10.8.14

Rio Nabão a régua, esquadro e cimento...



Não pensava voltar a esta questão tão rapidamente, no entanto, e tendo em conta recentes desenvolvimentos, torna-se pertinente mais um comentário sobre uma situação que eu considero gravosa do ponto de vista do ordenamento do território.
Quando se trata de ordenamento do território, há dois aspectos que me preocupam em particular. O primeiro é a falta de competência e o segundo é a incompetência de quem lida com a temática territorial. Nesta situação, em particular, juntaram-se as duas, pois se numa primeira fase da obra a questão era mais a nível da falta de competência para a elaboração do projecto, numa segunda fase a questão é agora a nível de incompetência, pura e dura. Quando falo em incompetência quero dizer que quem procedeu a este biscate, não é competente para o mesmo. Resumindo, quem procedeu a este remendo, não percebe patavina de dinâmica fluvial, daí o gravíssimo erro que as 3 fotos que apresento pretendem mostrar.
O que me incomoda mais nesta situação, é que esta é apenas o culminar de uma série de erros, não sendo nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que se insiste em seguir um caminho errado e que resultará apenas em degradação do que resta daquele  troço do rio Nabão e em prejuízos financeiros, pagos pelos do costume, os contribuintes.


Indo então à questão, trata-se de mais uma intervenção desastrosa no troço intermédio do sector já mal intervencionado do rio Nabão. Desta vez, e já depois de duas reconstruções  de um muro, alguém teve a genial ideia de brincar aos rios naquele troço muito peculiar. A uma obra mal planeada, seguiram-se problemas decorrentes da não consideração de aspectos básicos de dinâmica fluvial. Agora a sequela até a mim me surpreendeu...
Imagine-se que a solução para mitigar os erros a montante do projecto original, foi a de reforçar a base do muro que tinha caído já por duas vezes. Este reforço ocupou mais ainda o canal já por si estreitado aquando da obra inicial. Isso tem vindo a causar uma preocupante erosão que começa a ameaçar a galeria ripícula. Insiste-se, portanto, num erro básico. Depois surgiu a ideia peregrina de criar uma rampa para a água correr, tal como podem ver na terceira foto, do lado direito. Retirou-se terra, degradou-se ainda mais a galeria ripícula, fez-se uma razia às raízes e criou-se assim mais um problema. A erosão tratará de fazer desaparecer mais um bocado da base que sustenta aquela galeria ripícula. A segunda fotografia mostra onde a água irá abrir caminho. Não estranharei que daqui a 1 ou 2 anos, num gesto desesperado surja uma parede de betão naquele lugar...
Mas não é tudo, pois ainda havia mais um trunfo para jogar. Ou seja, colocou-se cimento e algumas pedras, os quais alguém pensou que poderia salvaguardar as coitadas das árvores, daquela galeria ripícula. E logo em dois lados, não sem que se cortasse mais um bocado de uma das árvores situadas na margem direita do rio. Se esta intervenção foi mediada por algum especialista? Obviamente que não. Não compreendo isto, pois até havia quem tivesse competências para tratar esta situação. Será isto aceitável? Obviamente que não.
Daqui a alguns anos, quando aquelas árvores deixarem de fazer parte da paisagem, não se admirem pelo facto. Não será o vento nem a água a derrubar aquelas árvores, mas sim a falta de competência e a incompetência de quem deveria ter competência para gerir esta questão.
Nessa altura, e tal como agora, eu estarei por aqui, pronto a denunciar o que de mal se faz por estes lados...



5.8.14

As águas da discórdia...


Agosto é um mês onde muitos de nós se apercebem do real valor da água, nem que seja pelo simples facto de que Agosto é um mês onde, por vezes, a água escasseia e em alguns locais é inclusivamente racionada.
Ontem tirei estas duas fotografias, as quais, na sua versão completa, mostram algo que devia preocupar todos nós. Irei fazer uma exposição do caso às autoridades, de modo a solicitar informação acerca da possível ilegalidade do acto perpetrado pela empresa em causa. De modo não oficial já o fiz, sabendo à partida que deverá ser mesmo uma acção ilegal.
Indo então aos factos, uma empresa anda em Ansião a proceder à lavagem dos contentores do lixo, algo que é muito importante. No entanto, quando vai reabastecer de água, despeja a água resultante das lavagens num esgoto que tem como destino o rio Nabão. Se fosse num esgoto que tivesse ligação à ETAR de Ansião, aceitava, pois é assim mesmo que deve ser, no entanto, e sublinho, a água vai toda para o rio Nabão, que agora está seco. Como todos deviam saber, há muitos caixotes do lixo que contêm substâncias que não deviam conter e essa é a minha preocupação, a de que assim se esteja a promover a poluição gratuita dos aquíferos.
Situações como esta têm de ser resolvidas. Estas águas têm de ser tratadas, pois não há controle nenhum sobre as águas que, até agora, têm sido despejadas no rio Nabão.
Irei fazer uma exposição do caso à empresa respectiva, esperando assim contribuir para a resolução de um problema real e preocupante.
Para quem torce o nariz a estas coisas, lembro apenas que a água é um dos recursos dos quais a nossa vida depende. Quanto mais poluirmos a pouca água potável que temos, pior...



26.7.14

Blog aberto ao autarca Paulo Morgado

É a primeira vez que elaboro um comentário semelhante ao da "carta aberta a...". O motivo é simples, há uma justificação para um comentário "blog aberto a...".
Como em todos os blogues que têm na sua génese o exercício pleno da cidadania, a determinada altura da sua actividade surge uma queixa sobre um qualquer comentário presente no mesmo. O azinheiragate não foi excepção, pois ao final de 5 anos surgiu uma queixa, na forma de queixa-crime, por suposta injúria e difamação. O comentário em causa data de Junho de 2012, embora a queixa tenha sido efectuada em Novembro do mesmo ano. O queixoso foi aquele que seria o mais provável, ou seja o autarca Paulo Morgado, de Alvaiázere.
Apenas em 2013, mais precisamente em Outubro, soube da queixa, muito embora já suspeitasse que havia uma queixa pendente. Como é que eu sabia? Simples, a 31 de Julho de 2013, já depois de ter sido convidado, como independente para uma lista das autárquicas (Alvaiázere), recebi uma chamada de quem me tinha convidado a informar que, afinal, eu teria de ser excluído da lista. Isto apenas a 3 dias da entrega das candidaturas (a papelada estava toda preenchida desde o início da segunda quinzena de Julho). A justificação foi apenas uma, a de alguns elementos da candidatura afirmarem que eu tinha problemas em tribunal com o autarca Paulo Morgado. Fiquei estupefacto, pois além de eu não saber nada, havia várias pessoas, estratégicas, que já o sabiam. Fiquei surpreendido por constatar que há um partido político que aceita ordens de outro. Não houve coragem para falar olhos nos olhos...
Logo ali fiquei a suspeitar que havia uma clara jogada política, que visaria o meu afastamento das autárquicas 2013 em Alvaiázere. Afinal eu era o adversário mais temido, ainda mais sabendo que desta vez a lista já daria hipóteses reais, o que em termos políticos seria um terramoto em Alvaiázere.
As semanas passaram até que, no início de Outubro recebi uma carta da Polícia Judiciária, a informar que tinha sido constituído arguido e que teria de prestar declarações. Confesso que em termos emocionais fiquei afectado, e logo por dois motivos. Senti um dejá vu, pois já era a segunda vez que o autarca Paulo Morgado tentava algo do género, tal como em 2008. Nessa altura estava a finalizar o mestrado e durante 3 meses a tese ficou em stand-by, pois a cabeça não aguentou a pressão. O segundo motivo era porque agora, em 2013, estava na fase final do doutoramento. Como muitos poderão compreender, não é fácil gerir situações como esta, no entanto hoje em dia o arcaboiço já é suficientemente forte para aguentar mais ataques. No entanto continuo a ser humano, tal como qualquer um de vós.
Ainda em Outubro fui prestar declarações, o que me possibilitou conhecer parte das instalações da Polícia Judiciária. É uma experiência engraçada, confesso.
Depois foi esperar uns meses até que veio a esperada comunicação, através de carta, na qual eu fui informado que o processo tinha sido arquivado. A justificação foi aquela que eu sempre defendi, a de o meu comentário estava nos limites da liberdade de expressão, devidamente fundamentada e sem intuito que não o do esclarecimento dos factos apontados.
Foi um momento tremendo, pois mais uma vez consegui dar uma lição de cidadania plena ao autarca Paulo Morgado. Não há ninguém imune à crítica e à confrontação dos factos meu caro!
Nunca tive dúvidas sobre qual o desfecho de mais uma situação peculiar. Naquele comentário, em especial, tive cuidado redobrado, pois sabia que era um tema tremendamente incómodo para o visado. Cheguei a pedir uma segunda opinião a uma pessoa de grande confiança e valor humano e profissional, daí estar perfeitamente à vontade com aquele comentário. No entanto a mesma pessoa cedo avisou que o mais normal era o visado ficar incomodado o suficiente para que pudesse surgir uma queixa. E assim foi.
Agora de uma forma mais directa, agradeço sinceramente ao autarca Paulo Morgado ter feito queixa sobre a minha pessoa, pois se é que havia dúvidas sobre a seriedade e honestidade daquele comentário, estas ficaram cabalmente esclarecidas. Caro Paulo Morgado, tens de te habituar à ideia de que, sendo autarca, estás sujeito ao escrutínio e à confrontação com os factos reais e objectivos, não és intocável. Sei que sou incisivo na crítica, honesta e construtiva, no entanto tens de te habituar à ideia que a cidadania é para ser exercida em todo o seu esplendor, gostes ou não, fiques incomodado ou não. A vida não são apenas aplausos, há também as críticas, as quais devem servir como ensinamento. Eu não tenho problemas com a crítica, pois é ela que me ensina e melhorar naqueles pontos que faltam aperfeiçoar. Na minha opinião tu tens problemas com a crítica e não consegues lidar com isso. Lembro-te que foste tu que cortaste relações com a minha pessoa, iniciando a fábula de uma suposta perseguição que nunca aconteceu. Tentaste apagar a minha marca em Alvaiázere, no entanto além de não teres conseguido, acabaste por, ironicamente, ampliar a mesma.
Não tens coragem de me confrontar, será por falta de argumentos? E sim, eu sei que sou o teu mais temido adversário político. 
Penso que não mediste bem esta tua jogada, a qual apesar de legal e de aplaudir, revelou-se como um autêntico bluff. Ficaste mais uma vez vulnerável perante uma opinião pública cada vez mais informada. No que me toca, a minha posição ficou ainda mais forte e credível. Ao contrário de ti, que utilizas a questão pessoal para me atacar, eu fico-me pelos factos ligados à tua acção enquanto autarca, não vou em pieguices. Eu não tenho problemas contigo, tu é que tens problemas comigo.
Lembra-te apenas que todos os ataques políticos e pessoais de que fui alvo me fortaleceram. Além disso eu mantenho os pés bem assentes na terra, pois mesmo tendo chegado à imprensa nacional e inclusivamente televisão, nunca caí em vedetismos, como por vezes pode acontecer.
Na edição de Junho do Jornal O Alvaiazerense escrevi uma carta aberta à tua pessoa, pois este tema interessa em primeiro lugar aos alvaiazerenses. Agora escrevo-te do azinheiragate, pois foi este blog e a minha pessoa que visaste.
Para terminar, quero apenas comunicar-te que, caso voltes a referir que o meu exercício da cidadania se move numa lógica de perseguição e/ou vingança, terás à tua espera um processo por difamação e com direito a indemnização.  Não o faço agora porque não vejo nenhuma necessidade disso, não sou conflituoso e porque não gosto de andar com peanuts nos tribunais.
No entanto o meu fair-play continuará, pois, para mim, uma crítica tua é um elogio! No entanto não penses que podes continuar a brincar com a minha vida, isso não irei tolerar mais. Não irei tolerar mais que brinques com a minha honra e com a minha dignidade profissional. Além disso não aprecio amuos nem birras.
Penso que, ao não exerceres o teu direito de resposta, na edição de Julho do Jornal O Alvaiazarense, admitiste finalmente a minha razão. Não tenhas problemas com isso, pois errar é humano.
Governa bem e terás os meus aplausos. Governa mal e terás a minha crítica. É simples e não custa entender.

21.7.14

Conversa da treta...

Fonte: Jornal de Leiria, Edição 1565 (10 de Julho)

Foi há 2 meses que dei conta de um caso que me pareceu passível de denunciar, dada a gravidade da situação. Tendo em conta o facto, solicitei informação ao ICNF, que, poucas semanas depois, confirmou as minhas suspeitas. 
Há 2 semanas, saiu a notícia do caso no Jornal de Leiria, dando seguimento jornalístico à peculiar situação. Gostei bastante de ler o que o anterior presidente da junta de freguesia referiu, já que este, ao ser confrontado com os factos, teve uma notável postura de bom samaritano. É para os bombeiros e para os donos dos terrenos irem limpar os seus terrenos. Bravo!
O apelo à compaixão, perante uma ilegalidade grave, é notável. Na região de Sicó há muito este hábito,  dizer que o ilegal foi afinal por uma boa causa... 
O caminho, que já existia, não foi aberto para os bombeiros, é um facto! Para isso há mecanismos e planos próprios. Há também pedidos de autorização, estando tudo previsto. Então porque não se fez nada disto? As regras não são para cumprir? Em que ficamos?!
O acesso para os proprietários já existia, portanto esta é mais uma falsa questão. Por falar em limpeza, ela não existe para aqueles lados. Basta andar pela Serra da Portela para constatar isso...
Gostei também de ver a postura do actual presidente da câmara municipal de Ansião, que, quando confrontado com os factos, se limitou a dizer meras palavras de ocasião perante uma situação grave. Como é possível, num território Rede Natura 2000, um presidente da junta mandar fazer, sem quaisquer autorização, um alargamento de um caminho numa área tão sensível sem que, para isso, tenha de informar o presidente da câmara? Não compreendo...
Mais uma vez fica à vista a forma como os nossos autarcas, actuais e anteriores, vêm, na prática, o território e os valores que ele encerra. Lamento esta postura por parte destes autarcas, pois é essa mesma postura, bem enraizada, que se tem traduzido numa evidente e marcada degradação desta extraordinária região.
Esta região e este país têm vários problemas, um deles é a falta de responsabilização dos políticos que nos muito mal governam. Se for um funcionário camarário a fazer asneira, então está tramado, mas se for por exemplo um presidente da junta, então parece que não há problema algum...



16.7.14

Cavalinho!!!


Ena! Uau! Eu lembro-me disto! Há quanto tempo! Estas são algumas das expressões que alguns de vós ides verbalizar num primeiro momento, quando confrontados com a foto que ilustra este comentário. Pelo menos os da minha geração em diante sabem do que estou a falar. Pelos menos alguns dos meus amigos de infância saberão onde pretendo chegar. Sei que alguns destes acompanham o azinheiragate, daí este ser um comentário mais especial do que o costume.
Quando me deparei com estes cavalinhos, já há alguns meses, voltei atrás no tempo, até à década de 80, quando uns cavalinhos destes faziam as nossas delícias na mata municipal de Ansião e noutros locais por aí fora.
Muito se fala em máquinas do tempo, mas haverá melhor do que isto?
Este comentário tem um intuito especial, o de estimular o pensamento crítico. Se há coisas que gostamos, de memórias que nos são queridas, porque continuamos a deixar partir essas memórias? Se há objectos e memórias que nos fazem felizes, porque continuamos passivos e aceitamos que outsiders e/ou tecnocratas nos roubem muito daquilo que nos fez felizes, desvirtuando a nossa terra e a nossa identidade? Progresso? Definam progresso! 
Porque aceitamos que as nossas raízes sejam arrancadas violentamente? Pensem um bocado sobre o assunto e depois, caso assim o entendam, digam de vossa justiça.
Digam lá que esta foto não é especial?!