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17.11.19

Sabiam?


Utilizo este excerto do meu exemplar da primeira carta militar de Ansião, datada de 1947, para vos mostrar algo de particularmente curioso em termos de topónimos. Claro que a primeira tendência será olharem para o topónimo "Ancião", mas não é esse topónimo que me traz aqui para partilhar informação, muito embora seja interessante. No meu tempo da primária, era Ancião que escrevíamos.
Antes de tudo importa referir algo de fundamental, ou seja de que as Cartas Militares são elementos muito importantes, seja em termos de cartografia oficial, que é utilizada para tudo, seja pelo manancial de informação relevante que encerram em si, nomeadamente em termos de toponímia. 
Há uns anos descobri que me faltava uma das cartas militares de Ansião, tendo eu apenas a segunda, datada da década de 80 e a terceira, datada da primeira década deste século. Afinal havia outra, esta datada da década de 40. Na altura o meu interesse era investigar os topónimos Serra da Portela, Pousaflores e outros mais. Algumas pessoas ficaram particularmente incomodadas por eu mostrar que a Serra da Portela sempre teve esse topónimo/nome (desde a década de 40) e que uma coisa era algumas pessoas conhecerem a serra por outro nome (Anjo da Guarda) e difundirem erroneamente que o nome da Serra era Serra do Anjo da Guarda, e outra coisa era o seu nome/topónimo ser afinal Serra da Portela e omitirem o facto, contribuindo para a actual confusão de algumas pessoas. Percebi também que Pousaflores antigamente era Pousa-Flores, depois de ver documentação antiga, que não cartografia oficial.
Mas vamos ao que me traz aqui. Quando adquiri a Carta Militar em causa, a primeira de todas, descobri algo que nunca tinha ouvido falar, mas que depois de falar com o uma senhora nascida umas décadas antes de mim, percebi que o topónimo em causa lhe dizia muito.
Qual o topónimo? Precisamente o topónimo que eu mais utilizava no meu dia-a-dia, ou seja Moinho das Moitas (mas que deveria ser "Porto Largo"). Até à década de 70, mais coisa menos coisa, o Moinho das Moitas era Moinho das Velhas. E esta, hein?!

18.8.18

Restaurado? Olha que não, olha que não...


Era um ícone patrimonial com o qual me cruzei literalmente milhares de vezes, algo de normal sendo eu de Ansião. Era um dos ícones de Ansião, surgindo sempre destacado nas pesquisas na internet, e não só, sobre Ansião ou sobre o turismo desta região. Há poucas semanas tudo mudou, pois o painel histórico foi destruído, dando lugar a um novo painel. Era um elemento patrimonial de grande importância, daí a compreensível polémica que se seguiu após a destruição do painel de azulejos.
Acompanhei este caso ao longe, facto que não me permitiu falar sobre o caso até agora. Contudo fui falando com algumas pessoas e percebendo o que se passou. No fim-de-semana das festas de Ansião voltei finalmente ao meu habitat, do qual não me consigo separar, e fui fazer o necessário reconhecimento.
Após este regresso a Ansião estou então em condições de comentar o caso, fazendo desde já uma ressalva importante, a de que irei separar este comentário em duas partes:

1ª parte - Pelo que me foi dito, não era suposto isto ter acontecido, contudo, e infelizmente, o tempo não volta atrás e o painel original está perdido, não havendo volta a dar... Qualquer intervenção naquele painel deveria em primeiro lugar ter sido publicitada, havendo necessidade de informar os munícipes e, caso houvesse alguma intervenção de fundo a fazer, esta deveria ser debatida pelos cidadãos, tal como acontece noutros países relativamente a estas questões. A Câmara Municipal de Ansião falhou na gestão desta desastrosa intervenção, a qual resultou na perda de um elemento patrimonial único. Sei que já reconheceu o erro, contudo, e tal como já referi, não há volta a dar, a perda total do painel é permanente e definitiva, algo que lamento profundamente. 
Prosseguindo, gostaria de saber quem foi a pessoa que cometeu este atentado ao património, já que há uma lei recente que, teoricamente, protege o património azulejar, algo que não aconteceu. Como é possível alguém que lida com azulejos seja, em vez do seu salvador, o seu destruidor? Que competência profissional tem a pessoa que fez esta intervenção desastrosa?! Esta pessoa deveria ser impedida de lidar com património azulejar, de forma a prevenir mais destruição do nosso património azulejar! Deveria ir directamente para uma lista negra, onde estivesse o nome de todos aqueles que trabalhando na área, atentassem contra este património azulejar. É certo que a Câmara errou, mas seria de esperar que quem fez aquilo dissesse como as coisas têm de ser feitas e dissesse preto no branco à Câmara que aquele painel não poderia ser destruído sequer. Além de não o ter feito, é responsável pela destruição daquele painel de azulejos e de um dos ícones patrimoniais da Vila de Ansião. E depois ainda teve a lábia de escrever no novo painel que foi restaurado...
O painel original estava a precisar de uma intervenção, já que a área proximal à torneira, em baixo, estava um bocado degradada, mas nada de irrecuperável! As técnicas actuais já possibilitam isso mesmo, desde que a intervenção seja feita por uma pessoa credenciada e competente. Uma breve intervenção resolveria e manteria o painel durante mais umas décadas sem problemas de maior.


2ª parte - Quando isto aconteceu, surgiu a natural reacção dos ansianenses, umas mais honestas, outras nem por isso. Digo "nem por isso" porque se há coisa que me irrita é a hipocrisia. A crítica é bem vinda, a hipocrisia não! A crítica aponta os problemas e contribui de forma decisiva para que actos como este não se repitam, ganhando todos com isso. A hipocrisia não faz nada além de mostrar o quanto incoerentes algumas pessoas podem ser.
Nunca pensei que no espaço de poucos meses algumas pessoas que se mantinham caladinhas aquando de outros casos, de destruição de património, se transformassem em proeminentes activistas do património. A politiquice tem destas coisas. 
Vi dois casos em especial. O primeiro de uma pessoa que até há poucos meses não tinha esta veia de activista do património, na forma de denúncia pública em Ansião. "A primeira coisa" que fez foi fazer-se membro de um grupo do facebook do qual até então não fazia parte, o "Azulejos de Portugal", onde denunciou o caso. Será que se isto tivesse acontecido há uns meses teria feito o mesmo? Fica a questão...
O outro caso foi o de um ex vereador, que, postou na sua página do facebook a notícia sobre o caso, que constava no Jornal de Leiria, afirmando "e assim se faz notícia da minha terra na imprensa regional!". A hipocrisia fê-lo estar calado durante anos, enquanto dezenas de casos ligados à destruição do património em Ansião saíram na imprensa regional. A bela da hipocrisia no seu auge. Aposto igualmente que se este caso se tivesse passado há alguns meses, o indivíduo em causa nada diria de forma pública. Exemplos como estes mostram o quanto hipócrita pode ser a política, ou mais precisamente a politiquice. Aplaudo a crítica, condeno a hipocrisia! Aplaudo a política, condeno a politiquice! Eu já me deixei de politiquices há muitos anos e não foi por mero acaso...


9.11.14

Ansião com c ou com s?



Há uns meses atrás, recebi uma mensagem, através do azinheiragate, que pretendia alertar-me para o facto de Ansião escrever-se com o s e não com um c. Isto porque no blog refiro que sou de Ancião e não de Ansião. 
Compreendo, e agradeço, a chamada de atenção, no entanto o que eu pretendo é mostrar que houve um tempo em que se escrevia Ancião e não Ansião. Eu ainda sou desse tempo. Nos mapas de Portugal, que cada um de nós tinha nos tempos da primária, constava Ancião e foi assim que aprendi. Claro que depois Ancião passou para Ansião. Se bem me lembro, isto deve-se ao facto de que os historiadores conseguiram determinar que, afinal, o correcto era mesmo Ansião. Penso que noutros tempos Ansião se denominada por Ansiom, ou algo muito aproximado.
Este meu comentário pretende alertar para que há toda uma história que anda a cair no esquecimento, algo que eu considero grave. Hoje em dia impera o supérfluo, mais facilmente um miúdo sabe o historial de um jogador de futebol do que a história do seu país. Cultivam-se mentalidades à casa dos labregos e parece que isso é aceitável.
Aproveito este comentário para abordar também uma outra questão. A maioria de vós já percebeu que eu não sigo o denominado “acordo ortográfico”, ou AO. Esta altura é a ideal para me justificar, se é que há necessidade disso.
Não sigo o acordo ortográfico (AO) porque o AO não é afinal um AO, mas sim um acordo criminoso de mercantilização da língua portuguesa. Sou apologista da evolução linguística e até concordo com alguma da evolução, no entanto este AO não teve como base a necessidade de evolução, mas sim a questão económica. Não aceito que com um falso pressuposto se altere o que de mais sagrado uma cultura pode ter, a sua língua. E isto sem que sequer tenha ocorrido um referendo... Lembrem-se que a maioria de nós, portugueses, somos contra o acordês, o problema é que parte significativa dos mesmos são passivos perante um tema fundamental, que mexe com a nossa identidade secular.
Tenho lido muito sobre o AO, não gostando de muita da demagogia utilizada em redor do mesmo. Este AO foi efectuado por colarinhos brancos (que considero traidores da nossa cultura), à revelia do povo. Houve vários pareceres negativos e curiosamente um único, positivo, foi levado em conta. Há interesses económicos a guiar o AO, o que é muito perigoso para a nossa cultura. O único interesse a guiar um AO deve ser o do povo!
O meu apelo é um só, recusem o AO. Ninguém vos pode obrigar. Além disso, ao continuarem a escrever da mesma forma, antes do AO, não estão a cometer erros ortográficos, estão apenas a utilizar a língua portuguesa! Lembrem-se que os mesmos que aprovaram o AO, nas vossas costas e sem consulta popular, são os mesmos que levaram o país à situação onde ele está...
Eu não compro livros, revistas, jornais ou afins que utilizem o AO, é uma questão de coerência. Faça-se um novo AO que esse sim, siga os interesses do povo e do seu maior tesouro a língua portuguesa!