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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Quintas de Sicó: chamada à recepção!


Não, como de costume não vou dizer onde esta quinta se situa, pois há que salvaguardar este património dos larápios e dos chico-espertos. Quem por ali passa já sabe onde é e quem não sabe, tem um bom remédio, vir à região de Sicó e calcorrear este belo território.
Volto novamente à crónica das quintas de Sicó, de forma a dar seguimento a algo de importante, a sensibilização sobre o património construído nesta região. E que belo edifício este!
Trata-se de uma quinta que já me tinha chamado a atenção, mas sobre a qual não me tinha debruçado. Pela primeira vez fui ao encontro dela e confesso que não fiquei surpreendido, já que afinal o que é belo vê-se de longe. Mas ao mesmo tempo foi surpreendente ir até ali à entrada daquela quinta, onde uns quantos cães me aguardavam...



Várias fotografias depois, e pazes feitas com os bóbis, fiquei bastante agradado com esta quinta. Tenho pena não ter tido a possibilidade de a visitar, no entanto nunca se sabe se futuramente me irá ser permitido visitar tal quinta. Das quintas que aqui já abordei, apenas tive a oportunidade de visitar uma delas.
Entidades públicas e privados, devem reflectir seriamente sobre o futuro destas quinta, já que elas são uma mais-valia para a região de Sicó. Urge recuperar estes edifícios, seja para utilização privada ou mesmo pública. A criatividade não tem limites...


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quintas de Sicó: verbo recuperar...


Cerca de 6 meses depois da última crónica das Quintas de Sicó, volto à carga com esta importante questão. Da última vez fiquei algo perplexo, pois não sendo um tema muito popular, a crónica de então entrou para o ranking dos comentários mais vistos de sempre no azinheiragate. Actualmente está em 4º lugar, com 418 visualizações.
Mais uma vez não irei referir onde é a quinta em causa, de modo a precaver possíveis actos de vandalismo ou mesmo de roubo. Quem conhece sabe onde é e isso chega.
Este é mais um dos extraordinários edifícios com valor patrimonial que, contudo, está no estado em que a foto mostra. Por dentro não faço ideia como estará, mas é de imaginar.
Temos o mau hábito de dizer que somos uma região "coitadinha", que só os pobrezinhos cá vem (dito por um autarca...) e ainda somos campeões a queixarmo-nos do mal em que a região e o país está. Os outros é que são melhores. Viajar faz falta para abrir os horizontes...
Contudo somos uma região que encerra em si mesma património natural (bio e geodiversidade), património cultural e património construído de grande valor. Temos um enorme potencial enquanto região, no entanto continuamos a insistir numa receita que já deu provas de não resultar. 
Em vez de apostar numa estratégia baseada nos recursos regionais, de entre os quais todo este património, continua a apostar-se na conversa das zonas industriais como base fundamental para estratégias de desenvolvimento territorial. Chapa 5 e projectos chave na mão é o que mais há. E quem não concorda, cuidado, é do contra. Enquanto isso acontece, edifícios como este vão-se degradando cada vez mais. Por vezes é culpa de privados, por vezes é culpa de entidades públicas, por vezes é culpa de ambos, já que cada caso é um caso e há situações em que a resolução para o problema é quase que impossível.
Daqui a uns meses trarei mais novidades sobre esta temática...

quarta-feira, 18 de março de 2015

Quintas de Sicó: porque não nos recuperam?


Volto para mais um episódio da crónica "Quintas de Sicó", a qual visa fundamentalmente a sensibilização de toda a comunidade, bem como entidades públicas e privadas, para a importância estratégica da recuperação/reabilitação do vasto património construído na região de Sicó. 
Como é minha intenção, não divulgo a localização exacta dos edifícios em destaque. Isto de forma a evitar que gente sem escrúpulos possa degradar ainda mais este potentoso património. Quem reconhece saberá onde é e quem não conhece tem assim mais um bom motivo para a aventura nesta bela região que é Sicó. Usufruam deste território e descubram as maravilhas da região de Sicó!
Esta quinta, em particular, já não me lembrava dela, pois foram longos anos sem passar por ali. Num dos meus recentes "mergulhos" no território Sicó, acabei por me deparar com este fantástico edifício. Recuperado ficaria um espectáculo para todos verem e alguns usufruirem. Infelizmente está como a fotografia mostra. Nem imagino como estará por dentro. Não sei de quem é este edifício, no entanto espero que de alguma forma este humilde comentário possa ajudar de alguma forma à mudança. Sei que isso é muito difícil, no entanto tentar não custa. Há toda uma série de questões, por vezes interligadas, que dificultam a reabilitação e a manutenção de edifícios como este. Por estas e por outras é que iniciei há alguns anos a crónica "Quintas de Sicó". Se todos fizermos um bocadinho que seja por esta causa, concerteza que o cenário poderá mudar de alguma forma no curto, médio e longo prazo.
Nos próximos meses tentarei inovar nesta questão, convidando um arquitecto para debater esta problemática. Será interessante trazer aqui a voz de um arquitecto, esperando assim dar mais solidez a esta crónica. Entretando irei continuar a minha busca pelas belas quintas de Sicó, pois o património merece!

sexta-feira, 13 de março de 2015

A estratégia do cai cai...


Já andava a pensar neste caso em particular e, depois de uma conversa casual, onde surgiu a casa em causa, decidi que era hora de, utilizando a casa como motivo, abordar uma questão que muito me perturba enquanto geógrafo e enquanto cidadão.
A imagem que a fotografia ilustra faz parte de uma paisagem urbana que me acompanha há muitos anos, representando também património a preservar. Esta paisagem urbana tem-se caracterizado por dois factos principais, (1) a descaracterização urbana que, sob o propósito de uma espécie de requalificação urbana, se assistiu na Vila de Ansião e (2) a ruína consentida de vários edifícios com história. Esta casa catita é um dos exemplos da ruína consentida, a qual ganhou força nos últimos anos, desde que o telhado caiu. Felizmente que, na parte das paredes mestras, concretamente na fachada, o telhado tem-se aguentado, o que garante que a parede vai aguentar mais uns anos. Para o dono isto será eventualmente uma má notícia, pelo menos fico claramente com essa impressão depois de ver o desprezo a que este belo edifício tem sido votado na última década.
Estou curioso para ver se de alguma forma no novo PDM de Ansião irá incluir algumas medidas que impeçam de alguma forma a ruína consentida deste tipo de edifícios e que dificultem a vida de quem prefere deixar cair a recuperar. Aproveito para informar quem ainda não sabe, que o PDM de Ansião está em discussão pública, portanto toca a participar, pois a cidadania passa também por aí!
O eventual interesse no "cai cai" poderá dever-se a um facto muito simples, o de que esta área é bastante apetecível em termos de promoção imobiliária. Depois desta casa ir completamente abaixo fica o caminho livre para eventual construção de duas ou três moradias, o que em termos económicos é altamente vantajoso para o proprietário. Isto acontece um pouco por todo o lado, sendo infelizmente uma realidade bem presente neste país. O ordenamento do território é um faz de conta.
Eu vejo a coisa de um outro prisma, pois para mim o interesse da comunidade está acima do interesse individual, daí defender a reabilitação deste edifício, bem como de muitos outros por ali e não só. Não deve ser o lucro a guiar a questão urbanística, o lucro deve ser um meio para e não um fim.
Apesar de serem várias as pessoas que partilham a minha opinião, reparei que são nenhumas as que fazem questão em debater abertamente este assunto. Não lhes perguntei porquê, mas imagino...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Reabilita-me sff!


Há alguns dias atrás, quando falava com um amigo acerca do abandono a que muitas casas são votadas, surgiu o inevitável argumento do preço deste tipo de casas.
Esta questão é muito subjectiva e leva-nos a longas conversas, que passam pelas questões históricas, culturais, geográficas e outras mais.
Passo então a espicaçar as mentalidades, de forma a promover o debate. Em primeiro lugar, o preço destas casas é muito relativo, já que se ela estiver esquecida no tempo e nos olhares, quem a descobrir e perguntar quanto ela custa, muitas vezes custa dois tostões, isto se o dono for uma pessoa de idade e pouco esclarecida. Ou então se a casa em causa não estiver condenada à ruína total pelo facto de estar em partilhas intermináveis. Se a pessoa a conseguir comprar por dois tostões, facilmente a vai vender por um valor despropositado. Lembro-me de um caso, em que um amigo meu comprou uma casa em ruínas por 14000 euros e passado pouco tempo já tinha uma inglesa a oferecer 40000 pela mesma casa. Surpreendidos?! 
Assim sendo, e desmistificado um estereótipo, vamos lá então ao segundo ponto, ou seja o preço da reabilitação das mesmas. Obviamente que havendo poucas empresas dedicadas à reabilitação destas casas, os preços não são os melhores, mas mesmo assim é algo de natural, pois se não há muitas empresas no ramo, os preços inflacionam. Depois há uma outra questão, o de querer tudo feito, de poucos serem aqueles que sabem fazer algumas coisas no domínio da reabilitação, ou seja, poucos são os que sabem ou querem meter a mão na massa, preferindo comprar tudo feito. Há quem não saiba pegar num martelo.
Surge então o estereótipo das divisões, onde ficamos muitas vezes reféns do que os outros pensam e não do que gostamos, preferindo nós sermos levados pela opinião dos outros e não pela nossa. Divisões a mais, nada de open spaces e por aí adiante. Curiosamente, ou não, as pessoas mais satisfeitas são aquelas que recuperam estas casas ao seu gosto e não a gostos impingidos.
Poucos são os que imaginam que, ao mesmo preço de uma casa ou apartamento feito de raiz, conseguem ter uma casa destas recuperada. Essa é a realidade de hoje em dia. Há uns anos era diferente, eu sei, mas estou a falar da realidade actual. Os tempos são outros, os materiais e tecnologias são outras.
Não há nada que se compare a uma casa destas recuperada, nem mesmo uma casa feita de raiz. Estas casas antigas têm alma e história. Além disso muitas vêm com terrenos agricultáveis, com uma paisagem viciante, com rebanhos por perto, com árvores de fruto e com muito mais. Convencidos?!
É tudo uma questão de opção perante a vida, de não nos deixarmos subjugar a interesses económicos que querem que nós fiquemos entre 4 paredes, bem pertinho de outras 4 paredes, de forma a estarmos mais expostos a um sistema que vive apenas do consumismo bacoco.
Lembrem-se que muitas vezes os preços absurdos que algumas destas casas se devem a nós mesmo, pois numa primeira fase desprezámos estas casas (a cidade ou vila é que é...), não lhe reconhecendo valor e depreciando-as e depois, numa fase de revivalismo, começamos a dizer que estas casas é que valem a pena (vamos voltar para o campo que é que é...).
Naturalmente que nem sempre estão reunidas as condições para algumas pessoas reabilitarem estas casas, mas há muitas outras que poderiam. Dá que pensar, ou não?!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quintinhas de Sicó


Nem sempre a dimensão é relevante no que se refere à importância do edificado da região de Sicó, daí ter decidido iniciar uma variante às "Quintas de Sicó". Com as "Quintinhas de Sicó", pretendo mostrar que nem sempre a dimensão é o mais importante no que refere à mais valia patrimonial do edificado da região de Sicó. Naturalmente continuarei a não divulgar a localização deste património, de modo a evitar que este chegue ao conhecimento de alguns gatunos que por aí andam.
Começo as "Quintinhas de Sicó" com uma casinha que me fascina sempre que por ali passo. Naturalmente que há muitas mais, algumas conheço, outras nem por isso, mas mesmo assim irei em busca de ambas, já que há muitas que valem a pena ser divulgadas. Obviamente não conseguirei dizer muito sobre as linhas arquitectónicas destas quintinhas, mas afinal o que pretendo é, acima de tudo, mostrar as mais valias da região. O/As arquitecto/as são quem nos pode ajudar a aprofundar o conhecimento sobre esta temática. Há alguns que se dedicam à arte da difusão do conhecimento, outros nem por isso, mas afinal isso acontece em todas as profissões. Que tal surgir um blogue dedicado especificamente à região de Sicó no domínio da arquitectura tradicional? Fica o desafio ao pessoal da arquitectura!
Espero também que este comentário seja mais uma pequena ajuda para vos ajudar a reflectir sobre a importância de se recuperarem as quintas e quintinhas de Sicó, pois embora ainda haja algumas em condições, outras há que se vão perdendo. Há que reabilitar o património!