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domingo, 5 de novembro de 2017

Reabilitação urbana: juntar a identidade à modernidade

Há pouco mais de um ano, abordei o caso da reabilitação de um edifício histórico em Ansião, no âmbito do tema da reabilitação urbana. Hoje volto à carga com mais um exemplo de reabilitação de um edifício na Vila de Ansião, desta vez uma reabilitação diferente, que implicou obras diferenciadas. Compreendo que em alguns casos tem de se seguir outro caminho, já que alguns dos edifícios são bastante limitados em termos de espaço, não sendo por isso prático nem racional promover obras só para inglês ver. Por isso mesmo há que inovar e integrar o melhor de dois mundos, a identidade pré existente e o prático do dia-a-dia. Neste caso, e tendo eu já visto algumas imagens do interior, num site de arquitectura, penso que se conseguiu algo interessante, que não desvirtuou o que já existia e que criou algo de prático e muito útil.





Vivemos demasiado num tempo onde as empresas de construção civil estavam apenas interessadas e preparadas para fazer de raíz, esquecendo a importante reabilitação urbana. As empresas que apostaram na reabilitação urbana, ainda antes da crise, foram as que melhor se safaram, já que abriram uma escapatória à crise e criaram uma nova frente no que concerne a esta actividade económica. As que não quiseram evoluir foram as que tiveram mais problemas, diria eu que ainda bem pois assim até se fez uma escolha no que concerne aos melhores. Havia uma grande falta de qualidade na construção e agora  as coisas estão a mudar, esperando eu que continuem a mudar para melhor, com mais e melhores empresas e com profissionais que inovem, seja no que de novo se construa, seja no que de velho se reabilite. Daqui a mais uns tempos voltarei a esta questão, pois já tenho mais para mostrar...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

"Tenho medo de regressar a casa um dia e não reconhecer o lugar que me viu partir"

É uma frase que embora possa parecer um cliché, é uma verdade cada vez mais actual. "Roubei" esta frase do mural do "Tia Almerinda", tal como as fotos que utilizo neste comentário. 



As coisas andam quentes em Abiúl e o assunto é um dos do costume, o abate de árvores e a suposta necessidade do modernismo na regeneração urbana de um lugar bem conhecido da região de Sicó.
Logo que me deparei com esta questão, comecei a acompanhá-la e logo por vários motivos. É uma situação que se assemelha por exemplo à que ocorreu na Vila de Ansião e à que está a ocorrer em Chão de Couce. Ocorre também num lugar onde amigos meus têm raízes e, imagine-se, eu soube primeiro do que eles. E representa algo que eu abomino, ou seja por um lado o ignorar da opinião dos locais e por outro projectos do tipo chapa 5, com elementos completamente estranhos ao local (ex. granito). Neste caso, e de acordo com o que indaguei, as pessoas até foram chamadas a dizer de sua justiça, contudo, e tal como aconteceu em Ansião, foi apenas verbo de encher, para dizer que as pessoas tinham participado da discussão pública, pois, e de facto, esta discussão pública não foi consequente, o que é grave. 
Porque decidi destacar esta situação? Além do já explanado, por dois motivos, ou seja o facto de mais esta triste situação poder funcionar como elemento mobilizador para mitigar situações similares no futuro, bem como mostrar que as pessoas são cada vez mais activas e interessadas na defesa do seu património e identidade, tal como está a acontecer em Abiúl. A elas a minha homenagem enquanto activista do património. Logo que saibam da existência de um qualquer projecto, vão aos serviços das vossas autarquias informar-se, pois têm o seu direito. E se vos começarem a dar negas, façam valer os vossos direitos e, já agora, informem-se através da CADA. Há uns dias um amigo disse-me que fez isto mesmo e quando lá chegou perguntaram-lhe o que estava ali a fazer...
Quanto aos autarcas, mais uma vez constato que estes consideram os seus votantes como não competentes para decidir sobre o seu futuro, sobre o seu território e sobre os locais onde vivem dia após dia. Estes autarcas além de não conseguirem fazer as coisas como deve ser, ou seja integrando o que já existe com as melhorias desejadas, insistem em obliterar o património e as memórias dos locais, levando a um desenraizar identitário muito grave. E depois admiram-se o pessoal mais jovem ir embora...



segunda-feira, 25 de abril de 2011

A regeneração urbana em Pombal: breves notas


Não tenho ilusões sobre o tema que agora vou destacar, pois a pseudo política urbanística em Pombal é há demasiado tempo a mesma, subserviente ao interesse imobiliário, o que causa problemas de vária ordem nesta cidade. O exemplo mais concreto disto mesmo, na óptica do cidadão comum, foi algo que já falei aqui há alguns meses, ou seja as inundações ocorridas no dia 25 de Outubro de 2006.
Facto que me preocupa é que a péssima política urbanística que se faz em Pombal há décadas, irá continuar a ter reflexos por várias décadas, amplificando erros inaceitáveis, a evolução ali quase que funciona à base do recalcamento de erros estruturais, insistindo-se teimosamente no "acho que", em vez do "sei que"...
Algo que nunca percebi é a razão de serem os autarcas a tomar em última análise as decisões de âmbito urbanístico, sobrepondo-se à fundamentação técnica, algo que é manifestamente negativo quando não se domina a matéria. O problema agrava-se quando os técnicos que deveriam elaborar os planos, seguindo aquelas regras simples que aprenderam nos bancos dos politécnicos ou universidades, não o fazem, ao invés moldam o que dantes eram regras elementares, aos interesses imobiliários, especuladores ou não. Este facto beneficia ambos, o sector imobiliário que ganha muito dinheiro, e as próprias autarquias, que vêm com muitos bons olhos a entrada   nos seus cofres do conhecido IMI.
Daí as coisas correrem mal no domínio urbanístico em Pombal, facto que afecta quem mais deveria ser beneficiado, o cidadão, o qual quando as coisas correm mal, caso das inundações de 2006, têm de pagar bem caro com os seus impostos, ou em casos mais extremos com a própria vida, algo a lamentar profundamente.
Em Pombal, à semelhança de muitas autarquias em Portugal, a participação da população nestes processos de decisão, como é a regeneração urbana a ocorrer em Pombal, é escassa, seja em primeiro lugar pela mentalidade nada progressista dos autarcas, que impede e/ou não promove devidamente esta participação activa, seja pela parca tradição que quase todos nós temos no domínio da cidadania activa, ou seja aquela coisa do deixa andar que eu estou bem no meu cantinho.
Há algumas semanas, dei uma volta pela parte antiga da cidade, com olhos de ver, pois apesar de conhecer bem Pombal, impunha-se uma volta pela mesma com o intuito específico de ver algumas situações a analisar alguns factos mais concretos. Lembrei-me de algumas matérias de geografia urbana, essa bela disciplina que nos ajuda a percepcionar e a compreender tudo aquilo que está associado à génese e evolução das cidades, e tudo o que daí possa advir, no bom e mau sentido. Infelizmente (re)vi mais situações e factos negativos do que positivos, tudo isto devido à má política urbanística que ocorre na cidade de Pombal.
O facto de referir, ao início, que não tinha ilusões sobre esta matéria, deve-se a algo muito simples, a regeneração urbana que está a ocorrer em Pombal não irá, infelizmente, afectar o mau rumo que esta cidade tomou há algumas décadas, ou seja genericamente os erros vão continuar. Obras de pormenor não resolvem os erros que aqui foram feitos e uma regeneração urbana devia potenciar isso mesmo, a resolução de problemas estruturais da cidade. São poucas as obras que resolvem alguma coisa em termos estruturais e muitas que apenas agravam as más políticas. 
Lamento que se considere que o centro da questão é o betão, quando afinal o centro da questão são as pessoas que utilizam e usufruem de alguma forma da cidade, ou seja considera-se o betão o actor principal e o cidadão o actor secundário, mas afinal quem é que se desloca do sítio x para o sítio Y, betão ou cidadão? Exactamente, o cidadão! Enquanto este "simples" pormenor não entrar nas mentalidades dos autarcas nada feito, quem perde? O cidadão.
Se a cidade não é funcional, o cidadão obviamente não pode andar feliz da vida, facto que tem reflexos em última análise na sua vida pessoal e profissional.
Há muito para falar neste domínio, é algo que felizmente tem muito por onde pegar e esta foi apenas uma introdução. Brevemente voltarei a esta questão, da regeneração urbana de Pombal, esperando que entretanto as pessoas se movam, apelando ao seu sentido crítico e construtivo neste domínio. Em Maio irei falar sobre as obras da envolvência do Castelo de Pombal...
Participar activamente nos processos de decisão é pugnar por uma cidade mais amiga do cidadão, algo que apenas pode ser entendido pela positiva e não pela negativa. Infelizmente os nossos autarcas teimam em ver as críticas construtivas e honestas como uma afronta pessoal, algo que continuo a não compreender por mais esforço que faça...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Os Gralhos sobre as obras em Ansião...


Pois é, inicio o ano de 2011 com "os gralhos". Os mais atentos irão reparar que estão mais arranjados, pois a exposição mediática exige um certo formalismo destas duas personagens que este ano vão cimentar um espaço que não estava preenchido até à poucos meses na região de Sicó.
O diálogo obviamente que fala por si, e sei que nem todas as pessoas vão compreender bem o que se quer abordar com este diálogo, mas mesmo assim aqui vai algo para nos fazer pensar como as coisas se fazem pelos lados da região de Sicó. Umas fazem-se bem, outras mal e outras assim assim, esta é uma daquelas assim assim.
Como participei numa das sessões da discussão pública do projecto, sei bem do que falo...