terça-feira, 20 de novembro de 2012

Abrigos de Sicó


Os abrigos serranos são, infelizmente, cada vez mais uma imagem do passado na região de Sicó, no entando, ainda há alguns "um pouco por toda a Sicó". As duas primeiras fotografias ilustram dois exemplos similares, um ainda em condições, outro já incompleto. O terceiro, já diferenciado, é ao lado de um moinho de vento. O mais provável, ao se depararem com um destes últimos abrigos, é este estar cheio de lixo, deixado por gente ignorante e irresponsável...
Não são aqueles que passam de jipe e/ou moto na serra, que costumam ver estas beldades pela serra, são sim aqueles que andam a pé ou de bicicleta na serra que têm a oportunidade de contemplar estes pequenos abrigos serranos. Há ainda outros abrigos, estes circulares, mas são ainda mais difíceis de ver, já que na maior parte das vezes resta apenas o amontoado de pedra. 
Estes abrigos representam muito mais do que muitos imaginam, e dão, inclusivamente, para contar histórias bem catitas, as quais podem e devem ser utilizadas também em termos educativos. Pretendo com isto destacar que estes abrigos são a memória de um tempo do qual importa preservar a memória. São também uma das muitas variáveis que pode entrar na equação que é o desenvolvimento territorial.
Fica o desafio para que vão ao encontro da serra e, logo que estejam frente a frente com uma destas beldades, entrem na mesma, fiquem em silêncio, e sintam algo que é inimitável. Quando lá estiverem dentro irão perceber...




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quintinhas de Sicó


Nem sempre a dimensão é relevante no que se refere à importância do edificado da região de Sicó, daí ter decidido iniciar uma variante às "Quintas de Sicó". Com as "Quintinhas de Sicó", pretendo mostrar que nem sempre a dimensão é o mais importante no que refere à mais valia patrimonial do edificado da região de Sicó. Naturalmente continuarei a não divulgar a localização deste património, de modo a evitar que este chegue ao conhecimento de alguns gatunos que por aí andam.
Começo as "Quintinhas de Sicó" com uma casinha que me fascina sempre que por ali passo. Naturalmente que há muitas mais, algumas conheço, outras nem por isso, mas mesmo assim irei em busca de ambas, já que há muitas que valem a pena ser divulgadas. Obviamente não conseguirei dizer muito sobre as linhas arquitectónicas destas quintinhas, mas afinal o que pretendo é, acima de tudo, mostrar as mais valias da região. O/As arquitecto/as são quem nos pode ajudar a aprofundar o conhecimento sobre esta temática. Há alguns que se dedicam à arte da difusão do conhecimento, outros nem por isso, mas afinal isso acontece em todas as profissões. Que tal surgir um blogue dedicado especificamente à região de Sicó no domínio da arquitectura tradicional? Fica o desafio ao pessoal da arquitectura!
Espero também que este comentário seja mais uma pequena ajuda para vos ajudar a reflectir sobre a importância de se recuperarem as quintas e quintinhas de Sicó, pois embora ainda haja algumas em condições, outras há que se vão perdendo. Há que reabilitar o património!

domingo, 11 de novembro de 2012

O papel da imprensa local e regional perante o património da região de Sicó

As últimas semanas foram pródigas em factos relacionados directamente com o âmbito do azinheiragate, algo que não é propriamente uma novidade. Então o que me leva a destacar estes factos? Simples, o enquadramento dos mesmos, daí a sua pertinência.
Com este comentário pretendo abordar o papel da imprensa local e regional perante o património da região de Sicó, papel este que pode ser muito diferenciado tendo em conta o/a jornalista que decide abordar a temática do património.
Nos últimos 5 anos tive o privilégio de conhecer alguns dos bons jornalistas que fazem da região de Sicó uma fonte de notícias. Infelizmente há também ovelhas negras, se bem que poucas. Irei falar de ambos neste comentário.
Outro dia, num evento em que participei, fiquei bastante incomodado com a atitude de alguém que eu considero um pseudo-jornalista, o qual deixa muitas vezes de lado a ética, um dos pilares da acção de um jornalista. A atitude foi simples, a falta de educação, já que nem sequer me disse boa noite. Este ressabiamento deve-se a algo muito simples, o facto de essa pessoa não tolerar a crítica, mesmo que devidamente fundamentada. Facto lamentável, digo eu.
Felizmente que nesse mesmo evento falei com um verdadeiro jornalista, o qual faz da ética jornalística um farol que vai guiando, e bem, o jornal do qual é director. Falamos daquilo que é realmente importante e de coisas que, mesmo conhecendo os meandros do jornalismo e da porca da política, me continuam a surpreender.
Mas vamos aos factos. Poucos dias após a reportagem do Biosfera, que passa na RTP2, fui interpelado por um jornal local, facto que muito me surpreendeu. Esta surpresa deveu-se ao facto do jornal local ter sido "O Alvaiazarense". Explicando a coisa de um outro prisma, fiquei surpreso porque sendo este o único jornal da terra, e sendo eu alguém mal amado por interesses obscuros que orbitam por aqueles lados, seria pouco provável que eu fosse convidado para uma entrevista que concerteza chateou algumas pouco ilustres pessoas que fazem de Alvaiázere um matadouro do património. É um facto que, sendo eu quem sou, pode tornar-se problemático para o único jornal de Alvaiázere, convidar-me para uma entrevista, e logo com questões bem pensadas e estruturadas. 
Apesar de surpreendido, acedi com naturalidade à entrevista, já que esta me permitiu esclarecer perante o/as alvaiazarenses, alguns pontos bem importantes no domínio ambiental e patrimonial. Para mim é um excelente sinal esta abertura do Jornal "O Alvaiazarense", facto que, espero, que signifique a tal imparcialidade salientada pelo actual director (que não conheço), aquando a sua "tomada de posse" há largos meses atrás. Na altura fiquei com algumas dúvidas, já que Alvaiázere é um território complicado, mas penso que agora estas minhas dúvidas ficaram mais esclarecidas, no bom sentido. Que esta "ousadia" continue, pois Alvaiázere, as suas gentes e o seu património precisam de um jornal sério e imparcial. E se há quem possa pensar que o que estou a dizer é mera "graxa", desengane-se, pois eu critico seriamente quando se impõe e aplaudo seriamente quando se justifica. Ainda há semanas atrás fiz uma crítica a algo que não considerei uma notícia, a qual saiu precisamente numa edição do Jornal "O Alvaiazarense".
Numa altura de crise, um dos garantes da continuidade da imprensa local e regional é precisamente a seriedade e ética. Quando a mesma falta, corre-se o risco de um jornal pura e simplesmente desaparecer, algo que aconteceu recentemente pelos lados de Sicó.
Mas não é só da imprensa local que Sicó vive, é também da imprensa regional. Esta última pode e deve ser um importante instrumento no que concerne à divulgação do que de bom aqui existe. Naturalmente que os maus exemplos devem também merecer destaque, já que isso pode ajudar a que os maus exemplos não se repitam. 
Sicó precisa da imprensa local e regional e vice-versa. Sicó precisa, e tem, bons jornalistas. Sicó é mostrada por bons jornalistas, sejam de cá ou de fora.
É fundamental que os bons jornalistas, sejam eles quem for, façam de Sicó notícia, pois além da "matéria-prima" não faltar por estes lados, esta é uma importante porta para o país e, mesmo, para o mundo, já que as edições online o permitem. Há muitos que menosprezam o papel da imprensa local e regional, mas o tempo acaba sempre por mostrar a importância desta.
Para terminar, um apelo, uma das formas que todos temos de dar continuidade a muito deste bom trabalho é comprar jornais (e não pasquins partidários...). E que a crise não seja uma má desculpa, pois não é por um euro que ficamos mais pobres. Investindo um euro num jornal, local ou regional, estamos sim a ficar mais ricos! Não há nada como um belo de um jornal em papel, nada o substitui!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

De regresso às leituras


Regressando novamente às sugestões de leitura, deixo-vos com três livros "recentemente" editados. Os dois primeiros podem ser encontrados, por exemplo, na Biblioteca Municipal de Ansião. Lembrem-se que ler é algo de muito importante, seja para miúdos ou graúdos. Usufruam das bibliotecas e boas leituras!




domingo, 28 de outubro de 2012

Nasceram os "Geobiscoitos de Sicó"!


Aproveitando o último festival de gastronomia de Ansião, que aconteceu entre os dias 19 a 21 de Outubro, foi lançada uma inovadora linha de biscoitos, os "Geobiscoitos de Sicó". Posso dizer que é um acontecimento que não esquecerei, já que é algo de novo pelos lados de Sicó e, penso, que mesmo a nível nacional, no que concerne ao carso português.
Pelas mãos da Pastelaria Nabão (Ansião), surge então algo que merece todo o destaque e toda a nossa atenção. Não é todos os dias que surge, no domínio da gastronomia, algo que junta o melhor de dois mundos. Gastronomia, geodiversidade e biodiversidade estão representados nos "Geobiscoitos de Sicó", não esquecendo uma forte e declarada componente educacional, a qual pretende mostrar a todos aquilo que poucos efectivamente sabem o que é. O primeiro geobiscoito de Sicó é então um lapiás, um dos embaixadores do carso.
Este projecto é decorrente de algo que muitas vezes digo, da necessidade de construir pontes entre gerações e pontes entre a ciência e as comunidades, algo que faz muita falta também pelos lados de Sicó. Os "Geobiscoitos de Sicó" são o feliz (e saboroso!) resultado desta "construção de pontes". 
Com tudo isto tem-se um belo "objecto" que também pode ajudar ao tão necessário marketing territorial, ainda por potenciar na região de Sicó. Mais "objectos" se seguirão!
Podia estar aqui a dizer muito mais, mas não, prefiro "apenas" agradecer à D. Lurdes, que acolheu de braços dados uma ideia simples, mas revolucionária na gastronomia regional. Por boas que sejam as ideias, elas de nada valem se não houver quem lhes possa/queira dar seguimento...
Quem quiser comer um lapiás, já sabe que agora o pode fazer, literalmente!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Notas sobre as inauguradas obras de regeneração das margens do Rio Nabão, em Ansião

É certo que a obra ainda não está terminada no seu todo, daí este meu comentário incidir apenas sobre a parte que já está oficialmente inaugurada. Já tinha dado a minha opinião sobre o primeiro troço inaugurado, portanto, e depois deste comentário sobre o último troço, ficará a faltar a opinião sobre o troço intermédio.
Decidi que era boa altura para fazer o comentário tendo em conta dois factores, o primeiro é que este troço já está inaugurado. Já o segundo, deve-se ao facto de nas próximas semanas ser natural começar a notar-se um dos problemas que irei apontar à obra, tal como foi efectuada.
Antes de mais, importa referir que fui a favor desta obra, no entanto não exactamente nestes moldes. Já andei a avaliar a obra, seja a pé ou de bicicleta, e já constatei um belo cenário que é as pessoas efectivamente usufruírem de um espaço que agora é de todos. Miúdos e graúdos têm aproveitado esta obra. Genericamente fiquei satisfeito, no entanto há falhas graves e alguns pormenores que deveriam ser revistos.


O primeiro ponto a salientar é um pormenor que passa despercebido e que já apontei para as e-gingas que estão situadas no fundo da rua. O facto de não terem uma protecção perante o sol e a chuva, é algo que irá diminuir o tempo de vida destas e-gingas. Assim sendo considero que deve ser pensada uma mini-cobertura para as mesmas.


O segundo pormenor tem já a ver com uma questão mais abrangente. Tendo em conta que esta infra-estrutura foi ocupar terrenos com excelente aptidão agrícola, não compreendo porque não se aproveitou este facto para criar alguns talhões que servissem um fim pedagógico. Caso que tivesse criado alguns talhões neste espaço que a fotografia mostra, ter-se-ia um espaço privilegiado para os miúdos das escolas aprenderem a importância da hortazinha, algo que não é de menosprezar.


Passando dos pormenores aos erros grosseiros, vou directo à questão, será que aquela ponte de ferro não estraga a contemplação do monumento que acaba por esconder? Já tinha alertado para esta questão, no entanto, e tendo em conta que isso foi antes destas obras começarem, impõe-se novamente a questão.


É dos erros mais graves que por aqui vi, uma ciclovia termina num sector com... degraus! Como é possível isto não ter sido pensado por quem projectou a obra? E não é só pela ciclovia, é sim fundamentalmente pela acessibilidade de pessoas em cadeiras de rodas ou com outras formas de mobilidade reduzida. Obviamente não me estou a referir aos degraus que dão para o rio, mas sim os degraus que dão para a estrada.


Tendo esta ponte e os tanques a importância histórica que têm, faz algum sentido a intervenção que vemos na fotografia? Será que aquelas pedras com cimento, coladas na base do arco têm algum sentido histórico? Não me parece...


Passo então ao "último" erro. Qual será a dificuldade em perceber que todo aquele areão, desnivelado com a ciclovia, vai escorrer para cima da ciclovia, logo que venham as primeiras chuvas fortes? Não é apenas neste local que a foto ilustra, é sim em parte significativa do troço da ciclovia. Isto é elementar, mas parece que foi esquecido por alguém. É precisamente este um dos erros que será mais visível nas próximas semanas.
Finalizando sim com o erro dos erros, estarei atento quando vier a primeira cheia a sério, algo que ainda não acontece há uns valentes anos. Quando isso acontecer, muitos verão o erro que é impermeabilizar troços de rios e sentirão nos bolsos o que é ter de pagar erros elementares no decorrer de obras como esta...