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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mudam-se os tempos, não muda a passividade...


Não é caso único, muito pelo contrário, contudo sempre que por ali passo olho para lá e, por vezes, paro novamente, de forma a reflectir mais um bocado sobre esta temática. Estar frente a frente com o objecto é uma das melhores formas de pensar as coisas.
Não, não vou dizer onde isto é, senão ainda corria o risco de algum chico-esperto dar com o que vêm nas fotos e subtrair dali alguns destes objectos de valor histórico.
A região de Sicó é pródiga em património e isso tem duas faces, ou seja, por um lado algum património preservado e classificado e, por outro, muito património ao abandono e totalmente desprotegido. Isto é um problema muito grave, contudo, e para a maior parte, é um problema sobre o qual além de não falarem, é uma questão sobre a qual não perdem tempo, já que o importante é tudo menos o que é realmente importante. A identidade da região é algo sobre o qual muitas pessoas não querem saber na prática, muito embora, e caso indagados sobre a questão, muito digam que é realmente importante.


Importa debater esta questão, a bem da nossa identidade. Muitos lugarejos desta bela região têm muito património ao abandono, restando saber a melhor forma de o preservar, caso obviamente haja interesse, bem como as melhores opções para a sua valorização. E quando falo de valorização não falo da típica (i)lógica circense que muitas vezes se vê na hora de tentar valorizar o património, mas sim de valorizar de forma integrada, aproveitando também para recuperar velhos hábitos e formas de estar e incluir os mesmos na actual vivência de cada um de nós. Sim, é possível, contudo há que saber trilhar o caminho, facto que é um dos crónicos problemas desta região.
Uma das primeiras formas de o fazer é começar pela base, ou seja por vós próprios, que vivem nesses lugarejos ou que têm algum tipo de ligação aos mesmos. Há que pensar soluções, ousar, debater ideias e tentar fazer nascer algo de inovador. É assim que se faz noutros países, noutras regiões e noutros lugarejos. O que os diferencia de nós e deste abandono? A atitude pró-activa!


domingo, 10 de abril de 2016

Ao cuidado dos produtores de azeite e entidades públicas da região de Sicó...


Sim, não se vê bem mas o objectivo era mesmo esse. Queria dar um efeito de aspirador de paisagem. Quebras de gelo à parte, hoje venho falar de oliveiras, de azeitona e de azeite, tal como já tinha idealizado há umas semanas. Mas há um bónus e é a partir daí que vou começar este comentário.
Há uns dias recebi uma mensagem de um brasileiro sobre o azeite da região de Sicó. A pessoa em causa viu um comentário deste blogue, datado de 2011, e comentou. Achei bastante interessante o facto, especialmente porque mostra que há algo em que os produtores de azeite da região de Sicó, bem como o turismo desta bela região, devem trabalhar. Tratava-se de uma pessoa que costuma vir a esta região e que desenvolveu um gosto especial por um dos muitos produtos de excelência que a região de Sicó tem, ou seja o azeite. Afirmava que tinha alguma dificuldade em encontrar azeite de Sicó. Este facto não deve ser menosprezado pelos produtores da região de Sicó. O mesmo com as entidades públicas, as quais devem apoiar o olival desta região. 
Lembro-me dos meses em que vivi no Brasil. Mesmo num local afastado dos grandes centros, e numa mercearia muito humilde, via por ali azeite português, algo que me orgulhava bastante e trazia boas memórias numa altura que estava longe de casa. Lembro-me também que vivi grande parte da minha vida a escassas dezenas de metros de um lagar, o qual foi arrasado para construir um suposto centro de interpretação ambiental, com fundos comunitários, que agora é um... restaurante...
Que se tem perdido áreas de olival não é novidade. Chega-se ao cúmulo de se perder olivais para... eucaliptal. Nem tudo está perdido, pois tenho visto várias pessoas a apostar em novos olivais, tal como este se se "observa" na fotografia aspirada pela velocidade.
É importantíssimo voltar a investir na agricultura, de base tradicional, na região de Sicó, pois é um território onde muito se pode fazer pela mesma. Aos autarcas que lerem este comentário, lembro-vos algo que li ontem mesmo, ou seja que investir na agricultura gera uma redução da pobreza 2 a 4 vezes mais efectiva do que outros sectores. Dá que pensar, não dá?! O vosso apoio pode ser importantíssimo para que as novas gerações invistam no olival em vez de na trampa do eucalipto. Na região de Sicó deve ser o sector primário a dar cartas, pois é essa uma das suas princicpais vocações e mais-valias.
Aquele comentário, apesar de não dever ser interpretado como sintomático, é um bom indicador para perceber o muito que falta fazer no domínio da agricultura e afins na região de Sicó. Sei que nem todos vão entender o intuito deste comentário, mas mesmo assim aqueles que pararem para pensar vão perceber bem o que quero dizer. E mais não digo...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sicó à sombra da oliveira...


É isso mesmo, o título é um trocadilho, o qual ajustei à medida de Sicó e daquilo que agora pretendo abordar, mesmo que de uma forma muito resumida. 
Apesar de não faltar património por estes lados, falta a capacidade de o valorizar e potenciar. Obviamente a isto não é estranho o facto do muito (pouco) que se faz ser guiado por interesses económicos predatórios e egocêntricos, e não pela lógica do património. Lucro acima de tudo, o resto vê-se depois, pensam alguns iluminados. O bem destes está acima de tudo, o bem público é secundário, para eles. Não esqueço também que tem havido muita gente que prefere viver à sombra da "bananeira", facto que é então aproveitado por quem nos desgoverna. 
Indo então ao tema deste comentário, venho falar, muito sucintamente, da bela oliveira, essa árvore que hoje em dia é mais menosprezada do que valorizada. E mesmo em termos de valorização, essa é, para muitos, apenas na medida de que significa lenha boa para a lareira. Ou então uma fonte de rendimento quando a oliveira é vendida para um qualquer jardim, muito embora este tipo de transacção já tenha tido melhores dias. Goste-se ou não esta é a realidade.
Não damos o real valor ao olival de Sicó, não temos consciência da importância social, económica e cultural do mesmo. Muitos nem sequer imaginam que esta região já liderou na produção de azeite, a nível nacional. Um dia, numa exposição dedicada a um grandes mestres da geografia portuguesa, na Biblioteca Nacional de Portugal, tive a oportunidade de ver um mapa antigo, onde constava precisamente aquilo que referi atrás, a região de Sicó já liderou, a nível nacional, na produção de azeitona, há algumas décadas atrás.
Mesmo que uma breve análise possa dar a entender que o azeite já foi um filão económico para esta região, posso dizer que aquele mapa me surpreendeu. Como muitas vezes gosto de dizer, estamos sempre a aprender, desde que se nasce até ao momento em que nos finamos.
Contudo há quem teime em não querer aprender, teimando em políticas completamente desvirtuadoras de toda uma região e castradoras de muitas das mais-valias e especificidades regionais. 
Manter um olival não é meramente manter árvores em pé, é sim manter toda uma cultura, toda uma paisagem e, imagine-se, toda uma mais valia económica.
Seja como complemento, seja como actividade principal, muitos poderiam retomar os olivais esquecidos desta região. Muitos poderiam também arrancar os eucaliptos parasitas e em sua vez plantar oliveiras (e não só...), pois o inverso já aconteceu.... Vejo, com agrado, alguns retomarem os olivais e outros plantando-o novamente, mas ainda são escassos os que o fazem. A crise tem também funcionado como medicamento para a amnésia, fazendo com que alguns se voltem a lembrar do óbvio.
Eu nunca esqueci, tal como outros mais, o olival desta região, sendo que agora utilizo a visibilidade que tenho para, também eu, dar visibilidade à bela da oliveira e a tudo aquilo que ela significa. Somos alguns que tentamos dar visibilidade a esta causa, mas manifestamente que somos poucos. 
Brevemente irei voltar a esta questão, possivelmente quando conseguir finalizar um processo que tem como intuito proteger algumas oliveiras seculares que conheci há coisa de 8 anos, num local algures pela região de Sicó.
Quanto à foto que dá a roupagem a este comentário, esta, apesar de ter alguns anos e ter sido tirada numa brincadeira em trabalho de campo, acaba por ser uma sátira aquilo que abordei aqui.