ética.
Tenho a sorte de já ter falado com centenas de peregrinos do Caminho de Santiago, das mais variadas nacionalidades e idades, que passam pela região de Sicó, concretamente por Ansião. Conviver com estas pessoas é de uma riqueza assinalável, isso vos posso garantir.
Nos últimos anos o Caminho de Santiago começou a ser muito falado por muitos de nós. O volume de peregrinos tem sido maior, devido, entre outros, à saturação do caminho espanhol e francês. O problema é que isto tem levado a que alguns oportunistas tenham vindo a imiscuir-se de forma pouco honesta nesta questão, concretamente desvirtuando partes do Caminho de Santiago com vista a que os peregrinos sejam direccionados para lojas, alojamentos e afins. Lamentável!
Voltando atrás no tempo, há poucos meses atrás, vários peregrinos de Santiago, vindos de Caxarias, têm saído do trilho por eles previamente estabelecido, o que tem causado muitas chatices e enganos a quem por aqui passa. Isto começou a acontecer porque alguém andou a pintar setas amarelas num ponto chave (Bofinho), em direcção à Vila de Alvaiázere, desviando assim os peregrinos do seu trajecto. Pintaram setas de forma inaceitável. Há que dizer com frontalidade que os peregrinos estão a ser enganados/desviados com um fim económico, restando agora apurar as responsabilidades.
De forma não oficial já sei quem foi, pois já o disseram a um jornalista, e logo de forma descarada, sem pensar nas consequências e na má fama que isso pode dar ao Caminho de Santiago num dos seus mais belos sectores.
São poucos os peregrinos que fazem o Caminho de Tomar a Alvaiázere (Caminho Português). Ainda há poucas semanas um peregrino português me disse que nunca mais o faz, preferindo sim a vinda por Caixarias, sem passar pela Vila de Alvaiázere. É este sector que está a ser "atacado", é por aqui que passa a maioria dos peregrinos. Muitos preferem não fazer o Caminho Português de Santiago, no troço Tomar-Alvaiázere e, infelizmente, há quem não queira respeitar isso e desrespeite quem prefere fazer um troço desviado da Vila de Alvaiázere.
Irei alertar os fóruns de peregrinos para este engano, de forma a que os peregrinos não fiquem com uma má imagem da região de Sicó, ou pelo menos de alguns sectores da mesma. Há que debater amplamente este problema, a bem do Caminho de Santiago e da nossa região.


24.4.12

O património subjugado


A escassos minutos de Condeixa, eis o lugar da Fonte Coberta, local que poucos conhecem realmente. Isto acontece por um motivo muito simples, além da óbvia preguiça de muitos daqueles que vivem na região de Sicó, mas que não a usufruem, o motivo é a mania da pressa que leva a que muitas vezes se pense em ir de X a Y sem passar por lugares com grande valor patrimonial.
De vez em quando gosto de atalhar pela Fonte Coberta, já que vale mesmo a pena. Já passei por ali dezenas de vezes, mas curiosamente nunca tinha parado para ver aquela ponte Filipina. Pode parecer estranho nunca o ter feito, mas afinal com tanto património é, por vezes, difícil, parar em cada lugar para ver as coisas com olhos de ver. Mais ainda, mal conheço, com olhos de ver, aquele cantinho onde está situado o lugar da Fonte Coberta, tenho de ver se consigo um dia para isso, seja de btt ou a pé, pois é assim que se conhece Sicó. 
Outro dia, lá surgiu o clique que me fez parar e ver a ponte com olhos de ver. As placas de identificação estão bem posicionadas e é preciso ir muito distraído para não ver esta bela e valiosa ponte.
Lembrei-me de fazer este comentário lembrando este último dia internacional dos monumentos (18 de Abril), pois afinal esta ponte Filipina é mesmo isso, um belo monumento, o qual está "arredado" da vista de muitos do que visitam a região de Sicó. Os peregrinos do Caminho de Santiago conhecem bem esta ponte, não há que enganar, mas esses são poucos quando comparados com os turistas que passam bem ali ao lado.
A região de Sicó é um hotspot de património, mas infelizmente as estratégias locais e regionais não têm sabido valorizar e potenciar devidamente a vastidão de recursos patrimoniais que temos, salvo raras excepções. Infelizmente, e na maior parte dos casos, as versões estereotipadas de desenvolvimento do território predominam e, assim, subjugam todo este valioso património, perdendo a região, quem aqui vive e quem nos visita...
Fica a sugestão de visita ao património da região de Sicó, sendo esta ponte Filipina apenas um de muitos exemplos que vale a pena conhecer!


6.12.10

Nos Caminhos de Santiago da região de Sicó

Este era um tema que já estava agendado há umas 3 semanas, mas agora é, talvez, a altura ideal para o fazer. Confesso que poderia ter falado deste assunto há mais tempo, mas como felizmente há tanta diversidade de temas para falar que, por vezes, vou adiando alguns.
Venho precisamente a chegar de uma problemática viagem (à Escócia), não vos vou falar dela, isso fica para um livro que, aos poucos ando a escrever sobre as minhas viagens nos tempos livres.
Tomei a decisão de falar hoje deste tema, precisamente há 3 semanas. Isto porque mais uma vez tive o privilégio de falar com viajantes que passavam pela região de Sicó, em busca dos Caminhos de Santiago. Desta vez eram duas sul-coreanas, facto que me fez reflectir ainda mais sobre como é possível termos também esta riqueza que é mais conhecida por viajantes longínquos do que por nós próprios:
Já falei com pessoas de várias nacionalidades, muitos europeus, americanos e sul-coreanas, entre outros. Pensei para mim próprio, o que levará alguém de tão longe vir a Portugal e passar pelos Caminhos de Santiago que atravessam a região de Sicó?!
Como geógrafo viajado sei o que leva estas pessoas a vir até cá, mas mesmo assim fico sempre positivamente surpreendido e ao mesmo tempo contente pelo reconhecimento da região. As viagens transformam-nos para melhor e aprendemos muito com aqueles que vivem por onde passamos. Absorver o ambiente, inalar os cheiros, sentir a rugosidade do terreno, apreciar as paisagens é algo que molda o nosso carácter e caso tenhamos capacidade de aprender, seremos melhores pessoas, isso vos garanto.
O que me leva a escrever este comentário, além de vos fazer reflectir que os Caminhos de Santiago são também um património da região de Sicó, é fazer-vos reflectir sobre algo muito simples. Porque é que as entidades regionais não estão conscientes da importância turística, cultural e económica que representa a vinda dos "Caminhantes de Santiago"? Porque é que não existe uma estratégia concreta de valorização deste recurso?
Uma estratégia passaria em primeiro lugar pela identificação do recurso, depois pela avaliação do mesmo e finalmente por uma estretégia de acção tendo em vista a valorização do recurso. A estratégia passaria não apenas pela divulgação que existe aqui o recurso "Caminho de Santiago" (é um erro comum que se teima em fazer por estes lados..), mas sim de reabilitação do eixo por onde passa o Caminho de Santiago. Os visitantes não querem ver casas que são iguais em todo o lado, querem sim ver a alma da região, habitantes locais, casas de pedra recuperadas, trilhos em condições (e não caminhos florestais que destroem antigos caminhos ancestrais) e tudo o resto. É algo de transversal à região que os actores de desenvolvimento regionais teimam em não compreender. Enquanto isso vai-se perdendo todo um património que depois de perdido não volta...
Lembrem-se que mesmo que por si próprio este recurso não seja uma "salvação", conjuntamente com milhares de recursos (património natural, cultural, etc) concerteza é um recurso valioso para definir uma estretégia concertada de desenvolvimento regional para a região de Sicó, é isso que nos tem faltado. Tem faltado não só pelo facto de termos tido até hoje autarcas e outros actores de desenvolvimento mal preparados, mas acima de tudo por nossa própria culpa, isto porque em tempo de eleições o que mais vulgarmente se pede a um autarca é que ele alcatroe o caminho à nossa porta e coloque uma manilha, é assim que infelizmente vendemos o nosso voto, seja ele para quem for.
Peçam património em vez de alcatrão e vão ver que as coisas mudam, pois enquanto assim não o fizerem, a região de Sicó e o país continuarão a ficar mais pobres, mesmo sendo uma região e um país riquíssimos em termos de património...
Um dia também farei os Caminhos de Santiago, isso vos posso assegurar haja saúde!