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13.2.17

"Tenho medo de regressar a casa um dia e não reconhecer o lugar que me viu partir"

É uma frase que embora possa parecer um cliché, é uma verdade cada vez mais actual. "Roubei" esta frase do mural do "Tia Almerinda", tal como as fotos que utilizo neste comentário. 



As coisas andam quentes em Abiúl e o assunto é um dos do costume, o abate de árvores e a suposta necessidade do modernismo na regeneração urbana de um lugar bem conhecido da região de Sicó.
Logo que me deparei com esta questão, comecei a acompanhá-la e logo por vários motivos. É uma situação que se assemelha por exemplo à que ocorreu na Vila de Ansião e à que está a ocorrer em Chão de Couce. Ocorre também num lugar onde amigos meus têm raízes e, imagine-se, eu soube primeiro do que eles. E representa algo que eu abomino, ou seja por um lado o ignorar da opinião dos locais e por outro projectos do tipo chapa 5, com elementos completamente estranhos ao local (ex. granito). Neste caso, e de acordo com o que indaguei, as pessoas até foram chamadas a dizer de sua justiça, contudo, e tal como aconteceu em Ansião, foi apenas verbo de encher, para dizer que as pessoas tinham participado da discussão pública, pois, e de facto, esta discussão pública não foi consequente, o que é grave. 
Porque decidi destacar esta situação? Além do já explanado, por dois motivos, ou seja o facto de mais esta triste situação poder funcionar como elemento mobilizador para mitigar situações similares no futuro, bem como mostrar que as pessoas são cada vez mais activas e interessadas na defesa do seu património e identidade, tal como está a acontecer em Abiúl. A elas a minha homenagem enquanto activista do património. Logo que saibam da existência de um qualquer projecto, vão aos serviços das vossas autarquias informar-se, pois têm o seu direito. E se vos começarem a dar negas, façam valer os vossos direitos e, já agora, informem-se através da CADA. Há uns dias um amigo disse-me que fez isto mesmo e quando lá chegou perguntaram-lhe o que estava ali a fazer...
Quanto aos autarcas, mais uma vez constato que estes consideram os seus votantes como não competentes para decidir sobre o seu futuro, sobre o seu território e sobre os locais onde vivem dia após dia. Estes autarcas além de não conseguirem fazer as coisas como deve ser, ou seja integrando o que já existe com as melhorias desejadas, insistem em obliterar o património e as memórias dos locais, levando a um desenraizar identitário muito grave. E depois admiram-se o pessoal mais jovem ir embora...



17.9.12

Vamos lá ver então a história da tauromaquia enquanto património cultural imaterial...


É daqueles temas fracturantes na sociedade portuguesa, ao qual a região de Sicó não escapa. Naturalmente não poderia deixar passar muito mais tempo sem deixar aqui bem expressa a minha opinião, já que afinal o azinheiragate trata de património. Isto, muito embora os gralhos já se tenham manifestado há meses atrás.
Depois de um mês de Agosto, onde a festa taurina apareceu em locais onde não tem nem nunca teve tradição (Ansião - Santiago da Guarda - por ex.), eis que decido então abordar esta questão. Isto já muito depois do Município de Pombal ter reconhecido e declarado a tauromaquia património cultural imaterial do município.
Considero este reconhecimento sinal de populismo demagogo, já que a reconhecer e declarar a tauromaquia enquanto património cultural imaterial, isso só teria algum sentido em Abiúl. Isto será apenas uma atitude desesperada de quem quer impor uma cultura que não existe em muitos lugares e que querem impor a qualquer custo.
Indo então ao cerne da questão, não tenho problema algum em dizer que até gosto de largadas de vacas ou touros, já que isso é uma luta justa e todos se divertem. Mas fico-me por aqui, já que dizer que espetar ferros no lombo de um touro é "património cultural imaterial", isso não cabe na cabeça de mentes sãs. Não será difícil perceber que, tal como está, a tourada irá inevitavelmente acabar, já que quem gosta de espetar ferros e quem gosta de ver é gente teimosa, no mau sentido. Porque não acabar com este gesto da idade da pedra e mudar algo que não faz sentido algum? Inventem algo que não passe por espetar ferros no lombo de animais!
Será mesmo que a tauromaquia "fomenta de sobremaneira o desenvolvimento turístico do município de Pombal"? Claro que não!
Abordando agora as afirmações do Presidente da Junta de Freguesia de Abiúl, quando refere que "o touro nasceu efectivamente para ser lidado", considero estas anedóticas. Darwin acharia muita graça a isto, se bem que graça não tem nenhuma. Quando refere que "acabar com a actividade taurina é acabar com parte da economia nacional", esta é mais uma daquelas afirmações que não lembra a ninguém. Quem está a acabar com a actividade taurina são os próprios dinamizadores da mesma, já que ao teimarem em espetar ferros nos animais, só porque tem de ser e é "tradição", estão apenas a condenar-se a si próprios. As touradas estão a perder terreno a olhos vistos e caso os ferros continuem, as pessoas tendencialmente irão perder (ainda mais!) o interesse num espectáculo bárbaro e degradante. Isto já acontece, resta saber quantos anos mais a teimosia vai durar...
Já este ano, quando me desloquei a Valladolid, entrei numa antiga praça de touros, a qual foi transformada em complexo habitacional. É apenas um de muitos exemplos que mostra que as touradas já não são o que foram e nem têm a força que alguns ainda dizem que tem.
Se gostam de correr à frente de touros, tudo bem com isso, agora englobar o gesto bárbaro que é espetar ferros num animal, no património imaterial, isso é que nem pensar. E não, não faço parte de nenhum grupo defensor dos animais, sou sim defensor do que realmente é património e daquilo que realmente é racional.
Termino com um bom exemplo no que concerne à tauromaquia sã, onde todos se puderam divertir (incluindo os touros!), as festas do Mogadouro, em Ansião, no último fim-de-semana. Há 3 anos pude lá ir, correr à frente dos touros, numa luta justa e sem espetanços no lombo, isso sim é património cultural imaterial!

29.3.12

Há badalhocos em Sicó: crónica do Limpar Portugal 2012


Dois anos depois de ter sido coordenador concelhio do Limpar Portugal, em Ansião, voltei a participar activamente na iniciativa Limpar Portugal, mas desta vez enquanto participante individual. Foi constrangedor ver a falta de divulgação que esta bela iniciativa teve este ano, ao contrário de 2010, no entanto isso não me fez esmorecer. Fiquei igualmente muito desapontado ver a apatia de autarquias que em tempos tanto apostaram nesta iniciativa e que agora não o fizeram. Isto já para não falar do caso Alvaiázere, que nada fez, ora em 2010, ora no presente ano.
Desapontamentos à parte, houve algumas alegrias no último sábado, dia 24, uma delas foi a de ter participado activamente no Limpar Portugal 2012, tendo-me associado à acção promovida pelo Grupo Protecção Sicó, na freguesia de Abiúl, Pombal.  


Como podem ver pelas fotos, a acção do Grupo Protecção Sicó ocorreu em algumas cavidades da freguesia de Abiúl, mais precisamente num algar e em dois sumidouros. Foram 15 os voluntários, tendo os mesmos contado inicialmente com a ajuda de 6 elementos dos GIPS (GNR).
Foi realmente uma experiência diferente, pois foi a primeira vez que participei numa iniciativa dedicada exclusivamente à limpeza de cavidades na região de Sicó. 
O resultado, esse é que foi diferente do que eu esperava, para pior...


Em apenas 3 cavidades foram retirados cerca de 300kg de resíduos, dos quais eu destaco:
- 15 litros de óleo usado, que estavam nos recipientes que podem ver na primeira fotografia;
- Um telefone;
- Um conjunto de talheres;
- Garrafas de vidro (resmas delas...);
- Plásticos vários;
- Roupas e calçado;
- Escapes de motorizada;
- Quadros de bicicletas (3);
- Várias ossadas de animais (burro; porco; cães);
- Fogões;
- Etc, etc

É triste ver que ainda há muito trabalho no que concerne à mudança de mentalidades. É uma realidade sobre a qual muito há a fazer, da qual ninguém se pode demitir, seja pessoa, entidade pública ou privada, já que todos têm culpa no cartório. É preocupante saber que havendo centenas de cavidades na região de Sicó, haja "pessoas" que despejem nestas mesmas cavidades resíduos altamente poluentes, caso do óleo usado, com a agravante de estarmos em pleno carso, portanto altamente vulnerável a poluição criminosa.
Mas nem tudo é mau, pois afinal ainda há pessoas e entidades que não fecham os olhos a esta triste realidade e que pugnam por uma sociedade melhor. O Grupo Protecção Sicó é uma dessas boas referências na região de Sicó, esperando eu que outras Associações sigam este bom exemplo.
Para finalizar, quero (re)lembrar a todo/as que quem perde com a realidade que destaquei atrás não é o ambiente, esse mais tarde ou mais cedo assimila tudo, quem perde somos apenas e só nós, pois a poluição afecta-nos a nós e especialmente aos mais jovens!