Mostrar mensagens com a etiqueta mobilidade sustentável. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mobilidade sustentável. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de março de 2017

Viva a ferrugem!



Ando de bicicleta desde que me lembro, ou seja há muitos anos. Faço-o por gosto, sendo aliás uma espécie de filosofia de vida, que faz parte do meu "adn". Nunca liguei aos estereótipos e ao preconceito por quem faz da bicicleta a sua principal forma de mobilidade na curtas distâncias (5/6 km), no seu dia-a-dia e nas médias distâncias naqueles dias em que apetece fazer umas dezenas de km pelo monte e pela estrada. É certo que, tal como na década de 80, a bicicleta está na moda, contudo o ciclo irá, infelizmente, inverter mais ano menos ano, é essa a triste sina tuga, mesmo que a comunidade de utilizadores das duas rodas, a pedal, esteja cada vez mais forte e com maior capacidade no que concerne ao estabelecer as bases para alterar o paradigma actual, onde a bicicleta é ainda um parente pobre. Somos cada vez mais e, a seu tempo, conseguiremos mais e melhores resultados, isso é certo.
Tenho 3 bicicletas e daqui a mais uns tempos irei comprar uma quarta. Para diferentes usos, diferentes bicicletas. Duas são de marcas portuguesas e a outra de uma marca estrangeira. 
Tudo isto para vos mostrar simplesmente o meu gosto pelas duas rodas e o porquê de regularmente abordar a temática das bicicletas e dos modos suaves.
Mas vamos então ao assunto principal deste comentário. Já alertei várias vezes para esta questão, contudo nada se fez para resolver o problema, por isso a srª ferrugem está pujante e a reivindicar o seu poder. Fora a questão dos pneus crestados... Alertei para o facto de não existir nenhum abrigo para as bicicletas de uso partilhado na Vila de Ansião, a E-Ginga. Seja Inverno seja Verão, elas ali ficam à chuva ou ao sol. Tanto podem estar 40 graus positivos como 16 negativos, que elas ali estão, desprotegidas e à mercê dos elementos. 
Diz o bom senso que deveriam existir uns abrigos que as protegessem minimamente, prolongando a sua vida útil. Nas fotos podem ver o estado actual destas bicicletas, facto a lamentar. Das 3 bicicletas que tenho, a mais velha tem quase 30 anos. Curiosamente não tem tanta ferrugem como estas que constam nas fotos...
Fica novamente o apelo para a construção de uns abrigos para estas meninas, já que elas merecem! 



sexta-feira, 22 de abril de 2016

Desafio-vos para o "compromisso pela bicicleta"!


Tive conhecimento desta iniciativa há algumas semanas, sendo que possivelmente são poucos os que já têm conhecimento desta iniciativa ímpar. O "compromisso pela bicicleta" é uma iniciativa de enorme importância, e que abrange todo o território português, tendo surgido através da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro. Os objectivos são o fomentar da utilização da bicicleta, a redução do tráfego automóvel, promoção da aquisição de binas nacionais (já é um forte cluster económico), melhor saúde, melhores cidades, entre outros. Podem consultar a informação no site respectivo.
A temática das bicicletas é regularmente abordada no azinheiragate, não só por ser um tema que me é muito próximo, enquanto utilizador diário deste belo meio de transporte (tenho 3 binas, 2 delas de marcas portuguesas e feitas em Portugal), bem como por ser uma questão de enorme importância em termos ambientais e de pura racionalidade e bom senso.
A iniciativa que agora destaco é um perfeito exemplo de desenvolvimento socio-económico, pois tem em conta uma premissa fundamental, o ambiente e a maximização racional dos recursos naturais que nele podemos encontrar. Destaco esta iniciativa de forma a lançar o desafio a entidades públicas, privadas e toda a sociedade civil. É certo que as coisas têm mudado no domínio da mobilidade sustentável na região de Sicó, contudo de uma forma esparsa, desconexa e inconsequente. Há casos interessantes a destacar, caso da e-Ginga, contudo mesmo esses têm tido falhas que não se podem menosprezar, caso da falta de abrigo para as bicicletas que já mostram a bela da ferrugem. Além disso, e que eu saiba, não foram disponibilizados dados estatísticos para análise de terceiros. Aqui seria importante destacar a importância dos dados abertos (open data), ou seja a disponibilização de dados por parte das entidades públicas, numa lógica de "smartcitie". 
Mas voltando à questão propriamente dita, quantos de vós têm uma bicicleta na garagem e não a utilizam regularmente? Já agora, quantos têm uma bicicleta made in Portugal? Quantos de vós têm incutido aquele lamentável preconceito de que a bicicleta é para o pobre, para o coitadinho que não singrou na vida? Concerteza serão vários. Mesmo tendo em conta que hoje em dia se podem comprar binas de vários milhares de euros, o preconceito subsiste. Mesmo tendo em conta que nos últimos anos se assistiu aquele boom que se ocorreu em meados da década de 80, as mentalidades ainda têm muito que evoluir. Após 3 décadas, e quando pego na mais humilde das minhas binas, uma SIRLA com quase 30 anos, continuo a sentir aquele olhar "acusador" tipo, "lá vai o coitado que tem de andar de bicicleta"...


Mas vamos ao cerne da questão, a sociedade deve-se mobilizar em torno de grandes causas, o compromisso pela bicicleta é uma delas. As vantagens são imensas, riqueza para o país, pelo facto de aumentar a produção nacional de bicicletas (em vez de as mandar fazer em Taiwan...), diminuição do problemas associados à mobilidade urbana e semi-urbana e aumento da qualidade de vida, diminuição da poluição, diminuição de importações e aumento de exportações, etc, etc, etc.
Pôr o país no trilho certo passa por criar, apoiar e desenvolver iniciativas deste género. Agora fica o desafio para que todos participem, à sua maneira, neste compromisso!
O desafio vai em primeiro lugar, pelos motivos óbvios, às Câmaras Municipais de Ansião, Alvaiázere, Condeixa-a-Nova, Pombal, Penela e Soure.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Uma decepção de transportes públicos


Sou do tempo em que apanhar um autocarro ainda era um hábito para quem precisava de ir até outras paragens. Fosse para Coimbra, Leiria, Lisboa, Porto, ou outros mais, ainda se conseguia embarcar facilmente. Entretanto os anos passaram e as coisas começaram a ficar mais escassas. Os horários mudaram, alguns pontos de paragem deixaram de existir e o sistema de transportes públicos foi ficando mais pobre. Nada de anormal, tendo em conta as políticas que favoreceram escandalosamente o automóvel. Uma das coisas que mais me foi incomodando foi por exemplo ver aumentar o número de carros a circular no IC8 apenas com um ocupante. Ao mesmo tempo deixei de ver o pessoal a pedir boleia, pois hoje em dia dizem que é perigoso...
Não se tem debatido o tema dos transportes públicos, se calhar porque não é chique. Não se tem debatido a temática da mobilidade na região de Sicó, daí não surgirem soluções para um problema real e cada vez mais actual. Inovação nem vê-la...
Gostava que esta questão fosse debatida por todos nós, daí este comentário. Sei que serão poucos os que se vão dar ao trabalho de ler estas linhas, mas afinal isto é mesmo assim, só para quem se interessa.
Mas não quero falar apenas de transportes públicos, pois estes podem e devem estar associados a outras formas de mobilidade, caso das bicicletas. Quantos utilizam a bicicleta como transporte no seu dia-a-dia? É certo que não são todos que o podem fazer, já que, por vezes, a distância é impeditiva, no entanto quantos é que o poderiam fazer e não fazem porque não estão para isso? Há alguma empresa que premeie o trabalhador por ir de bicicleta para o trabalho? E o Estado, porque não apoia medidas deste tipo? Porque não se vê um único autocarro com suportes para bicicletas, tal como se vê nos tais países que tanto gabamos quando queremos falar em progresso? Nos comboios da CP, que passam por Pombal, já se começa a ver isso, embora a capacidade seja mínima. 
Falando nos comboios, como é possível ficar quase ao mesmo preço ir de carro ou de comboio para destinos a várias dezenas de km? E isto sabendo que os horários são pouco flexíveis e os atrasos comuns. Há 6 anos eu costumava fazer uma viagem de comboio que, ida e volta, ficava a 23,5 euros. Poucos meses depois já ficava por mais de 30...
São estas pequenas coisas que precisamos de reflectir seriamente, pois ao nível da mobilidade, falta uma estratégia para esta região. Obviamente que é uma realidade particular, mas basta querer para as coisas surgirem...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Bicicleta, luzes... acção!


Mais do que um objecto vulgar, a bicicleta é, para mim, um objecto que está intrinsecamente ligado a uma forma de estar na vida, a um estilo de vida ainda considerado como alternativo. Infelizmente ainda existe o estigma associado ao acto de andar de bicicleta. "Lá vai o pobre diabo" é apenas uma de muitas expressões utilizadas para caracterizar aqueles que fazem questão em andar de bicicleta no seu dia-a-dia. É certo que as mentalidades evoluíram, mas não o suficiente. Continuo a sentir o mesmo que sentia há quase 30 anos, quando me olhavam, de alguma forma, de lado, num quase desprezo, quando passava com a minha bina na Vila de Ansião. Felizmente que nunca liguei a esse tipo de mentalidade e ignorei os comentários. O tempo acabou por me dar razão.
Tal como na década de 80 e início da década de 90, nos últimos anos a bicicleta voltou a estar na moda. E ainda bem!
O intuito deste meu comentário não é dissertar sobre este objecto de culto, mas sim alertar para alguns dos problemas associados ao importante acto que é andar de bicicleta. Faz bem à saúde, à carteira e, diga-se, consegue ser bastante emocionante. A única excepção, diga-se muito rara, é quando um mosquito entra onde não deve e incomoda.
Enquanto utilizador diário de bicicleta, seja para desporto seja para deslocação, tenho uma percepção que me faz ser crítico perante alguns comportamentos que devem ser evitados a todo o custo, a bem de todos. E quando falo em comportamentos desajustados, não estou a falar dos miúdos traquinas que populam a urbe, mas sim dos adultos que deviam ter alguma consciência cívica. É certo que falta sensibilização rodoviária, tal como se fazia antigamente, mas nada, sublinho, nada pode desculpar a não utilização de luzes à noite nas nossas bicicletas. Acima de tudo é uma segurança para nós, utilizadores de bicicleta. E não há desculpa, pois há várias formas de nos fazermos ver à noite. Eu tenho 3 bicicletas e faço-me ver de forma diferente, conforme a bicicleta em causa. Infelizmente já fui atropelado de bicicleta (de dia e sem culpa), portanto sei o que custa e o que dói...
Vamos todos colocar luzes e reflectores nas nossas bicicletas, pois é importantíssimo, especialmente no Outono e Inverno, onde as noites são mais longas. E não quero desculpas!
Agora uma sugestão, Outono e Inverno não são sinónimo de bicicleta na garagem. Não está sempre a chover, portanto aproveitem e façam da bicicleta o vosso transporte diário. Frio? Utilizem roupa adequada, é simples. Precisam de levar papelada e não é prático? Comprem acessórios que o possibilitem, pois há-os para todos os gostos e carteiras, impermeáveis ou não. É caro? Já pensaram quanto é que gastam em gasolina e manutenção do carro? Qual fica mais caro?! Muitos de vós trabalham a pequenas distâncias do trabalho, portanto distância não é desculpa...
À parte das luzes e reflectores, há a opção do capacete, o qual deve ser sempre uma opção e nunca uma obrigação. E já agora, nunca, mas nunca, utilizem a passadeira quando forem de bicicleta, pois apenas os peões têm prioridade, não quem vai na bicicleta e passa na passadeira. Evitem os passeios, pois na região de Sicó não há, regra geral, essa necessidade.
O desafio está lançado, esperando eu cruzar-me com alguns de vós um destes dias, de bicicleta, num qualquer lugar na região de Sicó.

sábado, 18 de julho de 2015

Pombal, a cidade da mobilidade insustentável...


É uma velha questão, muito embora seja cada vez mais actual. Falo, claro, da mobilidade sustentável. Neste caso é mais uma situação de mobilidade insustentável na cidade de Pombal... 
Após a última requalificação urbana, ocorrida na cidade de Pombal, e quando se poderia esperar o início de uma mudança mais do que obrigatória, tudo ficou na mesma em termos de mobilidade urbana, ou seja, o pópó é quem mais ordena. Isto mesmo apesar da cidade de Pombal ser uma cidade facilmente ciclável, com poucas subidas dignas desse nome e muitas ruas planas. É, portanto, uma cidade boa para se pedalar, caso as condições sejam criadas.
As intervenções nesta cidade, no âmbito da mobilidade urbana, privilegiaram sempre as 4 rodas e dificultaram sempre as duas rodas sem motor, as ditas binas. Sim, é mesmo possível ir para o trabalho numa bicicleta direccionada para esse fim, ou seja, confortável.
O cenário que vejo hoje em dia é muito semelhante aquele que via há 30 anos, ou seja filas de carros e estacionamento complicado, mesmo após a implementação do estacionamento pago.
Continua a insistir-se na fórmula de convidar todo o pópó para o centro da cidade, quando a fórmula é só uma, ou seja evitar o pópó no centro da cidade e convidar os modos suaves ao centro das cidades. Seja a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, estas são as soluções naturais e racionais para a mobilidade urbana.
Quem vai a Pombal e pretende atravessar a cidade, lembra-se concerteza que esta travessia pouco difere  daquela que se fazia há 20 anos atrás, sendo que no Verão o cenário piora consideravelmente.


Mesmo o POMBUS, nome genial para um sistema de transportes urbanos, pouco melhorou, no essencial, a mobilidade sustentável na cidade de Pombal. Claro que trouxe melhorias, contudo estas foram limitadas por uma macrocefalia automóvel e por uma evidente falha em termos de planeamento urbano nas últimas décadas.
E que dizer do cenário quando queremos chegar à estação de comboios? Mais uma vez tudo formatado para o pópó...
Subsistem ainda muitos estereótipos associados ao trânsito de veículos de 4 rodas no centro das cidades, um deles é o de que acabando o trânsito de veículos, o comércio definha. Este é um mito urbano! 
Não há coragem para fechar algumas ruas e condicionar o trânsito de veículos noutras. Não há coragem de investir em ruas verdes e na vegetação, a qual melhora a qualidade do ar, diminui o ruído, baixa a temperatura localmente e mitiga a conhecida ilha de calor urbano, etc, etc. Seria interessante, por exemplo, introduzir em Pombal os conhecidos telhados verdes, pela mão de arquitectos com outros horizontes. Muitos sabem o que custa andar nas ruas de Pombal naqueles dias de calor. Ironia das ironias, em muitos destes dias quentes, está-se bem é no pópó com o ar condicionado a bombar...
Ou seja, é necessária uma profunda mudança de mentalidades. Há que aproveitar as oportunidades e financiamentos para reverter o cenário actual, o Portugal 2020 está aí!
Agora pergunto eu, para quando uma mudança de  paradigma em Pombal?


domingo, 15 de junho de 2014

E se eu quiser estacionar a minha bicicleta, será que tenho estacionamento?


É um tema do qual gosto particularmente falar, já que enquanto ciclista tenho uma experiência que já leva muitos anos, muitos milhares de km e um atropelamento por parte de uma carrinha. A experiência é importante quando chega a hora de dissertar sobre alguns temas, sendo este um bom exemplo disso mesmo. 
Desde já faço uma distinção clara, a de que, para mim, um ciclista é aquele que de uma forma regular (diária ou semanal) faz uso da bicicleta para se deslocar. Todos os outros são meros utilizadores ocasionais da bicicleta. Esta distinção torna-se fundamental na hora de opinar sobre os ditos modos suaves.
É raro o dia em que não dou ao pedal, tendo para isso 3 bicicletas diferenciadas. Sempre gostei da bicicleta, mesmo em anos onde a mesma não era moda. Nunca liguei aquele estereótipo, ainda presente, de que a pessoa que anda de bicicleta é uma coitadinha, que não tem dinheiro para um carro, etc, etc. 
O cenário associado à mobilidade sustentável na região de Sicó tem mudado de alguma forma, mas não ainda a suficiente. Surgiram as ciclovias, surgiram os sistemas de bicicletas partilhadas e pouco mais. Falta o resto. Não surgiu uma maior consciencialização por parte de muitos utilizadores da bicicleta, em termos de educação rodoviária. Incomoda-me ver pessoal a andar em contramão, a passar as passadeiras de bicicleta (não têm prioridade) e também a andar à noite sem luz e reflectores. São apenas alguns exemplos, os quais, além do evidente perigo, representam um foco de conflito para com os condutores de automóvel, alguns dos quais com comportamentos ao volante perfeitamente imbecis e, por vezes, criminosos.
Há muito por evoluir, sendo que é urgente mudar as mentalidades e também a forma como moldamos as vilas e cidades, pois há que ter em conta em primeiro lugar os modos suaves e os transportes públicos. Só depois vem o carro, pois este já tem privilégios a mais...
Estamos numa fase onde muitas pessoas voltaram a pegar as bicicletas, tal como aconteceu há muitos anos atrás. Quando a situação económica melhorar, acontecerá o mesmo de sempre, muitos voltarão ao comodismo e luxo do automóvel. Por isso mesmo há que aproveitar esta fase para melhorar tudo aquilo que pode ajudar a disseminar aquele belo gesto que é o dar ao pedal. Mas para isso há que ter pedalada.
Uma destas melhorias será a de criar centenas de pontos de estacionamento de bicicletas, em toda a região de Sicó, nomeadamente em meio urbano.
Quantos pontos como o da foto conseguem encontrar em toda a região de Sicó? Eu conheço poucos, muito poucos...
São baratos, eficazes e, fundamentalmente, necessários para ciclistas e utilizadores ocasionais de bicicleta. Não é admissível chegar a uma Vila e não ter um único estacionamento para bicicletas. Por exemplo, conhecem algum destes pontos à frente de entidades públicas, caso de Câmaras Municipais, Finanças, piscinas ou escolas? Ainda outro dia, ao ir à piscina municipal de Ansião, tive de prender a bicicleta a um poste. Será esta uma boa publicidade para o Município de Ansião?
Muito sinceramente ando com ideias de lançar uma petição com vista a mitigar esta mesma questão. Confrontar quem nos governa com situações como esta é a melhor forma de solucionar problemas como este.
Quanto à foto que ilustra este comentário, esta é relativa a Alvaiázere, a um estacionamento localizado entre o gimnodesportivo e o campo de ténis. Fazem falta mais estacionamentos como este, muito embora este, na foto, não seja o mais correcto. É normalmente denominado como entorta aros, pois basta uma pessoa chocar inadvertidamente com a bicicleta, para entortar um aro. Os melhores são aqueles altos, onde facilmente se prende o quadro da bicicleta.
Prontos para reivindicar pontos de estacionamento de bicicletas na região de Sicó?

sábado, 14 de setembro de 2013

Bicismo, uma forma de discriminação inaceitável


Estamos quase a chegar a um dia simbólico, onde, especialmente, a bicicleta é o centro das atenções no domínio da mobilidade. Chamam-lhe o dia europeu sem carros, e para mim é meramente um dia simbólico, o qual deve ser aproveitado sim em termos pedagógicos.
Pessoalmente não sou completamente a favor deste dia, pois acaba, na maioria dos casos, ser contraproducente. Devia sim haver algo do género, mas numa base... diária!
Para mim o dia da bicicleta é quase todos os dias, pois utilizo-as (tenho mais do que uma) praticamente todos os dias, seja em lazer ou mesmo, e fundamentalmente, para ir trabalhar.
Este comentário vem a propósito de uma conversa que muito me incomodou um destes dias, onde o fundamentalismo dos condutores queria imperar a favor dos carros e a desfavor das bicicletas. Pensei, pensei e acabei por chegar a um termo que não sei se já existe, o bicismo, ou seja um termo que é  basicamente uma analogia ao racismo, mas aplicado às bicicletas.
Antes de mais, importa referir que eu apenas considero como ciclista aquele que, numa base regular, faz uso de uma bicicleta. Aquelas pessoas que pegam na bicicleta uma ou duas vezes por ano, simplesmente não as considero ciclistas.
Eu sou, ao mesmo tempo condutor, ciclista e peão, e faço algumas centenas de km por mês, seja de carro, de bicicleta ou a pé.. Estou, por isso, à vontade, para falar sobre todos estes pontos de vista, do condutor, do ciclista e do peão. Quem não é ciclista não tem legitimidade para falar desta questão, pois ao não o ser está a ser parcial.
Acontece que numa conversa, surgiu uma pessoa que, apesar de eu o considerar uma pessoa de valor, falou apenas enquanto condutor, sendo, portanto completamente parcial na análise da questão da mobilidade. Dizia que as bicicletas deveriam ter matrícula e seguro, algo que eu considero absurdo. A argumentação baseava-se em boa medida num ponto, a de que um ciclista poderia facilmente matar uma criança num qualquer acidente. Foi uma análise claramente tendenciosa e desprovida de factualidade. Além disso, não referiu uma única vez as dezenas de ciclistas que são mortalmente atropelados por... automobilistas irresponsáveis. Quantos casos conhecem vocês de pessoas que tenham falecido decorrente de um choque com uma bicicleta, mesmo a nível europeu? Por carros são às centenas!!! Não referiu também que se deveria apostar, tal como faziam no meu tempo de escola, numa educação direccionada também para aquele gesto natural que é andar de bicicleta. Não referiu, embora eu saiba, que apesar de viver a menos de 1km do local de trabalho, vai para o mesmo de... carro
Segurança rodoviária, quem se lembra disso, de andar naqueles circuitos feitos nos ringues das escolas para ensinar o pessoa, onde até ia um elemento da polícia? Eu lembro, mas hoje em dia é raro isso acontecer...
É óbvio que há problemas neste domínio, pois há muito pessoal a entrar no mundo das bicicletas sem uma preparação mínima, o que leva, por exemplo, a que alguns ciclistas pensem que têm prioridade nas passadeiras. Há também aqueles que, em vez de fazerem do passeio uma excepção, fazem dele uma regra, o que está errado. Isso resolve-se com programas de segurança rodoviária e não com seguros e matrículas. Há que reconhecer que isto só aconteceu pelo perigo que é partilhar a estrada com os carros, facto que manda muita gente para os passeios. O problema resolve-se na origem e não com invenções baratas.
Quem, ao andar de bicicleta, causar um acidente, é, por lei, obrigado a pagar o que decorrer daí, é simples e não custa entender. Quem anda de bicicleta tem cuidados mínimos, pois sabe que se fizer asneira paga caro (com o corpo), ao contrário dos carros, nomeadamente daqueles “chega para lá que eu é que mando aqui”.
Considero absurdo a atentatório, pensar-se sequer num seguro para bicicleta, pois isso seria apenas e só para encher os bolsos de alguns e não para resolver problemas. Iria sim causar problemas, pois também iria desmotivar aqueles que andam de bicicleta e fazem deste mundo um mundo bem mais interessante. Considero sim que, até aos 16 anos, devia ser obrigatório o uso de capacete nas bicicletas.
Há uma percentagem elevada de automobilistas que pensa que a estrada é apenas para os seus popós, e tudo o mais é paisagem. Quando vêm alguém, caso de bicicletas, “invadir” a estrada, ficam logo chateados, como que se a estrada fosse o seu reino... Redondamente enganados meus caros, a estrada é de todos e quem, na grande maioria dos casos, não respeita e faz asneira, é o condutor, não o ciclista. Curiosamente eu até já fui atropelado por uma carrinha apressada. Com bicicletas nunca apanhei sustos, à excepção de Amsterdão...
As bicicletas não têm de ter os mesmos direitos que os carros, têm sim de ter os seus próprios direitos, e para cada realidade, terá obrigatoriamente de ser tomada em conta a sua especificidade. A recente alteração ao código de estrada, vem apenas dar os direitos devidos, à muito tempo, aos ciclistas, e não dar os mesmos direitos e obrigações que têm os carros.
Pelo raciocínio de algumas pessoas, só falta obrigar as bicicletas ir à inspecção...
A bicicleta não polui, a bicicleta é o melhor meio de transporte em meio urbano e não só. A bicicleta não causa engarrafamentos, stress. São precisas várias bicicletas para ocupar o lugar de estacionamento de apenas um carro.
E podia continuar indefinidamente....
Chega de bicismo!