28.3.23

Despejar glifosato na via pública é sinónimo de ter os passeios asseados? Desde quando?!


Farto-me de rir com a retórica do lóbi dos herbicidas, especialmente quando afirmam que vão dar asseio ao seu passeio depois de regar o mesmo com glifosato. Não percebo esta mentalidade medieval de insistir em algo que não faz sentido e que, imagine-se, tem opções amigas do ambiente (quando é efectivamente necessário...).
Avisos como este constavam nos postes de Condeixa nas últimas semanas. Pensei que Condeixa gostava de evoluir, contudo esta é a prova que não é bem assim. Práticas medievais no mau sentido continuam a ser a regra quando já deviam ter sido banidas. Há conhecimento científico que mostra que não é boa ideia insistir no glifosato e afins, há práticas que podiam resolver o problema onde efectivamente o há, contudo a mentalidade continua igual, sem querer mudar o paradigma, sem ouvir os conselhos que quem sabe da matéria.
A Câmara Municipal de Condeixa não é consequente com o que afirma nas redes sociais, senão vejamos:

"Câmara leva cinema imersivo às escolas para sensibilizar sobre a escassez da água💧
A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova deu início ontem, dia 22 de Março, no Dia Mundial da Água, a uma campanha de educação ambiental direccionada ao público escolar, sensibilizando-o para a importância do ciclo da água, da água nos oceanos e alertando para a necessidade do uso consciente e eficiente da água.
“A escassez de água é uma questão que nos deve merecer uma atenção especial, sobretudo depois de tomarmos consciência das suas consequências reais, como aconteceu no ano passado durante um período de seca prolongada. Esta campanha pretende preparar as novas gerações para uma mudança de comportamentos que se exige para minimizar os impactos decorrentes da crise climática”, destacou Nuno Moita, presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, durante uma visita à Escola Básica 2,3 de Condeixa, onde decorre a iniciativa.
Durante três dias, entre 22 e 24 de Março, centenas de alunos vão assistir naquele estabelecimento de ensino a sessões de cinema imersivo, com exibição de um filme relacionado com o recurso água, em formato de full dome 360º, incorporando imagens reais e tridimensionais projectadas numa cúpula insuflável.
Participam na iniciativa 550 alunos de 24 turmas dos 4º, 6º, 7º e 8º anos, sendo que aos alunos mais novos será exibido o filme “Oceano fonte de Vida”, que fará uma viagem pela vida nos nossos oceanos e aborda o ciclo da água, e aos mais velhos (7º e 8º anos) será apresentado o filme “Origem da Vida, Formação do Planeta”, que relata, de forma única e espectacular, aquela que pode ser considerada a mais bela história do mundo, ou seja, a história de como começou a vida na Terra.
Esta actividade lúdico pedagógica, que pretende dar cumprimento ao Plano de Redução de Consumos de Água, proporciona aos mais novos momentos de conhecimento, de forma apelativa através de imagem, projetada a 360º, exibida num planetário insuflável.
No final da acção de sensibilização é ainda entregue a cada aluno uma pequena ampulheta para que, em casa, se sintam incentivados a medirem o tempo que gastam a lavar dentes, mãos e a tomar banho, de modo a reduzirem o desperdício de água."

Fonte: Facebook do Município de Condeixa

Ou seja, diz uma coisa num texto, mas na prática faz outra que atenta contra tudo aquilo que o texto que a mesma escreveu defende.
Há uns anos criei uma plataforma informal que dá pelo nome de "Plataforma contra os herbicidas - Sicó", a qual pretende ajudar a mudar mentalidades. Parece que a minha influência neste domínio ainda não chegou a Condeixa. Ajudem a que aconteça, partilhando! Sei que há pessoas de Condeixa preocupadas com esta situação, pois foram elas que me contactaram para falar do assunto, portanto há massa crítica para ajudar a mudar mentalidades e a mudar de uma vez por todas o paradigma!

24.3.23

Fui lá e... uau!!!




Já aqui tinha falado deste notável projecto, onde se pegou numa ruína sem vida de uma igreja e se fez algo de inovador e belo. Quando o fiz, ainda não tinha feito a necessária visita e socorri-me de fotografias que me foram enviadas por uma das pessoas que tem o mérito do projecto em causa. Nessa altura a minha intenção era fundamentalmente ajudar a divulgar a nível nacional este projecto, algo que consegui, já que quando é necessário consigo levar bem longe estas notícias, através da minha rede de amigos/contactos.

Contudo faltava-me ir ao local ver com os meus olhos e sentir o local novamente vivo. Dantes era uma mera ruína que víamos ao passar na estrada à entrada de Almoster, Alvaiázere. Agora é algo bem diferente.

Fiz uma visita no início do ano e tive a sorte de estar ali sozinho, facto que possibilita sentir o local e desfrutar sem interferências e com os sentidos bem atentos. Foi uma experiência notável e a confirmação do que já sabia, ou seja que se trata de algo excepcional e que merece várias visitas. Já me imagino ali sentado a ler um livro ou a assistir a algum evento cultural. Não me canso de repetir que este projecto é algo de categoria nacional e que merece ser divulgado e usufruído. Agora toca a visitar Almoster e este local mágico em especial. E eu, que nem sou religioso, recomendo vivamente a que ali vão. Não tem nada a ver com religião, mas sim com beleza, com património e outras coisas mais. Há muito para absorver. A religião obviamente que faz parte da história.

20.3.23

"Conhecer para preservar - geomorfologia e orquídeas silvestres"


Fonte: Al-Baiaz - Associação de Defesa do Património

No próximo sábado, dia 25 de Março de 2023 propomos-lhe realizar, com a Al-Baiäz - Associação de Defesa do Património Natural, um passeio interpretativo, com início e fim junto ao Edifício do Ciclo do Pão na Serra da Portela, Pousaflores, Ansião, para observar algumas das espécies de orquídeas silvestres que agora se encontram a florir pela Serra, assim como alguns aspectos geomorfológicos que moldam a paisagem e a sua influência nas populações locais. Durante o percurso, com cerca de 6 kms, iremos observar cerca de oito espécies de orquídeas silvestres, desfrutar de ambientes mágicos conseguidos pela beleza majestosa das Fórneas, maravilhar-nos com paisagens de perder o fôlego, ver o Moinho de Vento do Monte da Ovelha e ainda imaginar as velas em movimento de outros antigos moinhos perdidos pela Serra…

Ponto de Encontro: Ciclo do Pão, Pousaflores, Ansião (39.871923,-8.400066)

Hora de início: 9h.00m
Hora prevista de finalização: 12h.30m / 13h.00m
Distância percorrida: +/- 6 km
Grau de dificuldade: Médio
Público-alvo: Todos
Preço: Grátis
Aconselha-se o uso de roupa e calçado confortáveis para andar e adequados às condições climatéricas.
Nota: Quem pretender fazer almoço/piquenique no final do passeio, existe um parque de merendas no local.
O concelho de Ansião está inserido no "Sítio Sicó-Alvaiázere - Rede Natura 2000", destacando-se "este Sítio por possuir uma elevada diversidade de habitats associados ao substrato calcário. Inclui as maiores áreas do país de carvalho-cerquinho e, em melhor estado de conservação, assim como manchas notáveis e bem conservadas de azinhais sobre calcários.
O referido sítio constitui uma das áreas mais relevantes para a conservação da flora calcícola, bem como inclui vários abrigos de morcegos importantes a nível nacional. Além disso, importa salientar a abundância e diversidade de orquídeas.
Assim e face ao exposto, impõe-se a colaboração de todos os munícipes na valorização, conservação e preservação dos valores naturais existentes neste sítio."

Texto: Al-Baiaz - Associação de Defesa do Património
 

16.3.23

Mexer fora da caixa, longe dos écrans do telemóvel!


Na maioria das vezes planeio os comentários, mas uma vez por outra surge por acaso algo que me faz escrever algo na hora, sem que estivesse à espera de o fazer. É o que acontece agora, já que enquanto estava a arrumar umas papeladas, eis que mexo em algo que me motiva a escrever umas linhas. Algo que já tenho na minha posse há uns anos e que, diga-se, não está por abrir.
E calha bem, já que especialmente nos últimos tempos tenho pensado bastante sobre uma realidade que se pode dizer que é preocupante, ou seja tantos pais darem telemóveis aos filhos, gesto que quando mal gerido é desastroso a vários níveis para as crianças. Passam o dia no telemóvel, seja na escola ou em casa. E até na rua, enquanto vão a caminhar. Autênticos zombies andantes com um telemóvel na mão.
Por isto e por muito mais, há que tratar de investir em algo que não passe por aparelhos electrónicos, que desenvolva as capacidades das crianças. Algo interessante e desafiante para as mesmas, que os faça estar umas valentes horas longe dos écrans e perto do que faz bem. Falo aqui frequentemente de livros, mas hoje falo de origami, mais concretamente origami do mundo natural. É um verdadeiro desafio, seja para miúdos seja para graúdos, vos garanto.
Quando os vossos filhos fizerem anos, ofereçam livros e outros bens como jogos de tabuleiro ou afins, origami incluído. Fica o conselho e o desafio para quem ainda não o fez!
E digo-vos, é complicado estar a escrever estas linhas com tanto livro por ler nas prateleiras da minha biblioteca. Não consigo dar vazão a tanto livro, facto que me entristece por um lado mas me alegra por outro, já que ter uma biblioteca pessoal é algo que só quem aprecia livros e conhecimento compreende. É tudo uma questão de opções, não propriamente de ter ou não ter dinheiro para os comprar.

 

11.3.23

Caminhar sem passeios faz sentido?


Andava a matutar esta questão há umas semanas, sendo que esperava encontrar um local que ilustrasse de forma perfeita a questão que irei agora dissertar. Eis que há poucos dias, e na viagem de regresso da terra, me deparei com o que veem na foto. Não quis um exemplo que não fosse da região de Sicó, já que apesar deste problema ser nacional, evito ao máximo utilizar imagens que não da nossa região.
Já pensaram nos escravos que somos face aos automóveis? Que sentido fará não existirem passeios dentro das zonas urbanas, tal como se observa na foto? Porque será que o privilegiado tem de ser o popó? Porque não é obrigatório, por lei, ter de haver passeio ali para que os peões possam de forma segura e sossegada ir do lugar A ao lugar B?
Imagens como esta podem ser observadas em todo o país e em todos os municípios, sendo, tal como já referi, um problema nacional. Temos de alterar o paradigma e privilegiar a nós mesmos, não os popós!
Da próxima vez que estiverem a andar a pé dentro de núcleos urbanos e se depararem com este tipo de situações, parem e pensem no assunto sff. 
Aproveito para aqui lançar o repto aos municípios de Sicó para que sejam eles a inovar a nível nacional e a mudar o paradigma, sendo estes a força motriz para mudar o cenário a nível nacional. Não seria excepcional sermos conhecidos também por sermos os líderes na mudança neste domínio?
Fica o desafio!!!



 

6.3.23

Um esgoto ilegal que continua... ilegal e a poluir um aquífero, uma década depois!!!

É um caso que denunciei às mais altas entidades no domínio ambiental há uns anos e que nessa altura deu muito que falar. É um caso que interesses partidários poderosos tentaram abafar, mas eu fui insistindo em mostrar a realidade. E mesmo assim tive de insistir em que o assunto fosse conhecido, mesmo que houvesse quem tentasse tapar o sol com uma peneira e afirmasse que a denúncia não tinha fundamento.

Cheguei a ir ao local recolher o que uma senhora afirmava na imprensa que era água límpida. Recolhi a tal "água" e mandei fazer análises, pagando do meu bolso as mesmas. Eis que a "água" falou por si mesma. E, claro, tive que chamar a senhora em causa à razão, mostrando a todos quem faltou à verdade e quem insistia em tentar fazer passar a mensagem que não havia foco de poluição. 

Tive de ser criativo com os títulos dos comentários, de forma a fazer com que mais pessoas chegassem ao conhecimento do atentado ambiental (poluição do aquífero) e da ilegalidade que foi a construção deste esgoto ilegal. Alegadamente houve coima passados uns anos, contudo, e passada uma década, o esgoto ilegal não foi selado e o foco de poluição continua bem activo.

Se estas fotografias viessem com cheiro, garanto-vos que não poderiam ficar aí uns minutos descansados a ler estas linhas, mas garanto-vos que não foi fácil fazer estes registos fotográficos, já que o cheiro nauseabundo era particularmente intenso. E isto num dia de chuva...

Fico chocado enquanto cidadão constatar que esta situação continua por resolver. Fico indignado enquanto profissional da área ambiental que as próprias entidades públicas, no caso CCDR-Centro, não tenha feito o seu trabalho. Enquanto ansianense fico enojado que exista quem ache isto normal e viva, em consciência, com este atentado ambiental, o qual tem causado uma contaminação diária na última década do grande aquífero que existe nesta região e que seria uma reserva de água potável importantíssima para o consumo humano.

E, não fosse já isto tudo impressionante, há ainda uns boys da política que insistem em defender quem causou tudo isto, construir um esgoto ilegal, o qual mesmo assim ficou a meio caminho. Este muito provavelmente iria mais além, até a um grande sumidouro que entretanto foi entulhado (mais uma ilegalidade, esta promovida por um particular). 

Num país desenvolvido este esgoto teria sido selado e o lar em causa, de onde vem este esgoto, seria compulsivamente fechado, pelo menos até que o assunto fosse resolvido. Mas no Alvorge o interesse político ainda tem raízes profundas. Só isso explica, na minha opinião, que o organismo público com competências neste domínio não faça o que é suposto fazer, ou seja proteger os cidadãos.

Profundamente chocante este caso que parece que não tem fim!