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terça-feira, 28 de março de 2017

Já está disponível para venda!



A apresentação pública deste belo livro foi no dia 25 de Março e foi um evento no qual valeu mesmo a pena estar presente, seja pelo facto de ser associado da Al-Baiaz, seja pelo facto de ser um activista do património, com um foco especial na região de Sicó. Ou então pelos belos momentos de convívio entre os muitos amigos do património presentes. No final, tive o privilégio de ter sido o primeiro a ter o meu exemplar autografado por um enorme amigo do património, o Professor Doutor Mário Lousã, que conheço pessoalmente há mais de uma década. Aproveitei e adquiri dois exemplares extra.
Tudo isto para vos dizer que este livro já está à venda. Caso assim o entendam, podem pedir que vos seja enviado por correio. Podem enviar um e-mail para a Al-Baiaz a solicitar o envio desta notável obra: albaiaz@sapo.pt
Podem também entrar em contacto comigo, pois faço parte da direcção da Al-Baiaz e terei todo o gosto em vos ajudar. O preço de venda deste livro é de 15 euros. Trata-se de um livro ilustrado com belas imagens e a cores, facto que importa referenciar. É uma referência para a região de Sicó e o espaço antes vazio está agora muito bem preenchido com este livro que recomendo vivamente a todos aqueles que gostam da região de Sicó. É de fácil leitura e é sem dúvida um bom auxílio para quem quer conhecer parte da biodiversidade da região de Sicó e do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere. E está livre do "acordo" ortográfico, sendo portanto a cereja no topo do bolo. Parabéns aos autores do livro, parabéns à Al-Baiaz pela edição do livro e um agradecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere pelo seu contributo para a edição do livro.

E já que estou com a mão nos livros, fica também a informação de que o livro sobre as orquídeas do Sítio Sicó-Alvaiázere está também disponível para venda através da Al-Baiaz, por 5 euros, portanto na hora de oferecer um presente a vós mesmos ou a um amigo....



domingo, 5 de março de 2017

A verdade é como a azinheira: vem sempre ao de cima...

Peguei numa expressão bem conhecida dos portugueses e adaptei-a. Utilizo esta mesma expressão para confrontar o Presidente da Junta de Freguesia de Almoster com os factos ocorridos aquando da abertura de dois estradões ilegais em Rede Natura 2000, à revelia das mais elementares regras legalmente instituídas no domínio do ordenamento do território, do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 e do funcionamento das próprias Juntas de Freguesia, que estão sujeitas a regras específicas. 
Começo por disponibilizar dois recortes de imprensa, os quais irei utilizar neste comentário, tendo em conta as declarações que este autarca fez ao Jornal de Leiria:


Fonte: Jornal de Leiria (Ed. 16 de Fevereiro de 2017)

Começando pelo princípio, este autarca não pode simplesmente alegar lapso, já que, por inerência das suas funções, este é obrigado a saber o que, alegadamente, não sabia. É, no mínimo absurdo, alegar-se "lapso" numa situação destas. Enquanto autarca, Paulo Silva está vinculado ao cumprimento de alguns princípios basilares, os quais constam na legislação afecta à sua actuação enquanto Presidente da Junta. Falo, claro, do Regime Jurídico das Autarquias Locais, concretamente a Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro. Quando se viola estes princípios, está-se sujeito a consequências, nomeadamente a dissolução da Junta de Freguesia, tal como, na minha opinião, deveria ocorrer tendo em conta o que esta Junta de Freguesia fez, ao mandar abrir aqueles estradões ilegais. Isto mesmo está previsto na lei. Penso que nem preciso de referir ao pormenor a legislação onde consta isto mesmo, deixando isso para o Sr. Paulo Silva.
Prosseguindo, Paulo Silva afirma que apenas cortaram árvores de pequena dimensão e que a obra era reclamada pela população. Depois contradiz o que ele próprio refere, já que afinal só foram cortados pequenos arbustos e que a obra pretendeu facilitar o acesso às propriedades. Árvore é uma coisa, arbusto outra, não compreendo tal confusão... Confusões à parte, e falando apenas das  azinheiras, é proibido cortar exemplares desta espécie, sejam eles arbustos ou árvores de pequena, média ou grande dimensão. Depois refere que preservou os muros e que o que havia já estava no chão. Nem sequer fala dos lapiás, pensando possivelmente que são muros, dado o teor das suas afirmações.
Fez tudo isto sem, alegadamente, dar conhecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere, algo de estranho tendo em conta, entre outros, que o normal seria a Junta falar com a Câmara e que uma operação deste tipo terá custado uns milhares de euros (máquinas). Será que esta Junta está a nadar em dinheiro ou o ano de autárquicas assim o exige? Mais estranho é o facto de, tendo a Câmara Municipal de Alvaiázere um gabinete florestal, Paulo Silva tenha eventualmente achado que não valia a pena falar com a Engª Florestal para pensar uma acção daquele género, vendo, em primeiro lugar, se seria sequer possível. Mas ainda mais estranho é Paulo Silva alegar que apurou que aquela área não era Reserva Ecológica Nacional, mas que partiu do princípio que não era RN2000. Onde terá Paulo Silva consultado o PDM? É no mínimo estranho que estando toda esta informação disponível na Câmara Municipal ou no Geoportal, este afirme que partiu do princípio que aquela área não era RN2000. Muito pouco convincente, ainda mais sabendo que o Sítio Sicó/Alvaiázere não foi criado há 17 dias, mas sim há 17 anos!!!
Por curiosidade fui ao site da Junta de Freguesia de Almoster e não vi uma única referência à RN2000. É estranho que tantas Juntas de Freguesia tenham orgulho no seu património e mostrem todo este património e a Junta de Almoster omita a Rede Natura 2000, Sítio Sicó/Alvaiázere do seu site. A visão do património de Paulo Silva é, no meu entender, muito redutora. Este autarca mostra que não conhece bem o território que gere, facto que não deve ser encarado de ânimo leve.
Mas vamos ao que mais interessa. Paulo Silva, quando refere que apenas cortaram árvores de pequena dimensão, ou os tais arbustos, está a faltar à verdade, pois não há sequer dúvidas sobre o abate ilegal de árvores, seja de pequena ou média dimensão, nomeadamente azinheiras e carvalho cerquinho. Trata-se de um facto e não de uma opinião. Nem preciso de pegar num GPS e percorrer os caminhos, de forma a posteriormente cruzar os dados do GPS com os ortofotomapas, onde facilmente se conseguirá saber exactamente quantas árvores foram abatidas (poderei fazer isso...). Preciso apenas de mostrar duas imagens de um mesmo local, onde o antes e o depois estão bem à vista:



Ou seja, o confronto do antes e do depois, na entrada do estradão, ilegal, das Bouxinhas, mostra que havia ali algumas árvores de dimensão... significativa, nomeadamente um carvalho, que consta na foto e, imagine-se, desapareceu, tal como um número ainda indeterminado de árvores, ou "arbustos". Assim qualquer pessoa facilmente pode ver que Paulo Silva faltou à verdade quando referiu que foram cortados apenas uns "arbustos". Não há argumentos que possam fazer desaparecer o que está à vista.
Mas continuemos:


Na imagem acima consta um tronco que, curiosamente, não conseguiram acabar de queimar. Será que a chuva que caia naquela altura impediu a queima de mais azinheiras e carvalhos do que efectivamente foram queimados? O tronco que delimitei na foto é o tronco de uma árvore. Será que o Sr. Paulo Silva sabe que espécie é esta?
Já agora, não sabia que as azinheiras estorvavam sequer... E já agora, porque é que foram colocados troncos de azinheira por detrás dos lapiás arrancados? É um bocado suspeito, arrancar e depois esconder ou queimar lenha tão boa para a lareira.
Sobre os muros, se estavam alagados, porque é que nunca foram arranjados? É certo que partes do muro estavam alagadas, mas porque é que apenas um dos lados estava alagado? Curioso os donos dos terrenos não se terem incomodado com isto, mas agora alegarem que precisavam de acesso...
Mas vamos também à questão do acesso às propriedades. Havia pelo menos dois caminhos rurais, transversais ao que foi ilegalmente feito, que poderiam ter sido utilizados para melhorar o razoável acesso a todas as propriedades. Pergunto eu, porque não foi esta hipótese equacionada? Sem ilegalidades, sem multas, sem onerar os contribuintes? Fala de mato e de silvas, mas então se os donos dos terrenos cuidavam tão bem deles, como é que havia mato e silvas? Porque é que ninguém fala disto? É por aqui, em primeiro lugar, que devemos centrar o debate.
Esperei uns dias para elaborar este comentário, já que além de querer ver o que este autarca diria sobre o caso, queria também ver as reacções dos populares. Houve dois comentários mais curiosos...
O primeiro foi o de um conhecido meu, das lides do facebook, que referiu que "a Rede Natura 2000 ficou beneficiada com estes serviços". Escusado será dizer que esta foi uma afirmação bastante disparatada e sem sentido algum, pois, de facto, a Rede Natura 2000, e não só, ficou claramente a perder. É em afirmações deste género que se constata a fraca literacial ambiental da população, facto que só ocorre devido ao desinteresse das entidades públicas e pelo desinvestimento, entre outros, na educação ambiental e cívica. Como alguém disse, só se ama aquilo que se conhece e só se protege aquilo que se conhece. 
O segundo comentário foi, imagine-se, de uma senhora que também faz parte da Junta de Freguesia de Almoster, que afirmou que concordava plenamente com o primeiro comentário. Escusado será dizer que esta nem sequer deve imaginar que o seu cargo está em risco, dada as ilegalidades perpetradas pela Junta de Freguesia, da qual ela faz parte. Tudo o que ele diz é tendencialmente... parcial. Ambas as acções que levaram á abertura daqueles dois estradões são ilegais, portanto quem fez a asneira que a assuma. Ficarei à espera da dissolução da Junta de Freguesia de Almoster, já que os responsáveis por estas ilegalidades têm de ser responsabilizados e punidos segundo a lei, tal como está previsto.
É por estas e por outras que defendo há muitos anos que qualquer pessoa que fosse candidata a autarca, teria de fazer formação básica no domínio do ordenamento do território. Fazendo uma analogia, eu para poder conduzir tive de tirar a carta, contudo para poder ser autarca não tenho de tirar "carta" alguma. Faz isto algum sentido?!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

10 anos depois o terrorismo ambiental está de volta a Alvaiázere...




Foi um verdadeiro déjà vu. Depois de tudo o que se passou há 10 anos em Alvaiázere, não pensei que fosse possível voltar-se ao mesmo, e logo em dose dupla, imagine-se. Passaram uns dias e ainda estou profundamente chocado com o que vi. Depois de avisado que algo de grave se passava, fui rapidamente ao local, mas infelizmente o mal estava feito.
Por esta altura as autoridades já foram ao local, esperando eu que consigam descobrir tudo, de modo a punir severamente todos os envolvidos neste caso. As minhas fontes já me informaram de muita coisa, contudo não as irei divulgar. Irei apenas deixar as autoridades fazer o seu trabalho e efectuar uma análise aos factos em causa.
Começando pelos factos:
- Foi aberto um estradão, em plena Rede Natura 2000, que inicia no limite dos lugares do Vale da Couda e Vale da Mata, em Alvaiázere. Nas primeiras dezenas de metros, existia um caminho antigo, murado, sendo que um dos muros foi arrasado e desse lado tudo o que era arvoredo desapareceu, seja azinheiras, carrascos e carvalhos. Mais adiante o caminho desviava para a serra de Ariques, contudo o estradão teve seguimento onde não existia caminho algum. Nesse trajecto tudo foi arrasado, azinheiras,  carvalhos, lapiás, etc. O estradão tem sensivelmente 1500 a 2000 metros. Curiosidade (ou não), o estradão foi feito de forma cirúrgica, correspondendo quase que ao limite de freguesias, entre Alvaiázere e Almoster. Curioso também o facto de ver ali placas novas das zonas de caça. Diria que este estradão calha muito bem às associações de caçadores respectivas. É também curioso que tudo tenha sido feito de forma apressada, tendo inclusivamente sido feito algo de muito... suspeito. Falo, claro, da queima das azinheiras e carvalhos abatidos, no local. Houve algumas que não foram queimadas porque a chuva deve ter perturbado a queima. E algo de muito caricato, ou seja esconderem algumas das azinheiras por detrás dos lapiás arrancados. Será que são tão ingénuos?
Esta gente não deve imaginar que basta pegar num gps, fazer o caminho, de forma a ter o traçado exacto do estradão ilegal e depois sobrepor a um ortofoto. Deste modo é possível saber o número exacto de azinheiras, carvalhos e afins, que foram destruídos. Esta gente não aprende?
Irei esperar que a investigação aponte as pessoas e as entidades implicadas neste escândalo, muito embora já saiba quem são algumas delas. E há factos muito curiosos...













- Foi aberto um outro estradão, desta vez à saída do lugar das Bouxinhas, Alvaiázere. Este tem sensivelmente 500 metros e foi feito de raiz, arrasando tudo o que encontrava à frente, azinheiras, carvalhos, etc. Fica no limite das freguesias de Almoster e Alvaiázere, bem como das zonas de caça respectivas... Novamente vestígios de queima de tudo o que foi arrasado em termos de vegetação, em plena Rede Natura 2000. Mais uma vez, vendo o ortofotomapa vê-se o que não se quer ver, ou seja a quantidade de azinheiras destruídas...
Não sei como isto é possível, fazer tábua rasa de tudo o que é realmente importante, ordenamento do território e Rede Natura 2000. Nada disto faz sentido algum. Destrói-se tudo porque alguém tem interesse nisso. A legislação não protege tal como era suposto e as coisas não vão voltar a ser como eram. Os últimos redutos deste território estão a ser saqueados, é a triste realidade.
Tenho vergonha que isto seja possível também na região de Sicó. Tenho vergonha de constatar que ainda há mentalidades terceiro mundistas, que promovem o que aqui denuncio e acham isto normal. Sei de quem já foi ameaçado por falar publicamente desta situação...
Divulguem, debatam, revoltem-se, pois isto é inaceitável!!!






domingo, 27 de novembro de 2016

Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?


Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.  


Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar  esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.


Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.


Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...


E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Fiquei... parvo!


Não fiquei totalmente surpreendido, não só pelo facto de ser tristemente recorrente na região de Sicó, bem como por ser numa freguesia onde muita asneira se tem feito em termos ambientais e em termos de património construído. E não, não me venham com a conversa da treta, demasiado conveniente e altamente populista, que foi por causa da prevenção de incêndios florestais. Parece-me sim que agora temos um bom caminho para o pessoal dos eucaliptos, esse cancro nacional. E para deixar lixo na berma está um mimo...



Foi há poucos dias que fui alertado para esta situação, onde, alegadamente, a Junta de Freguesia de Santiago da Guarda promoveu o alargamento de um caminho de forma absurda. Muros de pedra? Estorvam, bota abaixo. Carvalhos, medronheiros e oliveiras? Estorvam, bota abaixo. Linha de água? Aterra, que não está aí a fazer nada. Rede Natura 2000? O que é isso? Identidade local? Diga lá outra vez? A vontade era tal que foi uma máquina giratória fazer o trabalho. E que belo serviço fez...




Por ter sérias dúvidas sobre a legalidade desta acção, que considero estapafúrdia, já solicitei a devida fiscalização às autoridades competentes. É por estas e por outras que todos os autarcas, onde se incluem os presidentes de junta, deveriam ter noções básicas no domínio ambiental. Caso tivesses não fariam tanta asneira por esta região e por este país.
Por acaso até conheço bem este local, daí saber que tudo isto era perfeitamente evitável, já que os carros de bombeiros passavam por ali. Havia apenas um gancho (curva) que poderia ter sido refeito, onde até um VFCI passava sem problemas.



Resta saber se as plantações de eucalipto que há por ali são legais e porque carga de água a suposta prevenção de incêndios se resume a um alargamento de estrada em pleno Verão. Resta saber porque é que olhando para ambos os lados do caminho se vê apenas "pólvora", na qual ninguém mexe...


E depois não venham mandar indirectas tipo "fundamentalismos que impedem o desenvolvimento", quando afinal de desenvolvimento territorial pouco percebem. Saliento que o termo fundamentalismo pode aplicar-se perfeitamente a este acto lamentável e não à denúncia do mesmo...


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Redefinir os limites do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó/Alvaiázere e apostar neste extraordinário território!


Fonte: CCDR-Centro

O mapa é, no meu entender, apenas o reflexo da pouca atenção que as entidades públicas têm dado à questão da Rede Natura 2000, mas afinal é o que encontrei numa brochura da CCDR.
Este comentário tem dois intuitos, os quais orbitam em redor de uma questão que eu considero crucial para a região de Sicó, ou seja a Rede Natura 2000.
Mas comecemos pelos factos. Os limites actuais do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó/Alvaiázere, pecam por escassos. Os limites deveriam ser alterados e incluir sectores que, não sei bem porquê, não foram incluídos, ou seja parte significativa do sector Norte do município de Ansião, parte significativa do sector Oeste de Penela, uma parte relativa do sector Sudeste de Soure e uma parte relativa do sector Sul de Condeixa. Estes seriam os limites mais correctos deste Sítio da Rede Natura 2000. 
Mas não só, pois de pouco vale criar um Sítio da Rede Natura 2000 se depois quase que se deixa a mesma ao abandono. O ICN falhou nesta questão e o actual ICNF acentuou a falha, ao quase que demitir-se da gestão do Sítio Sicó/Alvaiázere. Os últimos governos têm igualmente falhado, pois o prometido apoio não chegou e isso quase que colocou em causa alguns destes locais de grande importância ecológica, cultural e económica. As Câmaras Municipais também têm falhado a toda a linha, pois em vez de pugnarem pela valorização da Rede Natura 2000 e apoiarem iniciativas várias (ex. parcerias com universidades e empresas) com vista a um maior conhecimento dos valores naturais ali existentes (para uma boa gestão dos mesmos), têm feito a apologia do estorvo, dizendo implicitamente que a Rede Natura 2000 é um estorvo ao desenvolvimento territorial.
Curiosamente os que têm feito o melhor trabalho são as associações de defesa do património, das quais destaco aqui a Al-Baiaz. Quem menos tem é quem mais tem feito, quem diria...
Também, e em recentes revisões de PDM, reparei que pelo menos num caso as Orientações de Gestão preconizadas para a Rede Natura 2000 foram pura e simplesmente ignoradas (ex. Ansião). Outras que ainda não finalizaram, referem que vão ter em conta as Orientações de Gestão (ex. Alvaiázere).
Tem faltado também algo que é estrutural, ou seja a informação sobre a Rede Natura 2000. Consultando os respectivos sites das câmaras municipais da região de Sicó, facilmente nos deparamos com um cenário de uma pobreza informativa assinalável, onde a única coisa que aparece é mesmo um mapa rudimentar do Sítio Sicó/Alvaiázere nos geoportais respectivos. Informação sobre o essencial, ou seja os habitats e espécies, nicles...  
E mesmo nos portais turísticos (ex. Descubra Ansião) nem uma única referência sobre a Rede Natura 2000. Como é isto possível?!
Resumindo, a estratégia para a Rede Natura 2000, baseada no seu conhecimento, na sua protecção e na sua utilização enquanto recurso tem falhado a toda a linha.
Mas há mais, já algum de vós ouviu as Câmaras Municipais afirmar/comunicar que há subsídios relativos à Rede Natura 2000, os quais pretendem apoiar todos aqueles que têm a sorte de ter terrenos dentro desta área protegida? E apoios à conservação do solo, das culturas permanentes tradicionais e manutenção de sistemas agrosilvopastoris? (Portaria nº 58/2015; Portaria 50/2015; Portaria 56/2015; Portaria 24/2015; Portaria 25/2015). Surpreendidos? Ainda bem que ajudei a desmistificar... 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Máfia do eucalipto...


Estas são imagens de um local que ardeu no início de Setembro. Não importa dizer onde foi exactamente, importa apenas saber que foi na região de Sicó, em plena Rede Natura 2000 e que daqui a 1 ano irei voltar ao local para fazer novo registo fotográfico. Aposto que daqui a 12 meses este local estará povoado por... eucaliptos. Ali ao lado já estão massificados, aposto que de forma ilegal (brevemente irei indagar...).
Há incêndios e há incêndios, este foi daqueles especiais e muito curiosos. Se eu fosse bruxo diria que quem manipulou o fósforo teve uma intenção concreta e objectiva, a de fazer arder aquela área, de forma a não só limpar o mato, bem como queimar uma floresta valiosa, de modo a abrir caminho ao eucalipto. Foi um incêndio estratégico e, diga-se, resultou em pleno. Não foi só mato que ardeu, pois oliveiras, pinheiros e medronheiros foram todos à vida. 
E os belos medronheiros, que tanto medronho e dinheirinho poderiam dar? Claro, dá trabalho apanhar. É preferível deixar arder para depois surgir o eucalipto, pois esse não dá trabalho nenhum.
Nos últimos anos houve quem de forma brilhante promovesse um ambiente muito propício para a plantação de eucaliptos. Isto não sem que ardam milhares de hectares de floresta. A monocultura do eucalipto ganha terreno mesmo nos locais mais improváveis, ou seja em áreas protegidas. Não será estranho que certos antigos quadros de empresas privadas, ligadas à exploração florestal (essencialmente ligadas às monoculturas) estejam hoje em dia nos quadros de entidades públicas que, supostamente, defendem a floresta portuguesa. Não será também estranho que a educação ambiental tenha, no concreto, retrocedido muitos anos nessa mesma entidade pública, onde, curiosamente, se gastam resmas de papel premium, mesmo em época de vacas magras.
E a fiscalização é uma palavra vã, o que importa é plantar eucaliptos, mesmo que de forma ilegal, pois o progresso é assim mesmo, pelo menos aos olhos de gente sem escrúpulos. A estes, apetece-me mandar para um certo local, mas felizmente que aqui não é local para utilizar linguagem menos própria.
E é assim a realidade. O dinheiro cega quase tudo e quase todos. Já quase que se acha normal ver arder tanto hectar para depois surgir eucaliptal. Seguimos na onda da passividade e há quem ganhe milhões com isso, já que afinal os incêndios são um verdadeiro negócio. Até o que há uns anos não se aproveitava hoje em dia se aproveita. Compra-se queimado e ganha-se à mesma dinheiro...
Se souberem de plantações de eucalipto ilegais, denunciem! Se perceberem que há ali jogadas duvidosas denunciem!



segunda-feira, 21 de julho de 2014

Conversa da treta...

Fonte: Jornal de Leiria, Edição 1565 (10 de Julho)

Foi há 2 meses que dei conta de um caso que me pareceu passível de denunciar, dada a gravidade da situação. Tendo em conta o facto, solicitei informação ao ICNF, que, poucas semanas depois, confirmou as minhas suspeitas. 
Há 2 semanas, saiu a notícia do caso no Jornal de Leiria, dando seguimento jornalístico à peculiar situação. Gostei bastante de ler o que o anterior presidente da junta de freguesia referiu, já que este, ao ser confrontado com os factos, teve uma notável postura de bom samaritano. É para os bombeiros e para os donos dos terrenos irem limpar os seus terrenos. Bravo!
O apelo à compaixão, perante uma ilegalidade grave, é notável. Na região de Sicó há muito este hábito,  dizer que o ilegal foi afinal por uma boa causa... 
O caminho, que já existia, não foi aberto para os bombeiros, é um facto! Para isso há mecanismos e planos próprios. Há também pedidos de autorização, estando tudo previsto. Então porque não se fez nada disto? As regras não são para cumprir? Em que ficamos?!
O acesso para os proprietários já existia, portanto esta é mais uma falsa questão. Por falar em limpeza, ela não existe para aqueles lados. Basta andar pela Serra da Portela para constatar isso...
Gostei também de ver a postura do actual presidente da câmara municipal de Ansião, que, quando confrontado com os factos, se limitou a dizer meras palavras de ocasião perante uma situação grave. Como é possível, num território Rede Natura 2000, um presidente da junta mandar fazer, sem quaisquer autorização, um alargamento de um caminho numa área tão sensível sem que, para isso, tenha de informar o presidente da câmara? Não compreendo...
Mais uma vez fica à vista a forma como os nossos autarcas, actuais e anteriores, vêm, na prática, o território e os valores que ele encerra. Lamento esta postura por parte destes autarcas, pois é essa mesma postura, bem enraizada, que se tem traduzido numa evidente e marcada degradação desta extraordinária região.
Esta região e este país têm vários problemas, um deles é a falta de responsabilização dos políticos que nos muito mal governam. Se for um funcionário camarário a fazer asneira, então está tramado, mas se for por exemplo um presidente da junta, então parece que não há problema algum...



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dia Europeu Natura 2000: breve reflexão sobre o Sítio Sicó/Alvaiázere



Hoje, dia 21 de Maio, celebra-se o dia europeu Natura 2000, daí ser o momento ideal para mais uma reflexão sobre o Sítio da Rede Natura 2000 Sicó/Alvaiázere.
Mas comecemos pela realidade europeia, onde a Rede Natura 2000 é reconhecida como uma mais valia para aqueles que têm o privilégio de ter no seu território uma figura como a Rede Natura 2000. Quem conhece o tema da Rede Natura 2000, facilmente saberá disto mesmo. Quem não conhece o tema, facilmente conseguirá chegar a conteúdos vários, disponíveis na internet, pois há imensos bons conteúdos disponíveis, seja por parte de entidades públicas, seja por parte de entidades privadas, nomeadamente ligadas à protecção da natureza. Brochuras, painéis, como o ilustrado na imagem acima, e tudo aquilo que possibilita a transmissão dos valores naturais aqueles que usufruem dos mesmos, ou seja nós próprios.
A realidade europeia é imensamente diferente daquela que teima em subsistir na região de Sicó, através do seu Sítio Sicó/Alvaiázere, onde muitas pessoas ainda, imagine-se, não fazem ideia que vivem dentro da mesma. Poderia dizer aqui que a mentalidade associada à realidade local é do tempo das cavernas, mas ao afirmar isso estaria a ser injusto para com lugares que representam do mais belo que conheço. Além disso as grutas também fazem parte dos valores naturais associados ao Sítio Sicó/Alvaiázere.
Pegando na realidade de Ansião e Alvaiázere, os dois concelhos com a maior "fatia" de Rede Natura (23% e 24 % respectivamente), o cenário é constrangedor, pois a única informação que se encontra, de uma forma fácil e algo prática, é a que consta nos respectivos geoportais. No entanto apenas consta a área de Rede Natura 2000. Não constam os habitats, as espécies e toda a informação que seria expectável constar nos respectivos geoportais ou outras plataformas. Veja-se o exemplo do site do Descobrir Ansião, será que conseguem descobrir ali informação sobre a Rede Natura 2000? É esta informação que falta chegar às populações!
É notória a falta de competência e know how dos respectivos municípios, bem como dos demais municípios, com menor área de RN 2000, para trabalhar esta informação. Mais facilmente se ouve falar das críticas dos mesmos à RN 2000, ou porque estorva a uma obra qualquer, ou porque simplesmente é um estorvo às políticas do betão, bem enraizadas também nesta região. Os estereótipos subsistem...
Nada que não se esperasse, pois, na minha opinião a relação de um autarca com a RN 2000 é directamente proporcional à sua competência para gerir o território que, em termos políticos, é responsável.  
As palavras amigas da RN 2000 aparecem quase que apenas em altura de autárquicas, diga-se meramente por conveniência eleitoral, na ânsia de pescar mais uns votos.
Em vez de potenciarem o valor da RN 2000, os municípios são passivos para com valores que noutros países representam uma boa fonte de receitas para os territórios que abraçaram os valores naturais da RN 2000. Será isto aceitável? Claro que não, no entanto quantos são os que, como eu, confrontam os autarcas com esta realidade inaceitável? Raros são os que o fazem e a maior parte das vezes são convenientemente rotulados como do contra, pois o rótulo é a única forma de fugir aos argumentos. 
Todos têm a culpa, claro que a diferentes níveis, no entanto todos podemos reverter este triste cenário, de um território tão multifacetado em termos patrimoniais, mas que não passa da cepa torta. 
Este território tem imensos valores, a Rede Natura 2000 é apenas um de muitos. Há que potenciar o muito que temos, daí mais este meu comentário. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Anti-património na Serra da Portela: crónica de uma sucessão de acções atentatórias do património natural e cultural



A região de Sicó é pródiga em muitos aspectos, no bom e no mau sentido. Infelizmente os maus aspectos sobrepõem-se aos bons, o que me leva a ser cada vez mais incisivo na defesa do património desta extraordinária região. As ideias parvas têm muito sucessos por estas bandas, é a nossa triste sina.
Desta vez a história passa-se na Serra da Portela (Pousaflores), no Concelho de Ansião. Infelizmente é uma história já com algumas décadas e com vários episódios. Os protagonistas são os mesmíssimos de sempre. Ainda na década de 80, alguém teve a ideia peregrina de mandar para o topo da Serra da Portela uma máquina de rastos, que basicamente andou a lavrar nos lapiás, um atentado hediondo ao património regional. Posteriormente plantaram-se árvores, não das autóctones, mas de outro tipo. O lóbi da caça foi aqui preponderante. Depois, abriu-se uma estrada que mais parece uma pista de aterragem de avionetas, com ligação directa ao edifício dos caçadores.
Mais alguns episódios e eis que há poucos meses surgiu mais uma novidade. Já tinha visto, ao longe, que algo se passava por ali, no entanto, e por falta de tempo, apenas agora tive a possibilidade de me deslocar ao local, de bicicleta e máquina fotográfica a postos.
Não pensei que o que se passava ali fosse tão mau, mas afinal é mesmo assim, sem tirar nem pôr. Onde há poucos meses existia um pequeno e belo caminho, que se inicia em Pousaflores e segue pela serra acima, existe agora um estradão, populado por 12 novas cruzes, as quais me parece que terão o destino das últimas, ou seja vandalizadas.
Apesar de não achar graça, não ficaria incomodado se tivessem (re)colocado apenas as cruzes, de forma a repor aquelas que foram colocadas há vários anos atrás. No entanto, tal não aconteceu. Afinal surgiu uma ideia mais catita, rasgou-se a vertente Sul da Serra da Portela, destruindo o belo caminho e criando um estradão, o qual foi enfeitado, pois claro, com carradas de brita. Degradou-se o património, afectou-se negativamente a paisagem e criaram-se vários problemas, os quais irão afectar ano após ano aquele local. Alguns já se iniciaram com a chuva, pois a bela da erosão já começou a espalhar a brita, através de belos regos escavados pela água da chuva. Ano após ano será necessário voltar a espalhar brita e mais brita, que nem circo das pedreiras.
Os taludes também já sofrem, pois as máquinas instabilizaram extensas áreas. Colocaram-se tubos que ficam imensamente bonitos, melhor ainda quando a chuva os destapar mais.
O antigo caminho, agora estradão, terá uma grande importância, pois as provas de jipes irão adorar começar a trepar pela serra acima, criando ainda mais erosão. As curvas cegas são o expoente da genialidade, de tal forma que já alguns jipes patinaram por ali.
É a lógica circense do costume, a qual irei indagar se efectivamente foi legal, pois é precisa uma autorização para este tipo de espectáculos, especialmente quando o carvalho cerquinho perdeu algumas dezenas de irmãos. E pensava eu que os lapiás e o carvalho cerquinho eram protegidos, que aquela área fazia parte da Rede Natura 2000. Mas devo ser eu que estou enganado...
A Serra da Portela já foi violada demasiadas vezes. Na vertente cultural, primeiro lembraram-se de chamar esta Serra por Monte da Ovelha, mas depois de ali erigirem uma pequena capela, acharam que seria mais bonito chamar a mesma por Anjo da Guarda. Imagine-se, contudo, que esta serra tem um único topónimo, ou seja Portela, Serra da Portela. Na vertente natural, é tal como já atrás referi. E agora, o que se segue?