quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Albufeira na Ribeira do Vale NÃO EVITA INUNDAÇÕES em POMBAL!!

Confesso que não é novidade esta notícia, pois no início deste ano já me tinham referido o facto. O problema que se assiste agora é que a opinião pública tem de saber o que efectivamente está em jogo e os dados concretos sobre o mesmo e não do ponto de vista político, ou seja do ponto de vista parcial. Antes de mais destaco a notícia que me faz rir numa primeira instância e numa segunda instância me faz ficar profundamente revoltado dado o conteúdo da mesma:

«Para evitar as inundações provocadas pelas chuvas, como aquelas que sucederam dia 25 de Outubro de 2006 em Pombal, a autarquia está a estudar a construção de uma albufeira a Norte de Pombal. De acordo com o presidente do município, Narciso Mota, "está a decorrer um estudo por parte do Instituto Nacional de Água para a construção de uma albufeira, na Ribeira do Vale, junto à Urbanização Senhora de Belém". A estrutura permitirá regularizar o escoamento das águas para o túnel que atravessa a cidade de Pombal, evitando a hipótese de eventuais inundações, esclarece o autarca. A forte pluviosidade que se fez sentir em Pombal há dois anos provocou um morto, estradas cortadas, carros arrastados, jardins destruídos, água e lama por todo o lado. A cidade de Pombal ficou interdita durante dias. Os serviços do centro de saúde foram transferidos para o hospital, as escolas deixaram temporaria- mente de funcionar e 40 famílias de um bairro foram realojadas na Expocentro. Além de prejuízos dos particulares, a câmara teve estragos avultados no teatro-cine, nos pavilhões gimnodesportivo e das actividades económicas, em toda a zona desportiva e na biblioteca municipal. Os prejuízos ascenderam a seis milhões de euros e Narciso Mota afirma que a autarquia ainda não recebeu qualquer apoio do Estado
Jornal de Leiria, edição 1268, a 30 de Outubro de 2008
Antes de mais é importante voltar a 2006, mais precisamente ao dia 25 de Outubro, dia que muitos já esqueceram, fingindo que foi algo que não se irá repetir. As inundações são algo que perturba a acção do homem, infelizmente a maior parte das vezes acontece devido a acções irreflectidas da parte de quem por nós devia zelar, não efectivando as demais leis afectas ao ordenamento do território.
No caso específico de Pombal, o caso tomou contornos graves devido às consequências da impermeabilização do solo e não derivado ao facto de "chover demais", coisa que não existe, chove ou muito ou pouco, nunca demais.... As consequências só não foram mais graves apenas e só derivado da hora a que a catástrofe se desenrolou.
A impermeabilização do solo deve-se nesta área (Pombal) fundamentalmente à galopante urbanização de áreas que não deveriam ser impermeabilizadas e também derivado da acção de exploração das pedreiras na Serra de Sicó. Brevemente irei ao local fazer uns vídeos para vos mostrar na prática o que acontece ali.
Os culpados desta situação são as autoridades competentes, nomeadamente a Câmara Municipal de Pombal e as indústrias extractivas que operam na área, a inobservância de regras básicas, mas fundamentais, das leis naturais tem levado à situação actual de elevada vulnerabilidade da cidade de Pombal a eventos como o ocorrido a 25 de Outubro de 2006.
O estudo do INAG apenas poderá confirmar o que eu quero salientar, o erro que é esta ideia absurda e sem fundamento técnico, que o amigo Narciso Mota quer a todo o custo implementar, mostrando o porquê de frequentemente estar implicado em polémicas (pela negativa).
Antes de continuar, sugiro que vejam um pequeno vídeo de 3 mn sobre os efeitos nefastos do rebentamento de uma barragem, pois este é uma ameaça real caso fosse em frente esta ideia de uma albufeira a Norte de Pombal, que poderia passar pela construção de várias mini-barragens:
Ou então um site que fala sobre a questão de uma forma muito concreta:
O que quero salientar é o facto de que o problema não se resolve desta forma, só se agrava, o risco de rebentamento de uma barragem ou açude é real e muito concreto na área pensada pelo amigo que teve esta ideia "brilhante", o amigo Narciso Mota. "Gostava" mesmo de ver uma barragem ali, duraria poucos anos, ou ficava colmatada por sedimentos e depois era o "ai jesus" para retirar estes sedimentos com custos astronómicos, ou poderia rebentar (ampliando a catástrofe) devido a alguns factores que numa análise posterior irei salientar.
Interessa salientar vários factos que demonstram a fragilidade e o fracasso das políticas de Narciso Mota face ao ordenamento do território e protecção civil, já que o mesmo nada tem feito para mitigar os efeitos de catástrofes como o ocorrido a 25/10/2006. O problema não está a ser resolvido, apenas agravado, já que a urbanização selvagem em Pombal é antiga, um dos exemplos práticos é a situação que todos podemos ver no terreno situado entre a estação de comboios de Pombal e o IC2, terreno este que deveria ser um parque urbano e não terreno para construção, exemplos há muitos mais e voltarei a falar dos mesmos.
Em termos de protecção civil é bom que todos se lembrem que o quartel dos bombeiros de Pombal ficou inoperacional durante as inundações, mostrando o quanto mau é o cenário! E não, não sou pessimista, tudo está no mesmo, com a agravante de não ter sido feito um plano para quando voltar a acontecer, como sabem as pessoas o que fazer? Se muitas das pessoas que tinham os carros estacionados no parque do Pingo Doce (na altura) tivessem ido a correr buscar os mesmos, quantas teriam perecido, isto se tivesse acontecido em pleno dia?
Não podemos andar a brincar como se as cidades fossem um castelo de lego, há pessoas e bens em risco, os autarcas não se podem desculpabilizar, pois a aplicação das leis passa por eles! O amigo Narciso Mota no domínio do ordenamento do território não esclarece nada, pois não é especialista, tem apenas andado a sacudir a água do capote, como os antigos dizem.
O que aconteceu a 25/10/2006 voltará a acontecer, pode ser para o ano ou pode ser daqui a 100 anos, há que diminuir a vulnerabilidade de Pombal a eventos desta génese, não aumentá-la....
Brevemente voltarei a esta questão mas de uma forma mais abrangente, para já fica a pequena nota sobre algo que a todos deve preocupar!

sábado, 1 de novembro de 2008

Estradas romanas na região de Sicó

Confesso que ainda não li com olhos de ver, a falta de tempo tem-me limitado alguns dos meus passatempos, algo que vai terminar muito brevemente. O livro, do qual a capa é mostrada acima, é muito interessante e leva-me a falar de mais um tema que a todos nos interessa, o património histórico e arqueológico relacionado com a romanização ocorrida nesta região e os vestígios por ela deixada, nomeadamente as estradas romanas.
Da leitura (na diagonal) do livro que vos falo, dá para ver que muita informação pertinente pode ser retirada da mesma, mão só para Alvaiázere mas para toda a região, dado o manancial de informação ali descrito.
Infelizmente esta região é pródiga em casos de destruição deste mesmo património, o qual se vivêssemos num país com políticos de classe estaria a render divisas muito significativas. O primeiro caso que vos mostro tem a ver com a foto que vos mostro agora:


Esta imagem é de 2007 aquando um extenso levantamento fotográfico que fiz sobre uma área que estudei no âmbito de um trabalho académico, a qual tem a ver com uma estrada romana que por aqui passava, digo passava porque foi literalmente arrasada para fazer uma estrada florestal.... Aqui entra um facto que me intriga, será que a entidade sediada em Ansião que fez este atentado cultural não sabia que por aqui passava uma estrada romana, algo de valor inquestionável? Porque é que ninguém até agora disse nada? Será que não havia alternativas que evitassem esta destruição?
Quando tiverem a oportunidade passem pelo local, o qual se situa na Venda do Negro, é fácil chegar lá e observar o ocorrido, já que poucas semanas depois de ter feito esta foto foi tudo arrasado!

Outro caso que também interessa destacar neste post, é outro caso que felizmente foi impedido, para isso dei a minha contribuição, salvaguardando um património que é de todos. A foto que mostro a seguir é de outra estrada romana em Alvaiázere:

Esta estrada romana esteve em risco de ser destruída derivado do facto de se situar numa área relativa a uma das propostas de traçado para o IC3, felizmente a mesma foi descartada porque eu e outros mais fizémos relatórios que mostravam que esta possibilidade nem sequer poderia ser possibilidade, já que a hipótese de traçado que efectivamente ganhou era a mais indicada dos vários pontos de vista (ambiental, económico, histórico, etc). Curiosamente o meu amigo Tito Morgado na altura esqueceu-se de dizer que isto era património da humanidade, termo que utilizou aquando do caso azinheiragate (no que concerne à Rede Natura 2000), esquecendo-se também de referir à população da existência deste maravilhoso recurso. Enfim, políticos....
Termino com uma foto fabulosa, uma ponte romana em Alvaiázere que está ao abandono, quando Tito Morgado refere que Alvaiázere é um concelho com poucos recursos pena é que não saiba efectivamente o que é afinal um recurso para o desenvolvimento do concelho, pois se soubesse já teria incluído este local num percurso pedestre intermunicipal com o concelho de Ferreira do Zêzere, uma ideia que infelizmente não pude colocar em prática devido ao meu afastamento da Câmara Municipal de Alvaiázere a 7 de Março de 2008. Mas afinal é de todo compreensível que o mesmo não conheça este local, já que é inacessível a moto4.... Mas se o mesmo quiser conhecer o local, convido-o para ir lá!


Uma coisa me parece, com esta falta de conhecimento do território e de muitos dos seus valores, parece-me que o próximo ano vai ser complicado para as aspirações de alguns políticos na região, imaginem quais?!
Brevemente irei mostrar mais casos semelhantes, desculpem alguns dos munícipes de outros concelhos que até agora não tenho referido convenientemente, mas em poucas semanas irei inverter o facto. Fico à espera de informações sobre outros casos que não conheça, pois conheço muito, mas não tudo...
Que património fabuloso que temos!!!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Xeque Mate a Paulo Tito Morgado, por João Forte

Provérbio: "A justiça de Deus é infalível"
In: Jornal de Leiria, 23 de Outubro de 2008

Provérbio: "A verdade é nua e crua"


In: Jornal de Leiria, 23 de Outubro de 2008


"A verdade e o azeite vêm sempre ao de cima", é com este provérbio que inicío este comentário. Confesso que fiquei um bocado emocionado com esta notícia, já que a carga emocional é grande, afinal foi este caso que deu origem à minha situação de desemprego inesperado, já lá vão 7 meses.

Quando este caso foi despontado e começou a surgir na comunicação social, começaram os jogos de bastidores, onde Tito Morgado referiu que o meu afastamento (http://www.oalvaiazerense.com.pt/index.php?n=0803_01) seria pelo facto de supostamente eu não ter implementado uma aplicação SIG no site da autarquia, pura mentira, já que esta aplicação estava já pronta há quase 1 ano e só não estava online porque ele não fez o trabalho de casa, ou seja, não providenciou a verba para alugar um servidor web para servir de "casa" à aplicação. Esqueceu-se que tudos estes factos estão registados em acta em local seguro e fora da sua abrangência.... Por algum tempo, algumas pessoas menos informadas ainda pensaram que ele dizia a verdade, mas o tempo passou e a verdade começou a vir ao de cima.

Espero agora a oportunidade de ser entrevistado pelo Jornal o Alvaiazerense (ou outros...), já que com esta condenação de Tito Morgado o facto justifica-se, é uma questão de igualdade de tratamento!

Paulo Tito Morgado negou algo que foi evidente e que eu fiz questão de divulgar no youtube, facto este que não passou despercebido à sociedade no geral e que se reflectiu no enorme número de visualizações do vídeo mais emblemático da minha autoria, onde pretendi apenas desmascarar uma (grande) mentira:


Foram tempos difíceis, onde tive de me expor para me defender de ataques cobardes de alguns, mas estou orgulhoso do que fiz, não me arrependo de nada, a minha única intenção foi desmascarar a mentira e não fazer algo que o mesmo quis referir, nunca despoletei «uma série de ofensivas contra a Câmara Municipal e contra si, pessoalmente, através de e-mail’s e de vídeos no youtube.» Ainda teve a infelicidade de considerar «que as acusações que são feitas são sérias e, estando em causa o seu bom-nome e o da Câmara Municipal, propõe que se lhe instaure processo disciplinar e que se participe criminalmente.» (Acta da Câmara Municipal de Alvaiázere, a 22 de Janeiro de 2008).

Abriu um inquérito de averiguações (com vista a um processo disciplinar), mas acabou por desistir, a fundamentação não existia! Impediu-me de trabalhar, cortando o acesso ao computador que eu utilizava, situação que levou a uma queixa directa ao primeiro-ministro (sendo endereçada à CM de Alvaiázere um pedido de esclarecimentos!) e que mostra uma prepotência inaceitável por parte de um autarca. Tentou destruir a minha imagem de profissional íntegro, mas esqueceu-se que eu era dos poucos que trabalhava a sério e a população de Alvaiázere (e não só) saiu em minha defesa, protegendo-me de males maiores... com isso a minha imagem de profissional íntegro apenas saiu reforçada, a história espalhou-se a todo o país e alguns dos vídeos do youtube serviram para aulas numa universidade brasileira, sendo um exemplo de seriedade de um profissional que se viu em apuros por defender um património que é de todos!

Tenho uma excelente relação com a Câmara Municipal de Alvaiázere, por mais que Tito Morgado não goste ou não, pena é que ele coloque em cheque a imagem da Câmara, quem colocou o bom nome da Câmara foi Tito Morgado, não eu!

O caso seguiu nos media durante três longos meses, mas agora surge o que eu esperava e confirma tudo o que eu referi relativamente ao abate ilegal de azinheiras! Entretanto a aventura no youtube ganhou uma importância que nunca esperei, mas que se revelou uma boa defesa! Nunca hei de retirar os vídeos, apesar de muito exposto, retratam um caso que fica para a história da região e é um exemplo a seguir por outros!

Provérbio: "Quem mentiu e jurou, não me enganou"



Provérbios: "A coragem é a força de resistir e de sofrer"

"Quem está perto da razão, fica longe da culpa"

"A sabedoria não vem dos ricos, vem dos pobres"


Sinceramente não sei que mais escrever, já que a emoção é grande, a sensação de justiça é enorme. Contudo não posso deixar de salientar e agradecer a ajuda de muitas pessoas, as quais me ajudaram especialmente na fase que se seguiu aos ataques ferozes sobre a minha pessoa.

Há muitas a quem não posso agradecer na praça pública porque podem ter problemas nos seus empregos, este mundo é mesmo cão.... Mesmo assim agradeço-lhes, agradeço aos cidadãos "sem nome", agradeço à opinião pública que esteve sempre ao meu lado, ao lado da verdade, agradeço à imprensa que de forma imparcial tratou o tema (mesmo apesar de um jornal ter sido enganado aquando de uma visita ao terreno, onde curiosamente um tractor estava a barrar o caminho das azinheiras - muito conveniente...), e a todos os que me ajudaram e me mantiveram o ânimo, vivi tempos difíceis... felizmente já passaram!!

Se alguém pensa que me fico por aqui... desengane-se, pois a minha luta pela verdade está apenas no início. Lutei até agora em três grandes "batalhas" por Alvaiázere e pelas suas gentes, foram as três grandes lutas e todas elas ganhei:

- Abate ilegal de azinheiras (ganhou a verdade)

- IC3 (ganhou o traçado que mais beneficia Alvaiázere)

- Parque eólico de Alvaiázere (as ilegalidades foram descobertas e a comissão de acompanhamento chumbou o projecto, a ver vamos o que se segue...).

No entanto tenho pena de uma coisa, o facto de quem vai pagar as ilegalidades ser o contribuinte e não quem promoveu a ilegalidade, Tito Morgado. O dinheiro da multa deveria sair do ordenado daqueles que promoveram este atentado ambiental e não de quem não tem culpa!

No comício do PSD em Alvaiázere, a 17 de Fevereiro, Tito Morgado disse:

«O poder autárquico é o bode expiatório de tudo o que há de mal no nosso País» e, a cada dia que passa, «fazemos mais com menos», mas está-se a chegar ao «limite do insuportável e do insustentável».

Ao que eu respondo:

- É bode expiatório por alguma coisa, casos como o abate das azinheiras são só e apenas um dos muitos exemplos do porquê serem bodes expiatórios, pena é que assim seja, mas a verdade é esta mesma. O tempo de crise ajuda a estabelecer prioridades, exposições de pianos não são uma delas, servir o povo sim.

O limite do insuportável e do insustentável é ter em Alvaiázere um autarca que promeveu uma ilegalidade e continua no poder sem pedir a respectiva demissão, a lei é para cumprir!
E se este autarca não lida bem com críticas construtivas, habitue-se, pois vivemos em democracia e podemos expressar opiniões e dar a conhecer factos, sem que haja intenção de vingança, mas apenas justiça!
E se por acaso alguém pensa que eu tenho medo, desengane-se, já provei que sou capaz de me defender de vinganças e não tenho telhados de vidro...

Desculpem o texto talvez desconexo, mas a alegria é por demais evidente!!

Nota: para quem quiser rever o assunto, os conteúdos estão no início do blog, aquando da sua "inauguração" (assim percebem melhor...):


David e Golias: http://www.aciprensa.com/Banco/images/david.jpg

domingo, 19 de outubro de 2008

O Centro de Negócios de Ansião e o desenvolvimento regional


Inaugurado à poucos dias pelo Presidente da República, o Centro de Negócios de Ansião é agora uma realidade, por isso mesmo não posso deixar de escrever umas breves linhas sobre a importância do mesmo para e economia da região e o seu significado para as Terras de Sicó.
Ainda me lembro de quando o IC8 estava a ser construído, foram meses de obras que eram muito esperadas pela população, esta via de comunicação era algo necessário e ao longo dos anos mostrou-se como estruturante para os concelhos que eram servidos pela mesma. Obviamente falo mais de Ansião porque vivo à beira do IC8, acompanho há mais de 20 anos a sua evolução e percepciono os seus impactos a vários níveis. No que concerne ao domínio económico noto que foi uma via de comunicação que transformou não só Ansião, bem como todos os concelhos por onde passa, uns mais do que outros.
Ansião beneficiou mais do que outros, tendo algumas empresas estabelecido a sua actividade na zona indústrial do camporês (uma das duas zonas indústriais do concelho). O camporês situa-se numa área estratégica, por isso o seu sucesso enquanto zona indústrial, tendo começado com fábricas como a SNSV, expandido-se depois de forma bastante expressiva.
O "culminar" desta expansão é a criação do Centro de Negócios de Ansião, que apenas peca por tardio, não é preciso ser-se uma mente brilhante para saber que mais tarde ou mais cedo seria importante apostar num espaço estruturante como este, não só para Ansião, mas também para toda a região!
No entanto é de salutar a aposta neste espaço como uma infraestrutura fundamental em termos económicos para toda a região, sendo um pólo que se pode revelar muito frutuoso para todos.

in: http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=21145

Apesar de tudo o que já referi ser algo de bom, refiro agora alguns aspectos que me parecem fundamentais para o futuro e que pretendem acima de tudo alertar para alguns factos que podem impedir que o aproveitamento desta infraestrutura se revele em todo o seu potencial:
- A lógica política destes investimentos pode revelar-se como um entrave ao bom funcionamento dos mesmos. De uma forma pomposa é referido que este investimento é de nível regional, mas quase todos sabemos que estes mesmos investimentos são utilizados como "arma" de arremeço político entre autarcas da região. Em vez de a lógica ser de favorecimento intermunicipal (Terras de Sicó, por ex.) é a lógica das capelinhas, Muitas vezes observamos que os autarcas salientam a lógica do "funcionamento em rede" na região das Terras de Sicó, com todos os seus benefícios, mas depois na prática vemos que cada um defende apenas a "sua capelinha", ou seja, defendem apenas os seus interesses. Isto numa região com características homogéneas.....
Não se pode ter uma estratégia diferente para cada um dos municípios das Terras de Sicó, as características são iguais, mesmo que cada um tenha as suas particularidades!
Idealmente o Centro de Negócios deveria funcionar numa lógica de funcionamento intermunicipal, promovendo e favorecendo "toda" a economia da região. O meu receio é que isto não aconteça, mas o tempo o dirá...
Após a inauguração deste espaço, ocorreu o Biz camp, destinado a jovens desempregados do concelho de Ansião, e consistiu na avaliação do seu perfil de empreendedor. Este é o primeiro exemplo do que refiro, porque não organizar um evento do género para jovens da região? Em vez de avaliar apenas o seu perfil porque não avaliar ideias que alguns já têm?
Outro aspecto deriva de algo que merece atenção, hoje em dia as ditas "zonas indústriais" já estão "fora de moda", ou seja constata-se a sua transformação (em alguns casos) para áreas de serviços, acabando com algumas indústrias pesadas. Não podemos querer só e apenas indústrias poluidoras pelo facto de promoverem o emprego, será que não há outras que além de pouco poluidoras criem postos de trabalho?
E os clusters de novas tecnologias, será que não são importantes? A inovação aproveitando por exemplo algumas escolas tecnológicas é cada vez mais estratégica para a economia, há poucos anos apostava-se apenas em quadros superiores e "ignorava-se" os quadros médios, hoje em dia há falta de quadros médios e os quadros superiores estão muitos deles a ser formados para o desemprego. Tudo isto é dificultado pela (i)lógica da falta de empreendorismo do povo português...
A semana passada desloquei-me ao Centro de Negócios de Ansião, para uma formação que não pude continuar, e fiz uma pequena experiência, fui de bicicleta e não tinha sequer um local próprio para "estacionar" o velocípede, além disso não vi nenhum ecoponto neste belo espaço que é o Centro de Negócios de Ansião. É nestes pequenos pormenores que se vê a diferença...
Brevemente voltarei a falar neste assunto, por agora ficam estas breves linhas que pretendem acima de tudo alertar e chamar à atenção certos pormenores que fazem toda a diferença para o potenciar do sucesso desta infraestrutura!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

CSI Alvaiázere

Todos conhecem ou pelo menos já ouviram falar desta série, bem como do lendário Sherlock Holmes. O que têm a ver com Alvaiázere, perguntam vocês?
Bem, nada de nada, mas após o caso que a seguir vos relato, seria bom que alguém investigasse o caso de forma a apurar responsabilidades, já que uma pessoa inocente faleceu horas depois de algo de muito grave se ter passado.
Num país onde a democracia já tem três décadas, acontecem ainda casos lamentáveis, agravados pelo facto de quem faz o mal não ser devidamente responsabilizado. O caso que agora denuncio na praça pública passou-se há semanas atrás em Alvaiázere:
Certa e determinada pessoa foi a casa de um senhor de idade ver se o mesmo estaria interessado em vender a sua casa, o motivo era simples, esta mesma pessoa queria comprar para posteriormente a demolir. Aqui começa o problema, a justificação seria a que era imperativo alargar uma estrada (mesmo que sem justificação plausível), e para isso a casa teria de ir abaixo.
Acontece que este mesmo senhor não queria vender a casa e fez questão em sublinhar o facto, mas a certa de determinada pessoa hostilizou fortemente este senhor de idade, o qual estava "só e apenas" a defender o seu lar, sentindo que algo tão sagrado como o seu lar estaria em perigo sem que justificação houvesse. Com tamanha resistência do senhor de idade, a certa e determinada pessoa foi-se embora.... Horas depois este senhor de idade faleceu devido a problemas do coração! A filha deste senhor já me tinha avisado que andavam a hostilizar o pai, mas nunca pensei que isto fosse possível nos dias de hoje...
Agora resta saber quem foi a "certa e determinada pessoa" e responsabilizar a mesma, já que ninguém num país de direito pode fazer o que esta certa e determinada pessoa fez, os meios semi-rurais, como Alvaiázere, não são local para gente snob. Senhores como este que faleceu, sujaram as mãos e trabalharam de sol a sol para outros poderem hoje andar todos engravatados, parecendo que são gente...

domingo, 12 de outubro de 2008

Denunciar justifica-se cada vez mais!

Após alguns anos de experiência a denunciar o que de mal se faz por esta região, continuo a sentir que há pessoas que não sabem como chegar a quem de direito. Digo isto porque ainda há bem pouco tempo me vieram questionar sobre o facto de quererem denunciar um caso ilegal (em termos ambientais) e não saberem como proceder. Justifica-se então um link extremamente útil, no que me toca, sei que é útil, já que através de denúncias através desta entidade já consegui que algumas destas denúncias resultassem em alguns milhares de euros de multas:
A SEPNA é uma brigada da GNR com formação especializada no domínio ambiental, daí a sua importância, aqueles agentes têm a formação mínima necessária para fiscalizar muito do que de mal se faz por esta região, estando sediados em Pombal.
A maioria das vezes conseguem-se bons resultados através de denúncias à SEPNA, por isso... denunciem situações graves que vejam, é simples e ninguém estranho vai saber que são vocês!


Outra solução é fazer uma denúncia através da CCDR-Centro (http://www.ccdrc.pt/), a qual tem um espaço próprio para denúncias.
Os vossos filhos agradecem e alguns autarcas estremecem....

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mostrar as riquezas da região de Sicó ao mundo!

Bem, por esta hora já devem estar a estranhar o facto de eu não dar novidades à coisa de uns 7 ou 8 dias, o que tendo em conta eu colocar em média 2 posts por semana é algo de "estranho"!
Acontece que tenho estado ausente de Portugal, a esta hora estou num hotel em Zagreb, na Croácia a pernoitar (que cidade fantástica!), amanhã estou de volta a casa.
Participei num congresso internacional (na foto abaixo), na ilha de Rab, onde apresentei alguns factos do meu trabalho sobre uma área que compreende parte de Ansião e parte de Alvaiázere, mostrando as riquezas naturais ali presentes, avaliando as mesmas e mostrando o caminho por onde se deve seguir em termos de desenvolvimento sustentável, conjugando as necessárias actividades antrópicas com a preservação do ambiente, algo que é possível mas só mesmo sem estes políticos incompetentes e que têm travado o desenvolvimento da região.

Nos últimos dois anos já fui às minhas custas (carteira...) a congressos europeus e internacionais, apresentar o que de bom temos numa área específica das "Terras de Sicó", mostrando o caminho que deveríamos seguir neste domínio. Os percursos pedestres que elaborei na área (uma das muitas aplicações do meu trabalho) suscitaram interesse!!
Apesar deste facto os políticos (genericamente!) continuam a ignorar um vasto património presente neste território, algumas vezes tentando arredar do caminho quem lhes dá cartas em termos profissionais e morais, especialmente aprendizes de político...

Política à parte, o balanço de mais uma deslocação cá fora é muito positivo, apresentei o que investiguei nos últimos dois anos, mostrei a região a 24 países e a muitos especialistas, em particular a um dos mais brilhantes especialistas mundiais na geoconservação, Murray Gray. Este especialista publicou um livro à três anos sobre a temática da geoconservação, não o conhecia até antes de ontem aquando da minha apresentação oral, na qual suscitou uma questão sobre a minha área, fiquei muito orgulhoso porque não é todos os dias que um dos cientistas de top na área que mais gosto me questiona (de forma positiva!) sobre a minha investigação em plena "Terras de Sicó", afinal eu sou insignificante à frente dele! É bom termos a oportunidade de aprender com os melhores, infelizmente é pena não ter em termos efectivos a oportunidade de aplicar o resultado da minha investigação (por agora....). Sinceramente até fico contente não ser reconhecido pelas entidades políticas na região onde sempre vivi, afinal ser reconhecido por incompetentes (genericamente falando) não é algo que me agrade de todo, prefiro sim ser reconhecido por entidades idóneas que avaliam o nosso trabalho sem que interesses pessoais estejam por detrás...

A ilha onde o congresso se realizou é uma área cársica (calcários) é muito bonita e recebe por ano cerca de 1000000 de visitantes, curiosamente não tem indústrias pesadas, mostrando que é possível trazer desenvolvimento a uma região sem actividades poluidoras (de forma insustentável..). A "Terras de Sicó" tem também muitas potencialidades e património, infelizmente os nossos políticos apenas trazem destruição a muito do património natural, cultural etc da região, os seus interesses regem-se pelos interesses pessoais (genericamente falando...) e moldam as coisas à sua visão pessoal, muitas vezes errada, sobre o que deve ser o futuro da região.

Hoje foi um dia engraçado, houve uma saída de campo pós congresso (e duas pré-congresso) e visitámos um... fjord (sim parece que é mesmo um fjord!) onde estava afundado um navio alemão da segunda guerra mundial, via-se bem porque estava perto da margem e a água era límpida.
Deixo-vos com uma foto de um parque natural que visitámos no segundo dia.


Fica então a notícia e uma garantia, ninguém me vai parar, vou continuar o meu trabalho em prol da região e de algumas das suas riquezas inigualáveis! Daqui a mais uns meses terão novidades acerca disto no que concerne a como materializar todo este trabalho....

Uma das coisas mais bonitas em termos o privilégio de viajar é aprendermos com os outros países e culturas e podermos ser melhores pessoas e melhores profissionais, com isso ganhamos nós, o nosso trabalho e aqueles para quem trabalho, vós!