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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Um patrocínio que deu em polémica! E não é para menos...


Fonte: Trail running Pombal

Há uns dias deparei-me nas redes sociais com um debate algo acesso sobre uma questão bastante pertinente. Tratava-se de um debate que lidava com uma questão muito importante, que me leva agora a dar mais visibilidade.
Faço-o por vários motivos, seja em primeiro lugar porque se trata de uma questão que mexe com o património de Sicó e que eu acompanho activamente há muitos anos, com um tema tabú, com um patrocínio que importa debater sem complexos e finalmente com a questão da posição da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (e não com os bombeiros propriamente ditos).
Mas comecemos pelo início. Pelo terceiro ano vai-se realizar uma prova solidária de trail, em voga nos últimos anos, na Serra de Sicó. As verbas vão reverter inteiramente para os bombeiros voluntários de Pombal, facto a aplaudir. Até aqui tudo bem, contudo eis que surge o patrocínio da empresa que explora talvez a pedreira mais polémica da região de Sicó. E é aqui que a polémica começa, pois surge uma questão ética, à qual a direcção da AHBVP não pode fugir. Ao aceitar este patrocínio aquela direcção está, na prática, a pactuar com o brutal impacto da exploração e questões associadas de uma pedreira muito polémica.
E não, não se trata de maldizer sobre os bombeiros ou mesmo sobre a direcção da AHBVP, como dois ou  três insinuam de forma demagógica e populista, mas sim sobre uma questão ética. Isto facilmente seria resolvido caso a AHBVP agradecesse o patrocínio da Iberobrita, mas declinasse o mesmo, argumentando que isso poderia afectar a imagem dos bombeiros. É algo que me parece simples de entender, contudo há sempre pessoas prodigiosas, que surgem com o populismo e demagogia do costume. Em vez de ouvirem argumentos como os que atrás referi, insurgem-se contra os mesmos, numa espécie de democracia ajustada ao gosto de suas excelências. Os Bombeiros Voluntários de Pombal são, imagine-se, meros espectadores nesta questão, sendo que o problema está ao nível de uma decisão tomada e assumida pela direcção da AHBVP.
Mas antes de prosseguir, faço questão de utilizar uma analogia para que aqueles que não compreendem o que está em causa. Se vocês tivessem interesse em participar num evento, seja ele qual for, patrocinado por uma empresa que destruisse as florestas tropicais, participariam à mesma no evento? Muitos claramente que não, já que está em causa uma questão ética, a de não pactuar com a destruição de algo muito importante, caso das florestas tropicais. E isto tem acontecido por todo o mundo, havendo cada vez mais uma recusa na compra de produtos associados à destruição da floresta ou afins. Ou então um caso bem conhecido, lembram-se do filme "diamantes de sangue"? A lógica não é comparável, obviamente, mas para fazer uma analogia dá bem.
Continuando, nunca participei nesta prova por uma questão de ética e de princípios. Quem, como eu, trabalha em prol do património da região de Sicó não pode pactuar com uma prova que tem um patrocínio tão polémico. E não, não estou contra os bombeiros, estou apenas contra a exploração daquela pedreira e todas as ilegalidades que têm sido tornadas públicas. Já pensaram que podem ir directamente à secretaria dos BVP e deixar o vosso donativo? Há pessoas que parece que não sabem que isto é possível...
Há que separar as coisas e pena é que haja quem não tenha o melhor discernimento e siga na linha da demagogia barata e populismo populista, passe o pleonasmo. Curiosamente, ou não, até sou bombeiro voluntário, portanto é escusado alguém referir que é uma posição que é contra os bombeiros. Não falo enquanto bombeiro, até porque além de não o poder fazer não tenho qualquer interesse em o fazer. Posso apenas referir que sou bombeiro e isso diz muito no que se refere ao debate da questão. Falo sim enquanto cidadão e activista do património da região de Sicó.
Indo então ao debate que vi numa das redes sociais mais pujantes, e pegando no que disse atrás, vi muita coisa absurda. Uma delas foi o comentário absurdo de um indivíduo, sobre uma pessoa que argumentava da mesma forma como eu, já que este indivíduo afirmava que a pessoa referida se tinha "empenhado em mal dizer de pessoas e organizações que são um exemplo no cumprimento das suas obrigações". É algo que mostra bem a falta de discernimento e muita demagogia à mistura.
Depois continuou o pessoal do "Trail Running Pombal", ao referir que se estava a "misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho em questões que não são da nossa competência nem responsabilidade". Nada mais absurdo e demagogo meus caros, pois ninguém está a misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho. Está-se sim a debater uma questão sem complexos nem tabús e a pôr em causa uma decisão de uma direcção de uma associação. Sobre a questão da competência e responsabilidade, basta apenas referir que vivemos em democracia e todos estão sujeitos ao escrutínio. Há questões que não são para ser debatidas publicamente, como é óbvio, mas há outras questões, como é este o caso, que são para debater publicamente, já que diz respeito a todos nós. Ética e princípios são valores basilares, contudo, e para dois ou três, mais parece que em certos casos se pode fazer uma pausa ou abrir uma excepção.
As direcções das Associações Humanitárias não são imunes ao escrutínio nem à crítica, sempre que se justifique. Trata-se de uma questão ética e parece que é isso que o pessoal do Trail Running Pombal e o presidente da AHBVP não alcançam. Ao debatermos esta questão, estamos a enriquecer um debate necessário, o qual não coloca em causa a AHBVP.
Já o que afecta de algum modo a imagem da AHBVP é, na minha opinião, a aceitação deste patrocínio, na medida que colide com a imagem da Associação (defesa de pessoas, bens e do património...), e, por outro lado a postura arrogante e, diga-se, pouco educada do seu presidente. Mas nada como mostrar quem disse o quê, de forma a que cada um faça um juízo de valores... 


E se pensam que isto é algo sem importância, pensem melhor, pois é isso que falta, reflexão e discernimento. E nada de tabús e estereótipos... Se houvesse quem ali estivesse a maldizer dos bombeiros, rapidamente levaria uma resposta incisiva da minha parte, contudo não foi isso que aconteceu.
Quanto ao Sr. Sérgio Gomes, não confunda o mérito de ser presidente da AHBVP com a competência para o ser. É o que digo aos meus camaradas bombeiros, uma coisa é o mérito de ser bombeiro outra coisa é a competência na acção. Só funciona bem se ambos andarem lado a lado...
Para terminar, e respondendo ao Sr. Sérgio Gomes, que por um lado disse que não queria saber quem eu sou, mas por outro me perguntou quem era eu para lhe falar de ética, respondo apenas que sou o João Forte.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Carta aberta aos clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas na Rede Natura 2000

O dia teria de chegar mais tarde ou mais cedo, portanto eis que chega o dia em que tenho de alertar alguns clubes e/ou associações que já organizaram ou que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere, ou dito de forma genérica, na Rede Natura 2000.
Desde já peço a todo/as o/as que fazem parte destes clubes ou associações, que façam chegar este meu comentário às respectivas direcções, pois é matéria que lhes interessa. Estas têm a obrigação de se inteirarem sobre esta questão, daí eu preferir começar pela abordagem pedagógica e informativa, em vez de começar logo "a matar", algo de contraproducente e a evitar. 
Já por algumas vezes alertei para situações que representam verdadeiras problemáticas e que sustentam a necessidade de ordenar a actividade desportiva em áreas protegidas, concretamente em áreas sensíveis a vários níveis, seja fauna, flora, geodiversidade ou mesmo património construído. Até agora, apenas por duas vezes me pediram esclarecimento sobre esta questão.
Dito de uma outra forma, e sabendo à partida que defendo a realização de provas desportivas na Rede Natura 2000, vejo claramente a necessidade de meter ordem onde ela escasseia, estando, para isso, disponível para ajudar quem me pedir ajuda. Provas desportivas sim, mas não a qualquer custo.
A última má notícia que recebi, no âmbito de asneiras cometidas à boleia de provas desportivas, teve a ver com um passeio de btt, solidário, efectuado na Serra de Sicó. Já com alguns dias decorridos após tal passeio, mantinham-se montes de garrafas de plástico em alguns pontos, algo de inaceitável sobre sobre todos os pontos de vista. Há também a tradicional festa das fitas que populam esta região, muito depois das provas se realizarem. Mas não só, há outros problemas, mais complexos, já evidenciados nos três links atrás destacados, que afectam gravemente a integridade de locais de uma riqueza assinalável.
Voltando ao cerne da questão, passo então a alertar os clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere. É obrigatória uma autorização, por parte do ICNF, para a realização de provas desportivas, sejam elas btt, trails, provas motorizadas ou outras mais.
É necessário enviar a informação base ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (antigo ICNB), sobre a forma de um documento, onde conste a descrição do que se pretende fazer, um mapa com o trajecto, data prevista, número de participantes e, claro, o organizador da prova.
Será importante referir um facto diferenciador, ou seja se é um mero passeio ou uma prova de competição (ex. btt, motos e jipes), já que estas últimas pagam uma taxa, na ordem de algumas dezenas de euros. Passeios de btt, regra geral não pagam nada.
Naturalmente que será importante elaborar um "plano ambiental", no qual seja referido, por exemplo, que não será permitido aos participantes mandar lixo para o chão. Por vezes este último ponto até acontece, no entanto nunca é demais trabalhar esta questão. Resumindo, um bom marketing ambiental faz toda a diferença se for realmente efectivo.
Em termos de legislação, é o Art. 9º do D.L. 49 de 2005, datado de 24 de Fevereiro, que rege esta questão. Há que lembrar que há muitas pessoas mal informadas, as quais pensam que é proibido organizar provas na RN2000. Esta mesma questão foi-me colocada ainda há poucas semanas, quando ajudei a esclarecer este mito, ou melhor, este estereótipo criado por quem quer acabar com as áreas protegidas no "seu" território.
Para finalizar, volto mais uma vez a solicitar a todos vós que façam chegar esta questão às direcções dos clubes e/ou associações, pois se, por agora, não irei denunciar quem organiza provas ilegalmente em Rede Natura 2000, isso não significa que o faça por muito mais tempo. Ou seja, a partir sensivelmente de Setembro/Outubro deste ano, eu e outros mais iremos começar a indagar sobre a legalidade de algumas provas desportivas, a bem no nosso património, o que poderá resultar em multas a quem não cumprir com o que está legalmente instituído. 
Quem vos avisa, vosso amigo é...

sexta-feira, 8 de março de 2013

A outra face dos desportos de natureza na região de Sicó

Um dia teria inevitavelmente de surgir o debate sobre uma questão muito particular, relacionada genericamente com o decorrer de provas desportivas na região de Sicó, as quais se desenrolam por esta bela paisagem. Se é certo que este facto tem trazido centenas de pessoas à nossa região, também é agora certo que nem tudo corre bem, decorrente destas mesmas provas desportivas. É certo que a intenção é boa, no entanto...
O facto de associações e/ou empresas poderem organizar livremente provas desportivas, caso de BTT e trail (entre outras) tem levado a que actualmente se comecem a constatar problemas associados. Isto acontece por vários motivos, desde o pleno desconhecimento de regras básicas, até ao desconhecimento de regras que, não sendo básicas, são fundamentais para um correcto desenvolvimento destas provas nesta região muito peculiar. Isto já para não falar que há provas que são feitas sem autorização de algumas entidades públicas, as quais apesar de até saberem, deixam passar... 
Tenho constatado alguma falta de preparação de indivíduos, associações e empresas, o que significa que já observei alguns problemas decorrentes desta impreparação. A falta de regras e do cumprimento de algumas já existentes, tem levado a que o enorme aumento de provas de BTT e trail esteja a ter reflexos negativos, muitas vezes sem que as pessoas se apercebam.



Já falei desta questão a alguns amigos e já senti na pele algum incómodo por surgir a conversa do costume, do suposto fundamentalismo, o que afinal até foi bom, pois alertou-me para algo e fez-me investir uns minutos neste comentário. Assim sendo, venho desta forma mostrar que não é fundamentalismo, é sim pugnar pelo cumprimento de regras, o que permite algo de muito simples, a continuação da existência de provas deste género por muitos e bons anos. Gostar não é dizer apenas que se gosta, gostar é preservar, e isso implica, por vezes, medidas pouco populares no curto prazo (embora populares no médio e longo prazo).
Em primeiro lugar, há que referenciar que eu participo quer em provas de BTT, quer em provas de trail, daí não ser daqueles que fala sem saber. 
As consequências da passagem de centenas de pessoas ou bicicletas num local, podem variar, já que há locais mais sensíveis e locais menos sensíveis. Não pretendo fazer uma análise de conjunto, mas sim pegar em dois exemplos e falar de dois troços (sensíveis) dos respectivos percursos. Penso que será fácil qualquer um entender que numa área protegida, ou numa área que não sendo protegida é sensível, têm de se tomar medidas especiais, decorrentes da sua evidente vulnerabilidade.
Em primeiro lugar, falo do caso do "Trilho do Javali", um trilho de BTT que foi aberto há mais de 3 anos. Este trilho situa-se numa vertente da serra do Casal Soeiro, em Ansião. Há semanas atrás fui então fazer o trilho a pé, com a máquina fotográfica ao ombro, de modo a registar aquilo que importava destacar em termos de problemática. Nunca fiz aquele trilho de bicicleta, já que por uma questão de coerência não participo em provas que sei à partida desrespeitarem regras que considero básicas.
A minha principal preocupação era a erosão associada à abertura de um trilho naquele local, especialmente tendo em conta o declive no segundo terço da vertente. Não precisei de andar muito até me deparar com algo de preocupante, a malvada erosão.
Nesta segunda fotografia, está à vista a erosão (inicial) ocorrida nos últimos 2 a 3 anos, num sector mais declivoso. Não será difícil perceber que em poucos anos, e com episódios de elevada pluviosidade, aquele sulco irá crescer, resta saber a dimensão que terá depois de muita chuva cair e milhares de bicicletas ali passarem. 
Na primeira fotografia, está à vista o que fica depois de alguém pegar numa marreta e andar a partir lapiás à grande e à francesa, mesmo que isso seja proibido (Rede Natura 2000). Quem andou de marreta na mão nem sequer se deu ao trabalho que ver que até estavam ali fósseis...
Não gostei também de constatar que dois muros foram postos abaixo, de forma a que as bicicletas pudessem passar. Será isto preservar o património?!


Nesta quarta fotografia, mostro o trilho linear pelo meio do carvalhal. A ver vamos como vai ficar o sulco daqui a uns tempos. E depois, quando estorvar, abre-se um outro ao lado?


Passo agora a um outro exemplo, mas relacionado com uma prova de trail realizada em Fevereiro último (Trail de Conímbriga). Este troço situa-se no vale das buracas, local de interesse geomorfológico de interesse nacional, o qual devia estar devidamente protegido e ter já um plano de gestão.
No troço que destaco, não deveria passar quaisquer prova, já que é uma área muito sensível. Caso passasse na estrada em terra batida, aí até poderia concordar, mas agora passar num local onde não havia trilho e onde a inclinação é de 45º, aí é que não.


A Câmara Municipal de Condeixa deveria, no meu entender, promover factualmente a preservação do local, e não permitir a degradação do mesmo, pois é isso que está a acontecer. Uma coisa é passar pela estrada em terra (brita), outra é passar por onde não faz sentido, onde só degrada. Urge um plano de gestão deste LIGeom.


Fui ao local, já depois da prova, para elaborar um registo fotográfico que me permita monitorizar a situação nos próximos anos, coisa que ninguém se lembra de fazer. Não gostei de, passados 2 dias, constatar que as fitas de marcação ainda não tinham sido retiradas.
Penso que esta última fotografia é a que mais facilmente é percepcionada por todo/as, já que consegue-se observar o que fica depois da passagem de centenas de pessoas por aquele local com cerca de 35 a 40º de inclinação. Estes locais não aguentam tanta gente e todos os locais têm uma capacidade de carga limitada, a qual não deverá estar estudada para aquele local.
De todo o trajecto, cerca de 22 km, estes 400 metros eram de evitar. Com tanto caminho, para quê passar num local que além de sensível, não tinha caminho?
E, para finalizar, deixo algumas ligações, onde os interessados por esta problemática podem de alguma forma perceber (caso entendam inglês) a problemática associada aos trilhos:





Como já referi, não é uma questão de fundamentalismo nem de imobilismo, é sim de preservação de locais de grande valor patrimonial. Para isso há que criar regras que permitam o usufruto deste património de uma forma sustentada, só assim poderemos realmente usufruir das coisas que gostamos!
Penso que depois deste comentário, fica "tudo" esclarecido, podendo agora ser lançado um debate, sem estereótipos.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Um colossal equívoco geográfico

Este é daqueles casos que não poderia de forma alguma deixar passar em branco, já que afinal é um colossal equívoco geográfico. Começo então pelo cerne da questão:

"O AXtrail®series 2012

Circuito de trail running nas Aldeias do Xisto

Em 2012 o AXtrail®series soma a sua 5ª edição e novidades não vão faltar... combinámos o melhor dos percursos anteriores com novos trilhos, desafiamos-te a aperfeiçoar a técnica de corrida em montanha com alguns dos melhores atletas nacionais e internacionais num Trail Running Camp e ainda a participar no Ultra trail das Aldeias do Xisto. Para os caminheiros prometemos, novos percursos e o tão apreciado acompanhamento e interpretação dos nossos guias.
Na #01 serie voltamos às Aldeias do Xisto de Ferraria de S. João e Casal de S. Simão, para mais uma prova memorável ao longo da Ribeira de Alge e Ribeira da Ferraria. Em Junho, é a vez da Serra de Alvaiázere o receber numa prova de vistas amplas, realizada ao entardecer e que tem como principais trunfos os aromas e panorâmicas da Serra, e que o pode surpreender com um pôr-do-sol fascinante.
Em Setembro organizamos pela primeira vez um Trail Running Camp, com o objectivo de promover a técnica de corrida em trail, a troca de experiências e o convívio entre atletas. As inscrições são limitadas, não perca!
Guardamos o maior e mais aliciante desafio para o encerramento do circuito. Se gostaste do K42 Portugal, não percas o Ultra Trail das Aldeias do Xisto (UTAX), a Serra da Lousã ainda tem muito para mostrar...."
Fonte: http://www.axtrail.go-outdoor.pt/
Para os mais desatentos este texto pode parecer normal, no entanto há aqui um notável equívoco geográfico. Sendo um circuito de trail running, que ocorre nas Aldeias do Xisto, que faz ali o trail Serra de Alvaiázere? A serra de Alvaiázere é uma serra calcária, daí este colossal erro. Se me dissessem que era um trail das Aldeias do Carso, até aí tudo bem, agora um trail running das Aldeias do Xisto em plena serra calcária? É um erro elementar, no entanto até é apoiado por entidades oficiais, precisamente aquelas que têm maiores responsabilidades e que deveriam chamar à atenção quem promove o equívoco territorial. Importa referenciar também que este é um péssimo exemplo de marketing territorial, onde se compra uma coisa que afinal não o é. Sicó fica a perder com este equívoco territorial, bem como a própria Marca Aldeias do Xisto, já que, quanto a mim, utilizou-se uma Marca de forma indevida. Se quiserem promover provas deste género no carso é simples, enquadrem-nas na Marca Aldeias do Carso, Marca esta que ainda não existe, por mais absurdo que possa parecer...
Outro pormenor que me intriga é a posição da Câmara Municipal de Alvaiázere, a qual até tem estado a trabalhar na questão das Aldeias de Xisto. Como se explica que esta autarquia, tendo duas aldeias situadas em Maçãs de D. Maria, esteja a potenciar este equívoco territorial? Porque não se promoveu esta prova no seu devido lugar? Mais uma vez Tito Morgado mostra que o seu conhecimento sobre o território que (des)governa é muito limitado e supérfluo, é a minha simples e humilde opinião de geógrafo.
Lamento que de todas as entidades que deveriam defender Sicó, do ponto de vista do marketing territorial, nenhuma o fez. É por estas e por outras que Sicó está como está. Este episódio irá sem dúvida alguma para o álbum dos episódios mais caricatos em termos de marketing territorial em Sicó.
Pessoalmente gosto muito de fazer este tipo de provas (apenas recentemente experimentei esta vertente do atletismo, depois de 14 anos de provas de estrada...), e só não fui a este trail porque senti-me enganado em termos geográficos. Isto além de ter ficado triste por ver que isto ocorreu numa serra que tanto me diz. Factos do Portugal e Sicó reais...
Quanto à empresa que promoveu esta prova, fica uma sugestão, que crie ela própria a Marca Aldeias do Carso, coisa que os sabichões que (des)governam Sicó ainda não se deram ao trabalho de fazer. Irá ver que é algo com potencial...