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9.6.25

Porquê este ódio para com as ervas?


Há uns dias vinha de Ferreira do Zêzere, já a entrar em Alvaiázere, quando me deparei com algo que me fez parar o carro e fazer este registo fotográfico. Numa primeira olhadela se calhar não notam nada, mas a imagem tem muito que se lhe diga. Só como curiosidade, ali mais à frente tem uma peregrina de Santiago. Mais adiante está um tractor...
Se repararem na berma do lado esquerdo estão aquelas belas flores vermelhas, as papoilas, enquanto que do lado direito as mesmas já foram cortadas. Parece que não sabemos conviver bem com as ervas, considerando as mesmas como um mal, embora sejam precisamente uma benção. Gastamos milhares de euros em coisas sem nexo, que além de não nos beneficiarem, prejudicam-nos. A simples passagem dos carros faz  controle, portanto para quê insistir nisto que se vê na fotografia?

 

4.12.24

Vejam Sicó e mostrem aos vossos filhos!



Foi já há uns meses que em conversa virtual com o mágico dos documentários, o Daniel Pinheiro, da Wildstep Productions, falava com ele sobre Sicó. Pouco tempo depois soube que iria surgir um documentário sobre a bela Natureza de Portugal, e nessa altura questionei-o se Sicó iria aparecer. Não deu pistas, tal como deve ser. Há poucos dias, mais concretamente 1 dia antes de sair o segundo episódio de "Portugal, uma história Natural", ele, de forma sublime, deu-me a dica que Sicó iria aparecer neste episódio na emissão da RTP1, portanto atenção redobrada. 
Não consegui ver durante a emissão, na manhã do dia 30 de Novembro, portanto vi à noite, já com a sala só para mim. Neste episódio foi destacado o centro de Portugal, do interior até ao litoral, sendo Sicó um dos destaques, nomeadamente as Buracas do Casmilo e o Vale dos Poios, com as suas características boticas e abióticas. Vale mesmo a pena ver este (e os outros episódios!). Som extraordinário, paleta de cores excepcional, tudo aquilo que quem gosta de Natureza e de Sicó aprecia.
Vejam e mostrem aos vossos filhos, pois só conhecendo se ama, só se protege o que se ama! E temos um longo trabalho pela frente...








 

4.7.23

Um espectáculo sonoro, natural, épico! Oiçam com o volume no máximo...


Ontem assisti a um dos mais espectaculares eventos que a Natureza de Sicó me proporcionou. Ia com um amigo do património num determinado local em Sicó, a fazer reconhecimento quando, de repente, começámos a ouvir um som ensurdecedor. Milhares e milhares de cigarras na sua cantaria. Já desde criança que o som das cigarras me encanta, contudo nunca tinha visto nem ouvido nada a esta escala. Uma coisa é meia dúzia de cigarras a cantar, outra bem diferente é um cenário onde ao longo de 1 km nos deparamos com milhares e milhares de cigarras a cantar e a voar. Nunca sequer tinha ouvido falar de algo semelhante. Não sei se este evento natural é reflexo dos incêndios de 2022, talvez algum biólogo nos possa elucidar sobre esta situação.  

27.9.19

Usufruam, para vosso bem!


É uma sensação que se materializa sempre que (re)visito muitos dos meus locais de eleição na região de Sicó. Este, em especial, é conhecido de alguns de vós. Não, não é na Serra da Portela (Pousaflores). Não, não é no Outeiro (Santiago da Guarda). Muito embora sejam igualmente locais de eleição!
A sensação que falo materializa-se quando ali chego e vejo que além do pessoal não usufruir devidamente destes locais, vandaliza-os, contribuindo assim para que este cenário continue. Já visitei bastantes países nos últimos anos, muitos dos quais com características climáticas pouco propícias para o usufruto da natureza durante todo o ano, mas mesmo assim, e nesses mesmos países, o pessoal sabe desfrutar da Natureza, bem mais que nós, que somos uns priveligiados. Mesmo no Outono e no Inverno, podemos desfrutar da Natureza sem grandes condicionamentos, bastando apenas roupa própria para actividades ao ar livre com alguma chuva.
Vamos aproveitar melhor os fins-de-semana desfrutando do que melhor temos?!

12.12.18

Ver a Natureza com olhos de ver: reflectir é uma necessidade, não uma opção


No dia que escrevo este comentário lançaram-me um desafio, o de abordar a questão da caça. Isto depois de, numa rede social, e num grupo de Pombal, ter comentado sobre a questão da caça à raposa. O desafio foi-me lançado por um administrador do grupo em causa, ou seja o Isaac Mendes. Como o repto era interessante, decidi falar mais uma bocadinho do tema, já que de vez em quando falo aqui da questão da caça.
Hoje vou ser mais abrangente (embora não vá abarcar tudo nem de perto nem de longe..) pois irei falar de raposas, ginetas, javalis e outras coisas mais. Começando pela raposa, confesso que fico chocado com tanto ódio às raposas, algo que só acontece por uma clara iliteracia ambiental da população, com uns pózinhos de preconceito e estereótipo. Há vários episódios que vos posso contar sobre as raposas na região de Sicó. O mais triste é a quantidade de raposas atropeladas que jazem na berma da estrada (tal como ouriços caixeiros). Também triste é a imagem que guardo na minha memória de uma raposa que sobreviveu a um grande incêndio em Alvaiázere e que, à noite, encontrámos bastante perturbada no meio de um estradão naquela imensa área ardida. Mas há histórias felizes e uma delas foi ao pé de casa, a escassos metros do IC8, ao pé da nascente do rio Nabão. ia de bicicleta, vindo do Camporês, e virei naquele entroncamento que segue pela estrada municipal. O barulho de um camião a passar no IC8 tornou-me inaudível à raposa que ia na direcção do IC8, em busca do jantar do outro lado da estrada (animais mortos que lá colocavam num terreno, um problema e uma ilegalidade...). Distraída com o barulho do camião, só se apercebeu de mim quando estava a 5 metros dela, tendo mandado um salto daqueles que só visto. A felicidade por aquele momento mágico, de proximidade, foi algo de fenomenal!
Este ano o fim da caça à raposa foi chumbado, fruto da pressão do lóbi da caça, que gosta de ter todo o tipo de alvos disponível. Para mim este chumbo é um disparate sem sentido e sem fundamento, já que o problema não são as raposas. Como exemplo prático de que não são um problema, falo daquela acção de um particular lançar aves mortas para um terreno, que serviu como chamariz para as raposas, tornando também potencialmente vulneráveis as galinheiras da zona. Será que o problema era mesmo a raposa ou quem perturbou a dinâmica natural?
É nesta altura que alguns de vós dizem que elas matam as vossas galinhas e é aqui mesmo que vos pergunto se uma rede em pé significa segurança para as galinhas. Das várias pessoas que eu já ouvi queixarem-se das raposas lhes ir aos galinheiros, todas elas ficaram sem resposta, já que de facto não tinham capoeiras dignas desse nome. Não garantem a segurança às galinhas e depois queixam-se... típico. Já parece o pessoal que tem rebanhos e diz mal dos lobos, mas que quando se vai a ver nem um cão tem para garantir a segurança dos rebanhos (tendo um ou mais cães os ataques são virtualmente inexistentes). 
Será que já parámos para pensar e perceber que o problema somos nós, com a destruição de habitats e com a fragmentação de habitats? Já agora, quantos exemplos vocês conhecem, em Portugal, de infra-estruturas que permitam o atravessamento em segurança nas estradas que nós construímos em cima dos habitats dos outros animais? Pois é...
Falemos agora de ginetas e de saca-rabos. Eu tenho uma galinheira, onde estão as minhas belas galinhas. Há uns anos, e porque nunca tinha tido problemas, facilitava, não fechando as galinhas à noite. Tinham um recinto murado (2 metros) e isso já era uma boa segurança, pensava eu... No espaço de 2 anos houve vários ataques, quase todos perpetrados por uma gineta ou saca-rabos (não sei qual deles...). Resultado? Quase 20 galinhas mortas. O que fiz? Comecei a fechá-las à noite. Mas mesmo aí foram novamente atacadas, já que o bichinho encontrou um buraco entre a parede e o telhado. O que fiz? Tapei e nunca mais tive problemas. Isto é que poucos fazem, preferindo apontar o dedo à raposa, gineta ou saca-rabos. Quase todas as pessoas com as quais falei sobre isto me disseram: era "matá-los a todos" (os animais em causa). Já não disseram o mesmo quando um cão me atacou as galinhas e matou 5 já grandes, aí já era coitadinho do cão que estava com fome ou que fugiu do dono. Uma coisa é certa, se eu visse por lá uma raposa não a matava e se apanhasse o cão a história seria bem diferente... E aí surgiria o fanatismo de alguém ligado a alguma pseudo associação de amigos dos animais, com 7 pedras na mão...
Mas falemos agora de javalis. É uma história complicada, pois eles são uma praga que, imagine-se, são alimentados por alguns caçadores, aos quais importa manter exemplares suficientes para fazer a típica batida ao javali. Lembram-se daquele estradão ilegal que, alegadamente denunciei na Serra de Ariques, em Alvaiázere, em 2007? A razão principal era alegadamente para ter uma estrada para a batida ao javali...
É uma realidade que conheço bem, pois em miúdo uma das tarefas que tinha de fazer era um trilho no mato, a ver se algum javali tinha ficado no laço. Comi vários javalis e sendo a carne bem cozinhada era um mimo! E para a arca congeladora era uma boa reserva para uns meses.
Há inclusivamente caçadores que colocam óleo queimado em poças, para os javalis... Um atentado ambiental daqueles à maneira. 
No caso dos javalis, defendo a caça aos mesmos, contudo não no molde actual, o qual priveligia uma acção que se foca apenas no extermínio dos animais, em vez de uma necessária gestão da espécie, que regularmente causa prejuízos substanciais a alguns agricultores. 
Resumindo, não há uma gestão da coisa, seja com os javalis, raposas ou outros mais. Há sim um dispara e o resto é secundário. E o lóbi da caça continua a perverter a lógica. Tenho vários amigos caçadores e os mais novos são mais conscientes, contudo há ainda muita cabeça cheia de palha no mundo dos caçadores (já vi coisas muito mázinhas feitas pelos caçadores, ao contrário de coisas positivas, que escasseiam). As coisas têm melhorado nos últimos anos mais  porque os velhotes vão deixando a caça. E não me deixo enganar pela retórica do lóbi da caça, que tenta manter o status quo. Isto mesmo que o paradigma em torno da caça seja actualmente bem diferente do de algumas décadas.
O problema essencial é um só, ou seja a falta de consciência de todos nós sobre o mundo natural, uns em maior grau outros em menor grau. Estamos cada vez mais afastados dos valores naturais e isso tem consequências gravíssimas a todos os níveis. Não é portanto de admirar que haja quem aplauda caça à raposa, por um lado, e, por outro, que ache que é correcto ter máquinas de lavar roupa velhas a servir de abrigo para gatos vadios (o lóbi das rações para gatos e cães já é muito grande...). Poucos vão compreender o que quis dizer com isto, mas quanto a isso só posso fazer uma coisa, pugnar pela literacia ambiental.
Eu tive a felicidade de na infância ter como recreio a floresta, algo que me expôs a toda uma série de elementos, tornando-me alguém muito próximo da Natureza e dos valores naturais. O facto de aos domingos de manhã a "missa" ser o BBC Vida Selvagem também ajudou. 
Não pretendo que todos sejam como eu, mas sim que todos sejam conscientes do que vos rodeia, concretamente a Natureza e os valores naturais. São a nossa casa e o suporte da nossa existência, sabiam?
Para terminar, e de forma a resumir tudo isto, sugeria-vos que lessem um livro daqueles com potencial de transformar a vossa visão sobre o mundo natural. O título é "Pensar como uma montanha" e o autor é Aldo Leopold. Um livro de fácil leitura. Aos que o fizerem, no final da leitura falem comigo sff...