quinta-feira, 19 de julho de 2018

Será que a limpeza vai resultar?



Claro que não vai resultar, porquê? Simples, porque a lei que levou a que tanta limpeza fosse feita, foi elaborada em cima do joelho e pensando fundamentalmente na imagem política, fortemente afectada pelo elevadíssimo número de vítimas mortais nos incêndios de 2017. Em termos práticos terá um efeito quase nulo. É certo que houve quem limpasse da forma correcta, mas houve também muito arboricídio, parte derivada da iliteracia ambiental crónica e parte por aproveitamento de quem viu ali uma oportunidade para cortar árvores protegidas a coberto de uma lei vinda no pacote dos cereais. E, claro, muito hectar ardido à conta de borralheiras feitas com o intuito de limpar o que se cortou. Ou seja está tudo na mesma! E quanto ir ao cerne da questão, está quieto... Por exemplo, diminuir a área de eucaliptal não pode ser, já que mexe com interesses poderosos...
Já agora, as duas imagens acima são de um mesmo terreno, parte limpo, parte por limpar, em Ansião.
O Verão está a ser pacífico até agora e, aparentemente, será relativamente calmo. Depois, no final, e apenas com umas dezenas de milhar de hectares ardidos, aposto que o poder político virá com o discurso que as medidas que tomou foram um sucesso, quando afinal o sucesso se deveu apenas ao S. Pedro... O zé povinho, esse ficará impávido e sereno, como é costume.
As medidas que poderiam reverter este cenário tardam em chegar. Confesso que fui um bocado ingénuo ao pensar que depois de 2017 e da dupla tragédia, algumas coisas poderiam mudar. Infelizmente não foi o caso. Sabemos as causas, mas teimamos em não aprender a lição mais importante de todas...

sábado, 14 de julho de 2018

PDM serve para quê, fazer tábua rasa dos valores naturais?!


Foi há poucas semanas que fiquei a conhecer esta situação e agora, que já houve mais desenvolvimentos, venho então abordar a questão no azinheiragate.
Mas vamos aos factos. A Câmara Municipal de Alvaiázere achou por bem elaborar um projecto de alargamento de uma zona industrial (na foto inicial...) e candidatar o mesmo a fundos comunitários. Consta que foi aprovado. Até aqui tudo normal e desejável, só que há um pequeno pormenor que faz toda a diferença e que me indigna enquanto cidadão e geógrafo. Tudo isto foi feito à revelia de, pelo menos, um proprietário de um terreno que agora a Câmara Municipal de Alvaiázere quer expropriar. Resumindo, fez tudo à revelia do dono do terreno em causa e já depois do projecto aprovado é que lhe enviou uma carta registada a manifestar o interesse em comprar o seu terreno. Caso recusasse, seria expropriado. Já nos últimos dias, mais uma carta registada, onde alegadamente é manifestado o interesse numa expropriação urgente, de forma a começar a obra. Ou seja, tudo isto no espaço de um mês...
Como foi possível entidades públicas várias autorizarem tudo isto? Será isto ético e correcto?


O terreno em causa faz parte de uma quinta, a qual me surpreendeu pela beleza e pelo património natural e construído ali presente. Há um projecto (entrado nos serviços da Câmara há 10 anos, portanto nem sequer pode ser alegado desconhecimento do mesmo), no qual já foi investido algum dinheiro, que fica em risco agora. Mas não só, caso a obra avance, dezenas de árvores de grande porte vão ter de ser abatidas, de entre as quais sobreiros centenários (árvore nacional....), carvalhos centenários e azinheiras (protegidas). 
Como é isto possível?! Elabora-se um projecto em terreno alheio e sem conhecimento do proprietário? O ordenamento do território é feito para e com as pessoas, não sem as pessoas e para as empresas virtuais. Um PDM serve para gerir todo um território e não é uma mera formalidade. Um PDM serve para definir onde se deve ou não construir, de forma a salvaguardar valores..
O terreno em causa consta no actual PDM (1997) como espaço industrial proposto e, esperava eu, que com a revisão do PDM (em curso há 10 anos...) situações incongruentes como esta desaparecessem, contudo, e como descobri agora, não foi o caso. Tanto se criticava o PDM e agora, que está em revisão, aproveita-se para abrir uma porta para... construir onde não se devia, pegando não no novo PDM, em revisão há mais de uma década, mas sim num PDM da década de 90. As perspectivas sociais, económicas e ambientais são diferentes de 1997, contudo isso parece que não interessa agora... Até agora as únicas duas alterações de pormenor ao PDM foram para legalizar uma construção ilegal (1 piso feito a mais num prédio) e para legalizar uma pedreira que explorava pedra em desconformidade com o PDM...


As alternativas existem, não existe é vontade política. Não vi qualquer estudo onde as alternativas fossem estudadas/avaliadas e não será por acaso. Já na altura em que trabalhei naquela autarquia, a conversa era a mesma. Nessa altura o que alguns diziam era que as alternativas eram uma coisa chata, já que implicava movimento de terras numa das outras localizações, mesmo que sem impactos relevantes em termos ambientais ou patrimoniais...
O que seria de esperar, tendo em conta a revisão do PDM, era de que se fizessem estudos vários, nomeadamente sobre localização e eventual alargamento de zonas industriais, contudo aqui não se fez isso, porquê? Não se salvaguarda o património por um lado e por outro afirma-se à imprensa que o património é um motor de desenvolvimento. Esta é uma prova cabal da consideração que o património efectivamente tem em Alvaiázere, um velho hábito por estes lados. Ouvi falar também em medidas de compensação, mas como é sequer possível compensar o abate de árvores protegidas, seculares?! Os sobreiros, carvalhos e azinheiras não são muros, que dão para destruir e depois construir imediatamente noutro local!
Este projecto nada tem a ver com convergência e equilíbrio entre as várias necessidades diagnosticadas, nem é sequer do interesse para a sustentabilidade, muito pelo contrário. É do interesse para a construção, nada mais. Destrói-se património natural insubstituível, destrói-se serviços ambientais importantes e por aí adiante. Se fosse feito um estudo afecto às alternativas, aí sim, seria pugnar por uma convergência e equilíbrio entre as várias necessidades diagnosticadas. Todas elas têm algo em comum, o território e os seus valores, tudo parte do território e quando se manda às favas o território, tudo o que está a jusante vai ter problemas, mais tarde ou mais cedo.
O proprietário desta quinta tem todo o meu apoio na defesa deste património. É um orgulho ver um cidadão lutar pelo património, coisa que em Portugal, e apesar dos avanços, ainda tem muito que avançar. Há alternativas, portanto é por aí o caminho a trilhar em prol do desenvolvimento de Alvaiázere, que todos desejam.
E aproveito para dar conhecimento a todo/as de algo importante. Em 2017 participei numa formação de empreendorismo na incubadora de negócios de Alvaiázere, onde está a ser feito um trabalho muito interessante. A ideia era localizar uma empresa que pretendo abrir nos próximos meses (por motivos pessoais tenho adiado o início da actividade) em Alvaiázere, dado o bom trabalho ali feito, a localização e infraestrutura que já existe e outra que deverá estar em funcionamento em breve. Com muita pena minha comunico hoje formalmente que não pretendo mais localizar ali a empresa que irei criar, ligada à temática ambiental. E é realmente uma pena, já que Ansião não tem o espaço que eu gostava que tivesse para albergar empresas como aquela que tenho idealizada.
Este episódio mostra que não há garantias no que concerne à preservação do património que tanto prezo e pretendo potenciar em termos ambientais, sociais e económicos. Para quê investir em algo que não temos garantia que continue a existir no curto prazo?
Portugal tem muito que evoluir e Alvaiázere não é excepção.


terça-feira, 10 de julho de 2018

Um livro por semana nem sabes como a barraca abana!

É um título chamativo e a intenção é mesmo essa, provocar o interesse pela leitura... Volto então às sugestões de leitura, de forma a vos espicaçar para este belo passatempo que é ler livros. E que tal começarem a pegar num livro e ir para os jardins devorar letras, palavras, frases e parágrafos? Há que aproveitar o bom tempo...
Este primeiro livro, do genial Jared Diamond, descobri-o por acaso numa livraria, e logo a muito bom preço. Nem foi preciso pensar muito e é mais um para a minha biblioteca pessoal.


É o primeiro livro que tenho deste autor, João César das Neves. Dei uma olhadela, na transversal, de forma a perceber se seria interessante. Percebi que sim e foi mesmo esta a minha escolha aquando da feira do livro de Ansião, há poucas semanas.


Quem me conhece, sabe que gosto de várias temáticas, sendo que as cidades e tudo o que se relaciona com elas se inclui nos meus interesses. Quando me deparei com estes dois livros de Charles Landry, dei uma olhadela e assim já vou ler sobre outras perspectivas sobre o espaço urbano. Nada a perder, tudo a ganhar.



Esta revista foi uma bela descoberta. Há poucos dias desloquei-me à Polónia, de forma a participar num congresso sobre património geológico e geoconservação. Já no último dia por aqueles lados, visitei uma livraria e deparei-me com este número desta revista. Bastaram poucos segundos para me decidir pela compra. Novas perspectivas que só enriquecem quem ousa ler coisas novas. Na viagem li dois dos artigos e confesso que adorei... 


Que dizer? National Geographic Portugal, em bom português. Leitura mensal que recomendo vivamente. Esta revista mudou o mundo para melhor!


Leitor desde o primeiro número, continuo a recomendar a Smart Cities portuguesa. Conteúdos de qualidade, que não só informam como ajudam a mudar mentalidades e paradigmas. Em bom português, claro! Desde este ano que alguns podem dizer que sou suspeito para sugerir esta publicação, já que por duas vezes escrevi conteúdos para esta revista, contudo, e como não recebo nada por isso, não me considero suspeito.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Uma questão de mobilidade individual...


Quem é de Pombal ou quem conhece bem Pombal reconhecerá o que se vê nesta fotografia. É um dos poucos bons exemplos da integração arquitectónica necessária para facilitar a vida a quem tem mobilidade reduzida ou condicionada. Trata-se da escadaria do Mercado Municipal, a qual integrou de forma harmoniosa uma rampa, a qual possibilita transposição deste patamar por parte de cadeiras de rodas ou pessoas com muletas e afins. Quem não estiver com atenção nem repara no pormenor, mas é ver com atenção...
Porque abordo esta questão? Simples, porque trata-se de bom urbanismo, o qual é fundamental para que tenhamos cidades e vilas inclusivas, onde todos possamos mover-nos sem grandes dificuldades. Se acham que tudo está bem, imaginem-se numa cadeira de rodas e tentem imaginar as dificuldades que teriam para ir do ponto A ao ponto B. Falta sensibilização neste domínio, daí eu voltar a focar esta questão, com um exemplo de boas práticas, neste caso em Pombal. Agora vejam o que se passa nas vossas vilas e percebam o muito que há por fazer neste domínio. Há que pugnar não só pelo cumprimento da lei, bem como pela vulgarização das boas práticas. Todos temos a ganhar com isso. E mesmo que alguns pensem que isto não é importante, pensem como será quando tiverem 70 ou 80 anos e as pernas começarem a pesar....

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Arquitectura e paisagem na região de Sicó


Arquitectura e paisagem são dois temas que muito me interessam, seja de forma dissociada, seja de forma associada. Em 2014 participei na consulta pública do Plano Nacional de Arquitectura e Paisagem (PNAP) e julgo que até sugeri alguns pontos relativos aos que agora destaco. Em Março último, estive também num evento que decorreu do PNAP, sobre Arquitectura e Paisagem, na CCDR-Norte, que teve casa cheia. Fui porque fiz parte da equipa que elaborou o primeiro Plano Municipal de Paisagem em Portugal, daí ser, para mim, muito importante estar presente naquele evento. E valeu a pena, vos garanto.
A foto que utilizo como "alibi" para este comentário é o exemplo perfeito do problema que pretendo abordar, ou seja os monos na paisagem, que afectam e degradam a paisagem cultural de Sicó. Esta imagem é da colina de Trás de Figueiró, em Ansião. Uma das primeiras coisas que chama à atenção é aquela habitação em construção. Não tem enquadramento paisagístico e isso deve-se à falta de legislação. É possível construir respeitando o território e a paisagem, em harmonia. Basta olharem com atenção e verão que do lado esquerdo daquele mono na paisagem existem mais habitações, contudo estão minimamente enquadradas.
Podem dizer que é só um mono na paisagem, mas não se esqueçam que existem centenas destes exemplos e que são exemplos como este que degradam cada vez mais a paisagem cultural de Sicó. Em vez de valorizarmos as nossas características e mais-valias, estamos apenas a contribuir para que estas sejam cada vez mais prejudicadas. E depois não há volta a dar...
É preciso debate e consciencialização, daí lançar aqui um repto, o de organizarmos um congresso sobre arquitectura e paisagem da região de Sicó, onde se englobe isto e outros aspectos mais. Sicó fica a ganhar e a auto-estima de cada um de nós também. Se alguma entidade pública ou privada estiver interessada, já sabem onde me encontrar...


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Pára e pensa onde podes estacionar a tua bicicleta...


Volto a falar de uma questão que abordei já há uns tempos. Nesta altura do ano, muito propícia para andar de bicicleta, surgem cenários que mostram algo de importante. Falo, claro, da imensa falta de locais de estacionamento próprios para as nossas amigas bicicletas. Não é aceitável termos de deixar as nossas bicicletas presas com um cadeado a um poste, sinal ou outro qualquer objecto passível para prender as nossas amigas de duas rodas.
Desafio-vos a descobrir quantos locais de estacionamento para bicicletas existem na vossa vila ou cidade. Este, na imagem, fica em Pombal, cidade muito favorável para andar de bicicleta, mas pouco amiga dos modos suaves. O pópó é quem mais ordena...
Há poucos meses sugeri a uma autarquia a criação de mais locais de estacionamento para bicicletas, nas sedes de freguesia e nas escolas, a ver se as mentalidades continuam a mudar e se os modos suaves começam a recuperar o que também é seu. Modos suaves ao poder! A vossa saúde agradece e a qualidade de vida que tanto almejamos estará mais perto...

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Nabão, uma questão de marketing territorial...


Há uns dias, e enquanto "deambulava" nas redes sociais, deparei-me com dois amigos que estavam a  dissertar sobre a nascente do Rio Nabão, em Ansião (sim, é mesmo em Ansião), após uma referência ao Rio Nabão numa rádio nacional. Como é algo que me é próximo, "intrometi-me" na conversa...
A nascente do Rio Nabão é, para mim, um lugar muito especial. Foi um dos meus locais de brincadeira em miúdo, tal como o antigo lagar ali próximo (arrasado para dar lugar a um pseudo centro de interpretação ambiental, ou como eu sempre disse, um alibi para ir buscar fundos comunitários para depois transformar noutra coisa que não centro de interpretação ambiental...). Familiares tinham também um terreno, o qual foi vendido aquando do início deste projecto (daí eu saber bem toda a história subjacente ao mesmo, ou seja, já sabia que depois iria ser um restaurante...).
Mas voltando ao cerne da questão, os meus dois amigos falavam da nascente do Nabão, ou simplesmente "Olhos de Água". Apontei então uma questão basilar, ou seja o facto de Ansião nunca ter "vendido" a imagem de que é em Ansião que nasce o Rio Nabão. Não são assim tantos os que sabem que é ali que nasce o Rio Nabão. Muitas pessoas não sabem sequer onde é Ansião nem imaginam que é ali que brota a água que vali alimentar o caudal inicial do Nabão. Por outro lado já sabem onde é Tomar e associam o Rio Nabão a Tomar. É aqui que entra o que eu considero uma falha imperdoável em termos de marketing territorial, ou seja, e de uma forma simples, afirmar Ansião também nesta perspectiva.
No mesmo diálogo com os meus amigos, um deles disse que o facto de o caudal ser ocasional era um problema, já que poderia prejudicar uma campanha de marketing da forma que eu idealizo. É algo de compreensível, contudo em termos de marketing territorial não é problema algum, muito pelo contrário. O que é problemático é não existir um marketing territorial que foque esta questão. O que está em défice é mesmo a divulgação e a interpretação de toda esta questão associada aos Olhos de Água, desde o que vemos à superfície até ao que lá está por baixo, sejam as grutas, sejam os aquíferos. Há toda uma interpretação que não existe, prejudicando assim a valorização daquela área e a própria imagem de Ansião. Quantos são os que passando no IC8 sabem que é ali mesmo que nasce o Rio Nabão?
"Nem quero imaginar" o quanto perplexos muitos ansianenses vão ficar quando souberem, de facto, o que ali existe por baixo... Enquanto espeleólogo já tive o privilégio de lá ir abaixo e ver aquela beldade. Lembro-me do que vizinhos meus, já de idade, me diziam há 30 anos sobre o que lá havia em baixo... Um deles dizia que cabia lá uma igreja, muito embora isso não corresponda à verdade, o certo é que iluminou a minha mente e espicaçou a curiosidade que, em parte, me fez quem sou.



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Arboricídio a regra e esquadro...


Depois de ter tido conhecimento desta situação, no Alvorge (Ansião) a primeira coisa que me apetece propor é que quem fez esta "limpeza" seja não só responsabilizado pela asneira que fez, bem como ser obrigado a ser acompanhado por um engenheiro florestal, botânico ou afins, de modo a não fazer mais asneira.
Soube disto através das redes sociais e pedi autorização para utilizar estas fotos, as quais foram postadas por uma cidadã lesada por esta acção imbecil.
É um problema que tem ocorrido um pouco por todo o país e que se agravou com aquela tal lei, feita à pressa, e com fins meramente de propaganda política e pouco mais, de modo a evitar novas tragédias como as que ocorreram em Junho e Outubro últimos. De resto está tudo igual, pois não se foi ao cerne da questão.


Limpezas deste tipo não podem ser concessionadas à hora (pagamento à hora). Este tipo de trabalho tem de ser pago na base da competência e da qualidade do trabalho. O que se vê nas fotos é borrada e da grande. Quem fez este serviço comigo nunca mais trabalharia, pelo menos até provar que é competente para este tipo de serviços, que exige conhecimento e respeito pelos valores em causa.
Se fosse nas bermas de uma auto-estrada, fazia sentido que fosse a regra e esquadro, contudo não estamos numa auto-estrada, mas sim na floresta de Sicó.


À hora que escrevo este comentário sei que as entidades oficiais já foram ao terreno, depois de alertadas para esta situação. Tendo em conta os esclarecimentos, julgo que situações deste tipo serão mais difíceis de acontecer. Resta agora tirar ilações do que se passou e pugnar pelo cumprimento das boas práticas neste domínio. Aqui, também, se vê a falta dos Serviços Florestais...
Tem sido demasiadas as árvores abatidas ou irremediavelmente afectadas por limpezas feitas a regra e esquadro, por máquinas que cortam tudo o que aparece, sem distinções nem atenções...
Isto já para não falar da madeira roubada por alguns ou retirada por outros numa de chico espertismo...


E o derrubar de muros antigos também não é aceitável, seja de que forma for. Resta saber se os muros, ou pelo menos as pedras derrubadas vão ser repostas no seu devido lugar.


sábado, 9 de junho de 2018

Pousaflores Expõe, um evento interessante...


Ainda não tinha ido a este evento, o "Pousaflores Expõe", que se realizou mais uma vez na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião). Desta vez estava por perto e fui até lá ver com os meus próprios olhos.
Começou bem, já que ao invés daquele estradão de antigamente, ao qual eu dava o nome de aeroporto da Portela, temos actualmente uma estrada de calçada, algo que me agrada. Pena é ter demorado tantos anos a surgir.
Mas depois não continuou assim tão bem, já que a primeira coisa que ouvi quando lá cheguei foi uma música rap, algo que me parece perfeitamente dispensável enquanto música ambiente de um evento deste tipo. Pode parecer um pormenor, contudo não é.


Depois mais um erro de casting, que vi logo que saí do carro, uma barraca completamente desenquadrada e... abandonada. Não é propriamente um bom cartão de visita...



Já no recinto do evento, vi a placa de um projecto que tem tido muitos problemas, não sendo aqui minha intenção dissertar muito sobre o caso. Ainda não fiz o trabalho de casa, o qual me permita opinar melhor sobre o assunto. O que sei é o que vejo e algumas coisas que amigos dali me confidenciam. Vejo este projecto com muitos bons olhos, contudo houve algo que falhou nos últimos anos. Urge parar para pensar e reerguer um projecto com bom potencial. Há ali uma infra-estrutura e um moinho que merece trabalhar e espantar quem o visita.



Chegado ao stand da Junta de Freguesia de Pousaflores, gostei de ver o que os mais atentos vêm na foto abaixo, contudo não há bela sem senão... Já aqui referi o semi-abandono das pinheiras. Falta limpar para diminuir o risco de incêndio. 


Dei uma volta completa ao recinto e gostei de ver tanto expositor e bom artesanato. Dou uma sugestão, porquê tapar a bela vista com os stands do outro lado? Seria interessante pensar uma outra organização dos expositores e, quiçá, umas mesas com aquele bela vista.
Depois de corrigidos alguns erros e feitas algumas melhorias, o Pousaflores Expõe pode ter uma outra dimensão. Não está mau para começar, portanto importa melhorar para trazer mais pessoas à Serra da Portela e para que o património e o artesanato tenham mais destaque. Resumindo, um evento com muito potencial...



terça-feira, 5 de junho de 2018

É isto que queremos para Sicó, terrorismo ambiental puro e duro?!



É algo irónico estar a escrever este comentário precisamente num dia de festa, em que deveria falar de aspectos positivos, na temática ambiental. Hoje, 5 de Junho, é o Dia Mundial do Ambiente.
Deparei-me com esta situação no domingo, em Ansião, já depois de há umas semanas, aquando do debate do Farpas Pombalinas, ter sido abordado por um senhor de Ansião, que me disse que havia algo de grave a passar-se para os lados de Santiago da Guarda, Ansião. Apenas agora pude ir ao local e acabei por ir directamente ao local, algo que não é assim tão fácil...
Chegado lá fiquei perplexo e profundamente desiludido por Portugal ser uma república das bananas, onde o eucalipto e a fome de ganhar dinheiro rápido e sem esforço, justifica que se arrase tudo o que temos de bom. Trata-se de uma extensa área, com alguns hectares, situada em Reserva Ecológica Nacional, que foi literalmente arrasada para mais uma plantação de eucaliptos. Carvalhal, medronheiros e outros mais, foi tudo arrasado. Apenas um sobreiro ali ficou, pois se calhar dava muito nas vistas cortar... As máquinas fizeram o resto e até as lajes calcárias e os lapiás lavraram. Mesmo que quem fez esta parvoíce pague uma multa, nada irá ser como dantes. O que existia não será reposto e assim a asneira compensa. É esta a triste realidade. 
A maioria das pessoas não se apercebe da gravidade da situação, ainda mais porque se tem multiplicado pela região de Sicó. Nas décadas de 80 e 90 foi a eucaliptização de uma extensa área, que ainda apanhou Ansião, mais na freguesia do Avelar. Desde então, e "pela calada", está a acontecer o mesmo a outras áreas da região. É assustador constatar o que se está a passar e a escala a que se está a passar. É assustador ver que a política florestal em Portugal resume-se a isto e pouco mais, baixar as calças em prol do lóbi do eucalipto. Vale tudo!
É por estas e por outras que não me chateio muito quando o eucaliptal arde. É por estas e por outras que não me canso muito e não arrisco nada quando arde eucaliptal. Quem os mandou plantar que se canse e que arrisque a sua vida a proteger o seu investimento. Pelos sobreiros, azinheiras, carvalhos, medronheiros e outros mais, por esses arrisco e sou capaz de mover mundos para os preservar.
O país e a região de Sicó estão a esvair-se das suas maiores riquezas, e o eucalipto agradece. Daqui a uns anos quem promove este tipo de intervenções vai dizer:
"meu deus, o que é que eu fiz?"






domingo, 27 de maio de 2018

Uma questão de auto-estima...


Começo pela história desta imagem. Trata-se de um telemóvel que tem como imagem de fundo medronhos, muitos medronhos. Tirei esta foto há uns tempos, quando fui apanhar uma caixa de medronhos. Foi uma tarde inesquecível num local que não irei divulgar. Quando a caixa estava cheia, e olhando para a mesma, fiquei enfeitiçado pelo que via, tirando várias fotografias com o meu telemóvel. Esta foi a escolhida para ser a embaixadora do meu telemóvel e a primeira imagem que vejo todos os dias quando me levanto. É uma imagem inspiradora que me acompanha dia-a-dia e que agora utilizo para este comentário. E não me farto dela! Quando compramos um telemóvel, costuma vir uma mão cheia de imagens bonitas, de países e paisagens que não conhecemos. Apesar de bonitas não têm algo de importante, uma ligação pessoal connosco. Já as imagens das nossas viagens, paisagens e afins, que temos no nosso telemóvel, essas já têm ligação e emoção q.b.
Não sei quantos de vós é que fazem questão de ter imagens fabulosas da vossa terra ou da vossa região no telemóvel, mas suspeito que não serão muito/as. Isso acontecerá possivelmente por alguma falta de auto-estima. Uma das coisas que oiço desde sempre é que as outras regiões ou outros países é que são porreiros. Não estou a dizer que não gostam da vossa terra, mas sim que focam muito "os outros" e menos o "nós". Costumamos dizer que há paisagens fantásticas noutros países (e, de facto há...), mas também as temos em Sicó. A nossa identidade e carácter foi, em parte forjada por esta região. Sicó é uma paisagem cultural fenomenal, mas infelizmente a nossa auto-estima não nos tem permitido reconhecer devidamente o valor da nossa região, Sicó. Vamos trabalhar a nossa auto-estima com este belo tesouro que é Sicó?!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Eu herbicido, tu herbicidas ele herbicida...

Todos os anos é o mesmo cenário numa qualquer rua perto de nós. Todos os anos vemos que, apesar de aplicarem herbicidas, nem sempre colocam o obrigatório aviso. Todos os anos as pessoas reclamam, contudo só de goela, pois não são consequentes com o que dizem. Todos os anos fico a pensar qual o potencial nocivo dos herbicidas que aplicam nos passeios, bermas e afins. Todos os anos me rio com os termos que vão inventando para tentar aligeirar a carga negativa associada aos herbicidas...
Sou do tempo em que apanhava caracóis (belo pitéu!) nas bermas das estradas, sem receio de venenos. Já há muitos anos que não o faço e não é por acaso...
O princípio da precaução deveria nortear estas acções, contudo há quem teime em não evoluir e ver que há impactos que, mais tarde ou mais cedo, surgem..
Há alternativas aos herbicidas, contudo quem nos governa teima em não se actualizar (boa parte...). Há 1 ano, e através da Plataforma Contra os Herbicidas - Sicó, promoveu-se uma acção que além de pretender sensibilizar os nossos autarcas, pretendia apelar ao fim da utilização de herbicidas por parte das entidades públicas. Foram enviadas mensagens a praticamente todas as Juntas de Freguesia da região de Sicó e a todas as Autarquias de Sicó e nem uma resposta... A única luz ao fundo do túnel é ter sabido que há uma autarquia que está a trabalhar numa alternativa. Curiosamente, ou não, é Ansião, que dá sinais de estar a trabalhar esta questão. Curiosamente, ou não, há também uma freguesia (Pousaflores) que alegadamente não utiliza herbicidas por opção, facto a aplaudir!
Queremos mesmo continuar passivos, à espera que os problemas comecem a surgir ou queremos mitigar os actuais problemas e evitar futuros problemas? Eis a questão!
As imagens seguintes foram captadas em Pombal por um cidadão atento a esta questão.






sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vamos Limpar Sicó?


Passados 8 anos do Limpar Portugal, eis que o desafio volta a ser feito. Há poucas semanas aproveitei para dar conta disto mesmo, mas hoje venho formalmente desafiar-vos para serem parte integrante desta acção de limpeza importantíssima. Actualmente, e dada a maior sensibilização, é mais fácil organizar esta iniciativa, portanto porque não nos reunirmos todos nesta bela iniciativa e contribuirmos para uma Sicó mais limpa? É importante sensibilizar e é importante retirar muito do lixo que tanto tuga vai despejar por aí fora. 
Tal como há algumas semanas referi, não poderei ser novamente coordenador concelhio, contudo poderei dar uma ajuda, seja com mais dois braços, seja com o conhecimento que obtive há 8 anos. Se cada um de nós der uma pequena ajuda, esta tarefa será muito mais fácil. Não custa nada investir umas horas nesta iniciativa. Ansião, Alvaiázere, Pombal, Penela, Condeixa e Soure, estão todos convocados para a mobilização regional (e nacional, claro)!
Aceitas o desafio ou achas que não vale a pena tornar Sicó uma região ainda mais bonita?!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Explore Sicó no dia de São nunca à tarde, conheça o "TRYSICO"!

Foi no final de Janeiro que o Farpas Pombalinas promoveu um interessante debate sobre um dos temas que faz parte das lides do Azinheiragate, ou seja o antigo CIMU, "actual" Explore Sicó, supostamente a inaugurar no início de 2019. É uma novela que se desenrola há demasiados anos, com a benção dos nossos impostos. A ver vamos qual vai ser a soma final...
Mas deixemo-nos de conversa gasta e vamos ao que interessa. A temática dos centros de interpretação é-me muito querida. Sempre que viajo costumo visitar este tipo de infra-estruturas, daí ter aprendido bastante nos últimos anos. Foi também há alguns anos que um, então, estudante de arquitectura entrou em contacto comigo, através do Azinheiragate, de forma a trocarmos impressões sobre a temática que nos une, Sicó. Foi assim que conheci mais um amigo de Sicó, que fiz mais um amigo e que pude partilhar parte do meu conhecimento sobre esta região. Aprendi também com o, agora, arquitecto Pedro Mota, na medida em que fiquei a conhecer uma nova perspectiva que me enriqueceu mais um bocado. E começámos a esboçar ideias, algumas das quais pode ser que ainda este ano vejam luz...
Tudo isto porque o arquitecto em causa estava nessa altura a desenvolver um trabalho de mestrado bastante interessante, precisamente na linha dos centros de interpretação/turísticos. Foi um projecto que tive o privilégio de acompanhar e que mostra um caminho, o tal caminho que o Explore Sicó não explorou devidamente. A forma como este projecto foi idealizado é um bom exemplo do que poderia ter sido feito no caso do Explore Sicó (ou outro nome que possa vir a ter...). 
Vejo muitas falhas graves em projectos como o Explore Sicó, porquê? Falta de competência, horizontes curtos, etc, etc, etc. O debate do Farpas Pombalinas sobre o Explore Sicó foi muito bom, já que permitiu-me saber mais falhas do que aquelas que já conhecia.
Decidi abordar o projecto "TRY.SICO" porque retrata algo de importante, seja em termos conceptuais, seja em termos de mentalidade. É isto que tem faltado na região de Sicó, mentalidade e atitude q.b.
Os meus agradecimentos ao arquitecto Pedro Mota, por ter disponibilizado estes conteúdos. Aos tecnocratas e políticos de algibeira, aprendam alguma coisa com este projecto, é esta a minha sugestão.