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28.8.14

Não esqueçam as variedades tradicionais!


Vi-os ali, no chão, esquecidos e desprezados. Não os quis deixar acabar de apodrecer e decidi ir buscar um balde, de modo a que as galinhas pudessem ter um lanche diferente. Já na capoeira peguei na faca e comecei a cortar os pêros em bocados. Fui apanhado de surpresa, pois afinal eles não estavam podres por dentro. Fiquei chateado, pois já era tarde demais para os comer. Sabia que o sabor destes pêros era indiscutivelmente melhor do que a muita da fruta que encontro nos super e hipermercados. Não é tão bonita, mas é muito mais saborosa, saudável, pois é verdadeiramente biológica, e é de uma variedade tradicional.
Felizmente que há associações várias que têm sabido trazer esta questão a bom porto, mesmo sabendo que há muito caminho a percorrer.
Por enquanto ainda vamos tendo muitas variedades tradicionais, no entanto, e caso não façamos nada, estas continuarão a senda do esquecimento. Empresas como a Monsanto agradecem o esquecimento, no entanto há que incentivar o culto pelas variedades tradicionais, pois estas não servem, em primeiro lugar, para tornar empresas ainda mais ricas e acéfalas, mas sim para apurar o que a Natureza tem de melhor e para melhorar a nossa saúde numa época onde muito é denominado por alimento não o sendo...
À parte destes peros, tenho-me deliciado com a bela da amora, que por esta altura se encontra à nossa espera um pouco por toda a Sicó, à beira de caminhos pouco frequentados. Atenção que há quem coloque veneno em alguns locais!
Muito brevemente serão os figos a preencher a minha agenda gastronómica. Onde houver figos pingo de mel, lá estarei! 

12.5.10

FarmSicó

Concerteza alguns de vós devem estar a pensar sobre este título, se eu não quereria dizer farmville. A escolha do título não foi inocente, já que o tema tem a ver com o farmville, mas não da forma como poderiam pensar...
Já devia ter feito este mesmo comentário há 3 semanas, mas o facto de a minha estimada máquina fotográfica ter decidido reformar-se, contribuiu para este atraso, já que não tinha forma de tirar uma foto especificamente a pensar neste comentário.
Decidi avançar com este comentário depois de ter lido uma reportagem no Jornal de Leiria, sobre o vício que muitos jovens têm sobre um jogo chamado farmville. Uma semana depois vi também um debate na RTP1 sobre o estado da agricultura portuguesa. Estava aberto o caminho para eu escrever algo diferente, mas útil.
É uma preocupação minha, ver que muitos dos jovens da região de Sicó perdem horas e horas com o mundo virtual, afastando-se perigosamente do mundo real, um mundo do qual todos dependemos... Choca-me de alguma forma ver que há jovens que no mundo virtual sabem plantar uma alface (com um clique no rato, imagine-se...) mas que no mundo real não sabem sequer reconhecer alguns produtos hortículas.
A crise que Portugal atravessa tem muitos aspectos negativos, mas uma coisa é certa, está a fazer com que muitas pessoas voltem a cultivar as terras, educando toda uma sociedade e mostrando que não é prudente pensar que basta ir à loja para comprar tudo o que necessitamos.
Lanço agora um desafio a todos os jovens (e menos jovens) da região de Sicó, arranjem um terreno, nem que peçam a quem tem um terreno e que não o amanha, e peguem numa enchada!
Todos nós temos essa possibilidade, pois numa região como a de Sicó é fácil arranjar um cantinho para fazer uma hortazinha!
Em 2009 fiz isso mesmo, pedi um favor e arranjei um cantinho para uma horta, mesmo sem nunca ter feito algo semelhante. A experiência correu muito bem e não gastei quase nada, mesmo em água, a maior parte dela foi água da chuva armazenada em canecos. Confesso que é uma sensação feliz, plantarmos algo e depois colhermos (já tinha ajudado na agricultura mas nunca tinha feito algo eu próprio). A Natureza tem destas maravilhas e é pena que não as aproveitemos.
Este ano fiz o mesmo, o resultado está na foto e daqui a mais uns dias já vou comer e bela da alface!
Esta "pequena" atitude além de importante, ajuda em termos económicos, já que se gasta pouco e se ganha muito, não sendo necessário ir comprar as coisas ao supermercado. Espero que os jovens ganhem consciência da importância deste gesto, criar uma horta.
Será, por fim, importante garantirem que as sementes são tradicionais, já que podem correr o risco de comprar variedades não tradicionais, algo que muitas vezes é prejudicial para os ecossistemas. Para isso podem tentar contactar uma associação que prima pela defesa das sementes tradicionais, a Associação Colher para Semear (há meses atrás destaquei pela positiva esta associação, basta retroceder uns meses nos arquivos que conseguem encontrar).
O desafio está lançado, vamos criar mais hortas na região de Sicó!