domingo, 28 de maio de 2017

Recuperar o controlo dos baldios



As transformações económicas, sociais, culturais e outras mais relegaram o espírito comunitário para segundo plano durante demasiado tempo. No que concerne aos baldios, trata-se de um exemplo perfeito que ilustra isso mesmo. Durante anos a fio poucos foram os que fizeram questão em trabalhar o sentido comunitário que os baldios representam. As comunidades locais actuais da região de Sicó sofreram transformações significativas nas últimas décadas, daí o consequente desinteresse pelos baldios. Uma comunidade mais virada para os sectores secundário e terciário é, regra geral, uma comunidade afastada dos valores da terra, tal como ocorre na região de Sicó.
Mas houve algo que mexeu com a temática dos baldios. Desde que surgiram os parques eólicos, novos problemas surgiram e não é para menos, já que basicamente se começou a ganhar dinheiro fazendo nada. Isso fez com que houvesse disputas territoriais à conta dos parques eólicos.
Pessoalmente, e se dependesse de mim, não haveria um único parque eólico na região de Sicó, dado o seu valor paisagístico. Teria recusado a construção de parques eólicos nesta região, já que há outras formas de ganhar dinheiro e sem degradar algo de muito valioso para a região de Sicó, ou seja a sua paisagem. As pessoas foram na conversa do "bandido", acreditando que a luz ia ficar mais barata. Além de não ter ficado mais barata, ainda pagam parte dos parques eólicos, através de factura que mensalmente surge na caixa de correio. E não, não sou contra os parques eólicos. Quando eu já falava deles, na década de 90, muitos chamavam-me "maluquinho" por falar em ideias tão revolucionárias em Portugal. Sou a favor da energia eólica, mas não a qualquer custo, é claro e conciso.
Daqui a 10/15 anos alguns dos actuais parques eólicos serão mera arqueologia indústrial. Na próxima década a microgeração será parte importante do mix energético. A energia solar terá uma palavra muito importante e as baterias de lítio serão coisa do "passado". E esta realidade não é do futuro, pois já existe.
Mas voltando à terra, há umas semanas deparei-me com o cartaz que consta na fotografia. Gostei de ver a mensagem ali presente. Tenho gostado também de ver o activismo em prol dos baldios e contra as crateras lunares na serra de Sicó. Vamos recuperar os baldios e retirá-los da mão de quem não os sabe gerir? É que há juntas de freguesia e autarquias que além de não os saberem explorar de forma sustentada, apenas os sabem degradar e/ou destruir. Para estas é mais fácil entregar um baldio à exploração de uma pedreira do que saber gerir um baldio de forma sustentada. Esse é um dos grandes problemas que se observa na região de Sicó. Vamos valorizar o nosso território?!

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