segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A maior campanha de greenwash da região de Sicó?

Greenwash é uma palavra que já referi há semanas atrás, foi , na altura, uma breve nota sobre o que significava esta mesma palavra sem tradução portuguesa.

Dado o facto de na semana passada ter (re)visto na imprensa regional e nacional algumas referências, a uma situação em plena região de Sicó, que se enquadram na perfeição no espírito de uma campanha de greenwash, decidi agora destacar este belo exemplo de uma situação que visa fundamentalmente branquear acções várias de um autarca que finge literalmente ser amigo do ambiente. Autarca este que não aceita críticas e promove uma política de terra queimada para aqueles que discordam legalmente das suas meras posições...

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço é o lema de um autarca que em 2007 mandou abater milhares de árvores protegidas e que depois negou veemente e repetidamente o sucedido. Foi um caso que se revelou ser o início do fim deste autarca sem credibilidade e moral para falar de questões ambientais.
Os mais atentos já repararam que esta dita notícia já foi referenciada há meses atrás, não sabem, no entanto, que esta repetição da mesma notícia faz parte de uma campanha de marketing ambiental enganosa da parte do autarca local, visando criar uma imagem de amigo do ambiente em tempo de eleições....
Greenwash é precisamente isto mesmo, uma empresa ou entidade fazer-se passar por alguém que realmente tem boas intenções no domínio ambiental, quando afinal não as tem, quer-se fazer passar uma imagem politicamente correcta para com isso recuperar uma imagem realmente nada credível. Esta falta de credibilidade não se reflecte apenas no "azinheiragate", mas sim em variadíssimas acções perpetradas pelo autarca local, Paulo Tito Morgado. São vastos os exemplos em que este autarca faz uma coisa e diz outra, destacando eu além do azinheiragate, o caso de outra violação de PDM em Pussos, a questão da pedreira dos Penedos altos, a ideia de construir uma central inceneradora em Alvaiázere, etc, etc.
Esta história tem contornos que faço questão em divulgar, já que como se costuma dizer o seu a seu dono. O mérito desta acção, que visa a plantação de árvores tão importantes como a azinheira e o carvalho, é da Associação de Produtores Florestais de Alvaiázere, mas infelizmente aqui na região a política perverte tudo. Isto porque a Eng.ª florestal que na altura trabalhava nesta associação deixou de trabalhar nesta mesma associação, passando a trabalhar na Câmara Municipal de Alvaiázere no final de 2007 e início de 2008. Desta forma o autarca local aproveitou-se deste facto para usar isto a seu favor e divulgar que o mérito é da Câmara Municipal de Alvaiázere, quando afinal o mérito todo vai para a Associação de Produtores Florestais, a qual já foi considerada há poucos anos a melhor da região centro!
Infelizmente até esta associação sofre as pressões do poder político e com isso perde-se muito, dando eu o exemplo ocorrido em 2007, onde esta associação tinha uma extensa área de colmeias que no primeiro ano produziram mais de 200kg de mel. Exemplo este que deixou de existir em 2008 porque simplesmente foram abandonadas...
Falando agora no projecto em si, considero que é positivo no que concerne à ideia em si, já que no que toca à aplicação e escala do projecto a fundamentação técnica deixa muito a desejar... É muito fácil dizer que se tem 100000 disponíveis para plantar, mais difícil é plantar as mesmas quando na génese do projecto esteve apenas uma campanha de marketing, pois se fosse um projecto credível de plantação de árvores o número seria bem mais reduzido. Basta irem ao terreno e conhecer a realidade para perceber que esta ideia é um gigante com pés de barro.
Mesmo assim os meus parabéns à Associação de Produtores Florestais de Alvaiázere, pela ideia, trabalho e dinheiro investido, e à Câmara Municipal de Alvaiázere também pelo breve investimento financeiro.
Preparem-se, pois nos próximos meses este autarca irá reforçar a sua extensa campanha de greenwash.... Eu estarei aqui para as denunciar de forma correcta e atenta!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Participação pública na Agenda 21 Local de Pombal

Processo que a todos deveria interessar, a Agenda 21 Local é um processo no qual todos os que gostam da região onde vivem, devem participar activamente. Decorre neste momento em Pombal e qualquer um de nós pode participar activamente até 22 de Setembro através de sugestões e/ou críticas construtivas:

http://www.cm-pombal.pt/seu_municipio/consulta_agenda21/index.php

Não me vou alongar muito neste assunto, já que só após a análise dos documentos disponibilizados, todos poderão fazer um juízo de valor sobre tudo o que consta na documentação.
No que me toca, já fiz, mais uma vez, o meu papel de pessoa interessada (e de forma imparcial) no desenvolvimento sustentável da região de Sicó, li e analisei de forma ponderada a documentação, procedendo posteriormente a um breve parecer sobre a mesma. Com isto espero ter dado mais um contributo para que as coisas mudem pela positiva, pode ser uma gota no oceano, mas mesmo assim sempre é algo de útil...
Não vou, para já, comentar as minhas conclusões sobre esta documentação de forma a não afectar o juízo de valor de quem ainda não tenha lido. Quem eventualmente já tiver lido e quiser discutir isto comigo, pode sempre entrar em contacto comigo. Para os que ainda não leram, faça-no, pois é um dever cívico e uma das formas que todos temos para contribuir positivamente para um futuro que se pretende melhor.
Para finalizar fica um desafio a todos vós, vejam o ponto de situação no que concerne à Agenda 21 de cada um dos municípios da região de Sicó e depois..... pensem!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Para onde foram as minhas lâmpadas?

Sim, eu sei que é óbvio demais, mas o que me leva a escrever estas breves linhas é uma história que concerteza vos interessa. Apesar de ser óbvia, o enredo da história é que já não é tão óbvio...




O que vocês vêm na foto em cima, são cerca de 4 caixas de sapatos onde eu guardei (até há 2 semanas) todas as lâmpadas que se gastaram em casa de familiares. Podem pensar agora que é algo de tão desinteressante, mas se eu vos disser que comecei a guardar lâmpadas ainda na década de 90 (do séc. XX) evitanto que elas fossem parar ao lixo?!!
As lâmpadas mais antigas (aquelas que ainda muitos utilizam) têm metais pesados, alguns deles (ex. mercúrio) tem consequências gravíssimas quando vão parar ao local errado, por exemplo a nível genético (caso de problemas genéticos nos humanos...).
Quando comecei a guardar este tipo de resíduos, ainda não existia reciclagem de lâmpadas em Portugal, mas apesar disso eu sabia que passados poucos anos iria surgir em força, por isso guardei num local onde não me "estorvavam".
Por essa altura alguns diziam que eu era "tolo", mas hoje em dia essas mesmas pessoas dão-me razão. Isto é por um motivo muito simples, muito do que falamos a nível ambiental terá reflexos em breves anos, caso das tecnologias limpas. Somos, por isso, muitas vezes mal compreendidos, quando afinal nestas questões estamos muitos anos à frente do cidadão menos interessado.



Ainda há poucos anos, quando dizíamos que a economia do planeta teria de se tranformar (economia verde), muitos riam-se, mas hoje em dia é uma tábua de salvação de alguns (cada vez mais) numa altura que o modelo económico depradatório ruiu. A economia verde é sinal de inovação de futudo, os resíduos que muitos consideram lixo, são um dos negócios do futuro, estando numa ascensão fenomenal.
Por isso, quando meterem algo para o lixo, pensem antes se aquilo que têm na mão não será por exemplo uma oportunidade de negócio, pois nada se perde, tudo se transforma.... Fiquem com um pequeno vídeo bastante esclarecedor, acerca da próblemática das lâmpadas:

http://www.youtube.com/watch?v=Z_457-lXAhw


Só para finalizar e antes que me esqueça fica uma nota, aquela desculpa que o ecoponto é longe comigo não cola, pois se muitos de vós pegam no carro para fazerem 50 ou 100 km só para irem passear, porque não fazem 2 ou 3 para ir ao ecoponto?! É algo que dá que pensar...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A moda dos Centros de Interpretação na região de Sicó

Foto: CISED, Penela

Cada vez mais em voga na região de Sicó, os Centros de Interpretação Ambiental são algo que começa felizmente a entrar a cada dia que passa no vocabulário do dia-a-dia de alguns de vós. Há coisa de menos de uma década era uma expressão de que muitos autarcas faziam questão de "gozar", já que eram algo associado ao vocabulário de muitos entusiastas da Natureza (ambientalistas, ecologistas, etc), mas hoje em dia é uma expressão utilizada pelos mesmos de forma bastante repetida.

Apesar de ser algo que de certa forma me agrada, ver, interessa-me, neste comentário, realçar um aspecto menos positivo e que tem levado ao descrédito da expressão "Centro de Interpretação Ambiental". Importa então salientar alguns casos práticos que demonstram o que quero aqui mostrar, o facto de uma coisa, na teoria, ser um Centro de Interpretação Ambiental, mas, na prática, não o ser.

A função de um verdadeiro Centro de Interpretação Ambiental é, genéricamente, a da promoção do património natural (biodiversidade e geodiversidade), estando muitas vezes ligados também à componente cultural, já que por vezes são indissociáveis. Para isso tem de haver uma infraestrutura e conteúdos de suporte à promoção do património.

Importa então dar um exemplo do que é verdadeiramente um centro de interpretação, dando eu o fantástico exemplo do Carsoscópio, no Alviela (já referi este exemplo noutra situação). Ali encontramos uma infraestrutura e conteúdos multimédia realmente assinaláveis. Felizmente tive a oportunidade de visitar este local ainda antes da sua abertura oficial, sendo que por isso mesmo falo com conhecimento de causa. É um Centro de Interpretação Ambiental de excelência no panorâma nacional (e internacional), centrado sobre o carso.

Extrapolando o raciocínio para a nossa região, podemos facilmente descobrir que há pelo menos dois Centros de Interpretação Ambiental, o primeiro é o CISED (http://www.cm-penela.pt/cised.php) e o segundo situa-se nos Olhos de Água, em Ansião.

Indo directamente ao cerne da questão, no que toca à problemática que refiro atrás, facilmente o visitante destes dois supostos Centros de Interpretação Ambiental nota que há a infraestrutura e... nada mais. Falta então algo de fundamental, os conteúdos que justifiquem o nome de centro de interpretação, de que vale ir a estes locais se não existe nada para interpretar? Não seria mais correcto baptizar estas infraestruturas como Centros de apoio à promoção do património natural? (não que se denominassem assim, mas penso que vocês percebem o raciocínio).

O CISED foi inaugurado em 2005, é um belo edifício antigo, mas de centro de interpretação não tem nada. É sim um belo local para fazer formação e de apoio aos espeleólogos, nada mais. Além disso mesmo para formações deixa muito a desejar, já lá tive uma formação e posso dizer que "rapei frio"...

Relativamente ao Centro de Interpretação dos Olhos de Água, o cenário é o mesmo (tem apenas material do antigo lagar), apesar de neste caso estar numa envolvência algo diferenciada. Foi, aliás um projecto muito mal pensado do ponto de vista técnico, destruiu parte do que interessava preservar.... A mim custou-me bastante sob dois pontos de vista, enquanto cidadão e enquanto geógrafo. Enquanto cidadão porque aquele local foi palco de muitas das minhas brincadeiras em criança, enquanto geógrafo porque apesar da ideia ser boa, o resultado deixou bastante a desejar, além disso "plantou-se" muita tonelada de betão, impermeabilizou-se demasiado (algo que terá consequências bastante negativas nos próximos anos). Foi como que uma obra de tipo "elefante branco" em que a relação custo benefício deixa também muito a desejar. Os conteúdos que ajudem a interpretar a nascente do rio, nem vê-los.....

Num futuro próximo sei que vão surgir outros, ditos, Centros de Interpretação Ambiental, caso do de Pombal (para valorizar a área do Vale dos Poios), mas o problema poderá ser o mesmo, não são afinal verdadeiros Centros de Interpretação Ambiental.

Sinceramente tenho pena que por "Terras de Sicó" as coisas não se façam como deve ser, liga-se o complicómetro e aqui vai disto... Sinceramente gostava que estes autarcas, quando tivessem as ideias as discutissem com as pessoas que sabem realmente como se pode fazer, há algumas associações locais que, além de saberem destas coisas têm profissionais altamente qualificados. Profissionais estes que a custo quase zero podem ajudar nestas questões, mas o mais normal é os autarcas contratarem gente de fora, sem o necessário know-how da região, que além de não conseguirem fazer os projectos de forma integrada, ficam caríssimos. Porque é que se insiste em não apostar na gente (com créditos firmados) da região?!

Espero, sinceramente, que após este comentário algumas mentalidades se sintam picadas a pensar e discutir de forma construtiva esta questão, pois o meu intuito é, como sempre, despertar as consciências para os problemas (ou não) da região.


Foto: Centro de Interpretação da Nascente do Rio Nabão, Ansião

sábado, 18 de julho de 2009

Quais são afinal os limites geográficos das "Terras de Sicó"?

Este é um tema, estruturante, que gostava de ter falado há mais tempo, mas como há tanto tema pertinente a tratar, fui adiando este assunto, penso que até demasiado....
Desta vez falo sobre um assunto extremamente importante e que retrata na perfeição o insucesso daqueles que politizaram algo que nunca o deveria ter sido. A delimitação de regiões como a nossa (Terras de Sicó), deveria ter sido feito por aqueles que têm a competência técnica (não são apenas académicos...) para o fazer, isto para evitar problemas como aqueles que à frente farei referência. Quando fazemos uma busca na net sobre a Terras de Sicó, acabamos por ser encaminhados para o site da entidade "Terras de Sicó", surgindo a referência:
«O território "Terras de Sicó" situa-se na Região Centro de Portugal, englobando a totalidade da área dos Municípios de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure em torno do maciço da Serra de Sicó, somando um total aproximado de 1.500 km2
Como complemento tem o respectivo mapa da área das "Terras de Sicó":

Fonte: http://www.terrasdesico.pt/territorio.php

Indo directamente ao assunto, esta delimitação não tem fundamentação alguma, seja do ponto de vista técnico seja do ponto de vista cultural. A ideia até era boa, mas a política desvirtuou tudo, já que este limite é apenas por interesse político, não correspondendo à verdade, algo que felizmente já muitos começam a colocar em causa de uma forma concreta.

Este é um problema comum em Portugal, em muitas ocasiões utilizam-se os limites administrativos para delimitar áreas particulares, caso das Terras de Sicó, mas isto revela-se como um franco constragimento ao sucesso de "todas" as medidas que visam o desenvolvimento da região. Os limites administrativos são então, no que concerne a muitas questões de índole territorial, um entrave ao desenvolvimento sustentável.

Penso que o mapa, que na altura mostrava de forma mais acertada os limites das Terras de Sicó, se encontra num livro obrigatório para aqueles que se interessam pela região de Sicó, em termos bibliográficos é citado assim:

CUNHA, Lúcio, ALARCÃO, Adília e PAIVA, Jorge (c/ col. - 1996) - O Oppidum de Conimbriga e as Terras de Sicó. Roteiro. Lisboa, 145 p.

Depois de o lerem e mesmo estando algo desactualizado (embora seja ainda um livro de referência obrigatório e que recomendo), vão perceber melhor o que digo sobre este problema que é a delimitação incorrecta da região "Terras de Sicó".

Para resumir, as Terras de Sicó deveriam estar delimitadas de acordo com a realidade, isto significa que a verdadeira "Terras de Sicó" é uma área muito diferente da que nos é apresentada. Além de apenas parte dos concelhos referidos ser efectivamente "Terras de Sicó", na envolvência do Maciço de Sicó, considero que parte dos Concelhos de Ferreira do Zêzere e Tomar (devido ao rio Nabão) também são parte integrante das "Terras de Sicó". o Caso de Tomar deve-se mais ao endocarso que ao exocarso (ver glossário ilustrado de termos cársicos), mas vários colegas meus concordam que é algo de lógico.

Basicamente temos aqui um problema bastante grave de gestão territorial. Para se tentar gerir e potenciar uma região com características muito específicas, delimitou-se uma fronteira (algo de bom), mas o que aconteceu é que estes limites foram politizados, não correspondendo na verdade aos verdadeiros limites. Apenas um terço (em termos genéricos) desta área é que corresponde à "Terras de Sicó" e parte da verdadeira "Terras de Sicó" nem sequer é considerada...

Além disto tudo, cada câmara gere o seu território como que se uma capelinha fosse (mesmo que não o digam), não existe uma gestão a nível intermunicipal a muitos níveis... algo que só agrava o problema.

Espero sinceramente que este problema seja resolvido no mais curto espaço de tempo, a bem do reconhecimento da região, pois infelizmente o que vejo são apenas projectos que se contradizem, diz-se que o turismo é uma aposta, mas, no entanto, surgem graves ameaças ao potencial que permitiu precisamente o valor acrescentado da região... Ameaças que vão deitar por terra muito do potencial da região. É realmente triste saber que em poucos anos a imagem que temos da região vai mudar de forma tão dramática em alguns locais tão bonitos, isto apenas pela ganância de gente que apenas se serve de nós. Muitos de vós podem pensar que o que estou a dizer é por dizer, mas em poucos anos vão ver.... e aí já não vai haver muito a fazer, pena é que assim vá ser. Tenho recebido informações que sinceramente me entristecem...

As minhas críticas (construtivas) devem-se fundamentalmente ao facto de eu não aceitar tudo o que de mau se faz ou se passa nesta bela região, não o são por outros motivos! Esta região é demasiado preciosa de vários pontos de vista para que eu simplesmente fique especado a ver a destruição de muitas das coisas que eu mais gosto, a beleza natural e a cultura da região onde cresci.

Muito brevemente irei fazer uma crítica bastante concreta à Terras de Sicó - Associação de Desenvolvimento, algo que tem mesmo de ser feito (de forma construtiva, claro) a bem do sucesso da região.

sábado, 11 de julho de 2009

Penela: onde pára a fiscalização?


É um problema infelizmente recorrente na região de Sicó (e não só...), a deposição de todo o tipo de resíduos nas bermas das estradas, algumas vezes em estradas florestais, outras vezes na berma de estradas municipais. Isto ocorre por vários motivos, o principal é a falta de civismo, outros há como a conivência directa ou indirecta de todos nós, pois se não for no nosso quintal (NIMBY) não há problema, pensam alguns...
Destaco aqui este caso, ocorrido na localidade de Cabeça Redonda, Penela, por vários motivos, todos eles imparciais. Costuma-se dizer que no melhor pano cai a nódoa, e neste caso particular interessa discernir alguns factos.
Confesso que no início, o executivo da Câmara Municipal de Penela me trazia algumas esperanças no que concerne ao estilo de gerir o território, mas passado algum tempo comecei a ficar desiludido, pois continuei a ver as mesmas coisas em algumas questões básicas. Referindo-me eu à gestão deste executivo, do território correspondente ao Maciço de Sicó, considero esta negativa. É algo estranho, pois a gestão deste executivo, no que se refere ao território fora da área do Maciço de Sicó (na área dos xistos) até se tem pautado por alguns sucessos e boas iniciativas, algo de louvável. Basicamente são os dois versos da mesma moeda. Daqui a mais algumas semanas irei destacar este reverso da medalha no que concerne à gestão territorial de áreas limítrofes ao Maciço de Sicó.
O que se vê na foto localiza-se, imagine-se, à entrada da localidade da Cabeça Redonda, situando-se na berma de uma estrada que foi alargada este ano (ano de eleições). Passado pouco tempo deste alargamento (muito badalado pela positiva), eis que surgiu algo de muito negativo, resíduos vários depositados num local bem visível aos vários fiscais que ali passam.
Sinceramente é algo que não compreendo, primeiro porque é algo de ilegal, segundo porque é num local bem visível, algo de incompreensível...
Relativamente aos resíduos de construção, estes deveriam ter sido encaminhados para o local pré-estabelecido para este tipo de resíduos, e no que concerne às tábuas de madeira ali depositadas (com pregos..), estas deveriam estar era numa bela pilha de lenha para queimar no próximo outono ou inverno (quem sabe se um dia faço eu isso mesmo?!).
Finalizo com algo de muito simples, esta chamada de atenção tem de ser atendida não só por Penela (Câmara e Juntas de Freguesia) bem como todas as outras da região. Não basta divulgar o que de bom fazemos, interessa mais divulgar factos negativos de forma a resolver os mesmos e com isso trazer um futuro melhor a todos nós. Se há pessoas que não aceitam críticas construtivas, pena é, pois em democracia temos de aceitar não só os aplausos, bem como os apupos. Uma crítica construtiva é em primeira análise um incentivo para melhorarmos, pois só com os erros poderemos aprender.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Museu do Fóssil na região de Sicó


Conhecido por poucos, o Museu do Fóssil situa-se em Ansião, mais precisamente na freguesia de Santiago da Guarda. Em 2008 tive a oportunidade de conhecer este museu, o qual apesar de estar numa fase muito inicial poderá ter um futuro risonho, já que na altura que o visitei, a Universidade de Coimbra (através de um Professor de Geologia) começava a apoiar de alguma forma este espaço museológico. Além disso sei que há, pelo menos a ideia, de fazer um projecto talvez engraçado naquela envolvência.

O edifício onde está implantado este espaço foi recuperado, ao que me lembro, com ajudas comunitárias. A colecção de fósseis que ali se encontra, penso que foi reunida por uma pessoa que gosta de fósseis. No entanto interessa lembrar a todo/as que os fósseis não se devem apanhar, apenas quando há interesse científico os profissionais da área têm a legitimidade para recolher fósseis e mesmo assim só em algumas ocasiões. Digo isto porque sei que há algumas pessoas que apanham fósseis quando os encontram, levando-os para casa posteriormente. Mais tarde essas mesmas pessoas perdem o interesse pelos fósseis e lá vão eles para o quintal.... Isto pode representar uma perda de património particularmente negativa, já que pode haver o risco de alguns fósseis valiosos em termos científicos se perderem de forma perfeitamente evitável. Por isso fica o aviso/alerta a todo/as aquele/as que não sabem.

Este tipo de avisos/alertas servem não só para aqueles que não conhecendo estragam, mas também para aqueles que conhecendo estragam (na comunidade científica, os investigadores sem escrúpulos que estragam amostras geológicas (e afins) são denominados como geovândalos (geovandalismo), termo introduzido por Reimold, 2005.

Voltando ao museu, os fósseis que lá se encontram, na altura ainda não estavam devidamente catalogados e identificados de forma a que o visitante compreenda o que realmente vê, já que a variedade de fósseis é realmente significativa (de um para outro pode significar vários milhões de anos). Isto é importante referir, já que quando se abre ao público um espaço deste género, as coisas têm de estar realmente preparadas, correndo-se o risco de o museu ser um falhanço em termos de divulgação ao público.

A ver vamos como irá ser o futuro deste espaço museológico ainda desconhecido, poucos são os que sabem da exietência deste espaço, ou já o visitaram. Penso que isto até é positivo tendo em conta que o mesmo ainda não está preparado para uma abertura ao público, estando numa fase ainda incipiente.

Deixo-vos alguns links caso tenham interesse em conhecer melhor o tema:





Só para terminar, ainda este ano, com a ajuda de alguns amigos, irei tentar salvar da destruição uma quantidade apreciável de fósseis que uma pessoa já de idade (entre outras...), aqui na região de Sicó, tem na sua posse e que actualmente estão em risco de destruição no curto prazo. Penso que seria muito positivo salvar esta colecção de fósseis e reverter a mesma para um espaço de divulgação com vista à salvaguarda deste tipo de património que existe "às resmas" nesta região. É um tema muito sensível para quem trabalha na área de geologia e afins, mas é algo que tem de ser falado de forma pedagógica com vista à salvaguarda de um tesouro histórico de toda uma região. É afinal um património muito valioso para todos vós que está a cada dia que passa em risco...