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domingo, 18 de janeiro de 2009

É mentira sr. presidente!

Após visita ao local e através do diálogo com vários moradores, chega-se muito facilmente à conclusão que as afirmações do meu amigo Tito Morgado, no que se refere ao caso adiante referido, não correspondem à verdade, algo que este meu grande amigo infelizmente já nos habituou.

Começando pelo início da história:

«Ovelhas e cabras albergadas no meio do casario em Alvaiázere
Moradores denunciam “currais clandestinos”

Moscas, barulho e um mau cheiro “insuportável” abalam a “tranquilidade e o bem-estar” de
alguns moradores de Aveleira, Alvaiázere, que habitam paredesmeias com um curral de ovinos e caprinos. A queixa partiu de Joaquim Silveiro e Maria dos Anjos Silveiro, que dizem ter perdido o sossego desde que em 2005, ao lado da sua casa, foi construído um barracão. Garantem que o espaço, inicialmente destinado a guardar alfaias agrícolas, está a servir de exploração de gado ovino e caprino. De acordo com os moradores, os “currais clandestinos” “não estão em conformidade com a lei em vigor e são um atentado à saúde pública”. No local existe uma fonte onde algumas pessoas se abastecem, mas que “por norma está em mau estado, com resíduos das cargas e descargas de animais”. O mau cheiro e o barulho dos camiões que transportam animais de madrugada não os deixa dormir, acrescentam. De acordo com o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, a Divisão de Intervenção Veterinária de Leiria recebeu em Janeiro de 2007 uma carta de Joaquim Silveirio, denunciando o caso. O Ministério informou a delegada de Saúde, já que a missiva referia problemas de saúde pública.
Fernanda Pinheiro, técnica de saúde ambiental do Centro de Saúde de Alvaiázere, confirma ter visitado o local em Outubro de 2007. Depois dessa visita, a técnica explicou à delegada de Saúde que havia prejuízo para o queixoso. A delegada pediu por sua vez à autarquia que notificasse o proprietário. “Pensava que o caso tivesse ficado resolvido”, diz Fernanda Pinheiro.

O presidente da autarquia, Paulo Tito Morgado, explica que o barracão em causa tem mais de
30 anos e só alberga animais quando o proprietário tem excesso de gado. Além disso, após várias visitas feitas ao local, “apenas uma vez” foram detectados ovinos e caprinos no referido barracão, nota o presidente. “A curto prazo a situação estará resolvida”, acredita o autarca.
»
In: Jornal de Leiria, edição 1276

Obviamente que vemos que aqui há contradições entre o que os habitantes dizem e o que o meu estimado amigo Tito Morgado diz, mas nada melhor do que ir ao local e constatar os factos:

- É falso que o barracão em causa tenha mais do que 30 anos, efectivamente tem pouco mais do que 5 anos e é efectivamente uma obra ilegal, já que foi licenciada para armazém de alfaias agrícolas.

- É falso que só alberga animais quando o proprietário tem excesso de gado, já que efectivamente é um curral utilizado de forma permanente no meio de um lugar e não usado apenas uma vez.

- Além destes factos, constatei que mais abaixo, no meio de um pinhal está a ser feita uma obra, do mesmo dono do curral, a qual não me parece que seja legal, já que não tem o aviso obrigatório de obra, será que é mais um curral ilegal?

Seguem-se as imagens do caso, pois uma imagem vale mais do que mil palavras e o meu amigo Tito Morgado frequentemente é desmentido com fotos e/ou vídeos que mostram que muitas das suas afirmações não correspondem à realidade constatada no terreno, arruinando a sua credibilidade enquanto autarca.


Mesmo quem nunca trabalhou nas obras sabe bem ver que esta obra é recente.... felizmente que eu já trabalhei nas obras e sei bem do que falo!

Que coisa é aquela lá no meio dos pinheiros, outro curral ilegal em construção, onde está a respectiva licença?


É lamentável que situações como esta ainda ocorram em vários locais, Alvaiázere é apenas um bom local de estudo onde se podem encontrar várias situações como esta, lesivas para as populações e para o ambiente (irei apresentar muitas mais...). São casos como este que descredibilizam em grande parte quem nos (des)governa, felizmente que, no caso de Alvaiázere, se começa a assistir a uma contra-corrente que visa acabar com mentalidades de tipo autoritário que pensam que o tempo do quero, posso e mando, ainda é actual....

Os meus parabéns a quem, como eu, não se resigna, pautando-se por uma postura correcta e que visa só e apenas resolver os seus (nossos) problemas do dia-a-dia, contrariando desta forma mentalidades do tempo do fascismo.

Quem não deve não teme, portanto não sejam passivos em situações como esta, sejam sim activos, só assim o país anda para a frente!

Uma coisa concordo com o Tito Morgado, a situação vai ser resolvida no curto prazo, mas não é devido à sua acção, vai ser sim devido à acção de cidadãos livres e imparciais, onde me incluo ...eu!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O azinheiragate pelo Professor Doutor Mário Lousã

Transcrevo na íntegra um texto que o Professor Doutor Mário Lousã (ISA) escreveu acerca do caso das azinheiras, o seu currículo fala por si e este texto está simplesmente brilhante na minha humilde opinião:

«Ainda o atentado contra o azinhal da Serra de Ariques (Alvaiázere)
Por Mário Lousã*


Azinhais bons sobre calcários já são raros. Desenvolveram-se desta maneira pois quando os solos são de fraca espessura, mesmo que a precipitação seja elevada, a água das chuvas infiltra-se rapidamente através das fissuras das rochas pelo que as árvores vivem em condições de grande secura. A cobertura arbórea típica é assim de azinheiras nesta zona do País constituindo uma série endémica (exclusiva) do Centro de Portugal denominada Lonicero implexae-Querco rotundifoliae sigmetum. Uma série é todo um conjunto de comunidades que se sucedem no tempo evoluindo para uma etapa, geralmente arbórea, em equilíbrio com o meio. Quando os solo derivados do calcário têm maior espessura a formação arbórea característica é de cercal, muito abundante no Centro do nosso País. A azinheira é uma espécie protegida da nossa flora.
Além disso naqueles azinhais aparecem importantes comunidades, especialmente de orquídeas, que constituem um habitat prioritário de conservação. O Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura – Sicó-Alvaiázere - está razoavelmente bem preservado pelo que, devido às características próprias dos seus litossolos, foi incluído na Rede de Sítios a conservar pois ainda tem algumas boas formações arbóreas autóctones semi-naturais.
O azinhal da Serra de Ariques está em zona de baldios. Segundo a Lei 68/93 de 4 de Setembro “os baldios são terrenos possuídos e geridos pelas comunidades locais, que são constituídas pelo conjunto de moradores de uma ou mais freguesias que, segundo os usos e costumes, têm direito ao uso e fruição do baldio.” A exploração destes azinhais é portanto para beneficio das populações que ali habitam o que não nos parece que seja o caso. Então para que é que seria a destruição levada a efeito? Para proteger a população dos fogos? Mas as populações estão relativamente longe. Mas para quê? Para abrir o azinhal depois de um fogo sofrido há alguns anos? Mas porquê só agora? Para limpar o azinhal? De quê? Para ser mais uma porta de entrada para a colocação de lixos das construções, de utensílios que se estragaram, de pneus ou de cartuchos de caçadeira? Não será antes para justificar uma batida aos javalis realizada no dia 19 de Janeiro conforme os cartazes afixados em Alvaiázere! Que benefício para as populações da Serra de Ariques trouxe este evento? Pensamos que nenhum. Percorremos há uma semana todo o estradão (há outro aberto há uns anos atrás mas mais pequeno e possivelmente com os mesmos fins) e vários ramais até ao local onde abruptamente pára, devido possivelmente ao alarido que esta notícia estava a provocar. Fizémos a contagem do número de azinheiras abatidas entre pequenas, médias e grandes e totalizavam alguns milhares de exemplares. Ainda vimos azinheiras grandes cortadas com os ramos por cima da base dos troncos. Para esconder o quê? E outras grandes cortadas que o estradão passou por cima. E quantos lapiás (rochas calcárias de grandes dimensões isoladas entre si) destruídos? Se, como diz a Câmara Municipal de Alvaiázere nas notícias, que tudo era legal então porque pararam a continuação da abertura do estradão? Ainda havia azinhal para “limpar”!...
Quem terá autorizado esta mortandade? Que serviços oficiais? Esperemos que alguém seja chamado à responsabilidade!...
Não valerá a pena preservar o que de melhor, mais característico e com mais potencialidades existe no concelho de Alvaiázere? Em todo o Mundo procura-se conservar a natureza pois o turismo, no próximo futuro, é o do Ambiente. Muito países já viram isso. Em Alvaiázere estraga-se! Mesmo em concelhos limítrofes do de Alvaiázere procura mostrar-se o que a natureza tem de melhor através da construção de trilhos de observação do património. Em Alvaiázere nada e ainda por cima se estraga. Outros concelhos não tão ricos em património natural gostariam de ter o que tem Alvaiázere! Aqui os responsáveis ainda não se aperceberam!
Felizmente há algumas pessoas no concelho de Alvaiázere que tentam conservar o património natural para legar aos nossos descendentes uma natureza equilibrada e auto-sustentável. Infelizmente a maior parte das pessoas ainda não pensou nisso ou nem sequer está interessada. Será na próxima geração que isso acontecerá? Ainda se irá a tempo?

* Professor do Instituto Superior de Agronomia»


http://www.al-baiaz.web.pt/
http://www.isa.utl.pt/home/node/373

Depois de lido este texto, elaborado por uma pessoa que além de ser profundo conhecedor de Alvaiázere e da Serra de Ariques é nada mais nada menos do que uma das mentes mais brilhantes da Botânica em Portugal, apenas posso dizer que há em Alvaiázere "alguém" que anda a engolir um sapo do tamanho do mundo! As coisas estão à vista e a verdade marcha....
Parece que o "aprendiz de ambientalista" (como ele carinhosamente me chamou) está a dar-lhe cartas e a dar uma grande lição de vida!!
Como diria Fernando Pessa:
E esta hein?!