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24.8.21

Pouco barulho, é para arrasar! O povo? O povo que se amanhe...

Imaginemos que de repente um autarca decidia, contra a vontade da população, criar uma zona industrial massiva numa zona habitacional com um belo enquadramento paisagístico, o que aconteceria? Bem, aconteceria o que está a acontecer no Rego da Murta, em Alvaiázere. Depois de uma tentativa falhada de alargar uma outra zona industrial, igualmente com polémica à mistura e contra a vontade dos locais, eis que se faz uma zona industrial às três pancadas. Como curiosidade, nos países avançados fazem-se planos específicos para este tipo de projectos, fala-se com as pessoas e, caso exista apoio dos locais, avança-se para o projecto. E quando se avança para o projecto, criam-se as infra-estruturas básicas, caso de esgotos e afins, e só depois de avança para o edificado. 

Mas no Rego da Murta faz-se de outra forma. Primeiro idealiza-se na cabeça dos autarcas, sem abrir jogo aos locais e faz-se todo um jogo fora do conhecimento dos locais. E quando os locais começam a ouvir uns zuns zuns, já a obra está a começar rapidamente e a todo o vapor. E quando digo vapor digo o edificado, já que esgotos e infra-estruturas respectivas ficam para depois. A prioridade é erigir rapidamente e a todo o gás, não vá aparecer alguém para chatear. Ah, e consta que ainda com obras a decorrer, já se pensa num alargamento, contra tudo e contra todos.

Fiquei perplexo com todo o processo que levou ao que podem ver nas imagens que ilustram este comentário. Fazem-se as vontades a dois ou três empresários e a população só tem de comer e calar. É assim que funciona em Alvaiázere já há muitos anos. Sabiam que alegadamente estiveram prestes a ser estoiradas centenas de milhar de euros em fundos comunitários para que duas casas recentes fossem destruídas para que a zona industrial tivesse mais uns metros? É assim o ordenamento do território em Alvaiázere. Havendo alternativas, prefere-se mandar construir onde não seria suposto. E daqui a uns anos os problemas surgirão, já que aquela área é complicada em termos de dinâmica hidrológica e não só. E sabem quem depois vai pagar os prejuízos? Nós todos! E outro dia, quando por ali andei, vi algumas coisas que depois de feita uma inspecção dariam uma bela coima...

E para que serve afinal a RN2000, para destruir às fatias? Para que serve a Política Nacional de Arquitectura e Paisagem e todas aquelas coisas bonitas que lá constam? Para nada!

Há 2 anos convidei uma autarquia para o I Congresso da Bolota de Sicó e essa autarquia não quis vir. Se calhar estava ocupada a tratar de algum projecto de uma zona industrial. Afinal Alvaiázere não quis aproveitar as suas mais-valias económicas, como é o caso da bolota. É mais comum e banal criar mais uma zona industrial (que existem em todo o lado...), mandar abaixo o olival e outras coisas mais. 

Este é um caso que irá fazer correr muita tinta e, parece-me, ter um custo muito elevado para uma oligarquia que neste ano tenta perpectuar o seu reinado...

Os locais estão chocados com este processo. Os estrangeiros que decidiram viver por ali perto idem. Serão eles que estão errados? Eu digo que não! 

Lembram-se daquilo que eu dizia há 14 anos? Eu bem avisei, contudo muitos não me quiseram ouvir e chamaram-e "maluquinho". Pois é, o tal que alguns de vós chamavam de "maluquinho" afinal tinha razão...

Para já é o que tenho a dizer, acrescentando que em Sicó somos mesmo bons a ser medíocres. Ser excepcional, criativo e aproveitar as mais-valias é que está quieto. Mais vale arrasar tudo, criar umas fábricas mamarracho e está feito. Uma foto com um empresário vale mais do que uma foto com a população.

Em ano de eleições há algo de fundamental para vos questionar. O que é mais importante, condicionar a  acção autárquica num local a 1 ou 2 empresários ou condicionar a acção autárquica num local às especificidades locais, aspirações e vontades dos locais? O que tem mais lógica, desenvolver e potenciar os recursos locais, sem estragar e comprometer as gerações futuras, ou mandar tudo isso às urtigas e despejar mamarrachos num território impar? Daqui a poucas semanas vocês serão soberanos, lembrem-se disso, para o melhor e para o pior...



 

5.8.19

O património de Alvaiázere em destaque na mítica National Geographic


Já tinha ido ao quiosque comprar a edição deste mês da National Geographic, revista que comecei a comprar logo na primeira edição portuguesa, já lá vão muitos anos. É das poucas revistas que recomendo vivamente a todos os meus conhecidos, dada a sua importância na temática ambiental, cultural, patrimonial e muitas outras mais temáticas. Adquiram, pois vale mesmo a pena, seja para vocês seja para os filhotes aprenderem algo que lhes vai ser muito útil no futuro. 
Contudo, e voltando ao início, ainda não tinha começado a ler a edição actual, quando uma arqueóloga minha conhecida me avisou que havia ali algo de muito especial, ou seja um artigo sobre a minha/nossa região, Sicó, concretamente sobre as Antas do Rego da Murta, em Alvaiázere. Depois de na edição anterior ter vindo um artigo sobre Conímbriga, eis que mais uma vez Sicó surge numa revista de importância planetária, sinal que esta região tem o que eu sempre afirmei, valor internacional!
Diria que esta reportagem sobre o património de Alvaiázere é mais uma lição de vida para um autarca que há uns anos dizia que só ia a Alvaiázere quem não tem mais para alternativas na hora de decidir por um destino para visitar.
Confesso que é muito curioso estar agora a ler um artigo sobre a temática da arqueologia focada em locais (por mim visitados várias vezes e já aqui destacados) que quando trabalhei em Alvaiázere eram basicamente desprezados pelo poder político. Não fosse a dedicação e interesse dos bons profissionais da arqueologia e de mais algumas pessoas interessadas na temática do património, e o cenário teria sido trágico no que concerne à preservação dos locais em causa. Felicito estas pessoas, que sabem quem são e sabem que eu sei quem são e os meus parabéns à National Geographic Portugal por este destaque às Antas do Rego da Murta. Espero que isto possa contribuir para um maior foco na temática da arqueologia na região de Sicó e em Alvaiázere, como por exemplo no lugar da "Rominha", a necessitar de investimento para fazer reaparecer um povoamento arqueológico com potencial. Um investimento que tem demorado a surgir...
Agora toca a ir à papelaria ou quiosque adquirir a National Geographic, apoiando assim acções de investigação da National Geographic e também o comércio tradicional. E claro, poder ler este (e outros artigos) e aumentar a vossa auto-estima, já que o património da região de Sicó está em alta! 

Fonte: excerto parcial de topo de página do meu exemplar da Revista National Geographic - Portugal, do mês de Agosto de 2019.