sábado, 18 de julho de 2015

Pombal, a cidade da mobilidade insustentável...


É uma velha questão, muito embora seja cada vez mais actual. Falo, claro, da mobilidade sustentável. Neste caso é mais uma situação de mobilidade insustentável na cidade de Pombal... 
Após a última requalificação urbana, ocorrida na cidade de Pombal, e quando se poderia esperar o início de uma mudança mais do que obrigatória, tudo ficou na mesma em termos de mobilidade urbana, ou seja, o pópó é quem mais ordena. Isto mesmo apesar da cidade de Pombal ser uma cidade facilmente ciclável, com poucas subidas dignas desse nome e muitas ruas planas. É, portanto, uma cidade boa para se pedalar, caso as condições sejam criadas.
As intervenções nesta cidade, no âmbito da mobilidade urbana, privilegiaram sempre as 4 rodas e dificultaram sempre as duas rodas sem motor, as ditas binas. Sim, é mesmo possível ir para o trabalho numa bicicleta direccionada para esse fim, ou seja, confortável.
O cenário que vejo hoje em dia é muito semelhante aquele que via há 30 anos, ou seja filas de carros e estacionamento complicado, mesmo após a implementação do estacionamento pago.
Continua a insistir-se na fórmula de convidar todo o pópó para o centro da cidade, quando a fórmula é só uma, ou seja evitar o pópó no centro da cidade e convidar os modos suaves ao centro das cidades. Seja a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, estas são as soluções naturais e racionais para a mobilidade urbana.
Quem vai a Pombal e pretende atravessar a cidade, lembra-se concerteza que esta travessia pouco difere  daquela que se fazia há 20 anos atrás, sendo que no Verão o cenário piora consideravelmente.


Mesmo o POMBUS, nome genial para um sistema de transportes urbanos, pouco melhorou, no essencial, a mobilidade sustentável na cidade de Pombal. Claro que trouxe melhorias, contudo estas foram limitadas por uma macrocefalia automóvel e por uma evidente falha em termos de planeamento urbano nas últimas décadas.
E que dizer do cenário quando queremos chegar à estação de comboios? Mais uma vez tudo formatado para o pópó...
Subsistem ainda muitos estereótipos associados ao trânsito de veículos de 4 rodas no centro das cidades, um deles é o de que acabando o trânsito de veículos, o comércio definha. Este é um mito urbano! 
Não há coragem para fechar algumas ruas e condicionar o trânsito de veículos noutras. Não há coragem de investir em ruas verdes e na vegetação, a qual melhora a qualidade do ar, diminui o ruído, baixa a temperatura localmente e mitiga a conhecida ilha de calor urbano, etc, etc. Seria interessante, por exemplo, introduzir em Pombal os conhecidos telhados verdes, pela mão de arquitectos com outros horizontes. Muitos sabem o que custa andar nas ruas de Pombal naqueles dias de calor. Ironia das ironias, em muitos destes dias quentes, está-se bem é no pópó com o ar condicionado a bombar...
Ou seja, é necessária uma profunda mudança de mentalidades. Há que aproveitar as oportunidades e financiamentos para reverter o cenário actual, o Portugal 2020 está aí!
Agora pergunto eu, para quando uma mudança de  paradigma em Pombal?


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